sexta-feira, 25 de maio de 2012

UMA TAREFA NADA FÁCIL




  Quem foi que disse que quebrar tabus é tarefa fácil? Não, não é. Mas faz-se necessário quebrá-los. Trata-se de um grande desafio entender porque temos tanta dificuldade em lidar com certos assuntos. 

            Ser cristão significa sermos capazes de encarar, entre outros, temas como a Divindade, criacionismo, justificação pela fé, profecias, a sexualidade com naturalidade, seriedade e serenidade suficientes para não nos tornarmos presas fáceis do inimigo. Está escrito: Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar.” (1 Pedro 5:8) .

            No contexto da sexualidade, vocês não fazem ideia da quantidade de jovens solteiros, de adultos casados, em suas mais diversas faixas etárias, dentro de nossas igrejas, que carregam o pesado fardo da culpa por terem transgredido o sétimo mandamento (Êxodo 20:14, Deuteronômio 5:18; Mateus 5:27 ).

            Igualmente grande é o número de casais vivendo de aparências, levando uma vida medíocre porque não tem a coragem de assumir e consequentemente buscar ajuda para seus problemas. Para piorar as coisas encontramos ainda “líderes” de moral duvidosa, falsos moralistas, incapazes de prover o auxílio que é mister. As Santas Escrituras censuram toda forma de zelo desprovida de entendimento (Romanos 10:2).

            Mas não se aflijam, tabus, falta de conhecimento nesta área não é exclusividade nossa. Até em países de primeiro mundo eles se fazem presentes.  É o que nos mostra  Stanton Jones, professor de Psicologia na Wheaton College, Massachusetts, USA, que juntamente com sua esposa Brenna, já escreveu quatro livros na série de educação sexual para famílias cristãs que foi publicada pela NavPress, em seu artigo intitulado Como Ensinar Sobre Sexo. Trata-se de um texto bastante desafiador, elucidativo, utilíssimo para nossa reflexão. Uma leitura imperdível.



Como ensinar sobre sexo

Postado em 10 22:29:16/07/2011

Infelizmente, começamos a formação de nossos jovens tardiamente, de maneira ambígua e ineficaz.

Por Stanton Jones

Desde que o aborto foi legalizado nos EUA em 1973, foram registrados mais de 45 milhões de abortos. Esta perda de vida humana é equivalente ao número de pessoas exterminadas na repressão de Stalin na União Soviética ou à perda de vidas na China comunista de Mao. Estas são estatísticas que já usei em outros contextos para demonstrar a profundidade da perversidade humana.

O que as igrejas podem fazer para reduzir o aborto? A resposta de igreja precisa ser multifacetada:

- Precisamos educar, moldar nossos jovens e todas as pessoas. Os Cristãos Evangélicos precisam aprender a celebrar e abraçar sua sexualidade, vivendo esta sexualidade em santidade, não abrindo espaço para o aborto.

- Precisamos criar comunidades que apoiem as responsabilidades e a restrição sexual para os solteiros adultos em nosso meio, que se perdem tão frequentemente na cultura do “mercado da carne”.

- Precisamos formar na consciência das pessoas de nossa comunidade a questão do valor da vida humana.

- Precisamos capacitar membros da igreja para se tornarem cidadãos articulados que compreendam as questões morais nas quais se enquadram as leis e a liberdade, mobilizando cidadãos que possam exercer seus direitos democráticos para moldar a lei do país.

- Precisamos apoiar aqueles que se mobilizam de maneira pensante, testemunhas efetivamente proféticas contra a morte de seres humanos “indesejados”.

- Precisamos ampliar nossos trabalhos de compaixão com crianças que precisam de adoção para que tenham alternativas viáveis de vida e sejam poupados do aborto.

- Precisamos nos empenhar em criar caminhos para que pessoas escapem da pobreza, do sentimento de desesperança e desamparo que é tão comum hoje em nossa cultura.

- Precisamos contribuir para o fortalecimento do casamento e fortalecer o apoio das comunidades para pais e mães solteiros e famílias quebradas em uma época na qual os abortos são feitos em sua maioria não em adolescentes grávidas, mas em mulheres adultas, muitas delas que já tem um ou mais filhos.

- Precisamos orar sem cessar.

Esta é uma desanimadora lista de coisas a fazer. Vou focar nas primeiras ações, porque uma compreensão positiva e profundamente bíblica acerca da sexualidade é algo extremamente necessário nas igrejas evangélicas de hoje. Para uma comunidade que se orgulha por ser “bíblica”, é chocante enxergar a distorção do nosso foco sobre sexualidade. Uma visão bíblica sobre a sexualidade é profundamente positiva, atraente e profundamente arraigada no valor da vida, um paradigma sobre o qual devemos tratar a questão do aborto.

Evangélicos não são fundamentalmente contra o aborto – em nível mais básico, somos definidos por aquilo que somos a favor, mais do que por aquilo que somos contra. Somos fundamentalmente valorizadores da vida e da sexualidade, pois celebramos estas verdades que são nossas em Jesus Cristo.

Infelizmente, começamos a formação de nossos jovens tardiamente, de maneira ambígua e ineficaz. Estamos presos a um paradigma de indiferença e negação quando pensamos sobre a sexualidade. Nossos pastores tem evitado o tema a não ser para rápidas mensagens, orientadas pela culpa e que contém a frase “diga não”. Para nossa tristeza, muitos líderes evangélicos fracassam ao tentar viver os padrões que proclamam e se tornam exemplos públicos de hipocrisia. Visões conflitantes sobre a sexualidade contribuem para que estes fracassos se tornem argumentos e seduzam a nossa juventude. As duas principais visões conflitantes acerca da sexualidade: em primeiro lugar, o naturalismo evolutivo. O ponto de vista do naturalismo, materialista, reduz a realidade ao físico. Sob este ponto de vista, o sexo não tem significado. Um slogan da psicologia evolutiva diz: “Uma galinha é apenas a maneira de um ovo fazer outro ovo”. O sexo seria algo puramente mecânico no qual os genes se reproduzem.

O naturalismo evolutivo é uma maneira fria de ver as coisas e, portanto é fácil compreender porque outro ponto de vista tem um apelo crescente. Eu vou chamá-lo de “formação de identidade pós-moderna”. Pensadores como Nietzsche e Foucault afirmaram que as pessoas estabelecem sua verdadeira personalidade quando rejeitam as normas da sociedade, particularmente na área da moralidade sexual. Nietzsche prometeu que a “Natureza” irá “entregar seus segredos” quando formos bem sucedidos em “nos opor vitoriosamente de maneira antinatural”. Foucault recomendou a “ética da transgressão”.

É parte da condição geral humana a ânsia por sermos nossos próprios deuses e construirmos nossas próprias realidades. D.H. Lawrence escreveu: “[Homens] vivem na feliz obediência daqueles que acreditam ser seus mestres ou vivem em real oposição ao mestre que querem vencer. Na America esta oposição tem sido um fator vital”.

Isto é Romanos 1 vivido de maneira prática como nunca antes. Hoje nos rebelamos não apenas contra os limites culturais e morais, mas também contra os limites biológicos de nossas realidades físicas, como nossos órgãos corporais e até mesmo nossa sexualidade masculina ou feminina. Nos rebelamos ao substituir Deus e seu chamado em nossa vida através de nossos comportamentos, preferências e identidades sexuais. O teólogo David Bentley Hart caracterizou o ideal moderno da autonomia pessoal: “Somos em primeiro lugar, consumidores insaciáveis e não podemos permitir que os espectros da lei transcendente ou a culpa pessoal nos tornem indecisos. Para nós, o importante é a escolha em si e não o que escolhemos”.

Um poderoso modelo contemporâneo da formação da identidade pós-moderna vem de minha organização profissional. Ela afirma que algumas religiões trazem uma visão de que a vida é a luta para trazer a minha vida em congruência com algo maior e que vai além de mim. Em contraste, “modelos multiculturais e afirmativos da psicologia lgbt” tratam da vida como uma busca da congruência para o que experimentamos agora.

Em face a estes pontos de vista, que visão de sexualidade verdadeira, bíblica e positiva pode ser ensinada à igreja e pela igreja? Os elementos chave dizem respeito ao nosso corpo, nossa encarnação, sexual e em gênero, relacional, feitos à imagem de Deus, caídos e conflitantes, abençoados com significativas relações sexuais e a alma em construção.

1. Temos um corpo. Somos encarnados.

“Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida, e o homem se tornou um ser vivente” (Gênesis 2:7).

Ser humano é ser uma criatura física e biológica. Cristãos enxergam toda a existência física, da grandeza do cosmos até a particularidade do corpo humano, como bondosa e boa criação de Deus. A existência física não é divina, mas é boa. A bondade do corpo, da encarnação, está baseada também nas doutrinas da Encarnação e da Ressurreição. Se Deus pode se tornar totalmente humano, a existência física não deve ser intrinsecamente má ou incompatível com a perfeita bondade. Da mesma maneira podemos apreciar nossa encarnação porque o estado final da humanidade redimida será na ressurreição, nossos corpos perfeitos. Somos mais do que corpos, mas somos corpos. Ao longo da história, a teologia Cristã caminhou de forma perigosa para longe desta verdade.

Na Antiguidade, a teologia Cristã foi moldada pela filosofia platônica e estóica e até mesmo conhecimentos gnósticos que denegriam o corpo. Durante o Iluminismo, muitos exaltaram a razão, que distanciou a experiência humana de outros aspectos.

Reações atuais contra a compreensão naturalista da natureza humana podem alimentar a mesma dinâmica. Ao invés disto, devemos afirmar que para sermos totalmente humanos é necessário ter um corpo, assim como devemos afirmar que nunca somos meramente físicos.

Como a nossa encarnação lida com o aborto? Muitos se impressionaram com a queda no número de abortos em adolescentes na última década. Alguns especulam que nada influenciou mais esta estatística do que a proliferação da tecnologia do ultrassom, na qual é possível visualizar o feto vivo e em movimento dentro da mãe. Este crescente conhecimento do que antes era considerada “a vida secreta do bebê” provocou um reconhecimento da nossa identificação e vida compartilhada com o feto. Saber que somos fundamentalmente e irrevogavelmente corpos, apoia à nossa compreensão de fetos e bebês como nossos irmãos e irmãs.

2. Somos seres sexuais.

“Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27). “Deus viu tudo o que havia feito e tudo havia ficado muito bom” (Gênesis 1:31). Não somos seres físicos genéricos, mas somos seres sexuais e com gênero específico. Em algumas histórias de criações na antiguidade, os dois sexos eram vistos como um erro. As mulheres eram retratadas como formas deficientes de homens. Em oposição a isto, o Gênesis declara que a criação de Deus dos dois gêneros foi um propósito divino, ambos os sexos feitos “à imagem de Deus” e humanamente incorporados, masculino e feminino, as duas criações descritas como muito boas. Na Antiguidade, esta era uma visão radical.

Como isto está relacionado com o aborto? As Escrituras apresentam a possibilidade de ter filhos como uma benção. O sexo é fundamentalmente ligado à questão dos filhos. As questões entre o sexo e a procriação em nossa cultura contraceptiva, que prega o “sexo para recreação” tem distorcido profundamente a visão acerca da sexualidade. As Escrituras também descrevem os prazeres físicos da união sexual (Provérbios 5) e relaciona o erotismo explícito com o amor romântico e a intimidade (Cântico dos Cânticos).

O apóstolo Paulo adverte aos homens e mulheres casados que satisfaçam as necessidades sexuais um do outro (1 Coríntios 7:1-6). Mas precisamos exercitar a cautela quanto a este assunto. As implicações concretas do sexo - a procriação, o prazer físico e o erotismo, a necessidade sexual - estão ligadas à união física que foi intencionada por Deus aos casados, mas os solteiros não são seres menos sexuais do que os casados. O próprio Senhor Jesus é um exemplo de uma existência sexual completa como um homem hebreu, mas sem a união sexual do casamento. As Escrituras nos falam pouco sobre esta compreensão da sexualidade de Jesus, mas os ensinamentos bíblicos nos dizem que “era necessário que se tornasse semelhante aos seus irmãos em todos os aspectos”, e que “ele mesmo sofreu quando foi tentado”, e que “como nós, passou por todo tipo de tentação”, isto sugere que Jesus adentrou no âmbito da sua sexualidade como homem, “porém, sem pecado” (Hebreus 2:17; 18; 4:15).

Nossa sexualidade é expressa, mas não reduzida às experiências sexuais do casamento. Todas as pessoas são seres sexuais enquanto gênero, feitos unicamente em corpos femininos ou masculinos, seres que contém sensações, desejos e capacidades emocionais e cognitivas de seu gênero.

Gênero é apenas uma das facetas da sexualidade e o gênero em si é construído através das dimensões biológicas, psicológicas, emocionais e relacionais.

3. Somos relacionais

O livro de Gênesis nos ensina a pensar na natureza humana como fundamentalmente relacional. O Criador julga que o primeiro homem está incompleto, apesar de viver em um ambiente perfeito, com o trabalho perfeito, em um relacionamento perfeito com o Deus Trino (que é em si, relacional).

“Não é bom que o homem esteja só”, disse Deus (Gênesis 2:18) e Deus então criou para ele a parceira perfeita. O homem reconhece como a mulher pode completá-lo perfeitamente e Deus afirma isto quando descreve esta realidade: “por esta razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (Gênesis 2:24).

O amor romântico então se torna uma maneira importante de experimentar esta realidade relacional. Nós experimentamos isto também através da relação entre pais e filhos, nas amizades e outros relacionamentos. Isto é parcialmente baseado em nossa sexualidade. Ser sexual é estar incompleto e esta falta nos move na direção dos relacionamentos. Depois da Queda, nossa experiência humana é a de que nossos relacionamentos, com Deus e com as pessoas, são relacionamentos fraturados. Se o primeiro pecado humano é o orgulho de sua autosuficiência perante Deus, nossa sexualidade carrega testemunho contra nossa mentira, uma vez que nossa biologia afirma que não somos auto suficientes, que não podemos escapar da necessidade de uma relação com o outro. Solteiros ou casados, sabemos que fomos feitos para relacionamentos.

4. Somos feitos à imagem de Deus

Catherine Beckerleg, uma colega na Wheaton College, relata que Deus criou todas as criaturas dos mares e os pássaros do ar de acordo com seus tipos, que os animais silvestres vivem de acordo com suas espécies. Mas Deus não criou os primeiros humanos de acordo com suas espécies, mas os criou da espécie, da maneira de Deus – à sua imagem e semelhança (Gênesis 1:21;24;26).

As culturas próximas a Israel na Antiguidade usavam narrativas sobre a criação para estabelecer os sucessores do rei das tribos. O objetivo era a exclusão: o rei era parte da família divina e seus súditos não. Que inversão de valores temos no Gênesis! Ele estabelece uma linhagem real e divina de toda humanidade. Somos realeza! Somos filhos de Deus. Ser moldado à imagem de Deus também significa que somos capazes de exercer domínio, que temos capacidades morais, relacionais e racionais. Se todos os humanos são feitos à imagem de Deus, assim também são as crianças que não nasceram. A sexualidade parece estar explicitamente conectada a viver à imagem de Deus. Nenhum trecho reflete mais claramente esta afirmação do que Gênesis 5:1-3, no qual se encontra a declaração inclusiva a ambos os sexos e a toda a raça humana: “Quando Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez, homem e mulher os criou. Quando foram criados, ele os abençoou e os chamou “Homem”, e em seguida encontramos o relato de que Adão “gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem”.

A maneira com a qual o trecho de Gênesis 5 reafirma a linguagem de Gênesis 1:26 é impressionante. A concepção e o nascimento de um filho para o primeiro casal é paralela à maneira com que Deus se tornou pai dos primeiros humanos. A imagem de Deus não pode ser reduzida simplesmente à procriação, mas o ato da procriação humana é uma das partes do que significa ser à imagem e semelhança de Deus.

5. Estamos quebrados e pervertidos

Até agora, tudo estava bem. As verdades básicas acerca de nossa sexualidade são positivas. Mas esta não é a imagem completa. A humanidade está quebrada e em rebelião contra Deus. Isto não erradicou a bondade primária da natureza humana, mas impôs novas condições para a experiência humana. Geralmente pensamos sobre os pecados como atos de desobediência, mas o próprio pecado demonstra a fragilidade do nosso ser e suas manchas de decomposição e ruína. Nossa liberdade está limitada por nosso “vício” em coisas que são menores do que a completude e a bondade do que Deus deseja para nós. Esta limitação aponta não apenas para nossa rebelião contra Deus, mas também para uma força do mal que atua fora de nós. Nossos desejos sexuais estão baseados em nossas boas capacidades para união, amor e prazer, mas estão sempre maculadas pelo egoísmo, sensualidade (apetites sexuais desconectados dos propósitos transcendentes) e o desejo de dominação.

Esta é a razão pela qual experimentamos conflitos profundos em nossa sexualidade. Temos conhecimento da bondade do potencial e da realização de nossa natureza sexual, mas não experimentamos esta bondade de maneira pura. Ao contrário dos teóricos da sexualidade que trocam o que é por aquilo que deveria ser, nossas fraturas nos alertam que podemos aprender sobre a nossa natureza humana ao observar nossa sexualidade.

6. Encontramos realidade objetiva quando fazemos sexo

Os contemporâneos do Ocidente acreditam que as relações sexuais adquirem o significado que trazemos a elas. O sexo pode ser um ato de amor e devoção ou uma mera liberação física, uma transação comercial, dependendo da intenção de quem age. Nós pensamos que o sexo significa aquilo que queremos que signifique, o que quer que seja.

Philip Turner argumenta que se acreditamos que a relação sexual não tem um objetivo significativo, então apagamos todo o significado moral. A relação sexual se torna apenas mais uma maneira de conquistar os desejos. Assim, os atos perdem seus valores morais, apenas os fins podem ser julgados. Seguindo a tradição apostólica, Turner argumenta que a relação sexual cria uma união de uma só carne. A questão da criação, os ensinamentos de Cristo sobre o divórcio e passagens como 1 Coríntios 1:6-7 nos ensinam que Deus idealizou a relação sexual para criar e sustentar uma união permanente, de uma só carne, em uma relação para casados: homem e mulher.

O fato de que a relação sexual cria uma união de uma só carne desafia profundamente nosso individualismo. Este não é o único desafio. Aprendemos do apóstolo Paulo que a união do casamento dá testemunho de algo maior do que o próprio casamento (Efésios 5:32): todos os cristãos participam de um corpo místico, que é verdadeiramente o corpo de Cristo (1 Coríntios 12) e a consumação da história não é a redenção de um grupo de indivíduos, mas o casamento entre o Noivo (O Cordeiro) e sua Noiva (coletiva e singular). Isto revela uma identidade coletiva que nenhum de nós pode compreender profundamente. Há mais no sexo do que podemos enxergar.

7. Somos almas em construção

Quem somos realmente? Para responder a esta pergunta, precisamos compreender se nossa identidade é algo que nos foi presenteado e descobrimos ou se é algo progressivamente construído. Os dois competidores na área da sexualidade – naturalismo evolutivo e formação de identidade pós- moderna – nos apresentam suas respostas.

Naturalismo diz respeito a total descoberta – somos o que somos – e o que descobrimos é que não somos muita coisa e não somos tão importantes. Não nos surpreendemos ao ver tantos lutando com o desespero. A formação de identidade pós-moderna diz respeito a uma total formação progressiva – somos aquilo que fazemos através das nossas vontades. Muitos acreditam que a sexualidade, nas palavras de Turner, “define de muitas maneiras a profundidade do ser” e que nossa sexualidade é fundamenta no processo de descoberta do “poder e das habilidades em descobrir, desenvolver e exercitar-se ao longo da vida”. Em seguida diz que “a negação da sexualidade é a negação do ser, da identidade mais básica”.

A visão cristã da pessoa nos leva a uma direção diferente: a verdadeira identidade é descoberta e formada. Nossa compreensão acerca de nós mesmos começa com a realidade das nossas vidas, significados revelados por Deus e trabalhados em nossa comunidade real. Além disto, nossa identidade está baseada em visões de realidades objetivas para além de nós mesmos, visões de virtude e bondade além de nossas habilidades. É aqui que incluímos nossa formação: à luz do que descobrimos sobre nós mesmos, fazemos escolhas que nos moldam. Nossa sexualidade tem significados e implicações que existem independentemente do que podemos pensar que queremos dizer com nossas ações. Formamos nosso ser enquanto respondemos a estas realidades objetivas e buscamos (ou deixamos de buscar) as virtudes intrínsecas. Obediência e desobediência nos marcam e nos moldam. Existe uma natureza no ser. Parte do ser é descobrir quem somos. Parte desta realidade objetiva é nossa sexualidade, um dos melhores presentes de Deus.

A formação do ser de maneira apropriada acontece quando somos submissos a Deus, que nos transforma conforme obedecemos à sua vontade revelada e nos alegramos em uma relação com o Salvador que vive em nós e nos molda. Uma pessoa que é apenas descoberta não se desenvolve totalmente e é empobrecida. Uma pessoa formada de maneira autônoma longe de Deus é empobrecida e subdesenvolvida da mesma forma. Uma pessoa descoberta e então formada através do processo de morte do pecado e do alto custo da obediência a Deus, processo este doloroso, de humildade e intimidade, torna-se mais confiante e real. D.H. Lawrence descreveu precisamente a cura para nossos distúrbios: “Os homens são livres quando obedecem a uma voz interna e profunda de uma crença. Obediência no íntimo, de dentro para fora. Os homens são livres quando pertencem a uma comunidade de fé, de vida, orgânica, ativa em preencher as lacunas e os propósitos tantas vezes despercebidos... A Liberdade na América teve seu significado distanciado da quebra das garras de um domínio. A verdadeira liberdade só começará quando os americanos descobrirem a profundidade integral do ser”.

Lawrence estava certo quanto a isto. O eticista Gilbert Meilaender acrescenta: “Ser humano...é aprender a viver e amar dentro dos limites – os limites da nossa encarnação, nosso corpo, nossa vida mortal, os limites daqueles que se abrem para Deus. É para reconhecer e honrar este lugar específico – entre as bestas e Deus – que ocupamos nosso lugar na criação”.

A Igreja Cristã tem ensinado corretamente que a sexualidade é crucial para a compreensão do ser, da pessoa, e da ética sexual na formação da pessoa. Temos defendido a vida humana como preciosa e criada à imagem de Deus. Somos confrontados com um enorme desafio de tentar testemunhar efetivamente a uma cultura secularizada na qual as pessoas estão viciadas em pensar em si mesmas como seres autônomos que podem ser criados à sua própria imagem. Somos desafiados a testemunhar pela vida em uma cultura que parece abraçar intencionalmente a morte. Precisamos viver na tentativa de entregar as pessoas o que nos foi entregue: a revelação verdadeira do Deus vivo. É basicamente através da sua Palavra Viva que compreendemos o quanto a humanidade está quebrada e onde está a cura.



Stanton Jones é professor de Psicologia na Wheaton College. Junto a sua esposa Brenna, já escreveu quatro livros na série de educação sexual para famílias cristãs que foi publicada pela NavPress.

Tradução de Karen Bomilcar

Copyright © 2012 por Cristianismo Hoje.




quarta-feira, 16 de maio de 2012

VOCÊ DECIDE


            Tendo em vista a proposta apresentada no artigo “QUEBRANDO TABUS”, postado em 11.05.12 coloco diante dos irmãos e amigos leitores a oportunidade de opinarem sobre que assuntos gostariam que discorrêssemos primeiro. A ordem abaixo descrita, bem como os textos apresentados é a colocada no best-seller O Mito da Grama Mais Verde de J. Allan Petersen, 4ª Edição.

            Trata-se de uma obra extraordinária,  esclarecedora, indispensável na vida de todo aquele que se intitula ser cristão e que servirá, inicialmente, de base para nosso estudo.

            Não deixe de fazer sua escolha (comentários no blog, ou se preferir use o E-mail: nelson_tsantos@hotmail.com) – opte por um ou mais capítulos e aguarde. Os textos serão apresentados de acordo com o n° votos recebidos.
            Com a palavra, os leitores.


≠Capítulo 1

Ainda existe alguém fiel?

O que outrora era chamado de adultério e escondido como estigma de culpa e embaraço, agora é um “caso” – uma palavra que soa bem, convidativa, envolta em mistério, fascínio e emoção.

≠Capítulo 2

Romance na Cumeeira

Nenhum bom crente, ou boa crente, se levanta de manhã cedo, olha pela janela, e diz: “Puxa, que dia bonito! Acho que vou sair por aí e cometer adultério”. Não obstante, há muitos que o fazem. (Florence Littauer).

≠Capítulo 3

Por que os cônjuges se traem?

O “caso” é um sinal da necessidade de ajuda; uma tentativa para compensar as deficiências que há no relacionamento, devido à tensão circunstancial – um aviso de alguém que está sofrendo. (Susan Squire).

≠Capítulo 4

Mitos e lendas acerca do casamento

Quando alguém espera, do casamento, algo que ele nunca pretendeu dar, está condenado a sentir-se frustrado, desiludido e irado.

Isto pode tornar-se uma desculpa para um “caso” ou pode ser uma oportunidade para crescer.

≠Capítulo 5

Não me induzas à tentação

Se você está pensando, em seu íntimo: “Um ‘caso’ jamais poderia me acontecer”, está em dificuldades.

Crer que somos imunes nos deixa completamente expostos e desprotegidos. (Ellen Williams).

≠Capítulo 6

Aconteceu – e agora?

Muitos maridos e esposas pensam que é mais fácil promover a separação do que consertar o casamento.

Só quando já é tarde demais é que eles percebem que escolheram o caminho mais fácil, mas não o mais sábio.

≠Capítulo 7

Desfazendo o triângulo

Ainda estou para ver um casamento ameaçado pela intrusão de uma terceira pessoa em que cada um dos parceiros não contribuiu para o triângulo. (Drª. Evelyn Miller Berger).

≠Capítulo 8

Anatomia de um “caso” – e depois!

Um impulso interior irresistível alimentou esse “caso” ardente por mais de dois anos. Rogando poder, ele agora transformou-se em outra pessoa, o que causou grande regozijo.

≠Capítulo 9

Torne seu casamento invulnerável a “casos”

Não há salvaguarda melhor contra a infidelidade do que um casamento vital, interessante. (Dr. Norman M. Lobenz).

≠10

Um teste matrimonial para esposas e maridos

sábado, 12 de maio de 2012

PELAS SUAS ORAÇÕES OS CONHECEREIS


Introdução.

           Uma receita infalível a todos aqueles que desejam ter a sua fé fortalecida e por que não, tornar-se um herói da fé: um diligente estudo das profecias bíblicas (Daniel e Apocalipse) e da história da igreja, bem como dos personagens envolvidos.

           Além de se alcançar o objetivo desejado, chegar-se-á a seguinte conclusão: o sucesso de uma vida cristã vitoriosa não tem nada a ver com as habilidades e sim com as disponibilidades. E mais: suas orações serão verdadeiras assinaturas.



           Ilustração.

           Um soldado foi pego rastejando de volta ao quartel vindo dos bosques vizinhos. Levado até o oficial comandante, foi culpado de estar se comunicando com o inimigo.

           O soldado afirmou que tinha ido aos bosques para orar sozinho. Foi sua única defesa.

           - Ajoelhe-se e ore agora! Você nunca precisou tanto. Bradou o oficial.

           Esperando morte imediata, o soldado ajoelhou e derramou sua alma numa eloqüente oração.

           - Pode ir, disse o comandante, acredito em sua história. Se você não orasse tão frequentemente não teria feito tão bem esta oração.

           Concluímos, pois, que existe um tempo em que se aprende a orar.

           A hora de aprender a nadar é quando as águas estão calmas – não quando a maré está subindo. A hora de aprender a orar como um hábito de vida é agora – não quando a maré da vida muda com repentina fúria.

           Nada coloca mais sentimento numa oração do que uma boa razão para orar.

           Está escrito: “Orai sem cessar. Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (I Tess 5:17-18).



           Uma pequena aula de história.

           Na história do adventismo o nome da Sra. Pierson deveria figurar com maior destaque. Motivo: Seu filho Roberto, vivendo uma adolescência despreocupada e sem cuidados, havia perdido gradualmente o entusiasmo pelo “reino de Deus e Sua justiça”.

           O amor aos esportes ocupava um lugar preferencial em seu coração.

           A Sra. Pierson acreditava no poder da oração intercessória e com freqüência se levantava altas horas da noite para derramar perante Deus sua alma atribulada e aflita, intercedendo em favor daquele que era um prolongamento de sua vida, desdobramento de seu amor. O Pr. Enoch de Oliveira, em seu livro intitulado A Mão de Deus ao Leme a compara a viúva importuna descrita nos evangelhos.

           Um dia chega a notícia: “Mamãe gravemente enferma. Regresse com urgência”.

           2400 km separavam mãe e filho naquele momento e Roberto inicia a viagem em seu velho carro que duraria três dias. E enquanto viajava as lembranças da mãe passam pela sua mente como num filme.

           A distância entre os estados da Iowa e Flórida era evidentemente grande e uma pergunta não saia de sua mente: Será que chegarei a tempo para dizer a minha mãe que não mais estou fora dos caminhos do Senhor?

           Com efeito, o Espírito Santo estava realizando sua obra poderosa e transformadora no coração de Roberto.

           Quando ele chega sua mãe já havia entrado em coma. Não viveu o bastante para ver que suas orações foram atendidas.

           Profundamente triste retira-se para um aposento para dialogar com Deus. Ajoelhou-se junto a uma cama, abriu a Bíblia diante dele e, em prantos sentenciou.:

           “Senhor, aqui estou, exatamente onde deveria ter estado há anos. Agora, a Ti me entrego sem reservas. Que queres que eu faça”?

           Como resposta, fulgurou em sua mente o texto inspirado: “Dá-Me, filho Meu, o teu coração e os teus olhos observem os Meus caminhos” (Prov. 23:26).

           O jovem Roberto Howard Pierson concluiu o curso teológico em 1933 e em 1966 chegava à presidência da Associação Geral (1966 -1979). 

           Escreveu um livro intitulado Para Você Que Quer Ser Líder onde figura uma oração, que ele próprio escreveu quando ainda dirigia os destinos da igreja.

           Nesta simples oração encontramos o segredo de uma existência vitoriosa, de uma vida de fé a serviço de um grande ideal.

           Mesmo que você nunca tenha visto, lido ou ouvido falar acerca deste grande servo de Deus é perfeitamente possível conhecê-lo, traçar o seu perfil, vislumbrar o seu caráter, os princípios divinos que norteavam sua vida. Sua oração é uma verdadeira assinatura.



          

           Querido Senhor:



           1-Ajuda-me a ser eu mesmo o que desejo que os outros se tornem – um cristão nascido de novo e praticante. Qualquer reputação como um líder deve ser medida com esta que é a mais elevada de todas as vocações.

           2-Ajuda-me a exercer maior tato, a ser tão solícito e bondoso como Jesus foi com os que eram alcançados por Sua vida. Ajuda-me a nunca ser rude, nunca falar desnecessariamente uma palavra severa, jamais ocasionar dores desnecessárias a uma alma sensível.

           3-Ajuda-me a ser corajoso, alegre, zeloso e possuído de santo entusiasmo para meu trabalho [Jr. 48:10 pp].

           4-Dá-me uma consciência que sinta nitidamente o pecado da inatividade; capacita-me a abrir portas de oportunidade nas muralhas que me separam do mundo.

           5-Que eu nunca pergunte: “Isto é seguro?” “Isto é político?” “Isto é popular?” Mas sempre: “Isto é correto?”

           6-Ajuda-me a aumentar o valor de todas as pessoas que me rodeiam.

           7-Ajuda-me a ser suficientemente grande para passar por alto os menosprezos, sejam intencionais ou despercebidos, a perdoar e a esquecer as injúrias.

           8-Dá-me graça para jamais retaliar ou ser vingativo – sobretudo, Senhor, nunca usar a minha influência ou posição para me vingar de alguém que se a pôs a mim ou me feriu.

           9-Ajuda-me a nunca criar desnecessariamente problemas com os meus companheiros de trabalho.

           10-Que eu possa evitar a trivialidade. Que eu esteja disposto a ceder em pontos que não envolvam princípios.

           11-Ajuda-me a tratar aqueles que estão “sob minhas ordens” com tão grande respeito e deferência como trato meus “superiores”.

           12-Ajuda-me a nunca passar a culpa a outros, mas aceitar a minha responsabilidade quando as coisas saem erradas.

           13-Ajuda-me a não pedir aos outros o que eu posso mas não quero fazer. Permita-me exercer a liderança mais, por exemplo, do que por preceito.

           14-Ajuda-me a regozijar-me sempre com o êxito de um irmão, mesmo quando tenha sido as minhas custas.

           15-Não permitas que me alimente das cascas dos fracassos e tolices dos outros. Senhor se não tenho nada de bom para dizer de um irmão, ajuda-me a manter a minha boca fechada [v.tb. Tg 1:19].

           16-Lembra-me com freqüência, cada dia que “o que guarda a boca conserva a sua alma; mas que muito abre os lábios a si mesmo se arruína” [Provérbios 13:3].

           17-Concede-me paciência debaixo da provação, recorda-me as palavras do sábio: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” [Provérbios 15:1].

           18-Ajuda-me a ceder sempre graciosamente quando meu irmão não vê luz em meus planos ou propostas. Unicamente quando princípios estão em jogo, ajuda-me a permanecer “firme pelo que é reto, ainda que caiam os céus” [Educação, pág. 57].

           19-Ajuda-me a não agir impetuosamente ou em julgamento apressado. Quero lembrar sempre que as emergências demandam uma atenção e uma ação imediatas, mas a maioria das decisões é tomada numa atmosfera de oração e reflexão.

           20-Ajuda-me a usar sabiamente os recursos do Senhor - não são meus, mas Teus, e muitos desses centavos vieram através de muitas horas de trabalho e de abnegação.

           21-Ajuda-me a não comprometer-me tanto com as responsabilidades administrativas que eu perca de vista a minha mais elevada vocação – ganhar almas. Relembra-me frequentemente que estou nesta vida, unicamente a fim de preparar-me e preparar outros para a vida porvir.

           22-Ajuda-me a ser um homem de oração e um homem da Palavra, e que nunca encoraje a outros nestes dois importantes requisitos de êxito espiritual, meramente por preceito. Que cada dia comece e termine Contigo.

           23-Que nunca creia que nenhuma tarefa, com a ajuda divina, é impossível.

           24-Ajuda-me a nunca dar menos do que o meu melhor a Ti e a Tua obra – “boa medida, recalcada... e transbordante” [Lc 6:38].

           25-Que eu faça sempre de Cristo o primeiro, o último e o melhor em todas as coisas.                 

           Amém!!!

A INFLUÊNCIA DAS MÃES


Introdução.

           “Ser mãe é...”.

           “Mãe é mãe”.

           “Mãe é uma só”.


           “Ser mãe é padecer num paraíso”. Coelho Neto

           “Mãe não é aquele gera, mas aquela que... acolhe, ama,protege, cria”.  Haja chavões!


          

           Você sabe o que é um chavão?

           É coisa que se diz ou se escreve por costume. Ou seja, sentença ou provérbio muito batido pelo uso – clichê.

           Contudo, existem alguns, que apesar de comuns são profundos, encerram grandes verdades: “Os primeiros passos de um filho são dados pela mãe”. Fátima Leão – Compositora brasileira nascida em Goiás.

           “Por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”.

           “Quando Deus precisa de um homem, ele prepara uma mãe”. 

           “Mãe – rainha do lar”. Para muitos pode ser cômico, hilário, batido demais, entretanto, a luz da Palavra de Deus ele adquire um significado muito especial.



           Um significado muito especial.

           O fato de a mãe ser a rainha do lar pressupõe a existência de um rei.

           Nos tempos bíblicos, em Israel, o rei não era somente o líder político, era também o líder espiritual.

           Quando o rei e a rainha faziam “o que era mal perante o Senhor”, ou, “o que era mau aos olhos do Senhor”, a nação inteira acompanhava-os. E as conseqüências? Desastrosas, estendiam-se por muito tempo. Por quê? “Porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam” (Êxodo 20:5. up). Porque havia uma maldição.

           Por outro lado, “quando faziam o que era reto aos olhos do Senhor”, havia uma bênção: ”Saberás, pois, que o Senhor teu Deus é que é Deus, o Deus fiel, que guarda o pacto e a misericórdia, até mil gerações, aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Deuteronômio 7:9).

           Tal qual a influência exercida pelos reis de Israel sobre a nação, é a influência desempenhada pela mãe sobre seus filhos em seu lar.

           Com a palavra, as Santas Escrituras. A Palavra de Deus é rica em exemplos. Bons para serem imitados, e péssimos para não serem seguidos. Vamos nos deter nos primeiros.



           Um modelo inspirador.

           A Palavra de Deus contém igualmente histórias fantásticas de mulheres fantásticas, de mães fantásticas. No VT duas nos impressionam sobremaneira. Novamente vamos nos deter na história que aconteceu antes, ou seja, a mais antiga.

           Certamente Deus a escolheu também por este motivo: ser pobre. Para que no futuro ninguém pudesse alegar que ela foi privilegiada. Se fosse rica teria mais condições, recursos para educar seu filho, mas não, “Joquebede era mulher e escrava. Sua porção na vida era humilde e seus encargos pesados”. Educação, pág. 61.            

           Ela não se deixou abater pelo fato de ser mulher, escrava, de ser humilde.

           Com exceção de Maria de Nazaré, por intermédio de nenhuma outra mulher recebeu o mundo maior bênção. Sabendo que seu filho logo deveria sair de sob seus cuidados, para passar aos daqueles que não conheciam a Deus, da maneira mais fervorosa se esforçou ela por unir a sua alma ao Céu. Procurou implantar em seu coração amor e lealdade para com Deus. E fielmente cumpriu este trabalho. Aqueles princípios da verdade que eram a preocupação do ensino de sua mãe e a lição de sua vida, nenhuma influência posterior poderia induzir Moisés a renunciar”. Ibidem, pág. 61.

           Ela conservou consigo o rapaz tanto quanto pôde; foi, porém, obrigada a entregá-lo quando tinha aproximadamente doze anos. Foi levado de sua humilde choupana ao palácio real, para a filha de Faraó e se tornou seu filho. Contudo, mesmo ali, ele não perdeu as impressões recebidas na infância. As lições aprendidas ao lado de sua mãe, não as esqueciam”. PP. Pág. 244.



           E os resultados: “Pela fé Moisés, sendo já homem, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter por algum tempo o gozo do pecado, tendo por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa” (Hb 11:24-26).

           “Os resultados daquele preparo, e das lições então ensinadas, ligam-se intimamente, não só a história de Israel, mas a tudo que desde aquele tempo até hoje tem contribuído para o progresso do mundo. O mais elevado testemunho da grandeza de Moisés, ou seja, o juízo feito de sua vida pela Inspiração, é: ‘E nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, a quem o Senhor conhecesse face a face’” (Deut. 34:10). Educação, pág. 64.



           Qual o segredo da vitória de Moisés? A que se deve a vitória de Moisés?

           A razão de tudo isto está na educação recebida nos seus primeiros anos de vida. A Bíblia diz: “Ensina a criança o caminho em que deve andar e ainda quando velho não se desviará dele” (Pv 22:6).

           A mãe de Moisés soube plantar a semente do amor a Deus no coração de seu filho.



           Conclusão.

           Você mãe, como qualquer um de nós deve ter problemas, deve enfrentar dificuldades, deve ter muitas necessidades, deve ter limitações.

           Entretanto, com toda certeza a sua vida deve ser bem ou muito mais fácil que a vida de Joquebede, você não é escrava, e as conquistas femininas avançaram bastante nestes últimos 3500 anos.

           Portanto, tal qual Joquebede, não se deixe abater.

           Peça a Deus sabedoria; de seu esposo apoio, e assim procure enquanto tiver seus filhos ao seu lado, implantar em seus corações amor e lealdade para com Deus.

 Deus quer que cada mulher de Sua igreja tenha o Seu temor no coração e dê prioridade em conquistar aquelas qualidades que o céu aprova.

 Deus deseja que não viva para si, mas que a sua influência de modo a beneficiar a todos que puder.

           Que esta seja a experiência das mães de minha, da sua, da nossa igreja.

           É também o meu desejo e a minha oração. Amém!!!