sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

FALTA DE UNIDADE


           Introdução.            

           Deus abençoa uma igreja unida. Muitas igrejas têm um enorme potencial, mas nunca alçam o que Deus deseja porque os membros gastam toda a sua energia enfrentando-se uns aos outros. Toda a energia é focada para dentro.

           A Bíblia fala mais sobre unidade da igreja do que sobre céu e inferno. Igrejas são feitas de pessoas e não há pessoas perfeitas. Por isso, as pessoas entram em conflito umas com as outras. Os pastores precisam aprender como lidar com essas situações.

 

           Eles são chamados a fazer seis coisas quando a desunião ameaça a igreja.

 

           1ª) - Evitar as situações que provocam polêmica.

                  A Bíblia diz em II Timóteo 2:23,24 (NVI): “Evite as controvérsias tolas e inúteis, pois você sabe que acabam em brigas. Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente”. Os pastores devem evitar provocar polêmica. Os líderes precisam ser exemplos para a igreja toda neste campo.

                  Quando uma polêmica surgir, o pastor deve se recusar a se meter nela. Os líderes não precisam ter opinião sobre tudo. Algumas discussões não demandam sua participação. Converse sobre assuntos que importam.

 

           2ª) - Ensinar os criadores de caso a se arrependerem.

                   A passagem de II Timóteo 2:25,26 (NVI) diz: “[O pastor] deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade, para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do diabo, que os aprisionou para fazerem a sua vontade”. Muitos pastores não gostam de confrontação. No entanto, não há como escapar delas. O pastor deve, com toda a gentileza, instruir aqueles que estão criando dissensão e se opondo ao ensino da igreja.

 

           3ª) - Avisar aos criadores de caso que suas palavras negativas estão ferindo outras pessoas.

                   Em II Timóteo 2:14,16 (NVI) encontramos: “Continue a lembrar essas coisas a todos, advertindo-os solenemente diante de Deus para que não se envolvam em discussões acerca de palavras; isso não traz proveito e serve apenas para perverter os ouvintes. Evite as conversas inúteis e profanas, pois os que se dão a isso prosseguem cada vez mais para a impiedade”. As pessoas precisam saber que suas palavras têm conseqüências.

 

           4ª) - Fazer um apelo à harmonia e à unidade.

                   Paulo fez isso em Filipenses 4:2 (NVI). Ele escreveu: “O que eu rogo a Evódia e também a Síntique é que vivam em harmonia no Senhor”. Havia duas mulheres bem voluntariosas na igreja. Seus nomes eram Evódia e Síntique e estavam causando muita agitação na igreja. O apelo de Paulo para que elas se unissem aparece na Bíblia. Uma briga na igreja não afeta apenas os combatentes porque influencia a igreja como um todo, já que as pessoas acabam por escolher um dos lados. Assim como Paulo, às vezes o líder precisa fazer um apelo à unidade diretamente àqueles que estão causando problemas.

 

           5ª) - Repreender com autoridade, se necessário.

                   Paulo diz em Tito 2:15–3.1: “É isso que você deve ensinar, exortando-os e repreendendo-os com toda a autoridade. Ninguém o despreze. Lembre a todos que se sujeitem aos governantes e às autoridades, sejam obedientes, estejam sempre prontos a fazer tudo o que é bom”. O pastor precisa confrontar a pessoa encrenqueira.

 

           6ª) - Tirar da igreja os encrenqueiros, se eles ignorarem as advertências anteriores.

                   Tito 3:10,11 diz: “Quanto àquele que provoca divisões, advirta-o uma primeira e uma segunda vez. Depois disso, rejeite-o. Você sabe que tal pessoa se perverteu e está em pecado; por si mesma está condenada”. Nenhum pastor gosta de fazer isso, mas há situações em que o último recurso é tirar a pessoa da igreja. É dever do pastor proteger a unidade de sua igreja. Se isso significa livrar-se do criador de casos, faça-o.

 

           Conclusão.

           A Bíblia ensina que, quando a igreja cresce, Satanás faz tudo o que pode para causar divisão. Mesmo gente bem intencionada, crentes inclusive, podem ser usados como instrumentos de Satanás para ferir o corpo de Cristo. Os pastores, como guias do povo de Deus, têm o dever de proteger suas congregações da maior ameaça de Satanás: a desunião. A tarefa do pastor não é fácil, mas ele é chamado a realizá-la.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


       
(Tradução de Israel Belo de Azevedo)

          Rick Warren - É pastor da Igreja Saddleback, em Los Angeles, Califórnia (EUA), e escritor do best-seller Uma igreja com propósitos.

 

 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

UMA RESOLUÇÃO IMPORTANTÍSSIMA


 
           Introdução.

           Quais são seus projetos de vida para este ano? Não estou me referindo aquela decisão tomada por milhares de pessoas a cada início de ano de fazer uma diferença em sua vida, prometendo mudar.

         Prometo solenemente em 2013 deixar de fumar, de beber, perder peso, exercitar-se com mais frequência, passar mais tempo com os queridos, alistar-se como voluntário em uma causa nobre... a lista é interminável.     

           A lista do cristão é ainda maior.  Estamos diante de um problema de ordem conjuntural e uma angustiante pergunta assola a nossa mente a cada recomeço: Quais são os teus planos para 2013? Será que realmente necessito de planos?

           Certamente você necessita não só de planos, mas também de estratégias, de alvos, de objetivos.  Resumindo numa palavra: você precisa de um planejamento.

           Se você parar para pensar e analisar a situação, mais cedo ou mais tarde irá chegar a conclusão de que o seu sucesso, sua vitória, enfim, a concretização de seus planos não depende exclusivamente de você. Depende também do mundo que está a sua volta, um mundo mergulhado em crises sem precedentes (econômica, financeira, social, moral) e que, com raríssimas exceções, não está nem um pouco preocupado e muito menos disposto a ajudá-lo alcançar seus objetivos. Percebes a importância de um planejamento?

           Concorda então, que sem planejamento você não irá a lugar nenhum?

           Para que ao findar o ano você não seja encontrado desesperado, desanimado, frustrado, fracassado, derrotado; uma resolução importantíssima deve encabeçar a lista: o compromisso de passar mais tempo com Deus. “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Ver também Salmos 127:1-2.

 

           Passar mais tempo com Deus.

           Porque esta determinação é importantíssima a ponto de encabeçar a lista?

           Nós nos deixamos envolver por tantas coisas que as vezes acaba não sobrando tempo para Deus. A Bíblia afirma que: “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Lucas 12:34).

           A desculpa mais esfarrapada e mais proferida em nossos dias quando precisamos nos esquivar da responsabilidade é: “não tenho tempo”.

           Você descobrirá o que é prioritário na vida de uma pessoa, observando a forma como ela utiliza o tempo. Quanto tempo você pretende passar com Deus este ano?

·         Conhece alguém que deixou de buscar a restituição do IR por falta de tempo?

·         Conhece alguém que deixou de buscar seu novo caro por falta de tempo?

·         Alguém que deixou de assistir o último capítulo da novela por falta de tempo?

·         Que deixou de assistir aquela partida decisiva por falta de tempo?

           A verdade é que achamos tempo para tudo. Tempo para o trabalho, para os amigos, para nosso lazer, para a família. E para Deus? Estamos sempre muito ocupados?

           Levantamos atrasados, dormimos tarde e o que sobra para Deus. Se é que sobra. Os restos, as migalhas. E aí não demora muito para percebermos a situação fora de controle e temos o descaramento de ainda perguntar por que as coisas não estão indo conforme planejamos, porque não estão indo bem?

           Porque lamentavelmente estamos priorizando as coisas urgentes, em detrimento das coisas importantes. Estamos colocando em primeiro plano as coisas mundanas, efêmeras, passageiras, aquelas coisas que irão fatalmente virar cinzas, esquecendo-nos daquelas que são visualizadas somente pelos olhos de fé – aquelas que são eternas. Eis o conselho bíblico: “Não atentando nós nas coisas que se veem, mas sim nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, enquanto as que se não veem são eternas” (II Cor. 4:18).

 

           O resultado de passar mais tempo com Deus.

           Ao assumir o compromisso de passar mais tempo com Deus, certamente sua vida passará por uma transformação, uma transformação que será visível, percebida por aqueles com os quais você se relaciona: familiares, vizinhos, amigos, colegas de trabalho, irmãos – transformação materializada em obras. 

           Na prática isto significa crescimento espiritual, consagração, se preferir, santificação – “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Heb. 12:14).

 

           O chamado é individual.

           “A cada cristão é designada uma obra definida”.

           Deus requer que toda pessoa seja obreiro em Sua vinha”.

           “Se cada um de vós fosse um missionário vivo, a mensagem para este tempo seria celeremente proclamada em todos os países, a cada povo, e nação, e língua”.

           Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário”.

           “Deus espera serviço pessoal da parte de todo aquele a quem confiou o conhecimento da verdade para este tempo. Nem todos podem ir como missionários para terras estrangeiras, mas todos podem, na própria pátria, ser missionários na família e entre vizinhos”.

           “Cristo estava a apenas alguns passos do trono celestial quando deu Sua comissão aos discípulos. Abrangendo como missionários a todos os que crescem em Seu nome, disse Ele: ‘Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura’. O poder de Deus os havia de acompanhar. Serviço Cristão, pág. 9.

          

           Bons exemplos bíblicos não faltam.

           ● Samuel -“Fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (I Sam. 3:10). 

           Isaías - “Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8).

           ● Paulo - “Então, perguntei: que farei, Senhor?” (Atos 22:10).

           Jesus - “Todavia não se faça a Minha vontade, mas a Tua” (Lucas 22:42).

Incontestavelmente o preparo, o desenvolvimento dos dons e habilidades é importante. “Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mat. 12:34), porém, mais importante ainda, é a disposição de servir.

 

           Os verdadeiros servos de Deus estão à disposição para servir.

           Seguindo o exemplo de Nosso Mestre que “não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mat. 20:28).

           Se você só serve quando lhe é conveniente, então você não é um servo de verdade.  Verdadeiros servos fazem o que é necessário mesmo quando é inconveniente.

            Você está disponível para Deus a qualquer momento em 2013?

 

           Os servos de Deus estão atentos as necessidades.

           Deixamos escapar muitas oportunidades para servir porque nos falta sensibilidade e espontaneidade. Grandes oportunidades para servir nunca duram muito. Elas passam rapidamente, e algumas vezes nunca voltam a ocorrer. Você provavelmente terá apenas uma chance de auxiliar aquela pessoa; então, aproveite a oportunidade. “Não diga ao seu vizinho que espere até amanhã, se você pode ajudá-lo hoje” (Provérbios 3:28) NTLH.

           A Palavra de Deus também ordena: “Portanto, enquanto temos oportunidade façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé” (Gálatas 6:10) GWT . Por quê?

           John Wesley foi um fantástico servo de Deus. Seu lema era: “Faça todo o bem que puder, com todos os recursos de que dispuser, de todas as formas que puder, em todos os lugares que puder, sempre que puder, a todas as pessoas que puder, enquanto você puder”. Isso é grandeza.

 

           Fazer o melhor que podem com o que tem a mão.

           Servos não dão desculpas, não deixam para a última hora, nem esperam circunstâncias melhores. Nunca dizem “um dia destes” ou “quando for a hora certa” ou “quando eu estiver mais bem preparado”. Simplesmente fazem o que precisa ser feito.

           A Bíblia diz: “Se você ficar esperando as condições perfeitas, nunca fará nada” (Eclesiastes 11:4) NLT.

           “Que é isso na tua mão?” Perguntou Deus a Moisés. Moisés tinha uma vara.

           Com esta vara Moisés abriu o Mar Vermelho, tirou água da rocha, fez grandes milagres diante de Israel.

           Deus espera que você faça o que puder, com o que você tem e onde quer que você esteja. Você não e perfeito e nem precisa ser para Deus abençoar.

 

           Os verdadeiros servos fazem qualquer tarefa com igual dedicação.

           O tamanho da tarefa é irrelevante. A única questão é: Ela precisa ser feita?

           É em pequemos serviços que crescemos à semelhança de Cristo. Ele se especializou em realizar tarefas que todo mundo tentava evitar: lavar pés, ajudar crianças, servir leprosos.

 

           Os servos de verdade são fiéis ao seu ministério.

           A fidelidade sempre foi uma virtude rara. Os servos concluem suas tarefas, cumprem suas responsabilidades, mantêm suas promessas e levam a cabo seus compromissos.

           Todas as semanas, igrejas e outras organizações são obrigadas a improvisar, porque os voluntários não se prepararam, não apareceram nem mesmo ligaram para dizer que não viriam.

           Em 2013 as pessoas podem contar com você?  Não se esqueça que Deus prometeu recompensar sua fidelidade na eternidade (ver Mat. 25:23).

 

           Conclusão.

           Desejo concluir esta mensagem com as palavras contidas num hino, muito inspirador de autoria do maestro e pastor Williams Costa Jr. Intitulado Discípulo Teu:          

           “Talvez a minha vida não seja o que Tu queres

           Talvez ainda esteja de Ti distanciado

           No entanto ao ouvir o Teu chamado

           Pensei em ser aquilo que Tu queres que eu seja

           Eu quero ser um novo ser

           Eu quero estar aonde estás

           Mestre quero ser um discípulo Teu”. 

           É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!

 

          

                     

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

“UM SER HUMANO COMO NÓS”


Tiago 5:17-18

 

            Introdução

            Mesmo sem ter escrito ou tido algum livro bíblico levando o seu nome, excetuando Moisés, de todos os grandes personagens do AT, certamente nenhum outro tenha fascinado tanto seus contemporâneos e a nós também, como o fez o profeta Elias. Um ministério relativamente curto (+- 874-852 a.C.). Sua biografia: I Rs caps.17-19 e II Rs 1-2.

            Intriga-nos o fato de Tiago, em sua epístola, afirmar que Elias foi um homem como um de nós. Um ser humano como nós? Como assim?

 

            Onde estão as semelhanças?

            ◘Para início de conversa Elias não morreu. Pergunto: Qual é a única certeza que nós, seres humanos temos? – Porque os vivos sabem que hão de morrer” (Ec 9:5). 

            Se Jesus não voltar antes, todos nós, independentemente de etnia, sexo, nível social, cultural, ou qualquer outra coisa que nós seres humanos usamos para classificar  uns aos outros,  seremos carregados para o único lugar livre de qualquer preocupação – o cemitério e seremos colocados num buraco  denominado túmulo.  

            ◘Eu nunca tive e acredito que nenhum de nós aqui, teve alguma oração respondida com fogo do céu. Uma única. E o que dizer de duas vezes? E de três?

            ◘Você já ouviu falar de alguém que tenha revivido uma criança após uma simples oração: “- Ó Senhor, meu Deus, faze com que esta criança viva de novo!”?

            ◘Há alguém presente entre nós que algum dia tirou uma peça de roupa, torceu-a  e com ela bateu na água, a água se abriu e atravessou para o outro lado do rio, andando em terra seca?

            ◘Você conhece algum fundista (corredor de longas distancia), que por mais bem preparado que esteja, consiga correr 27 km e ganhar de cavalos escolhidos (de raça) como ele ganhou?  

            ◘Você seria capaz de apontar o dedo em riste para a autoridade máxima de seu país e ainda dizer: “Digo ao senhor que não vai cair orvalho nem chuva durante os próximos anos, até que eu diga para cair orvalho e chuva de novo”?

            ◘O desfecho: “e durante três anos e meio não choveu sobre a terra. Depois orou outra vez, e então choveu”. “Orou outra vez”, aqui significa, segundo o relato bíblico, inclinar-se até o chão, por a cabeça entre os joelhos, ou seja, orou sete vezes.

 

            Feitos espetaculares da vida de Elias como estes e Tiago assevera que ele era “um ser humano como nós”?

            Na verdade, o que Tiago afirma não tem nada haver com os feitos espetaculares da vida de Elias, e como podemos ter os mesmo “poderes” que ele.

            Tiago foi um homem de Deus e por conta disso sabia muito bem que o poderé a única coisa que nos identifica como filhos e filhas de Deus, é de Deus e não de Elias ou de qualquer ser humano. Tiago esta se referindo, sim, falando do ser humano, do homem Elias.

 

            O ser humano, o homem Elias

            Diferentemente de outros personagens bíblicos que tem seus nomes acompanhados por uma linhagem, que a Bíblia chama de genealogia, Elias aparece sem muitas referências pessoais, apenas: “Então, Elias, o tesbita, dos moradores de Gileade”.     Surge de repente, no meio do relato dos reis de Israel, sem nada que o recomendasse diante de Acabe, a não ser: “... Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou...” (I Rs 17:1).

 

            Contrastando

            Que contraste com aqueles que hoje se dizem homens de Deus, autointitulados missionários, apóstolos, bispos, etc. Homens que valorizam os títulos que tem e advogam quanto tempo já estão “na obra” para tentar justificar o seu direito de falar em nome de Deus. Desfilam seu poder ao disporem de muitos assessores (serviçais), em ternos bem cortados, em carrões, jatinhos, mansões em balneários famosos, contas numeradas em paraísos fiscais, etc.

            A semelhança de João Batista, oitocentos anos mais tarde, Elias também, segundo relato bíblico, usava apenas uma capa de pele de animais, amarrada com um cinto de couro.

 

            Carência de senso crítico?

            Uma característica marcante na vida dos homens e mulheres de Deus é a obediência. Apesar da lógica divina, muitas vezes, parecer não fazer muito sentido na Terra, quando Deus ordena, eles nem sequer questionam. Vejam a ordem recebida: “Retira-ter daqui, vai para o lado oriental e esconde-te junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão” (I Rs 17:3). Logo agora que ele havia colocado o rei ímpio em seu devido lugar, Deus o manda  para lá de onde o vento faz a curva. Querite ficava do outro lado do Jordão, no deserto. Isto, segundo muitos comentaristas, não parecia muito racional. O racional é que ele ficasse ali mesmo, estorvando o rei. Mas Elias nem sequer discute, ruma para Querite e fica lá. Deus tinha falado e ponto.

             A lição para todos nós

            Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (II Tim 3:16-17).

 

            Nenhum de nós ousaria questionar abertamente esta passagem bíblica: no entanto, é assutador ver o quanto se tem torcido a Palavra de Deus para benefício próprio, para conveniências pessoais, denominacionais, institucionais. O quanto se tem desobedecido e discutido o que a Palavra de Deus tem como indiscutiível – os princípios divinos.

            Mesmo em outra ocasião, quando Deus manda Elias para Sarepta que ficava em Sidom,Terra de Baal e de Jezabel – sua pior inimiga, não questiona, não discute. Elias reconhece claramente o Espírito de Deus falando e obedece. Isto porque Elias estava cheio do Espírito Santo Santo de Deus. Crentes cheios do Espírito Santo são capazes de compreender claramente as Sagradas Escrituras e reconhecer quando ela está sendo manipulada por falsos mestres. Portanto, “enchei-vos do Espírito” (Ef 5:18), continua sendo a melhor recomendação, para que ao ouvirmos a voz de Deus, a reconheçamos sem hesitar.  

 

          A síndrome de Elias

            Infelizmente, vivendo em um mundo dominado pelo pecado, doenças não são exclusividade dos gentios. Filhos e filhas de Deus também adoecem. Doenças das mais variadas natureza: físicas, mentais e espirituais. Com Elias não foi diferente.              

            Logo após um dos pontos mais altos de sua vida, a saber, o confronto no Monte Carmelo com os profetas de Baal (protegidos de Jezabel), o desafio de fogo e a chuva voltando a cair após três longos anos.

            Após ter demonstrado obediência e paciência, Elias mais uma vez inflamado pelo Espírito Santo, marca o encontro fatal (para os profetas de Baal) e anuncia o final da seca. Coloque-se no lugar de Elias, pois é aqui, neste ponto que mais nos identificamos com ele.

            Grandes feitos. Quem não espera por eles? Qual é o crente, por mais humilde que seja, que não deseja realizar grandes obras para Deus?

ü  Desafiar ou confrontar os poderes do mal.

ü  Fundar novos grupos, que se tornarão novas igrejas.

ü  Grandes campanhas evangelísticas...

 

            Alguns mais exaltados chegam a declarar grandes cidades como pertencentes ao Senhor Jesus. Podemos até compreender suas boas intenções, entretanto, sabemos que não é bem assim. Elias também descobre isto no Monte Carmelo. Ele faz uma pergunta simples: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu” (1Rs 18:21).  Pasmem, o povo de Deus permaneceu em silêncio. Quem sabe Elias esperava que pelo menos uma voz dissesse: Amém! Mas nada, só o vento.

            Aqui começa o tropeço de Elias que o leva a orar, a única oração que ele fez e Deus não respondeu: “– Já chega, ó SENHOR Deus! Acaba agora com a minha vida! Eu sou um fracasso, como foram os meus antepassados” (1 Reis 19:4 NTLH). Vejam só o que uma doença é capaz de provocar no ser humano. O estado depressivo deste servo de Deus chegou a tal ponto que ele orou pedindo a morte.

            Como aconteceu com Elias, ocorre às vezes comigo e contigo. No ponto mais alto, no calor da obra, somos atacados pela síndrome de Elias, e achamos que de nada adiantou lutar, pois nada mudou. Elias achou isto quando foi ameaçado de morte por Jezabel. No ponto mais alto é que estamos mais vulneráveis. Basta um toque, um leve empurrão, quanto mais a ameaça feita por Jezabel. Daí o conselho de 1 Co 10:12 .

            Por três vezes ele repete: “Só eu fiquei”. Elias se sente sozinho, humanamente falando. Só. Este é um dos piores sentimentos que um servo de Deus pode sentir – a terrível sensação de estar malhando ferro frio, de estar dando murro em ponta de faca.  Jesus usou uma expressão um tanto forte para descrever a mesma sensação: “nem deiteis aos porcos as vossas pérolas” (Mt 7:6). A sensação de ter, aparentemente, trabalhado em vão.

            O fato de sentir-se só, não significa que não existam outros trabalhando pela mesma causa e sim por encontrar-se isolado. Quando isolados não somos capazes de enxergar os “sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal” (1 Rs 19:18), os quais Deus conservou para levar avante os seus desígnios. 

 

            A solução

            Como se evita esta síndrome?  A receita de Deus para o doente Elias: Levante-se e coma; se não, você não aguentará a viagem: andar quarenta dias e quarenta noites até o Monte Sinai, o monte sagrado.  Depois volte para o deserto que fica perto de Damasco. Chegando lá, entre na cidade e entre outras atividades unja Eliseu, como profeta, para ficar em lugar de você.

            Muito mais que um substituto, Eliseu foi para Elias o amigo que ele nunca teve, o amparo, o ombro amigo que sempre necessitou. Esta receita continua valendo para mim e para você. Tão importante como o relacionamento vertical (com Deus) é o relacionamento horizontal (com o próximo). Esquecer-se disto é abrir a porta para o fracasso pessoal, muito embora, à vista de todos, você seja o grande homem ou mulher de Deus.

            Fiquemos alertas. Sempre haverá os tais sete mil, ou muito mais.

            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!

 

ADMINISTRÁVEIS, SOLUCIONÁVEIS E INEVITÁVEIS


 
            Introdução

            Se hipocrisia é pecado e eu creio que seja, pois Jesus censurou os escribas e fariseus com este adjetivo, pecamos quando tentamos passar ao mundo uma imagem de igreja perfeita. As Santas Escrituras afirmam que todos pecaram (Romanos 3:23); que estamos doentes (Tiago 5:16); que somos desgraçados, e miseráveis, pobres, e cegos, e nus (Apocalipse 3:17).

             Para complicar ainda mais as coisas vivemos em um mundo dominado pelo pecado, mergulhado em todo tipo de crise que se possa imaginar. Onde há crise, há divergência, ha conflitos. Até na igreja? Sim, até na igreja. Sempre que haja um ajuntamento de pessoas a possibilidade de conflito é potencializada.  Somente as desigualdades sociais, culturais, acadêmicas já fornecem combustível de sobra para fazer o circo pegar fogo.

            É claro que não necessitamos sair por aí apregoando nossos “calcanhares de aquiles”, entretanto, como ponto de partida, carecemos da virtude denominada humildade para reconhecermos nossa situação e sairmos em busca da solução.

            Onde buscá-la? Na Palavra de Deus é claro!.

            O livro de Atos contêm muitas lições que necessitamos aprender – entre elas: administrar conflitos. Eles estiveram presentes nos primórdios da igreja. As soluções encontradas podem ser muitos úteis ainda hoje. Então vejamos.

 
            Solução prática de conflitos

            Para suprir as necessidades dos crentes, quem cuidou das finanças da igreja, após o Pentecostes, foram os apóstolos ( Atos 4:34-35). Entretanto, a medida que aumentava o número de pessoas na igreja, também cresciam os desafios logísticos e práticos.

            Está escrito: “Naqueles dias, crescendo o número de discípulos, os judeus de fala grega entre eles queixaram-se dos judeus de fala hebraica, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimento”  (Atos 6:1 NVI).

            A igreja estava em franco processo de expansão e os apóstolos percebendo que não poderiam assumir todas as responsabilidades, reconheceram a necessidade de delegar algumas delas a outros para que pudessem ficar livres para pregar o evangelho mais amplamente.

            Os que estavam descontentes foram chamados pelos apóstolos e foi pedido a eles para procurarem entre eles “sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa” (verso 3).

            A sugestão agradou a todos. Eles indicaram sete homens para assumir essa importante responsabilidade. Os apóstolos oraram e “lhes impuseram as mãos” (verso 6), ordenando os primeiros diáconos da igreja cristã – devido ao conflito.  

            Através da oração e da direção do Espírito Santo o conflito foi solucionado. 

 
            Solução de conflitos teológicos

            Localizada a mais de 480 quilômetros de distância ao norte de Jerusalém estava a cidade de Antioquia. Possuía uma grande igreja que ainda estava em crescimento. Essa cidade, a terceira em importância, depois de Roma e Alexandria, dentro do Império Romano, era o centro da atividade missionária. “Em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (Atos 11:26). A igreja era bastante eclética, ou seja, seus membros eram formados por muitas classes de pessoas, tanto judeus como gentios.

            Curiosamente não eram os gentios que estavam causando problemas na igreja. Alguns dos judeus convertidos estavam preocupados se os conversos gentios trariam algumas das suas práticas indesejáveis para a igreja cristã. Zelosos, na esperança de se proteger, bem como para manter sua singularidade como judeus, os cristãos hebreus insistiram que os gentios convertidos fossem circuncidados.

            Embora esse fosse um assunto de âmbito religioso, também era difícil para os primeiros cristãos abandonar sua herança nacional e seus direitos e privilégios como judeus. Eles estavam sendo chamados pra superar seu orgulho como cidadãos de Israel e expressar sua nova identidade como cidadãos de um reino superior. 

            Para muitos esse era um ideal inatingível. As tendências políticas e separatistas levavam à desunião e divisão. As disputas e contendas dentro da igreja eram tão ferozes que temiam a divisão. A discórdia chegou a tal ponto que Paulo e Barnabé e outros representantes da igreja foram à Jerusalém para se encontrar com os apóstolos, anciãos e os delegados de outras igrejas para resolver a questão. Os que estavam em Antioquia concordaram em parar a discussão e esperar pelo veredicto.

            O modo como esse conflito teológico foi tratado no concílio de Jerusalém está registrado em Atos 15.

 
            Eles fizeram uma reunião do conselho geral.

            É de bom alvitre que Cristo é a cabeça da igreja e que ninguém na Terra pode reivindicar esse direito; portanto, é importante que os líderes e representantes da igreja peçam a direção do Espírito Santo sempre que discutirem assuntos que dada sua relevância venham afetar a igreja. Assim nos é dito: “Os apóstolos e os presbíteros se reuniram para considerar essa questão” (Atos 15:6).

 
            Foi providenciado tempo para discussão.

            Fizeram uma clara descrição sobre a situação de Antioquia para que os delegados discutissem a questão: Seria necessário que os gentios conversos fossem circuncidados a fim de serem aceitos entre os cristãos?

            Seguiu-se uma intensa discussão e todos tiveram a oportunidade de falar. Pedro, então, concluiu a discussão lembrando ao conselho a visão que tivera sobre os animais impuros e a voz do Céu lhe dizendo: “Não chame impuro ao que Deus purificou” (Atos 11:9).  Ele descreveu seu encontro com os gentios em Cesaréia e como havia visto o Espírito Santo descendo sobre eles, assim como sobre os crentes judeus.

            Paulo e Barnabé apoiaram o argumento de Pedro dando exemplos de como eles também haviam presenciado o Espírito Santo em ação entre os gentios.

 
            As ideias principais foram resumidas e comparadas com as Escrituras. Uma proposta foi apresentada.

            Após todos terem tido a oportunidade de falar, Tiago, que dirigia a reunião resumiu os pontos principais e comparou o testemunho de Pedro com as profecias das Escrituras: “A restaurarei... para que o restante dos homens busque o Senhor, e todos os gentio sobre os quais tem sido invocado o meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas” (Atos 15:16-18).

            Estando o testemunho de Pedro de acordo com as Escrituras, Tiago propôs: “não devemos pôr dificuldades aos gentios que estão se convertendo a Deus. Ao contrário, devemos escrever a eles, dizendo-lhes que se abstenham de comida contaminada pelos ídolos, da imoralidade sexual, da carne de animais estrangulados e do sangue” (versos 19,20).
 

            Chegaram a um consenso e a decisão foi escrita e enviada aos crentes de Antioquia.

           Após ouvirem a proposta de Tiago, os apóstolos e anciãos concordaram que esse era o caminho certo a ser seguido. Uma carta explicando a decisão do concílio foi enviada por Paulo e Barnabé e outros cristãos de Jerusalém aos gentios crentes de Antioquia.

            Seria muita ingenuidade achar que as coisas voltaram rapidamente à normalidade, que o assunto jamais voltou a ser mencionado ou ainda que a igreja nunca mais tivesse problemas de ordem teológica.

            Muito embora os gentios estivessem satisfeitos com o resultado, nem todos estavam contentes. Ellen G. White escreveu: “Havia uma facção de irmãos ambiciosos e possuídos de presunção que a desaprovaram... Entregaram-se a muita murmuração e crítica, propondo novos planos e procurando deitar abaixo a obra dos homens a quem Deus ordenara ensinassem a mensagem do evangelho. Desde o início teve a igreja tais obstáculos a enfrentar, e há de tê-los até a consumação dos tempos” (Atos dos Apóstolos, pág. 196-197).

 

            Solução de conflitos interpessoais

            De tempos em tempos, mesmo entre os cristãos, acontecem conflitos interpessoais. Assim ocorreu entre Paulo e Barnabé, quando estavam se preparando para deixar Antioquia. Os preparativos para a viagem se intensificavam, pois eles queriam visitar e animar os crentes em outros lugares. Tudo corria muito bem até que Barnabé sugeriu que levassem consigo o jovem João Marcos. Numa outra viagem o jovem missionário já os havia abandonado quando as coisas ficaram difíceis, e Paulo não estava preparado para lidar com ele outra vez (Atos 15:36-40).

            Barnabé, sendo um homem de visão, percebeu o potencial de João Marcos e queria incentivá-lo na obra do evangelho. A discórdia chegou a tal ponto entre os dois missionários experientes, que acabaram indo para lugares diferentes. Barnabé levou João Marcos indo a uma direção, e Paulo levou Silas, crente de Antioquia, com boas referências, para uma viagem em outra direção.

            Felizmente a história não acaba aqui, dessa forma lamentável. Sob a orientação de Barnabé, João Marcos despontou como um obreiro de valor para o Senhor e, mais tarde, se reconciliou com Paulo, que se referiu a ele como “fonte de ânimo para mim” (Cl 4:11) e “me é útil para o ministério” (II Tim 4:11).

            O que podemos aprender desses conflitos entre dois respeitados líderes da igreja?

            Apesar de manterem sua discordância, eles a mantiveram tão somente entre os dois, e não envolveram outros líderes ou a igreja.

            Como naquela ocasião não foi possível chegar a um acordo, decidiram separar-se indo em direções opostas, ao invés de prolongarem o conflito.

            Como convém a cristãos, ainda se respeitavam mutuamente e não falaram mal um do outro, permitindo que continuassem sendo obreiros efetivos para o Senhor.             
 

            Conclusão

            Ao observarmos e seguirmos os exemplos da igreja primitiva, como descrito no livro de Atos, nós também, podemos estar seguros da direção de Deus no passado, presente e futuro.

            Estamos cada dia mais próximos do fim e não podemos permitir que o inimigo divida a igreja com conflitos e controvérsias.

            Que Deus continue guiando Sua igreja e a cada um de nós individualmente, ao participarmos juntos do ministério da reconciliação e unidos possamos aguardar nossa bendita esperança - a volta de Jesus.

           É o meu desejo e a minha oração. Amém!!