sábado, 30 de agosto de 2014

PERDAS E GANHOS


Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio. Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido. Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente: As perdas do ser humano.

Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero.
Estamos, a partir de então, por nossa conta.
Sozinhos.
Começamos a vida em perda e nela continuamos.
Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras possibilidades nos surgem.
Ao perdermos o aconchego do útero, ganhamos os braços do mundo.
Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói.
E continuamos a perder e seguimos a ganhar.
Perdemos primeiro a inocência da infância.
A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas por que alguém ao nosso lado nos assegura que não nos deixará cai...
E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar.
Por quê? Perguntamos a todos e de tudo.
Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas, irremediavelmente deixadas para trás.

Estamos crescendo.
Nascer, crescer, adolescer, amadurecer, envelhecer, morrer.

Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros.
Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos mesmo, quando algo nos é tomado contra a vontade.

Perdemos o direito de dizer absolutamente tudo o que nos passa pela cabeça sem medo de causar melindres.
Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda tememos dizer-lhe isso.

Receamos dar risadas escandalosamente da bermuda ridícula do vizinho ou puxar as pelanquinhas do braço da vó com a maior naturalidade do mundo e ainda falar bem alto sobre o assunto.

Estamos crescidos e nos ensinaram que não devemos ser tão sinceros.

E aprendemos.

E vamos adolescendo, ganhamos peso, ganhamos seios, ganhamos pelos, ganhamos altura, ganhamos o mundo.

Neste ponto, vivemos em grande conflito.
O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos. Ah! Os sonhos!!!
Ganhamos muitos sonhos.
Sonhamos dormindo, sonhamos acordados, sonhamos o tempo todo.

Aí, de repente, caímos na real!
Estamos amadurecendo, todos nos admiram.
Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados.
Perdemos a espontaneidade.
Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo.
Mas não é justamente essa a condição que nos coloca acima (?) dos outros animais?
A racionalidade, a capacidade de organizar nossas ações de modo lógico e racionalmente planejado?

E continuamos amadurecendo, ganhamos um carro novo, um companheiro, ganhamos um  diploma.

E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalço, tomar banho de chuva, lamber os dedos e soltar pum sem querer.

Mas perdemos peso!!!

Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e tascamos-lhe aquele beijo estalado, mas apertamos as mãos de todos, ganhamos novos amigos, ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento, honrarias, títulos honorários e a chave da cidade.  

E assim, vamos ganhando tempo enquanto envelhecemos.

De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas (ou nas pernas), ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso e perdemos cabelos.

Nos damos conta que perdemos também o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos, deixamos de sorrir.

Perdemos a esperança.
Estamos envelhecendo.

Não podemos deixar para fazer algo quando estivermos morrendo, afinal, quem nos garante que haverá mesmo um renascer, exceto aquele que se faz em vida, pelo perdão a si próprio, pelo compreender que as perdas fazem parte, mas que apesar delas, o sol continua brilhando e felizmente chove de vez em quando, que a primavera sempre chega após o inverno, que necessita do outono que o antecede.

Que a gente cresça e não envelheça simplesmente.
Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie.
Que tenhamos rugas e boas lembranças.
Que tenhamos juízo, mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia.
Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos.
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo,
mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos,
sintam-se amados mais do que saibam-se amados.

Afinal, o que é o tempo?
Não é nada em relação a nossa grande missão.
E que missão!
Fique em paz!


(Autoria desconhecida)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

CULTO ACEITÁVEL


Com que me apresentarei ao SENHOR, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dEle com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?  Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:6-8 BSVD 6.0).

            Introdução
            Enquanto que em diversas partes do mundo, o esvaziamento de igrejas é uma triste realidade, cujos templos são fechados e posteriormente vendidos para servirem de galerias de arte, restaurantes e tudo mais que a imaginação possa conceber; no Brasil, igrejas, templos e catedrais estão sendo, cada vez mais, construídos em larga escala e estão cada vez mais cheios.
            Isto é bom ou ruim?
            É bom, pois mostra uma tendência inerente ao ser humano – a busca de Deus e a necessidade de prestar-lhe culto. No entanto, desde o primeiro relato bíblico de um culto, percebe-se que nem sempre o culto é aceitável. Caim e Abel se apresentaram para adorar a Deus, mas só um deles foi aceito.
            Séculos mais tarde, no tempo do profeta Malaquias a situação ficou tão crítica que Deus manifestou o desejo de ver as portas do templo fechadas porque não suportava mais o tipo de culto que Lhe era prestado (Ml 1:10).
            Contemporizando, isto mostra que não basta vir adorar. Frequentar capelas, igrejas, templos, catedrais não é suficiente.

            Objetivo da mensagem
            Desvendar através de uma simples exegese como é o culto aceitável a Deus.

            Não depende unicamente do que apresentamos a Deus
            O texto mostra de forma clara e evidente que o culto aceitável não depende exclusivamente do que apresentamos a Deus.
            O profeta se coloca no lugar dos adoradores e faz uma pergunta: “Com que eu poderia comparecer diante do Senhor?” (Miquéias 6:6).
            Em resposta a esta sua pergunta retórica ele mesmo responde através de outras perguntas que mesmo não sendo respondidas fica claro que a resposta adequada para cada uma delas seria não.

            São estas as outras perguntas:
ü  Apresentar-me-ei com holocaustos? (v 6).
ü  Com bezerros de um ano? (v 6).
ü  Com milhares de carneiros? (v 7).
ü  Com miríades de ribeiros de azeite? (v. 7).
ü  Darei a Ele meu filho mais velho para obter o perdão (v.7).
            Todas as alternativas, com exceção da última, estavam eclesiasticamente corretas, contudo, por si só, ainda que preciosas, nada disso seria aceitável a Deus.

            Atualmente a forma de culto mudou radicalmente, mas em essência é o mesmo e pode ocorrer que estejamos fazendo a mesma pergunta. Com que me apresentarei para que a minha adoração seja aceitável?

            Perguntas retóricas atuais:
ü  Me apresentarei com cânticos emocionantes?
ü  Com dízimos e ofertas expressivas em minhas mãos?
ü  Com olhos banhados em lágrimas?
ü  Com alegria estampada em meu rosto, saltando e dançando diante dEle?
ü  Com roupas de grife, mostrando quão importante Ele é para mim?
ü  Com hinos tradicionais, solenes, muito bem cadenciados e cantados com toda a reverência possível?
ü  Com gritos de glória e aleluia ou com améns bem baixinho?

            De forma semelhante às perguntas feitas pelo profeta em sua época, toda resposta a cada uma destas perguntas é a mesma: Um sonoro não! Nada disso, apesar de toda importância, ou, por mais importante que seja, por si só, pode tornar a nossa adoração aceitável ao Senhor!   

            Depende de nossas relações interpessoais
            Em outras palavras, depende da forma como nos relacionamos com o nosso próximo. Não basta uma forma agradável de culto, ou nos apresentarmos no estilo certo, é necessário que antes de adentrarmos a Casa de Deus tenhamos um correto relacionamento com todos aqueles que estão a nossa volta (Mateus 5:23-24).
            O próprio Deus em sua infinita bondade mostra-nos o que Ele considera bom e o que requer de cada um de nós (vers. 8).
            Aqui cabe uma explicação para a palavra homem usada neste versículo. A palavra hebraica é adam, a qual via de regra, não sempre, é utilizada de forma genérica. Isto mostra que a mensagem é para todos. Deus abomina a exclusividade; Deus ama a inclusividade. A graça divina é inclusiva!
            Pelo menos duas atitudes em relação ao próximo Deus exige de Seus adoradores:

            a) Em primeiro lugar Deus exige a prática da justiça
            Deus não aceita nem suporta culto praticado por pessoas injustas. Veja o que Ele disse para as pessoas que se apresentavam em multidões no templo para adorá-Lo: "Eu odeio e desprezo as suas festas religiosas; não suporto as suas assembleias solenes. Mesmo que vocês me tragam holocaustos e ofertas de cereal, isso não me agradará. Mesmo que me tragam as melhores ofertas de comunhão, não darei a menor atenção a elas. Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene! " (Amós 5:21-24 - NVI).

            Esclarecendo o texto; não é que Deus não goste de festas religiosas (assembleias) ou de música, seja ela hinos, cânticos, canções, ou mesmo de dízimos ou ofertas. O que Ele não suporta é quando estas coisas são oferecidas por pessoas que não praticam a justiça.  

            Se você sente o desejo de oferecer um culto aceitável ao Senhor, antes de tudo como sugere o texto, pratique a justiça em todas as suas relações com o seu próximo. Exemplos práticos: Não subfaturar; não superfaturar, fazer jus ao seu salário; pagar salário justo ao trabalhador; não furtar, não cobiçar, não adulterar (em todos os sentidos).

            b) Em segundo lugar Deus exige a prática da misericórdia
            Aqui, talvez esteja o maior desafio que como cristãos temos de enfrentar. Como conciliar justiça e misericórdia? Justiça é uma grande virtude, porém, separada da misericórdia, pode tornar-se um grande mal.
            Praticar a misericórdia é não tratar o outro de forma dura como ele merece ser tratado. É perdoar! Ainda bem que Deus sendo justo não nos trata apenas com justiça, mas também, com misericórdia, pois uma sem a outra é uma verdadeira catástrofe!

            Se você deseja que Deus aceite o seu culto, trate a todos indistintamente com misericórdia. Olhe com misericórdia para todos que estão a sua volta. Aqueles que compartilham ou não de sua fé. O seu cônjuge, seus filhos, sua família, amigos, vizinhos, parentes, colegas de trabalho, chefes. Na igreja especificamente: os líderes, dirigentes, músicos, jovens, devedores e até mesmo os inimigos (se é que os temos), pois todos eles são gente como a gente. Só agindo dessa maneira você mesmo alcançará misericórdia (Mt 5:7) e terá o seu culto aceito por Deus.

            Depende de nossa comunhão diária com Deus
            O texto nos mostra que o culto aceitável a Deus depende de nossa comunhão diária com Deus. A passagem bíblica revela que devemos andar humildemente com Deus (v. 8b), ou seja, em obediência.
            Não adianta nada passarmos a semana inteira distante dos caminhos do Senhor, como se Ele não existisse e ao chegar o dia de sábado, domingo ou as quartas-feiras, nos apresentarmos diante dEle em culto, como se fossemos verdadeiros cristãos.
            Podemos até enganar alguém com este tipo de atitude, mas Deus não se engana, Ele conhece o nosso viver, sabe com quem está lidando e não aceita este tipo de culto.
            Então, se você quer no sábado prestar um culto aceitável, deve andar também nos outros dias com Deus.
            O texto ainda nos revela que devemos andar humildemente, aceitando as orientações divinas, reconhecendo que não somos ninguém (quanto mais andamos com Deus mais percebemos como somos pequenos). Tome cuidado inclusive com o orgulho espiritual (as temidas comparações), com o sectarismo religioso. Deus não aceita culto prestado por orgulhosos e sim pelos humildes.

            Conclusão
            Quando nos reunimos em culto para adorar e, ainda que juntos, cada um o faz de forma diferente. Alguns cantam forte, outros  nem tanto; alguns choram, outros riem; alguns levantam os braços, outros não se movem; alguns só participam das músicas mais agitadas, outros só das clássicas (solenes); alguns batem palmas, outros colocam as mãos no bolso; alguns falam aleluia, glória a Deus, amém! Outros não abrem a boca.
            Deus nos ama e aceita estas formas pessoais e peculiares de cultuar, contudo, todos nós só cultuamos de fato no sábado ou em qualquer outro dia de culto quando temos, não somente dentro dos horários de culto, mas especificamente fora dele uma relação de justiça e misericórdia com o nosso próximo e de obediência humilde com o nosso Deus.
            Assim seja a minha, a sua, a nossa experiência diária.
            É o meu desejo, a minha esperança e a minha oração. Amém!!! 








©Nelson Teixeira Santos

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

ELEIÇÕES 2014



            As eleições se aproximam a passos largos e em seu rastro acontece de tudo, entre outras coisas – descobertas. Descobri que nós seres humanos somos únicos em todo universo a fazer graça das próprias desgraças. As navegar pelas páginas sociais descobri pérolas literárias que embasam o que acabo de afirmar: “Se votar fosse coisa boa, o voto não seria obrigatório” já se pronunciou um ilustre desconhecido com muita propriedade. Outro desconhecido, mais sarcástico ainda proclama algo mais ou menos assim: “Se propaganda enganosa é crime, horário eleitoral gratuito é o que”?
            Outra descoberta surpreendente foi a de gente que, levada sabe-se lá por quais motivos ou interesses, chega a oferecer-se para ser mesário. Pode!  

            Como gosto não se discute e ainda que cada um de nós tenha o direito inalienável de escolher, de decidir - eu respeito. Respeito. Contudo, antes que eu me sinta na obrigação de dar-lhe minhas condolências, permita-me fazer uma breve e bem humorada reflexão. 

            “vá para urna”!
            Se você é possuidor de um idealismo, do tipo juvenil (que nem mesmo os jovens de hoje estão tendo - pesquisas recentes mostram isso), a ponto de acreditar que pode mudar o destino de seu município, seu estado, sua nação através do voto – “vá para urna”!

            Se você acha que PMDB, PTB, PDT, PT, DEM, PC do B, PSB, PSDB, PTC, PSC, PMN, PRP, PPS, PV, PT do B, PP, PSTU, PCB, PRTB, PHS, PSDC, PCO, PTN, PSL, PRB, PSOL, PR, PSD, PPL, PEN, PROS, SD ou qualquer outra sigla emblemática (para a próxima eleição isto é impossível – o tempo hábil para a 33ª já se esgotou), que na prática só serve para poluir o imaginário da política nacional - “vá para urna”!

            Se você acredita que determinada coligação política, até então não implementada pela fértil imaginação dos políticos brasileiros, é capaz de colocar nosso querido país nos trilhos do desenvolvimento, da modernidade, do respeito aos direitos humanos, da dignidade, em pé de igualdade com as maiores democracias - “vá para urna”!

            Se você acredita que aquele candidato do tipo boa praça, gente fina, cheio de boas intenções, que alega ter recebido uma revelação divina, falastrão, fazedor de promessas, que muito tem ajudado sua igreja, aquele que seu líder espiritual, seu patrão, seu vizinho, sua comunidade acha que, por alguma razão, merece o seu voto - “vá para urna”!

            Se você acredita que se deixar de votar ficará impedido de participar de concurso público; de tirar passaporte, ou mesmo de deixar de receber algum prêmio das diversas contravenções, digo loterias administradas pelo estado - “vá para urna”!

            Se você acredita que aquele candidato que “professa” da mesma fé que você é capaz de facilitar as coisas, resolver todos os problemas de sua comunidade religiosa e ainda por cima retardar o tempo de perseguição que se avizinha - “vá para urna”!


            Se você acredita em candidatos dispostos a promover reformas do tipo: fiscal, monetária, financeira, tributária, judiciária, eleitoral, ética, penal, social e tantas outras já banalizadas pela mídia ou pelo oportunismo de algum espertalhão na tentativa desesperada de granjear a simpatia de eleitores desavisados - “vá para urna”!


            Se você é capaz de acreditar em candidatos que alegam ter a fórmula mágica para nos próximos quatro anos consertar estragos crônicos existentes nas áreas da saúde, educação, segurança pública, transportes, habitação, entre outros - “vá para urna”!

             Se você é membro de uma daquelas muitas igrejas evangélicas ou não, que se autointitulam apolíticas, saiba que estas são as piores, pois na calada da noite, por detrás dos bastidores trabalham arduamente induzindo seus membros a votarem neste ou naquele candidato - “vá para urna”!

            Se você figura como membro de qualquer igreja, seja ela cristã, evangélica ou não e espera pelo dia em que ela se insurja contra  o sistema eleitoral ou qualquer outro sistema ainda que legal, contudo injusto ou imoral vigente, saiba que isto é pura utopia (interesses, privilégios entre eles isenções fiscais; falam mais alto) - “vá para urna”!


            Se você acha que quatro, oito ou doze anos não foram suficientes para que determinado partido político promovesse as devidas reformas tão necessárias, por conta da “herança maldita” e que agora, só agora, sua liderança profetiza um “novo ciclo” para nosso país- “vá para urna”!

            Se você acha que saber votar é acreditar no “vote certo”, no “vote consciente”  ou ainda que assim fazendo estará “exercendo sua cidadania” - “vá para urna”!
 

         # vem pra urna.
            Este é o mote de uma campanha publicitária encetada pelo TSE na mídia televisiva, quando a Copa do Mundo estava a pleno vapor e ainda havia a possibilidade da seleção brasileira de futebol sagrar-se hexacampeã, tendo como garoto propaganda uma figura exótica e carismática do meio artístico nacional. O objetivo é claríssimo, contudo, velado – levar os eleitores brasileiros de forma maciça a comparecer às urnas no próximo dia 05 de Outubro.

            O chamado já começa de forma equivocada: “vem pra urna”. Engana-se quem pensa quem está sendo gentil e alegremente convidado. Não! Você não está sendo convidado para participar de mais uma edição desta que o chamado alega ser “o maior show da democracia do nosso país”; você está sendo convocado, você é obrigado a participar do processo eleitoral; sob pena de pagar multa, diga-se de passagem, irrisória. Saiba que o valor da passagem de ônibus que você gastará para se dirigir ao cartório eleitoral de sua cidade é maior do que a multa a ser paga se você deixar de votar. E mais ainda, o anúncio está provocando uma verdadeira lavagem cerebral na mente do povo brasileiro, haja visto o número de vezes que o anúncio vai ao ar, chamando a todos nós  # vem pra urna. A cada dia que passa eu e você veremos tantas vezes o # vem pra urna a ponto de não aguentarmos mais a ansiedade e no dia 5 de Outubro corrermos às urnas para cumprir o papel que nos está reservado – votar. Duvido que no dia 6 de Outubro o Sr. Carlinhos Brown apareça na telinha mandando “um beijo para você” ou mesmo agradecendo-nos pelo fato de termos comparecido as urnas.

            Ainda sobre a obrigatoriedade do voto. Por gentileza algum renomado jurista de plantão poderia informar-nos, acabar de vez com esta dúvida cruel que assola a mente dos eleitores brasileiros e responder a pergunta: Se o voto é um direito, porque sou obrigado a votar? Existe algo no meio forense (brasileiro, é lógico) tal como direito obrigatório?


            Falando sério
            Agora falando sério e esta sempre foi a linha de pensamento, a proposta do blog Ser cristão. Se você é cristão, evangélico, independentemente de denominação religiosa saiba em poucas, mas contundentes palavras, o que Deus pensa acerca de tudo isto:

“Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4:4).

            Não consigo entender como é que alguém consegue enxergar algum traço divino, algo de santo, de santidade na política a ponto de envolver-se profundamente com ela.  Trata-se de mundanidade pura. Logo envolver-se com ela, como diz o texto acima é cometer adultério. Adultério é o que?


            A história da humanidade está repleta de fatos mostrando as tragédias que se seguiram toda vez que política e religião deram-se as mãos.

Qual é mesmo a serventia da Palavra de Deus?
“... As sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (II Tm 3:15-17)..


            Será que preciso ser mais explícito ainda? Creio que não. Tenho a plena convicção de que meus seguidores e leitores são pessoas sábias; homens e mulheres com discernimento suficiente para individualmente tomarem a medida mais sensata no próximo dia 5 de outubro.  Caso contrário, meus pêsames “vá para urna”!


            Depoimento pessoal
            Concluindo, você deve estar se perguntando: que atitude o irmão Nelson adotará na próxima eleição? Pode até parecer um paradoxo, contudo, quero deixar bem claro a postura que adotarei no próximo dia 5 de outubro. Irei sim às urnas, não porque estou sendo “convidado” ou “convocado”, mas pelo fato de ser cristão e como tal, devo acatar as leis de meu país até o momento que as mesmas colidam coma vontade divina.
            Cumprirei com minhas obrigações de cidadão brasileiro que sou, contudo, não darei o meu voto a ninguém. A minha esperança está no Senhor. É nEle em quem confio. Acreditem ou não (eu acredito), se Deus achar que precisamos de proteção ou de qualquer outra coisa, a promessa divina é claríssima - Deus proverá!








©Nelson Teixeira Santos