sexta-feira, 29 de maio de 2015

60ª AG DA IASD – ORDENAÇÃO DE MULHERES - APELO LAICO

“Meu povo está arruinado porque não sabe o que é certo nem verdadeiro. Vocês viraram as costas para o conhecimento, por isso eu virei as costas para vocês, sacerdotes. Vocês se negam a reconhecer a revelação de Deus, Por isso já não reconheço seus filhos” (Oséias 4:6 – A Mensagem).

            É digno de nota que em 40 anos de igreja nunca vivenciei um momento assim. Até parece que estamos vivendo um período pré-eleitoral. Estamos?

            Como já havia dito em outro artigo publicado em meu blog “Até lá [60ª Assembleia Geral] muita coisa a favor e contra, será dita, produzida, escrita, editada e veiculada sobre o assunto [ordenação de mulheres]; oportunidade ímpar que se nos apresenta para melhor conhecermos a história da nossa igreja. Mas cuidado, não devemos acreditar em tudo que assistimos, escutamos ou lemos. Gente despreparada, mal preparada, mal intencionada estará a postos com muito material que em nada contribuirá para nossa edificação. O conselho do apóstolo Paulo vem a calhar nesta hora: “ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom” (I Tessalonicenses 5:21)”.

            Dois fatos atuais pertinentes ao assunto são no mínimo intrigantes:
            O primeiro diz respeito ao fato de “personagens célebres adventistas”, agora jubilados, começam a se manifestar contra ou a favor da ordenação de mulheres.
            Nada contra tal posicionamento; afinal de contas estão exercendo o livre arbítrio facultado por Deus a todos os seres humanos indistintamente; inclusive aos pastores; o problema é que esses ditos “cabos eleitorais” cobram dos membros, um posicionamento segundo suas preferências. Será que é possível deixar a politicagem para os políticos?
            Cá entre nós, uma vez que este assunto já se arrasta por um século e meio por que tomaram esta decisão só agora? Por que não atuaram assim quando estavam na ativa? Talvez a situação não tivesse chegado a tal ponto (igreja polarizada em torno da questão). Maldito corporativismo!
            O segundo tem a ver com a quantidade de vídeos corporativos, repletos de bajuladores, com conteúdo para lá de apelativo, apregoando a tão propalada (com o perdão da redundância), unidade na diversidade.
            Concorda-se plenamente de que o idioma português não é de fácil compreensão, porém confundir uniformidade com unidade é inaceitável. Se para a DSA, em perfeito alinhamento com a AG, unidade na diversidade significa sair em defesa da posição 1, conclui-se que definitivamente que a instituição na América do Sul não sabe a diferença entre uma coisa e outra. Se sabe, maldita ambiguidade!
            Pior que isso, só mesmo a unanimidade “orientada” em torno da referida posição, repassada aos delegados da DSA  eleitos para   próxima Assembleia Geral, pois reza um velho adágio popular : “a unanimidade é burra”.  
            A Palavra de Deus encerra um princípio que as lideranças evangélicas de modo geral (e a nossa, infelizmente, não é a exceção), insistem em olvidar: que não é pela força, nem através do poder, nem pela violência, que se consegue as coisas no Reino de Deus, mas pelo Espírito Santo (atentem para quem manda e assina o recado), nada mais nada menos que “o Senhor dos Exércitos”   (Zacarias 4:6). Até quando?  
           
            Ser cristão é um privilégio que implica em direitos e deveres, indistintamente, porém a responsabilidade dos pastores, como líderes espirituais é muito maior. Cabe a eles, entre outras coisas: alimentar, educar, guiar o rebanho do Senhor por caminhos seguros; quando isto não acontece, e as posições são determinadas pela conveniência ou praxes institucionais, as consequências são inevitáveis e desastrosas, como Oséias de forma tão impressionante e contundente registrou cerca de 730 anos a.C.:
            “Mas não tentem culpar ninguém. Nada de apontar o dedo! Vocês, sacerdotes, são os que estão no banco dos réus. Vocês ficam tropeçando por aí em plena luz do dia. Em seguida, os profetas assumem e tropeçam a noite inteira. Sua mãe é tão má quanto vocês. Meu povo está arruinado porque não sabe o que é certo nem verdadeiro. Vocês viraram as costas para o conhecimento, por isso eu virei as costas para vocês, sacerdotes. Vocês se negam a reconhecer a revelação de Deus, Por isso já não reconheço seus filhos. Quanto mais sacerdotes, mais pecado. Eles transformam a glória em vergonha. Eles se alimentam dos pecados do meu povo. Não conseguem esperar para ver o que há de mais novo em maldade. O resultado: tal sacerdote tal povo; tal povo tal sacerdote. Estou para fazer que ambos paguem por seus atos e assumam as consequências por sua vida pecaminosa. Eles comerão e, mesmo assim, continuarão famintos; terão relações sexuais e não ficarão satisfeitos. Eles bateram a porta na minha cara, na cara do Eterno, e saíram por aí para festejar com prostitutas!” (Oséias 4:4-10 – A Mensagem).

                        Por outro lado, exercendo o papel que lhe cabe, a instituição adventista, através da TOSC (pela falta de consenso em torno da questão) já deliberou que em San Antonio – Texas, durante a 60ª Assembleia Geral, três posições serão colocadas em votação; sendo:

            “Posição 1: Enfatiza as qualificações bíblicas para a ordenação como encontradas em 1 Timóteo 3 e Tito 1, bem como o fato de que, na Bíblia, as mulheres nunca eram  ordenadas como sacerdotes, apóstolos ou anciãos. Por isso, conclui que a Igreja Adventista do Sétimo Dia não tem base bíblica para ordenar mulheres.

            Posição 2: Enfatiza os papéis de liderança de mulheres tanto no Antigo como no Novo Testamento, como Débora, Hulda e Júnia, e passagens bíblicas em Gênesis 1 e 3, e Gálatas 3:26-28 que declaram que todas as pessoas são iguais aos olhos de Deus. Portanto, conclui que o princípio bíblico de igualdade permite à Igreja Adventista ordenar mulheres para cargos de liderança na igreja sempre que possível.

            Posição 3: Apoia a Posição 1 ao reconhecer o padrão bíblico de liderança masculina em Israel e na igreja cristã primitiva. Mas, também enfatiza que Deus fez exceções, como no caso de conceder um rei a Israel, quando esse foi o desejo do povo. Esta posição conclui que a ordenação de mulheres é uma questão política da igreja e não um imperativo moral. Portanto, a Igreja Adventista deve permitir que cada campo decida se deve ou não ordenar mulheres”. Revista Adventist World, edição Novembro/2014

            O próprio presidente da AG, Pr. Ted Wilson apela aos membros da igreja para que examinem as três posições apresentadas no fim do relatório da TOSC: "Examine todas as apresentações para compreender o que Deus está falando a você pela Palavra e por meio de sua caminhada diária com Ele.”

            Primeiro apelo:
            Por favor, não ajamos como neófitos. O contexto aqui é outro, mas permite-nos  aplicar o princípio contido na epístola de Paulo aos Romanos, capítulo 14 versículo 3, até porque, independentemente da decisão que venha a ser tomada por ocasião da próxima AG, o estrago causado pela demora em se tomar uma atitude para por fim a crise  já se instalou. A ruptura institucional em termos administrativos é uma lamentável realidade, e certamente, dependendo da decisão que venha ser tomada durante a AG, irá se intensificar, por um tempo, agora impossível de ser mensurado e de consequências imprevisíveis, alcançando inclusive a igreja de Deus descrita em 1 Pedro 2:9.  

            Segundo apelo:
            Por amor ao que lhes é mais sagrado, não “orientem”, não induzam, não coajam, não exerçam qualquer tipo de pressão sobre aqueles (os delegados) que terão a solene responsabilidade de traçar os destinos da igreja para os próximos cinco anos e quiçá, para a eternidade.
            A ética cristã é ferida especialmente quando líderes na tentativa de persuadir irmãos a adotarem esta ou aquela posição, defendida por eles, passam a criticar quem não pactua da sua, bem como a utilizar-se de métodos pouco ortodoxos na tentativa de persuadi-los. Que a única interferência seja aquela propiciada pela inferência do Espírito Santo!

            Terceiro apelo:
            Ao longo dos quase 150 anos faltou da parte da instituição, seriedade, serenidade, sinceridade, transparência, humildade, boa vontade, vontade política, para solução desta questão. É incontestável a responsabilidade da mesma sobre esta delicada questão (aliás, vista como problema pela instituição).
            Cabe a ela, somente ela, agora, de uma vez por todas, dar o respaldo legal e toda forma de subsídios para que os delegados possam exercer livre e dignamente a responsabilidade que lhes está sendo confiada. Também se espera, que ninguém, mas ninguém mesmo venha a culpar-lhes pelos eventuais desdobramentos que esta votação venha ocasionar. Consequências certamente virão e terão que ser administradas sabiamente. É o preço a ser pago por 150 anos de procrastinação!

            O que fazer?
            Orar. Orar para que Deus resolva de uma vez por todas tamanha polêmica? Não. Definitivamente não. Deus não vai resolvê-la. Por quê? Por uma razão muito simples: Não foi Ele quem provocou esta dissensão.
            Orar sim, para que Deus conceda sabedoria suficiente àqueles que têm em suas mãos a responsabilidade de fazê-lo. Qualquer tipo de intervenção humana na tentativa de manipular o resultado final, só irá piorar ainda mais esta crise institucional.
            Enquanto discute-se, por tanto tempo, de forma tão acirrada, uma questão político-administrativa (dita cultural), que não envolve diretamente princípios ou crenças fundamentais, perde-se não só o equilíbrio, mas principalmente o foco na missão confiada pelo Senhor, e o que é pior, dá-se ao inimigo a oportunidade de deitar e rolar as custas da igreja.Isto é: uma pena; é lamentável; é constrangedor; é vexatório e portanto, inaceitável!
            Lá pelos idos de 1860, portanto antes da institucionalização da igreja Tiago White afirmava que ‘a “igreja viva de Deus” necessitava avançar com oração e bom senso’. Cento e cinquenta e cinco anos se passaram e continuamos com a mesma carência!
            Que o clamor contido no hino n° 311do HÁ seja uma constante em nossas vidas e de uma forma muito especial, nestes dias que antecedem a 60ª Assembleia Geral da IASD - Dai-nos Luz!
            É o meu desejo, a minha esperança e a minha oração. Amém!!!







© Nelson Teixeira Santos