terça-feira, 15 de setembro de 2015

LONGANIMIDADE


O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9).


            Introdução
            Há algum tempo atrás estava selecionando artigos para preparação de mais uma mensagem – um sermão, quando me deparei com a seguinte citação acerca de líderes há muito tempo a frente de suas congregações: “Não é de se admirar que os crentes mais ativos e criativos sejam, muitas vezes, os mais carrancudos e intolerantes” (Alexandre Ramalho da Silva, em A Síndrome de Elias).
            Tal afirmação levou-me a pensar: Intolerante eu? Após uma breve reflexão cheguei a conclusão que precisava rever urgentemente meus conceitos, pois sem me dar conta estava enveredando pelos caminhos da intolerância.
            Positivamente falando é possível substituirmos a palavra intolerância por outra mais light. Por exemplo: tolerância; mas aí surge um problema. A maioria das versões bíblicas (para não dizer todas as consultadas), não fazem uso de tal palavra.

            Isto significa que a Palavra de Deus não trata deste assunto?
            De modo nenhum. As Santas Escrituras empregam outras palavras: paciência; paciente; tardio em irar-se; lento para a cólera; longânimo; longanimidade.
             A Pequena Enciclopédia Bíblica O. S. Boyer define longanimidade como: Paciência para suportar ofensas. Não só por dedução então, mas pelo que a Palavra de Deus afirma, somos levados a concluir ou crer que Deus é longânimo.

            Deus é longânimo
            A longanimidade de Deus pode ser encontrada em diversas passagens do AT: Êx 34:6; Nm 14:18; Sl 86:15; 103:8; Is 48:9; Na 1:3 sendo que a palavra empregada transmite a ideia de lentidão para a ira e para punir o erro. No NT Rm 2:4; 3:35; 9:22; II Pe 3:15 duas palavras utilizadas literalmente traduzidas como grandeza de ânimo – para amar e esperar, perdoar e esquecer, tolerância,conter, fazendo referência ao juízo.
            A longanimidade divina manifesta-se quando Deus retarda, temporariamente, o merecido julgamento e continua ofertando salvação e graça por longos espaços de tempo, dando oportunidade para arrependimento e conversão. Exemplos: nos dias de Noé, com o antigo Israel, através dos profetas (reinos do Norte e Sul, antes do cativeiro) e em nossos dias, com o mundo antes da volta de Jesus.

            A longanimidade de Jesus
            Quando Jesus habitou na Terra o exercício da longanimidade foi percebido no seu modo de tratar com os seus discípulos. Ele teve de lidar com pessoas imaturas, que haviam tido na vida um desenvolvimento errado e falho; alguns deles eram governados apenas por impulsos – impetuosos.
            Mas o Mestre não só teve que lidar com pessoas de caráter subdesenvolvido e de fortes impulsos, mas também de acentuadas tendências para o pecado. Lidou com pessoas desafiadas pelas perplexidades e problemas da vida que O procuravam para que Ele os resolvesse.
            Com gente ignorante, provenientes das baixas camadas da sociedade, gente que não estava preparada para compreender muitas coisas, uma vez que a mente deles não estava habilitada a assimilar toda a verdade.
            Como ensinar verdades espirituais, que só se discernem espiritualmente, para gente que possuía uma concepção muito materialista da vida e a ideia ritualista acerca da religião? Se tudo isso já não bastasse, eram cheios de preconceitos e instáveis.
            Se um dia Ele nos disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:15 – ACF). Logo, nós também devemos ser pacientes para com aqueles que estão a nossa volta; contudo isto apenas será possível se o Espírito Santo habitar em nosso ser. Somente Ele é capaz de operar este milagre!

            A longanimidade do cristão
            Uma vez que tal virtude está condicionada ao cumprimento de um pré-requisito tão importante – devemos ser o templo do Espírito de Deus; certamente o é por uma razão muito importante também, qual seja, a salvação; nossa e dos que estão ao nosso redor.
           
            Carecemos ser pacientes com os fracos
            No final da epístola aos romanos, Paulo ao tratar da ética cristã, mencionou como deve ser a relação entre cristãos fortes e fracos. Cristãos fortes são aqueles maduros em sua experiência cristã. Os fracos são imaturos em suas convicções, incultos e até equivocados; contudo, não devem ser ignorados ou censurados. A igreja (comunidade cristã) deve acolhê-los sem discussões, debates ou julgamentos, respeitando suas opiniões (Rm 14:1).

            Por que eles devem ser aceitos?

            1° - Porque o próprio Deus os acolheu (Rm 14:2-3);
            2° - Porque Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor (Rm 14:4-9);
            3° - Porque eles são nossos irmãos (Rm 14:10);
            4° - Porque todos nós compareceremos diante do tribunal de Deus (Rm 14:10-13).

            Como bem observou o pastor e teólogo anglicano britânico John Robert Walmsley Stott: “No essencial, unidade; em coisas não essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade”. 

            Devemos ser pacientes quando anunciamos o evangelho
            Os evangelistas acabam por descobrir na prática o que a Bíblia atesta há séculos.

            Sempre que o evangelho for anunciado três coisas podem acontecer:

            1° - Rejeição – Quem ouve decididamente não aceita. A história do moço rico que foi ter com Jesus se encaixa nesta categoria (Mt 19:16-22).
            2° - Procrastinação – No momento a pessoa não aceita, contudo, algum tempo depois diz “sim” Jesus como seu Senhor e Salvador pessoal. O exemplo clássico real da Bíblia é encontrado na pessoa de Nicodemos (João 3:1-21).
            3° - Aceitação – O evangelho é aceito sem mais tardar – imediatamente. Este foi o caso da mulher samaritana (João 4:1-43).

            A aceitação ou não do evangelho, a rapidez ou a demora para que isso ocorra não dependem apenas de Deus ou do mensageiro,  mas em grande parte da disposição do coração daquele que o recebe. Jovens são mais suscetíveis à aceitação da verdade de que as pessoas mais vividas. Isto acontece porque as pessoas costumam filtrar os conhecimentos que recebem. Mais experiência, mais filtros; menos vivência, menos filtros.
 Portanto, é de se esperar que a conversão do jovem seja mais fácil e rápida do que a do mais experiente.

            Necessitamos desenvolver a paciência
            Desenvolvê-la por quê? Porque nós não nascemos com ela. Nessa busca por paciência ou longanimidade podemos contar com a ajuda divina.

            Sabe aquela pergunta recorrente ao longo da história humana: Porque sofremos? Aí está uma das razões pelas quais Deus nos permite passar por provações, por desafios e por dificuldades – cultivar um caráter paciente,constante e a desenvolver a maturidade cristã. Foi o apóstolo Paulo quem escreveu: “Também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança”(Romanos 5:3,4). Em outras palavras: Paciência tem a ver com santificação, pré-requisito básico para alcançarmos o Céu. (ver Hebreus 12:14).

            Precisamos saber que a paciência tem limites
            Onde está seu espírito cristão?
            Ser cristão significa ser capacho dos outros?
            Você tem pavio curto ou longo?
            Qual é o tamanho do pavio divino?

 “Deus é longânimo e não quer que ninguém pereça; mas sua paciência tem limite, e quando o limite for ultrapassado, não haverá segunda chance. Sua ira se manifestará e Ele destruirá sem escape”. SDA Bible Commentary, volume 7, página 946.

Comentando sobre o assunto, Ellen G. White declarou: “Passado o período de nossa prova, se formos achados transgressores da lei de Deus, encontraremos no Deus de amor um ministro de vingança. Deus não se compromete com o pecado. Os desobedientes serão punidos. [...] O amor de Deus agora se expande para incluir o mais baixo e vil pecador que, contrito, venha a Cristo. Estende-se para transformar o pecador num obediente e fiel filho de Deus; mas nenhuma alma pode ser salva se continuar em pecado. O pecado é a transgressão da lei, e o braço que é agora poderoso para salvar, será forte para punir quando o transgressor ultrapassar as fronteiras que limitam a paciência divina” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 313).

É óbvio que não é correto ter pavio curto, estourar rapidamente; contudo é parte do fruto do Espírito ser longânimo.

            Conclusão
            “Portanto, Deus é longânimo para com os homens e para conosco, individualmente. Por essa razão, Ele nos concede tempo suficiente para o arrependimento e a mudança de vida; para formarmos um caráter como o de Cristo. Aproveitemos a oportunidade e permitamos que o Seu Espírito nos faça pacientes em nossos relacionamentos”. Emilson dos Reis, Depois do Perdão, pag. 60.
            Sejamos mais pacientes, mais tolerantes, mais longânimos.
            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!
          




© Nelson Teixeira Santos 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

AMOR EXEMPLIFICADO - DO MAIS IMPROVÁVEL O


Naquele momento, para testar Jesus, um líder religioso lhe perguntou: “Mestre, o que preciso fazer para ter a vida eterna?” Ele respondeu: “O que está escrito na Lei de Deus? Como você a interpreta?” Ele disse: “Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças; e ame o próximo como a você mesmo”. “Boa resposta!”, disse Jesus. “Faça isso e viverá.” Querendo fugir da resposta, ele perguntou: “Como saber quem é o próximo’?”. Jesus respondeu com uma história: “Certa vez, um homem viajava de Jerusalém para Jericó. No caminho, foi atacado por ladrões. Eles o espancaram e fugiram com suas roupas, deixando-o quase morto. Pouco depois, um sacerdote passou por aquela estrada, mas, quando viu o homem, esquivou-se e simplesmente foi para o outro lado. Em seguida, surgiu um religioso levita. Ele também evitou o homem ferido. “Um samaritano que viajava por aquela estrada aproximou-se do ferido. Quando viu o estado do homem, sentiu muita pena dele. Aplicou ao ferido os primeiros socorros, desinfetando os ferimentos e fazendo alguns curativos. Pôs o homem sobre o jumento em que viajava e levou-o até uma pensão. Na manhã seguinte, entregou duas moedas de prata ao dono da pensão e disse: ‘Cuide bem dele. Se custar mais, ponha na minha conta; pago quando voltar’. “O que você acha? Qual dos três é o próximo do homem atacado pelos ladrões?”. Aquele que o tratou com bondade”, respondeu o líder religioso. Jesus concluiu: “Faça a mesma coisa”. (Lucas 10:25-37 -  A Mensagem).

            Introdução
            Após séculos de predomínio do pecado, o distanciamento entre o professo povo de Deus era tamanho que os judeus tinham dificuldades em reconhecer quem de fato era seu próximo.  Evidentemente que não faziam parte deste grupo os gentios e os samaritanos, pelo simples fato de serem estrangeiros e inimigos, mas até mesmo entre os próprios judeus quem era o próximo?

            Objetivo da mensagem
            Mostrar que além das muitas lições espirituais que possamos extrair desta parábola contada por Jesus, as pessoas que entraram em contato com o homem ferido podem ser classificadas em três grupos distintos, cada um demonstrando uma atitude e filosofia de vida.

            1° Grupo
            Quem representa o primeiro grupo?
             Os assaltantes. A atitude demonstrada por eles foi a cobiça. Esta é uma classe muita difundida em nossos dias. Pessoas inescrupulosas, que não medem esforços para conseguir aquilo que querem, custe o que custar; que levam uma vida de cobiça e ganância procurando não dividir não compartilhar nada que possuem e empenhando-se ao máximo para ganhar tudo o que puderem. Nunca se satisfazem e querem cada vez mais. Seu lema é: Os fins justificam os meios. São o cumprimento de uma profecia escrita pelo apóstolo Paulo – II Tm 3:1-3. 

            2° Grupo
            Não devemos olvidar o fato de Jesus jamais fez parte da liderança institucional enquanto esteve entre nós. Não era sacerdote, sumo sacerdote, escriba, levita, nem fazia parte dos diversos grupos existentes: fariseus, saduceus, zelotes, epicureus, essênios, estóicos.
            Na parábola do bom samaritano a segunda classe é retratada pelos religiosos, especificamente o sacerdote e o levita.  Sua atitude diante da desgraça alheia foi a de indiferença. Podemos até não fazer parte do primeiro grupo – o dos cobiçosos; mas será que muitos de nós que ostentamos o nome de cristãos nos identificamos com a classe dos que são indiferentes para com a dor, a tristeza e infelicidade dos outros? Pior ainda, quantas vezes, mesmo envolvidos e comprometidos na obra que o Senhor nos confiou ficamos tão empolgados com novos projetos, métodos, metas, programas de igreja e, todavia, somos indiferentes para com as pessoas. Esquecemos que nenhuma atividade missionária, por mais sagrada que seja, vale mais que um ser humano.
            O mais surpreendente é que esta parábola na realidade era uma história real. “Isso não era uma cena imaginária, mas uma ocorrência verídica, que se sabia ser tal qual era apresentada” (Ellen G. White DTN, edição de 1990, pág. 481). Aquele sacerdote e aquele levita que participaram do ocorrido estavam escutando a narrativa fiel dos lábios de Jesus. Quando se viram frente a frente com aquele que estava quase morto, pensaram estar sós e que ninguém os observava. Agora se deparam com a história sendo contada como que por uma testemunha ocular. Na verdade ao se verem frente a frente com o homem quase morto, “todo o Céu observava, para ver se o coração desses homens seria tocado de piedade pela desgraça humana” (idem, pág. 481).
            A pergunta incisiva é: Será que nós, muitas vezes não estamos agindo da mesma forma? Passando de largo uns pelos outros?

            3° Grupo
            A terceira classe logicamente é representada pelo bom samaritano. A força motivadora de sua vida é o amor que procede de Deus (I Jo 4:7). Aquele tipo de amor  que cumpre a lei (Rm 13:8-10; Gl 5:14). Se desconsiderarmos esse tipo de amor, viveremos a buscar tão somente nossos próprios interesses, ou, quando muito, também os de nossa família. Aquele que deseja agradar a Deus de verdade, deve ir além, transcender os limites de si mesmo e de sua família. Próximo segundo a parábola e todo aquele que se encontra em necessidade.
            Essa qualidade de amor não é encontrada em qualquer esquina, é de origem celeste e só é encontrada no coração daqueles que são realmente convertidos (I Jo 3:14; 4:7).

            Conclusão
            Qual e a sua filosofia de vida?
            A filosofia dos assaltantes, dos religiosos ou a do bom samaritano?
            Qual a motivação que o impulsiona em sua relação com o próximo?
            A cobiça, a indiferença ou o amor?
         Hoje mais do que nunca Deus está mais que desejoso de repartir Seu amor com você. Você tem condições, você pode, você deve amar mais e mais. Vá ao encontro dEle, apresente-Lhe sua necessidade, peça-Lhe com fé, em nada duvidando e veja o que acontece.
            Ame como amou o bom samaritano!
            Este é o meu desejo e a minha oração. Amém!!!









© Nelson Teixeira Santos