sábado, 11 de outubro de 2014

LÍNGUA - A INCANSÁVEL


Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos” (Provérbios 6:16-19).


            Introdução
            “O que semeia contendas entre irmãos” (Pv 6:16-19).
             Que parte do corpo humano é usada para levar avante algo tão detestável à vista de Deus? Segundo o Aurélio, “um órgão muscular, alongado, móvel, situado na cavidade bucal, a cuja parede inferior está preso pela base e que serve para a degustação, a deglutição e para a articulação dos sons da boca – serve para falar.

            É detentora de uma peculiaridade única; nunca se cansa. Cada parte do corpo humano eventualmente se cansa, exceto a língua. Acertadamente a Palavra de Deus a descreve como afiada (Sl 140:3), mordaz (Pv 25:23) e indomável (Tg 3:8).

            Você tem problemas em controlar a língua? Não se ofenda; todo ser humano enfrenta este tipo de problema. Controlar a língua consiste num dos maiores desafios para nós cristãos, pois somos aconselhados pela Palavra para que comendo ou bebendo, ou fazendo qualquer outra coisa, façamos tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31).

           Objetivo da mensagem
            Mostrar que, apesar de todos os adjetivos pejorativos que lhe são imputados é possível sim, transformá-la em um instrumento para glorificar a Deus.

            Use-a com parcimônia
            Temperança, bom senso, equilíbrio, moderação devem ser mais do que palavras do nosso vocabulário; devem ser materializados através de atitudes em nosso cotidiano. A orientação vem do próprio Jesus: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mateus 5:37).

            Como seres humanos que somos, temos uma grande dificuldade em encontrar o fiel da balança. Ora condescendemos, ora radicalizamos. Os extremos são demasiadamente perigosos. “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo (Provérbios 25:11 - ACRF).

            Use-a com responsabilidade
            Aqueles que exercem a função de líderes, educadores, professores, mestres na igreja e nas escolas cristãs, tem uma tremenda responsabilidade. São parte ativa na moldagem de mentes e corações; participam da formação do caráter de pessoas que por sua vez influenciarão outras. É o chamado “efeito de ondulação”. Quanto mais conhecimento possuímos, mais responsáveis nos tornamos pela utilização e transmissão destes conhecimento.

            Não subestime as pequenas coisas
            O que é em termos de tamanho o freio que se coloca na boca de cavalos? Ou então, o leme se comparado ao tamanho do navio? Agora imagine um cavalo a galope indo na direção errada? Um navio avançando a toda velocidade para um local fora da rota traçada? Quanto mais avançam mais distanciados ficam de seus destinos. O melhor que se tem a fazer é a correção das rotas o mais depressa possível. A Palavra de Deus arremata: “Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha” (Tiago 3:5 - NVI).
            Moral da história: Se nossas palavras estão sendo articuladas numa direção contrária a vontade de Deus; quanto mais cedo cessarmos o  falatório, melhor!

            Precisamos ter a noção do prejuízo
            É muito comum agirmos de modo inconsequente ou irresponsável ao passarmos adiante algo que ouvimos, aumentando ou até exagerando a ponto de nem sequer reconhecermos aquilo que ajudamos a espalhar.

            Ilustração: As três peneiras...
             “Um homem, procurou um sábio e disse-lhe: - Preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de... Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou: - Espere um pouco. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras? - Peneiras? Que peneiras? - Sim. A primeira é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro? - Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram! - Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito? - Não! Absolutamente, não! - Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa? - Não... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar. E o sábio sorrindo concluiu: - Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz!

            Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras por que: Pessoas sábias falam sobre ideias; Pessoas comuns falam sobre coisas; Pessoas medíocres falam sobre pessoas”.

            Ser cristão é ser coerente
            Da boca de criaturas não tementes a Deus até pode sair coisas estranhas, contudo da dos filhos e filhas de Deus não. Temos um padrão moral elevado e tanto os homens quanto Deus, esperam que de nossos lábios brotem somente bênçãos!

            Conclusão
            Se fizermos um apanhado geral dos nossos erros e acertos na vida cristã, descobriremos que eles estão relacionados com nossa distância ou proximidade da Palavra de Deus. Um dos objetivos pelos quais as Escrituras nos foram dadas é para nos iluminar e curar. Nada mais apropriado então, para conclusão desta mensagem do que o conselho dado através do apóstolo Paulo, em sua epístola considerada o evangelho dos relacionamentos: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Efésios 4:29).
            É o meu desejo, a minha esperança e a minha oração. Amém!!!





© Nelson Teixeira Santos