sábado, 29 de novembro de 2014

ATITUDES SALVÍFICAS


Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade”... (João 4:28).
E levantaram-se ao crepúsculo, para irem ao arraial dos sírios; e, chegando à entrada do arraial dos sírios, eis que não havia ali ninguém” (2 Reis 7:5).

            Introdução
            Duas Histórias perdidas no tempo e no espaço, todavia preservadas de forma miraculosa nas páginas das Sagradas Escrituras servem de pano de fundo para esta mensagem.
            A mais antiga encontra-se registrada num livro escrito por volta do ano 400 antes de Cristo – II Reis capítulo 7. Seus protagonistas são quatro homens doentes e, ao que tudo indica portadores de hanseníase (lepra).
            A segunda, mais recente, mas nem tanto, ocorreu há exatos 1980 anos e é relatada unicamente no evangelho de João capítulo 4; tem como protagonista o nosso Mestre Jesus e como coadjuvante uma mulher samaritana.
            O que estas histórias, ocorridas há tanto tempo, tem em comum?
            Qual a relevância delas para o povo de Deus na atualidade?

            Objetivo da mensagem
            Desafiar-nos a encarar a missão e o testemunho como uma questão de atitude.  

            Predispor-se a deixar a zona de conforto
            A característica principal da igreja laodiceana (a igreja dos nossos dias) é a mornidão. Estamos acomodados. Esperamos que Deus chute nosso traseiro para nos colocarmos a serviço do Mestre. Engano fatal. Deus não irá chutar nem o meu, nem o seu. A atitude para mudar o estado atual das coisas cabe a você e a mim. É sério!

            Há um grande risco em se procrastinar a tomada de uma atitude positiva: a perda das oportunidades. Moral da história: Não se deve deixar passar as oportunidades.

            As oportunidades quando aparecem devem ser agarradas com unhas e dentes; pois elas não ficam a nossa disposição por tempo indeterminado. Os filhos crescem; os vizinhos, colegas de escola, de trabalho se vão; as pessoas morrem. Por esta razão a Palavra de Deus é enfática: “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz”... (Hebreus 3:7) e repete:Hoje, se ouvirdes a sua voz”... (Hebreus 3:15).
           
            Somente quando estudamos escatologia bíblica é que entendemos porque em questões espirituais a palavra amanhã é muito perigosa! “Não me demorarei aqui sobre a brevidade e incerteza da vida; mas há um terrível perigo que não é compreendido suficientemente: o de adiar para atender à voz suplicante do Santo Espírito de Deus, preferindo viver em pecado, pois isso é o que é, na verdade, esse retardamento” (Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 32).

            O que precisa ser feito deve ser feito logo. Jesus tinha consciência da brevidade do tempo: “Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (João 9:4).

            O recado à igreja de Laodiceia é muito claro caso ela insista em não acatar o conselho divino: ...”estou a ponto de vomitá-lo da minha boca” (Apocalipse 3:16).

            Convenhamos, o vômito é uma coisa repugnante. Ser vomitado sem se dar conta é pior ainda. E muito pior ainda, ser vomitado significa que um dia seremos levados a proferir a mais triste das sentenças: “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos” (Jeremias 8:20). Nos manuscritos hebraicos, na Vulgata inclusive, esta passagem é ainda mais contundente; não há mais espaço algum para a esperança: “e nós não fomos salvos”.

            Desejar mudar
            Eu preciso. Tu precisas. Nós precisamos mudar. Mas quem foi que disse que mudar é algo fácil? Mudança implica em perdas. Perdas evocam dores; sofrimentos. Alguém aí tem vocação para masoquista? Ninguém no uso pleno de suas faculdades mentais concordaria com isso, contudo, mudar é uma necessidade em nossa experiência cristã. Não existe crescimento sem mudança. Crescimento é sinal de vida. A falta de crescimento significa morte iminente. “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino” (1 Coríntios 13:11).

            O apóstolo Paulo lamenta: “De fato, embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal” (Hebreus 5:12-14 - NVI).
            Então... Ouse mudar!

            Vença o medo
            É uma das sensações mais antigas vivenciada por quase todos os seres vivos, inclusive por nós humanos (Gênesis 3:10).

            Não ter ou não sentir medo de nada, é insensatez. O medo nos livra de coisas e situações desagradáveis. Preserva-nos inclusive de situações perigosas. Garante-nos até certo ponto, a vida.

            Por outro lado não dá para se viver constantemente sob o signo do medo. O medo gera ansiedade. A coisa é tão séria que algumas pessoas, segundo David Clarkson, pregador inglês do século 17, muitos fazem dos piores inimigos (o medo é um deles) o seu deus. Ele afirma: “Nós nos preocupamos mais com os medos, com aquilo que põe em perigo a liberdade e a própria vida do que com o desagrado divino”.

            Você tem medo de pregar o evangelho? Tem medo de testemunhar?
            Acredite; você não está sozinho. Grandes personagens bíblicos passaram pela mesma experiência: Moisés, Gideão, Jeremias. Uma das figuras mais destacadas do AT, inclusive citada entre os heróis da fé em Hebreus 11, tinha lá seus temores, não com respeito à pregação do evangelho, mas a resposta de Deus às suas preocupações, que serve muito bem para nós, foi: "Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa!” (Gênesis 15:1 – NVI).

            O futuro de nossa vida, e mesmo o nosso futuro, até mesmo depois da morte; a pregação do evangelho; a terminação da obra; tudo está nas mãos de Deus. Ele sabe que a libertação da ansiedade gerada pelo medo é uma de nossas maiores necessidades, e quer que estejamos contentes hoje e confiantes amanhã.

            Deus, através de Sua Palavra enviou mensagens tranquilizadoras dizendo-nos que não temêssemos: No chamado de Josué (Dt 31:8); na ameaça de invasão por parte dos moabitas e amonitas nos dias do rei Jeosafá (II Cr 20:17); no decorrer da história cristã (Lc 21:9); o próprio Jesus proferiu: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27)
            Como se livrar do medo?
            Uma passagem encontrada no livro de Atos nos dá uma dica: “Ao verem a intrepidez de Pedro e João, e tendo notado que eram iletrados e indoutos, maravilhavam-se; e reconheciam que haviam eles estado com Jesus” (Atos 4:13 – SBB). O segredo é esse: Estar com Jesus!

            Ousar quebrar protocolos
            Não custa nada lembrar aos petistas de plantão (nada contra os partidários do PT) que regras não foram feitas para serem quebradas, mas para serem cumpridas.

            Há uma máxima conhecida nos meios acadêmicos que reza: “Toda regra tem exceção; se não tiver exceção não é regra”. Por regra podemos entender: leis, normas, regulamentos, diretrizes, preceitos, cláusulas, códigos, sistemas.

            Seguindo a linha de raciocínio definida por este ditado concluímos que toda regra é passível de questionamento, de mudança e até mesmo de revogação. Toda? Quando?

            E quanto à Lei de Deus? Onde é que ela se encaixa? Ela é um caso à parte. É a exceção das exceções. Diferentemente das demais; ela está fundamentada em princípios imutáveis, eternos, infalíveis, tal qual seu Autor. Portanto, não se deve; e é desaconselhável questionar princípios fundamentados na Palavra de Deus. O motivo? Deus está sempre certo!

            Como já afirmamos não se pode dizer o mesmo quanto às regras. Todas elas, com exceção da Palavra de Deus operam no âmbito circunstancial ou conjuntural; portanto, são passíveis de variação, até mesmo de revogação.  Elas existem para facilitar a vida em sociedade. Quando perdem a finalidade, deixam de ter utilidade.  O rei David, “o homem segundo o coração de Deus” (Atos 13:22), quando ainda não era rei, em certa ocasião quebrou o protocolo (1 Samuel 21:6).  O próprio Jesus não só quebrou, mas endossou a atitude de Davi (Mateus 12:4).
            Em nossos dias, o problema acontece quando no meio evangélico passa-se a praticar uma coisa chamada de obediência cega. Perdoem-me os adeptos, mas como reza um velho adágio popular, “a unanimidade é burra”. Até parece coisa do PC Chinês: 2600 delegados representando 1 366 429 500 (http://countrymeters.info/pt/China), as 18:15 do dia 08.11.2014) sempre votam unânimes em todas as questões do partido.
 
            Um texto atribuído a Ellen G. White afirma que “igrejas inteiras, juntamente com seus pastores se perderão”.

            Não quero ser taxado de incitar a insubordinação religiosa ou coisa do gênero, contudo, acredito ser muito difícil mesmo, admitir a ideia de que Deus jamais colocou qualquer instituição religiosa como consciência de quem quer que seja. É você, sou eu, somos nós, individualmente, que temos de estar “sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15). Também não podemos olvidar o fato de que, um dia todos nós seremos chamados diante de um tribunal divino para a devida prestação de contas. E daí, vamos alegar o que?

            Conclusão
            Agora pense comigo: O que teria acontecido se os protagonistas e coadjuvantes das duas histórias bíblicas agissem inteiramente dentro dos conformes?

            Nada. Absolutamente nada. Certamente nem fariam parte das Escrituras. Esta mensagem só foi possível porque eles resolveram abandonar a zona de conforto; desejaram mudar; venceram o medo e ousaram quebrar protocolos.

            J. M. Price em seu Best-seller intitulado A Pedagogia de Jesus – O Mestre por Excelência afirma na página 31: “Lembremo-nos, no entanto, de que dantes como agora, não são os conservadores, os intelectuais e os calmos, e, sim, os agressivos, os aventureiros e os destemidos que fazem progredir mais a obra de Reino de Deus”.

            Não dá para chamarmos Raabe, Elias, João Batista de pessoas política e eclesiasticamente corretas, contudo onde estão registrados os seus nomes?

            Louvado seja Deus que nos presenteou com homens e mulheres ousados, corajosos, destemidos, aventureiros – fora dos padrões previamente estabelecidos.
            Que sirvam de inspiração para nós outros!
            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!






© Nelson Teixeira Santos

sábado, 22 de novembro de 2014

O QUE CAUSOU A REFORMA?



            Muitas pessoas tentam responder essa pergunta apontando para Martinho Lutero e suas 95 Teses. Mas se você perguntasse ao próprio Lutero, ele não iria apontar para si mesmo ou para seus escritos. Ao invés, ele daria todo o crédito a Deus e Sua Palavra.

            Perto do fim de sua vida, Lutero declarou: “Tudo o que fiz foi destacar, pregar e escrever sobre a Palavra de Deus, e além disso não fiz nada. [...] Foi a Palavra que fez grandes coisas. [...] Eu não fiz nada; a Palavra fez e alcançou tudo”.

            Em outro lugar, exclamou: “Pela Palavra a terra tem sido dominada; pela Palavra a igreja tem sido salva; e pela Palavra ela também será reestabelecida”.

            Notando o fundamento da Escritura em seu próprio coração, Lutero escreveu: “Não importa o que aconteça, você deve dizer: ‘Há a Palavra de Deus. Isso é minha rocha e âncora. Dela eu dependo e ela permanece. Onde ela permanece, eu, também, permaneço; para onde ela for, eu, também, irei’”.

            Lutero entendia o que causou a Reforma. Ele reconhecia que foi a Palavra de Deus, pregada por homens de Deus, pelo poder do Espírito de Deus, em uma linguagem que as pessoas comuns da Europa poderia entender e quando seus ouvidos foram expostos à verdade da Palavra de Deus, ela penetrou seus corações e eles foram mudados radicalmente.

            Foi esse mesmo poder que havia transformado o próprio coração de Lutero, um poder que é resumido nas palavras de Hebreus 4.12: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes”.

           Durante o fim da Idade Média, a Igreja Católica Romana havia aprisionado a Palavra de Deus no Latim, uma língua que as pessoas comuns da Europa não falavam. Os Reformadores libertaram as Escrituras ao traduzi-las. E, uma vez que as pessoas tinham a Palavra de Deus, a Reforma se tornou inevitável. Vemos esse comprometimento com as Escrituras mesmo nos Séculos anteriores a Martinho Lutero, começando com os Precursores da Reforma:

           No Século XII, os Valdenses traduziram o Novo Testamento da Vulgata Latina para seus dialetos franceses regionais. De acordo com a tradição, eles eram tão comprometidos com as Escrituras que as famílias Valdenses memorizavam grandes partes da Bíblia. Dessa forma, se as autoridades Católicas Romanas os encontrassem e confiscassem suas cópias físicas da Escritura, eles seriam capazes de reproduzir toda a Bíblia memorizada depois.

            No Século XIV, John Wycliffe e seus companheiros de Oxford traduziram a Bíblia do Latim para o inglês. Os seguidores de Wycliffe, conhecidos como Lolardos, viajaram por todo o interior da Inglaterra pregando e cantando passagens da Escritura em inglês.

           No Século XV, Jan Huss pregava na língua do povo, não em Latim, o que fez dele o pregador mais popular de Praga, nessa época. Porém, porque Huss insistia que somente Cristo era o cabeça da igreja, não o Papa, o Concílio Católico de Constance o condenou por heresia e o queimou na fogueira (em 1415).
            No Século XVI, conforme o estudo do grego e do hebraico foi recuperado, Martinho Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, terminando o Novo Testamento em 1522.

           Em 1526, William Tyndale completou a tradução do Novo Testamento em grego para o inglês. Em alguns anos, também traduziu o Pentateuco do hebraico. Pouco tempo depois, foi preso e executado como herege – foi estrangulado e depois queimado na fogueira. De acordo com o Livro dos Mártires, de Fox, as últimas palavras de Tyndale foram “Senhor, abre os olhos do rei da Inglaterra”. E foi apenas alguns anos depois de sua morte que o rei Henrique VIII autorizou a Grande Bíblia na Inglaterra – uma Bíblia amplamente baseada no trabalho de tradução de Tyndale. A Grande Bíblia lançou os fundamentos para a famosa versão King James (completada em 1611).

            O fio condutor, de Reformador a Reformador, era o firme compromisso com a autoridade e suficiência da Escritura, a ponto de estarem dispostos a sacrificarem tudo, até suas próprias vidas, para levar a Palavra de Deus às mãos das pessoas.

            Eles assim o fizeram porque entendiam que o poder da reforma e avivamento espiritual não estava neles, mas no evangelho (Romanos 1.16-17). E eles usavam o termo Sola Scriptura (“Somente a Escritura”) para enfatizar a verdade de que a Palavra de Deus era o verdadeiro poder e autoridade suprema por trás de tudo que fizeram e disseram.

            Foi a ignorância da Escritura que tornou necessária a Reforma. Foi o resgate da Escritura que tornou possível a Reforma. E foi o poder da Escritura que deu à Reforma seu impacto marcante, conforme o Espírito Santo levava a verdade de Sua Palavra aos corações e mentes dos pecadores, individualmente transformando, regenerando e dando a vida eterna.









  


POR NATHAN BUSENITZ | 30 de outubro de 2014
Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Nathan Busenitz - Serves on the pastoral staff of Grace Church and teaches theology at The Master's Seminary in Los Angeles.

sábado, 11 de outubro de 2014

LÍNGUA - A INCANSÁVEL


Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos” (Provérbios 6:16-19).


            Introdução
            “O que semeia contendas entre irmãos” (Pv 6:16-19).
             Que parte do corpo humano é usada para levar avante algo tão detestável à vista de Deus? Segundo o Aurélio, “um órgão muscular, alongado, móvel, situado na cavidade bucal, a cuja parede inferior está preso pela base e que serve para a degustação, a deglutição e para a articulação dos sons da boca – serve para falar.

            É detentora de uma peculiaridade única; nunca se cansa. Cada parte do corpo humano eventualmente se cansa, exceto a língua. Acertadamente a Palavra de Deus a descreve como afiada (Sl 140:3), mordaz (Pv 25:23) e indomável (Tg 3:8).

            Você tem problemas em controlar a língua? Não se ofenda; todo ser humano enfrenta este tipo de problema. Controlar a língua consiste num dos maiores desafios para nós cristãos, pois somos aconselhados pela Palavra para que comendo ou bebendo, ou fazendo qualquer outra coisa, façamos tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31).

           Objetivo da mensagem
            Mostrar que, apesar de todos os adjetivos pejorativos que lhe são imputados é possível sim, transformá-la em um instrumento para glorificar a Deus.

            Use-a com parcimônia
            Temperança, bom senso, equilíbrio, moderação devem ser mais do que palavras do nosso vocabulário; devem ser materializados através de atitudes em nosso cotidiano. A orientação vem do próprio Jesus: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mateus 5:37).

            Como seres humanos que somos, temos uma grande dificuldade em encontrar o fiel da balança. Ora condescendemos, ora radicalizamos. Os extremos são demasiadamente perigosos. “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo (Provérbios 25:11 - ACRF).

            Use-a com responsabilidade
            Aqueles que exercem a função de líderes, educadores, professores, mestres na igreja e nas escolas cristãs, tem uma tremenda responsabilidade. São parte ativa na moldagem de mentes e corações; participam da formação do caráter de pessoas que por sua vez influenciarão outras. É o chamado “efeito de ondulação”. Quanto mais conhecimento possuímos, mais responsáveis nos tornamos pela utilização e transmissão destes conhecimento.

            Não subestime as pequenas coisas
            O que é em termos de tamanho o freio que se coloca na boca de cavalos? Ou então, o leme se comparado ao tamanho do navio? Agora imagine um cavalo a galope indo na direção errada? Um navio avançando a toda velocidade para um local fora da rota traçada? Quanto mais avançam mais distanciados ficam de seus destinos. O melhor que se tem a fazer é a correção das rotas o mais depressa possível. A Palavra de Deus arremata: “Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha” (Tiago 3:5 - NVI).
            Moral da história: Se nossas palavras estão sendo articuladas numa direção contrária a vontade de Deus; quanto mais cedo cessarmos o  falatório, melhor!

            Precisamos ter a noção do prejuízo
            É muito comum agirmos de modo inconsequente ou irresponsável ao passarmos adiante algo que ouvimos, aumentando ou até exagerando a ponto de nem sequer reconhecermos aquilo que ajudamos a espalhar.

            Ilustração: As três peneiras...
             “Um homem, procurou um sábio e disse-lhe: - Preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de... Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou: - Espere um pouco. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras? - Peneiras? Que peneiras? - Sim. A primeira é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro? - Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram! - Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito? - Não! Absolutamente, não! - Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa? - Não... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar. E o sábio sorrindo concluiu: - Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz!

            Da próxima vez que ouvir algo, antes de ceder ao impulso de passá-lo adiante, submeta-o ao crivo das três peneiras por que: Pessoas sábias falam sobre ideias; Pessoas comuns falam sobre coisas; Pessoas medíocres falam sobre pessoas”.

            Ser cristão é ser coerente
            Da boca de criaturas não tementes a Deus até pode sair coisas estranhas, contudo da dos filhos e filhas de Deus não. Temos um padrão moral elevado e tanto os homens quanto Deus, esperam que de nossos lábios brotem somente bênçãos!

            Conclusão
            Se fizermos um apanhado geral dos nossos erros e acertos na vida cristã, descobriremos que eles estão relacionados com nossa distância ou proximidade da Palavra de Deus. Um dos objetivos pelos quais as Escrituras nos foram dadas é para nos iluminar e curar. Nada mais apropriado então, para conclusão desta mensagem do que o conselho dado através do apóstolo Paulo, em sua epístola considerada o evangelho dos relacionamentos: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Efésios 4:29).
            É o meu desejo, a minha esperança e a minha oração. Amém!!!





© Nelson Teixeira Santos

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ORDENAÇÃO DE MULHERES – 3ABN



            Conforme já havia previsto e dito, trata-se mais um vídeo circulando nas redes sociais sobre o assunto que monopolizará a 60ª Assembleia Geral da IASD, em San Antonio, Texas – USA de 04 a 11 de julho de 2015.
            O aludido vídeo, na realidade uma edição do programa Night Ligth é apresentado por Danny Shelton e Jim Gilley, tendo como convidados os pastores Doug Batchelor, Stephen Bohr e Jay Gallimore.

            O objetivo, ao que tudo indica, é a busca de consenso em torno de um assunto delicado, polêmico e controverso que já se arrasta por quase 150 anos. A tarefa é árdua, praticamente impossível; convencer a todos: indecisos, imparciais e opositores a estarem com seus pontos de vista alinhados de acordo com os ditados pela instituição.
            Prega-se muito sobre a unidade – “unidade na diversidade”, contudo, na prática o que se busca, contrariando frontalmente a mais longa oração intercessória de Jesus registrada na Bíblia (João 17) é a uniformidade.  

            O modelo segue a receita clássica dos programas evangélicos veiculados na mídia mundial: apresentadores e entrevistados fazendo perguntas eclesiasticamente corretas (previamente acertadas) e todos, ora se fazendo de desentendidos, ora revelando grande sapiência em suas respostas. Tudo muito bem embasado com textos bíblicos, do espírito de profecia, ilustrações e testemunhos pessoais; tudo muito convincente, muito impressionável, a partir de uma pesquisa realizada pela própria emissora de TV.

            Um dos objetivos, entre outros da emissora de TV ao promover a pesquisa, segundo o apresentador Jim Gilley, era o desejo de começar a ouvir a voz vinda dos próprios bancos da igreja em vez de necessariamente de líderes, porque já se sabe que os líderes, incluindo aí os delegados, estão mais preocupados em defender os interesses da instituição do que os legítimos interesses das congregações a que pertencem. Até aqui nenhuma novidade.

            Logo no início o vídeo peca quando alfineta as duas uniões norte americanas (diga-se ex uniões), que a revelia da AG, segundo Jim Gilley, desobedecendo as orientações bíblicas e as normas vigentes da IASD ordenaram mulheres. Peca por omitir  a verdade: tem mais entidades jurídicas adventistas espalhadas pelo mundo ordenando mulheres, inclusive associações. Peca por omitir informações: as duas aludidas uniões já não fazem parte do corpo de instituições adventistas; não esperaram 2015, se anteciparam, não levando em conta os apelos do presidente, Pr. Ted Wilson e tomaram a decisão e a iniciativa de romper com a AG. Tentativa de atribuir-lhes alguma parcela de culpa? Perda de tempo. 
            A intrigante pergunta ainda sem resposta é: se a ordenação de mulheres é antibíblica de fato, porque ainda se perde tempo debatendo este assunto?  Seria por que assim foi acordado por ocasião da 59ª Assembleia Geral? Um dos motivos sim, mas existem outros. Quais?
            Outra questão: Se a Associação Geral já se posicionou acerca do assunto e o mesmo já foi dado por encerrado por ocasião das Assembleias da AG em 1990 e em 1995, porque reabri-lo? Se as decisões adotadas pela AG não estão sendo acatadas pelas várias entidades jurídicas ao redor do mundo, isso é ruim, alguma coisa está errada. Seria “crise de identidade” ou o que é pior: crise de autoridade? Ou, as duas juntas? Ou o que?
            E o imponderável aconteceu. Ao Jim Gilley efetuar uma interessante e oportuna observação, alegando que um membro após cinco anos estudando diligentemente as lições da Escola Sabatina pode ser considerado detentor de um curso teológico, foi contestado pelo Pr. Bohr. “Um dos grandes problemas que temos, e olha que eu viajo muito para a América Latina é que as pessoas não estão bem informadas sobre todos esses assuntos porque não os estudaram a fundo”; afirmou o pastor Bohr. Pode?
            Latinos aos olhos do Pr. Bohr são todos ignorantes. Pergunta-se: Como ficar “bem informado”, como “estudar a fundo” se as informações pertinentes, fontes de conhecimento, são sonegadas dos membros, permanecendo à disposição de apenas uns poucos privilegiados da “elite”? Como, se a DSA há muito tempo, alinhada com as orientações da AG, se posicionou contrária a ordenação. Até departamento foi criado para se evitar qualquer tipo de oposição.
            Lamentavelmente há muito mais coisa mantida a sete chaves nesse meio, inclusive dos próprios colaboradores (obreiros). Certa vez, um departamental, a nível de associação ao ser interpelado sob esta prática abominável respondeu: “Para que maus obreiros não venham a fazer mau uso”. Novamente; pode?
            Esqueceram-se de avisar o desavisado e mau informado pastor de que foi o seu “colega de ministério” Pr. Neal C. Wilson em 1988, quando então presidente da AG que considerou o assunto proscrito (“Role of Women Commission Meets”, Adventist Review, 12 de maio de 1988, 6-7). Em tempo: Neal C. Wilson é pai do atual presidente da AG, Pr. Ted Wilson.
            Incoerências a parte, o intrigante é que mesmo após o banimento decretado pelo Pr. Neal C. Wilson muito material foi produzido, sobretudo nos EUA e que pelos motivos óbvios, já citados, não chegaram até nós. No Brasil o único material digno de nota (com ressalvas), é uma TCC elaborada por Heber N. de Lima em 2003.

            A bem da verdade, a instituição está diante de uma questão complexa, criada por ela mesma (não pela igreja) e não quer, ou não sabe exatamente como lidar com ela. Alegar que, se a ordenação de mulheres for aprovada, isso irá facilitar o caminho para que advogados de casamentos e ordenação de ministros gays agitem a igreja buscando aprovação; porque este foi o caminho percorrido por outras instituições religiosas; é, no mínimo, leviandade. Mas leviandade maior é afirmar que por esta razão as comunidades religiosas que adotaram esta prática sofreram acentuado esvaziamento nos últimos anos. Também de nada adianta apelar para primazia, semântica ou para a hermenêutica, ou mesmo achar que é o diabo que está tentando distorcer tudo o que Deus estabeleceu na criação. Isto não irá resolver a questão.
            “Sempre avante! Manda o General”. Sugere-nos o hino de n° 342 do HA, contudo em termos estratégicos, avançar nem sempre significa ir em frente. Às vezes, em determinados momentos, é preciso parar para se reorganizar, para unir forças, parar para recompor as linhas que compõem a vanguarda e a retaguarda, reforçar os flancos e aí sim, seguir em frente, seguros da vitória! Planejar, avaliar, replanejar, reavaliar, se preciso for. Sempre!
            Peca-se na tentativa infrutífera de passar ao mundo uma imagem de perfeição absoluta, onde tudo funciona como um relógio suíço. Doce utopia! Sabemos que na prática as coisas não acontecem assim. Será que a lição de 1844 ainda não foi internalizada? Não devemos dar ao mundo a oportunidade de tripudiar sobre nossas mazelas!
            Peca-se também quando falta humildade suficiente para assumir os próprios erros e falhas. Um expert, Jim Collins, em parceria com seu grupo de colaboradores escreveram na obra intitulada How the Mighty Falls: “Prestamos um desserviço a nós mesmos quando estudamos apenas sobre o sucesso”. Gordon MacDonald editor da revista Leadership - First published in Leadership Journal, afirma que: “Um indício claro de declínio é desencadeado quando líderes ignoram ou minimizam informações críticas, ou se recusam a escutar aquilo que não lhes interessa. Subestimar os problemas e superestimar a própria capacidade de lidar com eles é autoconfiança em excesso”.  O Espírito de Profecia juntamente com a Palavra de Deus são bem claros ao afirmar: a igreja (o povo de Deus) sagrar-se-á vitoriosa; já as instituições religiosas, não sei!   
  
            Devemos ser gratos a Deus porque mesmo em meio a esta e tantas outras controvérsias vivenciadas na comunidade religiosa ainda existem homens e mulheres consagrados, que a semelhança dos dias de Elias não se curvam diante de Baal – “joelhos que não se dobraram a Baal” afirma o texto bíblico.

            O Pr. Jan Paulsen, quando presidente da AG afirmou: “Há ainda desafios como o tão discutido assunto do papel da mulher no ministério. Esta é uma preocupação que vem à tona de tempos em tempos, tanto em minhas conversas com jovens como durante uma recente conversa, televisionada, com um grupo de pastores da América do Norte. Alguns perguntaram: “Temos que continuar falando sobre isso?” Parece-me que sim. Podemos inclusive achar que deveríamos ter lidado com o problema de maneira diferente, desde o princípio. Entretanto, aconselhamo-nos como uma família mundial e chegamos a uma conclusão. Houve decisões a respeito, das quais todos participaram e não podemos nos desviar delas, dizendo: “Eu não gosto disso! Não importa o que os outros digam, vou corrigir no meu território o que, a meu ver, é um engano” Não funciona assim na igreja. Antes de tomarmos um novo caminho, especialmente quando se trata de um ponto difícil e, potencialmente, divisor, deve haver amplo consenso entre a liderança, disposição para ouvir uns aos outros e para concluir que chegou o momento de pensar de maneira diferente (Adventist World I Janeiro 2008, pág. 10). Admirável tom conciliatório!

            No mundo atual as coisas caminham na velocidade da luz e demora-se demais, há muita vagarosidade na busca de solução dos problemas institucionais. Ella Smith Simmons, vice-presidente da AG assim se expressou como sendo a nossa maior fraqueza: “A lentidão para adaptar nossos processos e procedimentos aos tempos em que vivemos” (RA – Agosto 2010, pág. 10).  Para ela a maior ameaça à igreja hoje consiste na “falta de coerência em relação a alguns princípios da vida cristã e questões teológicas que podem fragmentar o corpo da igreja” (idem). Extraordinária visão!

            George R. Knight, pastor, historiador e professor de história da igreja na Universidade Andrews,  em seu sermão intitulado Se Eu Fosse o Diabo, proferido por ocasião da 57ª Assembleia Geral da IASD em Toronto, Canadá em  2000, sinalizando a necessidade de descentralização afirma: "Se eu fosse o diabo, faria dos pastores e administradores o centro do trabalho da igreja. Faria pastores e administradores planejarem e executarem tudo sem autorizar nem capacitar os leigos para planejar e executar sozinhos e independentemente o trabalho da Igreja.

            Não se dedicar com afinco a estabelecer as responsabilidades pelas crises enfrentadas já se constitui uma temeridade. A instituição precisa com urgência encarar a questão com serenidade e seriedade, procurando desta forma assumir a papel que lhe cabe diante da crise – de gestor, na busca de uma solução definitiva, sob pena de provocar uma fragmentação ainda maior do que a já iniciada pelas duas uniões.
            Deus espera que ela cumpra o seu dever!
            A igreja – o povo de Deus, assim espera!


© Nelson Teixeira Santos                                                                                                                                                                                                 
           

  

sábado, 30 de agosto de 2014

PERDAS E GANHOS


Há horas em nossa vida que somos tomados por uma enorme sensação de inutilidade, de vazio. Questionamos o porquê de nossa existência e nada parece fazer sentido. Concentramos nossa atenção no lado mais cruel da vida, aquele que é implacável e a todos afeta indistintamente: As perdas do ser humano.

Ao nascer, perdemos o aconchego, a segurança e a proteção do útero.
Estamos, a partir de então, por nossa conta.
Sozinhos.
Começamos a vida em perda e nela continuamos.
Paradoxalmente, no momento em que perdemos algo, outras possibilidades nos surgem.
Ao perdermos o aconchego do útero, ganhamos os braços do mundo.
Ele nos acolhe: nos encanta e nos assusta, nos eleva e nos destrói.
E continuamos a perder e seguimos a ganhar.
Perdemos primeiro a inocência da infância.
A confiança absoluta na mão que segura nossa mão, a coragem de andar na bicicleta sem rodinhas por que alguém ao nosso lado nos assegura que não nos deixará cai...
E ao perdê-la, adquirimos a capacidade de questionar.
Por quê? Perguntamos a todos e de tudo.
Abrimos portas para um novo mundo e fechamos janelas, irremediavelmente deixadas para trás.

Estamos crescendo.
Nascer, crescer, adolescer, amadurecer, envelhecer, morrer.

Vamos perdendo aos poucos alguns direitos e conquistando outros.
Perdemos o direito de poder chorar bem alto, aos gritos mesmo, quando algo nos é tomado contra a vontade.

Perdemos o direito de dizer absolutamente tudo o que nos passa pela cabeça sem medo de causar melindres.
Assim, se nossa tia às vezes nos parece gorda tememos dizer-lhe isso.

Receamos dar risadas escandalosamente da bermuda ridícula do vizinho ou puxar as pelanquinhas do braço da vó com a maior naturalidade do mundo e ainda falar bem alto sobre o assunto.

Estamos crescidos e nos ensinaram que não devemos ser tão sinceros.

E aprendemos.

E vamos adolescendo, ganhamos peso, ganhamos seios, ganhamos pelos, ganhamos altura, ganhamos o mundo.

Neste ponto, vivemos em grande conflito.
O mundo todo nos parece inadequado aos nossos sonhos. Ah! Os sonhos!!!
Ganhamos muitos sonhos.
Sonhamos dormindo, sonhamos acordados, sonhamos o tempo todo.

Aí, de repente, caímos na real!
Estamos amadurecendo, todos nos admiram.
Tornamo-nos equilibrados, contidos, ponderados.
Perdemos a espontaneidade.
Passamos a utilizar o raciocínio, a razão acima de tudo.
Mas não é justamente essa a condição que nos coloca acima (?) dos outros animais?
A racionalidade, a capacidade de organizar nossas ações de modo lógico e racionalmente planejado?

E continuamos amadurecendo, ganhamos um carro novo, um companheiro, ganhamos um  diploma.

E desgraçadamente perdemos o direito de gargalhar, de andar descalço, tomar banho de chuva, lamber os dedos e soltar pum sem querer.

Mas perdemos peso!!!

Já não pulamos mais no pescoço de quem amamos e tascamos-lhe aquele beijo estalado, mas apertamos as mãos de todos, ganhamos novos amigos, ganhamos um bom salário, ganhamos reconhecimento, honrarias, títulos honorários e a chave da cidade.  

E assim, vamos ganhando tempo enquanto envelhecemos.

De repente percebemos que ganhamos algumas rugas, algumas dores nas costas (ou nas pernas), ganhamos celulite, estrias, ganhamos peso e perdemos cabelos.

Nos damos conta que perdemos também o brilho no olhar, esquecemos os nossos sonhos, deixamos de sorrir.

Perdemos a esperança.
Estamos envelhecendo.

Não podemos deixar para fazer algo quando estivermos morrendo, afinal, quem nos garante que haverá mesmo um renascer, exceto aquele que se faz em vida, pelo perdão a si próprio, pelo compreender que as perdas fazem parte, mas que apesar delas, o sol continua brilhando e felizmente chove de vez em quando, que a primavera sempre chega após o inverno, que necessita do outono que o antecede.

Que a gente cresça e não envelheça simplesmente.
Que tenhamos dores nas costas e alguém que as massageie.
Que tenhamos rugas e boas lembranças.
Que tenhamos juízo, mas mantenhamos o bom humor e um pouco de ousadia.
Que sejamos racionais, mas lutemos por nossos sonhos.
E, principalmente, que não digamos apenas eu te amo,
mas ajamos de modo que aqueles a quem amamos,
sintam-se amados mais do que saibam-se amados.

Afinal, o que é o tempo?
Não é nada em relação a nossa grande missão.
E que missão!
Fique em paz!


(Autoria desconhecida)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

CULTO ACEITÁVEL


Com que me apresentarei ao SENHOR, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dEle com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?  Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:6-8 BSVD 6.0).

            Introdução
            Enquanto que em diversas partes do mundo, o esvaziamento de igrejas é uma triste realidade, cujos templos são fechados e posteriormente vendidos para servirem de galerias de arte, restaurantes e tudo mais que a imaginação possa conceber; no Brasil, igrejas, templos e catedrais estão sendo, cada vez mais, construídos em larga escala e estão cada vez mais cheios.
            Isto é bom ou ruim?
            É bom, pois mostra uma tendência inerente ao ser humano – a busca de Deus e a necessidade de prestar-lhe culto. No entanto, desde o primeiro relato bíblico de um culto, percebe-se que nem sempre o culto é aceitável. Caim e Abel se apresentaram para adorar a Deus, mas só um deles foi aceito.
            Séculos mais tarde, no tempo do profeta Malaquias a situação ficou tão crítica que Deus manifestou o desejo de ver as portas do templo fechadas porque não suportava mais o tipo de culto que Lhe era prestado (Ml 1:10).
            Contemporizando, isto mostra que não basta vir adorar. Frequentar capelas, igrejas, templos, catedrais não é suficiente.

            Objetivo da mensagem
            Desvendar através de uma simples exegese como é o culto aceitável a Deus.

            Não depende unicamente do que apresentamos a Deus
            O texto mostra de forma clara e evidente que o culto aceitável não depende exclusivamente do que apresentamos a Deus.
            O profeta se coloca no lugar dos adoradores e faz uma pergunta: “Com que eu poderia comparecer diante do Senhor?” (Miquéias 6:6).
            Em resposta a esta sua pergunta retórica ele mesmo responde através de outras perguntas que mesmo não sendo respondidas fica claro que a resposta adequada para cada uma delas seria não.

            São estas as outras perguntas:
ü  Apresentar-me-ei com holocaustos? (v 6).
ü  Com bezerros de um ano? (v 6).
ü  Com milhares de carneiros? (v 7).
ü  Com miríades de ribeiros de azeite? (v. 7).
ü  Darei a Ele meu filho mais velho para obter o perdão (v.7).
            Todas as alternativas, com exceção da última, estavam eclesiasticamente corretas, contudo, por si só, ainda que preciosas, nada disso seria aceitável a Deus.

            Atualmente a forma de culto mudou radicalmente, mas em essência é o mesmo e pode ocorrer que estejamos fazendo a mesma pergunta. Com que me apresentarei para que a minha adoração seja aceitável?

            Perguntas retóricas atuais:
ü  Me apresentarei com cânticos emocionantes?
ü  Com dízimos e ofertas expressivas em minhas mãos?
ü  Com olhos banhados em lágrimas?
ü  Com alegria estampada em meu rosto, saltando e dançando diante dEle?
ü  Com roupas de grife, mostrando quão importante Ele é para mim?
ü  Com hinos tradicionais, solenes, muito bem cadenciados e cantados com toda a reverência possível?
ü  Com gritos de glória e aleluia ou com améns bem baixinho?

            De forma semelhante às perguntas feitas pelo profeta em sua época, toda resposta a cada uma destas perguntas é a mesma: Um sonoro não! Nada disso, apesar de toda importância, ou, por mais importante que seja, por si só, pode tornar a nossa adoração aceitável ao Senhor!   

            Depende de nossas relações interpessoais
            Em outras palavras, depende da forma como nos relacionamos com o nosso próximo. Não basta uma forma agradável de culto, ou nos apresentarmos no estilo certo, é necessário que antes de adentrarmos a Casa de Deus tenhamos um correto relacionamento com todos aqueles que estão a nossa volta (Mateus 5:23-24).
            O próprio Deus em sua infinita bondade mostra-nos o que Ele considera bom e o que requer de cada um de nós (vers. 8).
            Aqui cabe uma explicação para a palavra homem usada neste versículo. A palavra hebraica é adam, a qual via de regra, não sempre, é utilizada de forma genérica. Isto mostra que a mensagem é para todos. Deus abomina a exclusividade; Deus ama a inclusividade. A graça divina é inclusiva!
            Pelo menos duas atitudes em relação ao próximo Deus exige de Seus adoradores:

            a) Em primeiro lugar Deus exige a prática da justiça
            Deus não aceita nem suporta culto praticado por pessoas injustas. Veja o que Ele disse para as pessoas que se apresentavam em multidões no templo para adorá-Lo: "Eu odeio e desprezo as suas festas religiosas; não suporto as suas assembleias solenes. Mesmo que vocês me tragam holocaustos e ofertas de cereal, isso não me agradará. Mesmo que me tragam as melhores ofertas de comunhão, não darei a menor atenção a elas. Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene! " (Amós 5:21-24 - NVI).

            Esclarecendo o texto; não é que Deus não goste de festas religiosas (assembleias) ou de música, seja ela hinos, cânticos, canções, ou mesmo de dízimos ou ofertas. O que Ele não suporta é quando estas coisas são oferecidas por pessoas que não praticam a justiça.  

            Se você sente o desejo de oferecer um culto aceitável ao Senhor, antes de tudo como sugere o texto, pratique a justiça em todas as suas relações com o seu próximo. Exemplos práticos: Não subfaturar; não superfaturar, fazer jus ao seu salário; pagar salário justo ao trabalhador; não furtar, não cobiçar, não adulterar (em todos os sentidos).

            b) Em segundo lugar Deus exige a prática da misericórdia
            Aqui, talvez esteja o maior desafio que como cristãos temos de enfrentar. Como conciliar justiça e misericórdia? Justiça é uma grande virtude, porém, separada da misericórdia, pode tornar-se um grande mal.
            Praticar a misericórdia é não tratar o outro de forma dura como ele merece ser tratado. É perdoar! Ainda bem que Deus sendo justo não nos trata apenas com justiça, mas também, com misericórdia, pois uma sem a outra é uma verdadeira catástrofe!

            Se você deseja que Deus aceite o seu culto, trate a todos indistintamente com misericórdia. Olhe com misericórdia para todos que estão a sua volta. Aqueles que compartilham ou não de sua fé. O seu cônjuge, seus filhos, sua família, amigos, vizinhos, parentes, colegas de trabalho, chefes. Na igreja especificamente: os líderes, dirigentes, músicos, jovens, devedores e até mesmo os inimigos (se é que os temos), pois todos eles são gente como a gente. Só agindo dessa maneira você mesmo alcançará misericórdia (Mt 5:7) e terá o seu culto aceito por Deus.

            Depende de nossa comunhão diária com Deus
            O texto nos mostra que o culto aceitável a Deus depende de nossa comunhão diária com Deus. A passagem bíblica revela que devemos andar humildemente com Deus (v. 8b), ou seja, em obediência.
            Não adianta nada passarmos a semana inteira distante dos caminhos do Senhor, como se Ele não existisse e ao chegar o dia de sábado, domingo ou as quartas-feiras, nos apresentarmos diante dEle em culto, como se fossemos verdadeiros cristãos.
            Podemos até enganar alguém com este tipo de atitude, mas Deus não se engana, Ele conhece o nosso viver, sabe com quem está lidando e não aceita este tipo de culto.
            Então, se você quer no sábado prestar um culto aceitável, deve andar também nos outros dias com Deus.
            O texto ainda nos revela que devemos andar humildemente, aceitando as orientações divinas, reconhecendo que não somos ninguém (quanto mais andamos com Deus mais percebemos como somos pequenos). Tome cuidado inclusive com o orgulho espiritual (as temidas comparações), com o sectarismo religioso. Deus não aceita culto prestado por orgulhosos e sim pelos humildes.

            Conclusão
            Quando nos reunimos em culto para adorar e, ainda que juntos, cada um o faz de forma diferente. Alguns cantam forte, outros  nem tanto; alguns choram, outros riem; alguns levantam os braços, outros não se movem; alguns só participam das músicas mais agitadas, outros só das clássicas (solenes); alguns batem palmas, outros colocam as mãos no bolso; alguns falam aleluia, glória a Deus, amém! Outros não abrem a boca.
            Deus nos ama e aceita estas formas pessoais e peculiares de cultuar, contudo, todos nós só cultuamos de fato no sábado ou em qualquer outro dia de culto quando temos, não somente dentro dos horários de culto, mas especificamente fora dele uma relação de justiça e misericórdia com o nosso próximo e de obediência humilde com o nosso Deus.
            Assim seja a minha, a sua, a nossa experiência diária.
            É o meu desejo, a minha esperança e a minha oração. Amém!!! 








©Nelson Teixeira Santos