terça-feira, 31 de dezembro de 2013

VOCÊ NÃO DEVE ACREDITAR EM TUDO QUE... VÊ, LÊ E OUVE



            Já faz muito tempo. Tanto tempo que a ditadura militar nem havia se instalado no Brasil. O ano era 1963; a escola, o Grupo Escolar Arthur Ribeiro de Macedo e o então menino Nelson Teixeira Santos, com apenas 8 anos de idade cursava a 2ª série do ensino primário (hoje Ensino Fundamental), quando tudo começou.  O nome da professora; sinceramente não me lembro, contudo, as belas lições por ela ensinadas, ficaram indelevelmente gravadas.

            O livro de Português continha vários textos para leitura e interpretação e entre eles um que jamais esqueci. Tratava de uma história, cujo protagonista, um menino chamado Tibúrcio, que como todos nós, tinha muitas virtudes, mas também possuía defeitos. Sua característica marcante – a ingenuidade. Por conta de sua exacerbada ingenuidade ele sempre se colocava em apuros, se metia em confusões e era facilmente enganado.

            Embora aos meus 8 anos de idade fosse incapaz de entender , de fato, o que significava ingenuidade, a lição permanece até hoje: você não deve acreditar em tudo que vê, em tudo que lê, em tudo que ouve.

            O tempo passou e aos 21 anos de idade conheci a Jesus e qual foi a minha surpresa ao descobrir nas Santas Escrituras a seguinte citação: Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo (Atos 17:11- NVI). Gosto demais da mesma passagem na versão NTLH: As pessoas dali eram mais bem educadas do que as de Tessalônica e ouviam a mensagem com muito interesse. Todos os dias estudavam as Escrituras Sagradas para saber se o que Paulo dizia era mesmo verdade”. Agora, já com o aval da Bíblia: você não deve acreditar em tudo que vê, em tudo que lê, em tudo que ouve.

            O tempo passou e aos 45 anos de idade, lá estava eu no IAP cursando o teológico destinado aos obreiros da IASD, quando numa das etapas entra um professor, pastor (cujo nome pelos motivos óbvios prefiro não mencionar) e começa a inquirir a classe (na primeira pessoa), só faltou apontar o dedo em riste, levando a questão para o nível pessoal mesmo: - Você é ASD? Por quê? Porque foi induzido, coagido, convencido?
            Foi um alvoroço geral, muita gente indignada, alegando que foi até lá na esperança de fortalecer ainda mais a sua fé e, de repente, vê a sua religião, sua fé, sua instituição sendo questionada.            
             Com a maturidade de quem já havia vivido quase meio século, entendi perfeitamente o objetivo daquele pastor: você não deve acreditar em tudo que vê, em tudo que lê, em tudo que ouve.  E novamente, com mais um aval bíblico: “Antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15 - AA).

            Entre uma etapa e outra do curso; um belo dia lá estou eu desempenhando as funções de administrador financeiro, numa das escolas da instituição quando o telefone toca. Do outro lado da linha o departamental de educação chamando-me para uma conversa pessoal. Para encurtar a história; meu nome tinha sido escolhido para ocupar a função de tesoureiro geral das escolas da associação. Como fui apanhado de surpresa, pedi um tempo para dar-lhe a resposta. Sabendo que dois departamentais envolvidos com a área educacional estavam em rota de colisão (sendo um deles o que me fez o convite) resolvi declinar da indicação. O homem ficou furioso, indignado mesmo, com a recusa.
            - Como você ousa recusar um chamado de Deus?
            - Desculpe-me pastor. Sinceramente não vi o chamado desta perspectiva. Foi a minha resposta.
            Atrevimento em recusar um chamado de Deus. Chamado de Deus. De Deus. Com estes pensamentos povoando a minha mente, me sentindo um herege, fui procurar outro pastor, grande amigo, já às portas da jubilação, que naquele momento trabalhava como departamental da USB, a fim de pedir ajuda, trocar ideias, receber um bom conselho, para quem sabe, voltar atrás naquela decisão tomada.
            -O que? Quem foi que lhe disse que todo chamado procede de Deus? Fique você sabendo que nem todo chamado procede de Deus.
            - Mas pastor; nem mesmo os que acontecem dentro das igrejas, no seio das instituições religiosas?
            -Pode acreditar – não! Foi a enfática resposta.
            A conversa foi longa e demorada, contudo os motivos apresentados pelo experiente pastor foram bastante convincentes e suficientes para confirmar a decisão previamente tomada, vindo reforçar a máxima de que: você não deve acreditar em tudo que vê, em tudo que lê, em tudo que ouve.

            Há dias atrás vivenciamos a dança dos distritais. E por conta disso, é gente chorando a partida de uns, é gente dando boas vindas aos que chegam, há os ingênuos que acreditam que todos os chamados (neste caso mudanças) procedem de Deus, há gente defendo tais mudanças – “é para o bem deles, é para o bem das igrejas”. Também há os que começam a questionar certas mudanças: porque mudar de uma igreja para outra, dentro de uma mesma associação, distritais que assumiram distritos a cerca de um ano?  Tem até gente encontrando versículo bíblico para referendar tais mudanças – Romanos 8:28. Pode? Faço minhas aqui, as palavras do apóstolo Paulo: “Pois posso testemunhar que eles têm zelo por Deus, mas o seu zelo não se baseia no conhecimento” (Romanos 10:2 - ACF).

            E o que dizer das “mensagens escondidas”?
            “Os salvos serão vistos nos cultos de quarta-feira”.
            “É pecado montar árvores de natal em nossas igrejas”
            “É pecado fazer encenações teatrais (dramatizações) em nossas igrejas”
            “O último trabalho intercessor de Cristo antes que Ele ponha de lado suas vestes sacerdotais, é apresentar as orações dos pais pelos filhos”. A lista é grande!
            Permitam-me nem mencionar a quem tais citações são atribuídas. Coitadinha!
            Quando alguém, seja lá quem for, leigo ou graduado, fizer alguma citação mencionando ou não sua autoria, contudo omitindo a fonte, o livro, a revista, a página; não se sinta constrangido em perguntar aonde é que está escrito? É direito seu, pois você não deve acreditar em tudo que vê, em tudo que lê, em tudo que ouve.

            E quanto às páginas sociais; elas não poderiam se deixadas de lado. Como defini-las? Ainda não encontrei uma definição adequada para tais ferramentas tecnológicas. Um laboratório. Um mosaico de coisas. Uma válvula de escape. Uma página social. Uma forma de entretenimento. Uma vitrine. Um modismo. Pode ser tudo isso. Pode também não ser nada disso. Agora uma constatação: são bastante democráticas; igualmente ecléticas; nelas encontra-se de tudo. Agora só uma coisa. Por amor daquilo que lhes é mais sagrado não me venham com a história de que são coisas do diabo. Podem ser usadas tanto para promover o bem, como para disseminar o mal. Portanto, tome muito cuidado com o que você posta, escreve, curte, compartilha. Não seja ingênuo a ponto de acreditar em tudo que postam nas redes sociais. Afinal, você não deve acreditar em tudo que vê, em tudo que lê, m tudo que ouve.


            Alguns conselhos bíblicos são bastante úteis ao acessarmos Facebook, Orkut,  Twitter, Youtube, Instagran, Pinterest ou qualquer outra rede (nada contra nenhuma delas):
            “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21 - ACF).
            “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” ( Mateus 5:37 - ACF).
                 “Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores!” ( Salmos 1:1 - NVI).
             “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32 – ACF) .  

            Afinal de contas, ser ingênuo é bom ou ruim? A julgar pela definição dada pelo Aurélio: sem malícia, franco, inocente, puro e singelo; ser ingênuo é bom. Estas são qualidades desejáveis entre todos que se dizem ser cristãos, contudo, há um grande problema; o possuidor de tais virtudes torna-se presa fácil (enganada) nas mãos de pessoas despreparadas, mal preparadas e mal intencionadas.
          
            Portanto, você não deve acreditar em tudo que vê, em tudo que lê, em tudo que ouve. Seja nobre ou bem educado como os bereanos. Que o “assim diz o Senhor” seja o fator norteador de sua vida.

            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!






© Nelson Teixeira Santos







quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

SONHO COM UMA IGREJA VIVA


Sonho com uma igreja que seja uma igreja bíblica
que seja leal em cada detalhe à revelação de Deus na Escritura,
cujos pastores expõem a Escritura com integridade e relevância,
e assim procuram apresentar cada membro maduro em Cristo,
cujo povo ama a palavra de Deus, e a adornam com uma vida
obediente e semelhante a Cristo,
que seja preservada de todas as ênfases não bíblicas,
cuja vida inteira manifeste a saúde e beleza do equilíbrio
bíblico.
Sonho com uma igreja bíblica.

Sonho com uma igreja que seja uma igreja adoradora
cujo povo se reúna para se encontrar com Deus e adorá-lo,
que sabe que Deus sempre está no meio deles e que se curva
diante dele em grande humildade,
que frequente regularmente a mesa do Senhor Jesus, para
celebrar seu poderoso ato de redenção na cruz,
que enriqueça o culto com suas habilidades musicais,
que creia na oração e se apegue a Deus em oração,
cuja adoração seja expressa não só nos cultos de domingo e nas
reuniões de oração, mas também em suas casas, no trabalho
durante a semana e nas coisas comuns da vida.
Sonho com uma igreja adoradora.

Sonho com uma igreja que seja uma igreja acolhedora
cuja congregação seja formada de muitas raças, nações, idades
e origens sociais, e manifeste a unidade e diversidade da
família de Deus,
cuja comunhão seja calorosa e receptiva, jamais manchada por
ira, egoísmo, ciúmes ou orgulho,
cujos membros amem com fervor uns aos outros com coração
puro, suportando uns aos outros, perdoando uns aos outros
e levando as cargas uns dos outros,
que ofereça amizade aos solitários, apoio aos fracos e aceitação
aos que são desprezados e rejeitados pela sociedade,
cujo amor derrame sobre o mundo exterior o amor atraente,
contagioso e irresistível do próprio Deus.
Sonho com uma igreja acolhedora.

Sonho com uma igreja que seja uma igreja que sirva
que veja Cristo como o Servo e ouça seu chamado para ser
também serva,
que seja liberta do interesse próprio, virada do avesso e se dê
de modo altruísta ao serviço dos outros,
cujos membros obedeçam ao mandamento de Cristo de viver
no mundo, permear a sociedade secular, ser o sal da terra e
a luz do mundo,
cujo povo compartilhe as boas-novas de Jesus simplesmente,
naturalmente e entusiasticamente com seus amigos,
que sirva com diligência à própria paróquia, bem como aos
residentes e trabalhadores, famílias e solteiros, nacionais e
imigrantes, idosos e criancinhas,
que esteja alerta às necessidades em mudança da sociedade,
sensível e flexível o bastante para continuar adaptando seu
programa para ser mais útil no serviço,
que possua uma visão global e esteja constantemente desafiando
seus jovens a entregar a vida ao serviço e constantemente
enviando seu povo para servir.
Sonho com uma igreja que sirva.

Sonho com uma igreja que seja uma igreja que espera
cujos membros nunca consigam sossegar na afluência material
ou conforto, porque lembram que são estrangeiros e peregrinos
sobre a terra,
que seja ainda mais fiel e ativa porque está esperando e ansiando
a volta do seu Senhor,
que mantenha acesa a chama da esperança cristã num mundo
escuro e desesperador,
que no dia de Cristo não vai se esconder dele envergonhada,
mas levantar-se exultante para recebê-lo.
Sonho com uma igreja que espera.

 

Autor: John Stott

Fonte: ultimato.com.br