quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

60ª CONFERÊNCIA GERAL – LAMENTO SOBRE O LEITE DERRAMADO


Nada contra as Assembleias Gerais, contudo apela-se por mais transparência, bom senso, representatividade, unidade e não uniformidade. Decisões equivocadas no passado não compensam outras no presente. Isto é o que pensa e lamenta parte da comunidade mundial.

            Era uma vez...
             Como toda história, assim começa a da camponesa que, até pode ser, aquela que aparece há anos, estampando as embalagens de determinada marca de leite condensado.
             Diz o relato que a aludida moça, a caminho do mercado para vender os seus baldes de leite fazia planos e mais planos sobre o que faria com o dinheiro da venda. Eis que de repente tropeça, cai e derrama todo leite.
            Diante do ocorrido, ela mesma chega a conclusão que não há como remediar aquela situação, ou seja: Não adianta chorar sobre o leite derramado.
             É inerente ao ser humano criar expectativas em torno de muitas coisas em seu dia a dia, durante toda sua vida. Intrínseco, normal. Pergunta-se: E quando esta ou aquela expectativa criada não se concretiza? Frustração na certa. De resto então lamentar, desabafar, e em seguida; redundâncias a parte, aprender com ela, crescer, seguir em frente. A vida continua; afinal de contas, não adianta chorar sobre o leite derramado.
            Por falar em leite derramado, o relato que se segue diz respeito à 60ª sessão da Assembleia Geral. Fruto de constatações, de observações, de muita leitura, de estudos e análises; são totalmente imparciais, racionais, inteiramente despojados dos arroubos emocionais, quer sejam eles, pessoais, eclesiásticos ou institucionais.
            O único compromisso é com verdade, com o “assim diz o Senhor”. Ainda que haja prejuízos pessoais ou profissionais por conta disso, ser justo, ponderado, convicto, faz parte do ser cristão. Abomináveis são a hipocrisia e o cinismo sob qualquer forma, muito mais quando praticados nos meios religiosos. Inaceitáveis.
            Admiráveis são pessoas que possuem a sensibilidade suficiente para se colocarem no lugar do outro e, sobretudo, sentirem as dores do outro. Daí a razão de se reproduzir as sábias palavras do Pr. Helder Roger, eleito vice-presidente da DSA ao afirmar: “Eu me preocupo ainda com aqueles que não viram suas expectativas alcançadas aqui, não sei como está o coração deles, mas acredito que a igreja está mais amadurecida” (Em Busca de Consenso – RA Agosto 2015). Alteridade!
            Foi uma das coisas mais sensatas que alguém proferiu antes, durante e depois da assembleia.  Aliás, a única coisa que a 60ª Assembleia Geral não conseguiu frustrar foi a expectativa. Já se esperava pelo resultado. O surpreendente, no entanto, foi a maneira com que as coisas foram conduzidas e como aconteceram.
            Sobretudo nas redes sociais e na mídia, os meses que antecederam o início da reunião, constituíram-se num festival de asneiras, mediocridades, heresias, protagonizado por leigos e graduados. Por gente sem noção, que sem o devido conhecimento do assunto ou movidos pela paixão, pelo fanatismo, ou ainda por um corporativismo desvairado, culminaram com a tentativa de intimidação dos delegados. Resumindo, gente que como afirma o apóstolo Paulo: “zelosos de Deus mas faltos de entendimento” (Rm 10:2).
            Equívocos a parte, por falar em delegados; conhecendo o modus operandi  institucional, equivocou-se redondamente quem pensou que toda pressão seria exercida sobre os delegados (antes e durante a sessão), porque, afinal de contas, seriam eles os responsáveis pelos resultados levados a efeito por meio das votações.
            A bem da verdade, o terreno começou a ser preparado há muito tempo. De forma sutil e velada, procurou-se eliminar toda possibilidade de alguma surpresa ocorresse quanto ao resultado final sobre a ordenação de mulheres.  
            Já por ocasião da 59ª Assembleia Geral ocorrida em 2010, o então presidente, pastor Jan Paulsen, tido como liberal demais, pela ala conservadora, foi substituído pelo pastor Ted Wilson, reconhecidamente conservador.
            Mais recentemente, a substituição do pastor, escritor, professor e teólogo Angel Manuel Rodríguez, diretor do Instituto de Pesquisas Bíblicas da Associação Geral por Artur Stele; justamente ele que presidiu a Comissão da Teologia da Ordenação (TOSC).
            O conhecidíssimo em toda América Latina, pastor, escritor, evangelista, conferencista Alejandro Bullón, submetido a uma jubilação compulsória, sob a alegação de não ter o perfil evangelista desejado pela DSA.     
            Jan Paulsen, Angel Manuel Rodriguez, Alejandro Bullón, entre outros; homens consagrados, influentes e acima de qualquer suspeita, contudo com algo em comum – todos favoráveis a ordenação de mulheres.   
            Há cento e cinquenta anos “brinca-se de casinha”, de faz de conta que se estuda, que se leva a sério o assunto da ordenação de mulheres. Se de fato o assunto fosse encarado com a devida seriedade não seria necessário até recorrer (extra oficialmente) a vídeos produzidos por outras denominações religiosas para tentar desesperadamente provar (segundo eles) que a ordenação de mulheres é antibíblica. Curiosamente neste momento até o sectarismo, sempre presente, foi esquecido. Não se pode olvidar também que este assunto da ordenação já foi colocado em votação nas assembleias ocorridas em 1990 e 1995. Tornou-se recorrente, por quê?
            Também não dá para ignorar entre outras, as alegações usadas para justificar tal posicionamento: primazia, contextualização, hermenêutica, semântica, no entanto, jamais admite-se que é por machismo, conveniência ou por uma outra razão que não se deseja revelar. Por quê?
            A propósito, um dos princípios elementares da administração reza que a comunicação precisa se feita por canais regularmente constituídos e claramente reconhecidos. Enquanto pequenas organizações não carecem de esquemas complicados, as grandes precisam.
           Os membros bem informados servirão melhor quando souberem o que está ocorrendo ao seu redor. Eles têm uma visão compreensiva do todo, e sabem que parte desempenham nesse todo. Só assim poderão identificar-se com os objetivos de sua igreja ou missão, e saber por que certas questões recebem prioridades. Também conhecerão o modo pelo qual alguns alvos serão atingidos.
           Com esta compreensão, o indivíduo será capaz de estabelecer sua identidade pessoal e ajustar seu comportamento a fim de atingir os objetivos da instituição. A omissão de informações importantes certamente não é o melhor caminho!
            A reeleição de Artur Stele na vice-presidência da AG, bem como na presidência da TOSC, certamente não pode ser atribuída a sua imparcialidade sobre o assunto. A reeleição de Ted Wilson na presidência da AG já apontava para o desfecho final. Enfim, a substituição destas e de outras pessoas em pontos chaves da liderança tinha por objetivo neutralizar qualquer tentativa de mudança na posição defendida há século e meio.
            Intrigante e constrangedor é o fato que não se percebeu nenhuma movimentação da parte de teólogos de plantão (na ativa), se manifestando, contra ou a favor sobre o posicionamento adotado pela DSA. Silêncio absoluto. Só para avivar a memória, novamente, como aconteceu diversas vezes no passado, especificamente quando as eleições no Brasil caiam em dia de sábado, a igreja, o povo de Deus se viu novamente desgarrado, sem rumo “como ovelhas que não tem pastor”. Alegação: Ir ou não votar, tratava-se de “uma questão de consciência”. E agora o assunto da ordenação da mulher ao ministério é uma questão de que? Se a instituição é contrária à ordenação de mulheres diga por quê? Afinal de contas para que servem os mais variados títulos ostentados pelos teólogos? Para enfeitar rodapés de artigos publicados em periódicos denominacionais?
             Com todo o respeito, o que se viu, durante a sessão, de 2 a 11 de julho então, foi festival de ismos, entre eles: Conservadorismo, corporativismo, estrategismo, cinismo, favoritismo, sectarismo, cartelismo, oportunismo, mercantilismo, protecionismo, estrelismo – inaceitáveis. Aceitável é a afirmação do redator da RA quando diz que: “Adventismo genuíno é a encarnação do evangelho eterno no contexto presente” (RA Agosto 2015); contudo, não foi isso o que se viu durante aqueles dias.
            Inacreditável e inaceitável também, entre outras coisas, o fato da Associação Geral ter tido cinco anos, mais que suficientes para planejar tudo em seus mínimos detalhes e depois simplesmente alegar que na hora H a tecnologia falhou (equipamento eletrônico fornecido a cada delegado para registrar a votação apresentou defeito). Falha tecnológica?
            Pior ainda, segundo a constatação de um site (Perspectiva Adventista), a pressão pós-assembleia sofrida pelos delegados que ao retornarem aos seus países de origem. Segundo o site, em alguns lugares, foram pressionados a prestar contas de seus atos (votações durante a assembleia). No Brasil isto é conhecido como voto de cabresto, coronelismo. Ato que se verdadeiro, repudiável!
              Preocupante e lamentável a informação dada pela RA sobre: “Perdas. Nos últimos cinco anos, dos 6,2 milhões de pessoas batizadas, 3,7 milhões deixaram a igreja, um índice de 60% de apostasia”. Esqueceu-se de fechar a porta dos fundos. Alguém está realmente preocupado com isto?
            “Já somos 18,5 milhões de adventistas no mundo”, aliás, número contestado pelos auditores da própria instituição: “A liderança da igreja vê as estatísticas com ponderação. Afinal, o número de membros em algumas partes do mundo tem estagnado ou entrado em declínio”. Onde está escrito que a terminação da obra depende de um número x de membros? Números servem para muitas coisas; inclusive para atestar o nível de crescimento, contudo só crescimento numérico não basta. Este número se encaixa na categoria de remanescente?
            Ser relevante para as novas gerações, investir nas novas gerações, a inserção de jovens na liderança da igreja. Esse assunto tornou-se recorrente, sobretudo, desde que George R. Knight apresentou o sermão Se Eu Fosse  o Diabo,  na Conferência Geral de 2000 em Toronto - Canadá.
            Estes bordões estão sempre presente toda vez que a liderança sai em busca de apoio e, infelizmente está longe de se tornar realidade. Basta olhar para a liderança mundial. Nada contra idosos, mas contra velhos de “dura cerviz”, sim. Os delegados da assembleia atestam esta realidade. Apenas 6% tinham menos de 30 anos de idade; 10% tinham entre 30 e 39 anos; o restante cerca de 83% tinha entre 40 e mais de 70 anos. Falar em representatividade é muito fácil. “Difícil” é aplicá-la no dia-a-dia da igreja. Primeiramente é preciso que se defina quem é jovem para a instituição.
            Profundamente entristecedor ver jovens (?) na igreja não só pensando, mas agindo como se fossem velhos, fruto, em grande parte, destes treinamentos levados a cabo a cada início de ano, verdadeiras lavagens cerebrais, preparados única e exclusivamente com o propósito de cumprirem a risca os programas da igreja (nada contra eles) e a preencherem inúmeros relatórios (diga-se de passagem, cada vez mais extensos, complexos); pragmatismo puro e simples.
            Lideranças locais precisam ser ensinadas a pensar, a terem discernimento, personalidade própria, a serem proativos, a tomarem decisões próprias de acordo com suas realidades locais. Precisam urgentemente deixar de agir como autômatos, verdadeiros “papagaios de pirata”, “vaquinhas de presépio”. Isto é deprimente.
            Que os distritais sejam mais pastores no sentido mais amplo da palavra, que amem de fato as suas congregações; se amar for pedir demais, pelo menos que se façam presentes e que deixem de ser  meramente executivos.
            Também, nada contra novas tecnologias, mas que o distanciamento entre igreja (membresia) e as entidades superiores provocados por elas, precisa ser urgentemente, de alguma forma, minimizado. Que as decisões tomadas nas altas esferas institucionais sejam comunicadas de forma transparente àqueles que terão a incumbência de implementá-las. Trata-se de uma questão de direito.
            Ainda sobre representatividade, não são só os jovens que estão mal ou pouco representados; que dizer das mulheres? São a maioria nas igrejas, são as responsáveis pela maioria das conversões e durante a AG apenas 13% eram do sexo feminino (sem levar em consideração o fato de que certamente algumas eram funcionárias da organização e esposas de pastores). Representatividade é isto?
          A afirmação mais sensata, mais coerente, de um tom conciliatório que lhe é muito peculiar vem de um defensor da ordenação de mulheres, Pr. George R. Knight: “Deus pode usar tanto homens quanto mulheres para espalhar as boas-novas da salvação em Cristo. Esse é o sentido do testemunho cristão. A igreja estaria em melhores condições se contasse com mais homens e mulheres de fé e poder engajados na obra de testemunhar do Salvador ressurreto”. Para Não Esquecer, MD 20112015. Quem “estaria em melhores condições”? De que tipo de homens e mulheres a igreja precisa? Palavras de um servo de Deus que merecem a devida atenção. Alguém está preocupado com isso?
           “Homens e mulheres de fé”. A fé não deve ser abalada pela decisão polêmica sobre a ordenação de mulheres, pois já se esperava por isso, contudo as relações com a instituição precisam ser repensadas. Eis aí um tremendo desafio: Como continuar a professar fé no adventismo, em suas crenças fundamentais? Dá para aceitar as determinações da instituição sem ressalvas?  Esta na hora de rever conceitos
            Segundo as Santas Escrituras, Deus não colocou ninguém, nem mesmo instituições religiosas para agir como se fosse consciência de quem quer que seja. Acate-se tudo o que estiver de acordo com o “assim diz o Senhor”, conteste-se tudo o que estiver em desacordo. É uma questão não de direito, mas de dever, contudo, não como neófitos, faça-se tudo com “decência e ordem”, com responsabilidade. Ainda que fora do contexto, contudo o princípio continua valendo; o próprio Jesus afirmou: “Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão” ( Lucas 19:40 - ACF).
            Segundo Collins e seu grupo de pesquisadores, em How the Mighty Falls, o declínio de uma igreja passa por cinco estágios nem sempre fáceis de perceber. O primeiro é a autoconfiança como fruto do sucesso. “Prestamos um desserviço a nós mesmos quando estudamos apenas sobre o sucesso”, afirma Collins. A busca pelo crescimento exagerado é o segundo estágio que antecede a derrocada, seja de uma organização secular ou de um ministério cristão. O terceiro estágio de declínio identificado por Collins é desencadeado quando líderes e organizações ignoram ou minimizam informações críticas, ou se recusam a escutar aquilo que não lhes interessa. O estágio quarto começa, escreve Jim Collins, “quando uma organização reage a um problema usando artifícios que não são os melhores”. Collins menciona ainda o estágio cinco da decadência, que é o da rendição. Sem dúvida, isto merece uma séria reflexão.
            Crises sempre estiveram presentes desde os primórdios, entretanto, a instituição continua ameaçada de divisão, fragilizada, sofrendo atualmente não só uma crise de identidade, mas de autoridade e credibilidade. Como costumam afirmar os políticos, “é preciso consultar as bases”, neste caso, as igrejas, pois é lá que as coisas realmente acontecem. Decisões engessadas, previamente ditadas e acordadas nos bastidores não resolvem, só causam mais dissensões. E quem lucra com isso?
            Concluindo, constata-se que mesmo após o encerramento da AG, continuam sendo veiculados nos canais oficiais de instituição, depoimentos oriundos da liderança da DSA, na tentativa de desqualificar aqueles que, valendo-se do direito inerente e inalienável do livre arbítrio, não pactuam da uniformidade reinante na instituição. Este tipo de procedimento não contribui em nada para a solução do problema. É o que provam estes exemplos: Professores de Teologia da Universidade de Andrews solicitam troca de credenciais; União Italiana protesta pela ordenação de mulheres; União do Pacífico vota resolução sobre as mulheres no ministério pastoral; presidente da Divisão Pacífico Sul confirma mulheres no ministério; Igreja Adventista na Holanda continuará ordenando mulheres, entre outros, que o digam. Em outras palavras, os “derrotados” continuam mobilizados. Alguma coisa precisa ser feita. Eles estão fazendo. O que esperar dos “vitoriosos”?
            Tom Coelho aconselha: “Aprendi que não adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E com rapidez. Problemas são como bebês, só crescem se forem alimentados. Muitos deles resolvem-se por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada, eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula corretamente. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados”. (Resiliência). Então, solução ou rasteiras?
            Ellen G. White há muito tempo escreveu: “A igreja foi ameaçada de divisão” (AA pág. 198). Contextualizando e reinterando: A igreja [instituição] continua ameaçada de divisão, fragilizada, sofrendo não só uma crise de identidade, mas de autoridade e credibilidade.  Isto é fato.
            De resto a 60ª sessão da AG foi o que foi. Um festival de “ismos” onde o conservadorismo aliado ao seu primo irmão, o corporativismo sagraram-se mais uma vez vitoriosos.
            Se Cristo não voltar nos próximos cinco anos, que venha Circle City em 2020; porém, que o nosso Deus que não se deixa escarnecer e que está no comando, mostre o quanto antes, onde e com quem está a verdade.
            Que a misericórdia divina seja uma constante entre o Seu povo.
            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!





© Nelson Teixeira Santos                   

domingo, 29 de novembro de 2015

SALVAÇÃO NA DEVOLUÇÃO DOS DÍZIMOS? - ONDE ESTÁ ESCRITO QUE HÁ


            Você não dever acreditar em tudo que... vê, lê e ouve.
            Em 31.12.2013 postei em meu blog um artigo de minha autoria com este título.
            Passado quase dois anos já teve quase 500 acessos. Continua atual e muito oportuno. É só acessar  www.nelson-teixeira.blogspot.com.br e conferir.
            E por quê?
            Porque em quarenta anos de igreja já ouvi cerca de 5000 pregações e mais um número incontável de sermonetes, palestras e motivacionais. Já participei de inúmeros congressos, seminários, convenções, “treinamentos” etc. Também já ouvi muita coisa impublicável e, sempre que isto acontece, ou seja, coisas que soam estranhas ou avessas à Palavra de Deus, ponho-me a pensar: De onde o sujeito tirou esta ideia? Ou, como costumo indagar: Onde está escrito que...? Aliás, este é o título de outro artigo escrito e publicado no mesmo blog; simplesmente o mais acessado. Desde a sua publicação em 13 de Setembro de 2012, já foram mais de 1200 acessos.
            A propósito: Onde está escrito que salvação (a minha, a sua, a nossa e a de seja lá quem for) esteja atrelada, vinculada ou mesmo condicionada à devolução de dízimos para alguma instituição religiosa?
            Se você encontrar alguém fazendo tal afirmação saiba se tratar no mínimo de uma leviandade e o autor redondamente equivocado; precisa urgentemente rever seus conceitos ou, nos moldes bíblicos: Vai ter com a Palavra de Deus ó neófito!
            Para algumas denominações religiosas o dízimo até serve de pré-requisito para a concessão de cargos ou funções eclesiásticas, mas nem mesmo para estas instituições, ele serve de pretexto para promover a remoção do rol de membros da igreja (em caso de não devolução), e muito menos, jamais servirá de empecilho para que alguém alcance a vida eterna – a salvação.
            Biblicamente os dízimos foram instituídos por Deus como forma de compensação e garantia de sobrevivência dos levitas (responsáveis pelos serviços no Tabernáculo e tudo que nele havia), uma vez que eles não receberam herança entre os filhos de Israel quando da entrada na Terra de Canaã (ver Números 18:24; Josué 13:32-33). Conforme II Crônicas 31:5 e Neemias 12:44, tanto Ezequias como também Neemias, restabeleceram o sistema de devolução de dízimos, caído em desuso ao longo do tempo.
            Contemporaneamente, grande parte das igrejas cristãs passaram a adotá-lo, como forma de se obter recursos, pois  “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho (1 Coríntios 9:14), ou seja, para a manutenção de todos aqueles envolvidos única e exclusivamente na pregação do evangelho .
            Afirmar que o simples ato de devolução de dízimos possa assegurar a salvação de alguém é antibíblico – salvação pelas obras. Consiste na hipervalorização de um ato que, muito embora tenha sido instituído por Deus não possuí nenhuma função salvífica, em detrimento do plano de salvação elaborado pela Divindade antes da fundação do mundo e levado a cabo através do sacrifico expiatório feito por Jesus Cristo na cruz do calvário.
            Malaquias 3:10 fala em bênçãos sem medida, contudo bênção não significa necessariamente salvação. Salvação  é graça, dom imerecido, portanto, não há nada que alguém posa fazer para merecê-la (ver Atos 4:10-12; Efésios 2:8).
            Enquanto houver templos e pessoas que dedicam suas vidas exclusivamente a pregação do evangelho neste planeta; esta é uma opção, dada por Deus, para manutenção de Sua causa. A bem da verdade, que se diga também: a sua correta utilização pelas instituições que dele fazem uso, não caracteriza-se como pecado.     


© Nelson Teixeira Santos

domingo, 18 de outubro de 2015

“ESCOLHAM HOJE A QUEM IRÃO SERVIR”


Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor" (Josué 24:15 – NVI)

            Introdução
            Deus concede a cada um de nós o livre-arbítrio. Somos livres para escolher a quem desejamos servir. Dependendo da escolha nos tornamos servos ou escravos. Servos de Deus ou escravos de Satanás. Tanto em tese, como de forma prática, todos nós cristãos, optamos por servir a Deus.
            Feita a escolha surge um pergunta: Como se serve ao Senhor?

            Sugestões bíblicas
            O que se deve fazer e como fazer:
            “Mas tudo deve ser feito com decência e ordem” (1 Coríntios 14:40 – NVI).
            “Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto” (Sl 100:2 – ACF).
            O que não se deve fazer:
            “Nada façais por contenda ou por vanglória” (Filipenses 2:3 – ACF).
            “Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente” (Jr 48:10 – ARA).
            
            De forma prática
             A Palavra de Deus não detalha como iremos servir ao Senhor. Ela contém princípios que nortearão nosso trabalho na seara do Senhor. A partir daí somos desafiados exibir certas características, igualmente desafiadoras, entre elas:

            Os verdadeiros servos estão à disposição para servir
             Existe uma máxima no meio evangélico que reza mais ou menos assim: “A chave para o sucesso em nossa vida espiritual não reside nas habilidades, mas sim nas disponibilidades”. Até porque sabemos que “Deus nem sempre chama homens e mulheres capacitados para Sua obra, mas capacita aqueles que atendem ao Seu chamado”. Também está escrito que: “Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou” (II Tm 2:4 - New American Standard Bible).

            Os verdadeiros servos prestam atenção às necessidades
             Estar atento às necessidades daqueles que estão a nossa volta e ajudá-los é fazer exatamente o que a Palavra de Deus determina: “Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé” (Gl 6:10 God’s Word Translation). A oportunidade tem algo muito peculiar, ela não costuma durar muito tempo, ela é extremamente fugaz. Certamente só teremos uma oportunidade de ajudar aquela pessoa, então, não percamos tempo, aproveitemos. “Não diga ao seu vizinho que espere até amanhã, se você pode ajudá-lo hoje” (Pv 3:38 – NTLH).

            Os verdadeiros servos fazem o melhor que podem com o que têm a mão
             Se existe uma coisa que os servos verdadeiros não dão, essa coisa chama-se desculpas. Também não deixam para a última hora, nem esperam que as circunstâncias melhorem. Não faz parte do vocabulário deles frases como: “Um dia destes”, ou “Quando for a hora certa”. Simplesmente fazem. Até porque a própria Bíblia é categórica ao afirmar que: “Se você ficar esperando as condições perfeitas, nunca fará nada” (Ec 11:4 – New Living Translation).

            Os verdadeiros servos fazem qualquer tarefa com igual dedicação
             Fazer “de todo o coração” (Cl 3:23),  como ordena a Palavra de Deus, é o lema dos verdadeiros servos. A tarefa ou o seu tamanho para eles é irrelevante. A única questão é: Ela precisa ser feita?
             Você jamais chegará a um estágio em seu desenvolvimento espiritual em que será importante demais para auxiliar em tarefas servis. Deus jamais o eximirá do que é trivial. Esta é uma parte vital no currículo de seu caráter. A Bíblia assevera que: “Se você pensa ser muito importante para ajudar alguém necessitado, está na verdade enganando a si mesmo. Você é realmente insignificante” (Gl 6:3 New Living Translation). Acredite, é nesses pequenos serviços que crescemos a semelhança de Cristo. Ele se especializou em tarefas servis; aquelas que todo mundo tentava esquivar-se: lavar pés, ajudar crianças, servir leprosos. Foi o próprio Jesus quem disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:15 – ACF).
     
            Os verdadeiros servos são fiéis ao seu ministério
             Os verdadeiros servos concluem suas tarefas, cumprem suas responsabilidades, honram suas promessas e levam a cabo seus compromissos. São confiáveis e dignos de crédito. A fidelidade sempre foi uma qualidade rara. É o que afirma a Bíblia em Salmos 12:1; Provérbios 20:6; Filipenses 2:19-22).
             O bom de tudo isto é saber que Deus prometeu recompensar nossa fidelidade na eternidade. Imagine só, ouvir dos lábios do próprio Deus estas palavras: “Muito bem, meu servo bom e fiel. Você foi fiel ao lidar com essa pequena quantia; portanto, agora darei a você muito mais responsabilidades. Vamos celebrar juntos” (Mt 25:23 - Today’s English Version).

            Os verdadeiros servos mantêm discrição
            Promover e chamar a atenção para si próprios não faz parte da forma de agir dos servos verdadeiros. O apóstolo Paulo mostrou-nos um tipo de serviço que aparenta ser espiritual, mas que na realidade não passa de uma simulação, uma exibição; um ato para atrair a atenção. Ele denominou isso de estar “servindo a vista” (Ef 6:6 – ACF). Servir para que as pessoas fiquem impressionadas com quão espiritual nos somos. Esse era o pecado dos líderes religiosos mais censurados por Jesus – os fariseus.
            Eles conseguiam transformar a ajuda às pessoas, a generosidade e até mesmo a oração em espetáculo para os outros. Jesus abominava esta atitude e alertou: “Tenham o cuidado de não praticar seus deveres religiosos em público, a fim de serem vistos pelos outros. Se vocês Agirem assim, não receberão nenhuma recompensa do Pai de vocês, que está no Céu” ( Mt 6:1 – Contemporary English Version).

            Conclusão
            Tenhamos sempre em mente uma coisa: Servimos a Deus ao servir aos outros.
             Para o mundo grandeza tem a ver com poder, posses, prestígio e posição, mas nós não somos deste mundo, somos cidadãos do reino dos Céus. Jesus mede a grandeza em termos de serviço e não de posição social. Deus avalia nossa grandeza pela quantidade de pessoas que servimos, não pela quantidade de pessoas que nos servem.
            Como saber se possuímos um coração de servo?
            Jesus responde: “Vocês podem dizer o que eles são pelo que eles fazem” (Mt 7:16 – Contemporary English Version).
            Que façamos as coisas corretas pelos motivos igualmente corretos. 
            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!   
   
 

            © Nelson Teixeira Santos

terça-feira, 15 de setembro de 2015

LONGANIMIDADE


O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9).


            Introdução
            Há algum tempo atrás estava selecionando artigos para preparação de mais uma mensagem – um sermão, quando me deparei com a seguinte citação acerca de líderes há muito tempo a frente de suas congregações: “Não é de se admirar que os crentes mais ativos e criativos sejam, muitas vezes, os mais carrancudos e intolerantes” (Alexandre Ramalho da Silva, em A Síndrome de Elias).
            Tal afirmação levou-me a pensar: Intolerante eu? Após uma breve reflexão cheguei a conclusão que precisava rever urgentemente meus conceitos, pois sem me dar conta estava enveredando pelos caminhos da intolerância.
            Positivamente falando é possível substituirmos a palavra intolerância por outra mais light. Por exemplo: tolerância; mas aí surge um problema. A maioria das versões bíblicas (para não dizer todas as consultadas), não fazem uso de tal palavra.

            Isto significa que a Palavra de Deus não trata deste assunto?
            De modo nenhum. As Santas Escrituras empregam outras palavras: paciência; paciente; tardio em irar-se; lento para a cólera; longânimo; longanimidade.
             A Pequena Enciclopédia Bíblica O. S. Boyer define longanimidade como: Paciência para suportar ofensas. Não só por dedução então, mas pelo que a Palavra de Deus afirma, somos levados a concluir ou crer que Deus é longânimo.

            Deus é longânimo
            A longanimidade de Deus pode ser encontrada em diversas passagens do AT: Êx 34:6; Nm 14:18; Sl 86:15; 103:8; Is 48:9; Na 1:3 sendo que a palavra empregada transmite a ideia de lentidão para a ira e para punir o erro. No NT Rm 2:4; 3:35; 9:22; II Pe 3:15 duas palavras utilizadas literalmente traduzidas como grandeza de ânimo – para amar e esperar, perdoar e esquecer, tolerância,conter, fazendo referência ao juízo.
            A longanimidade divina manifesta-se quando Deus retarda, temporariamente, o merecido julgamento e continua ofertando salvação e graça por longos espaços de tempo, dando oportunidade para arrependimento e conversão. Exemplos: nos dias de Noé, com o antigo Israel, através dos profetas (reinos do Norte e Sul, antes do cativeiro) e em nossos dias, com o mundo antes da volta de Jesus.

            A longanimidade de Jesus
            Quando Jesus habitou na Terra o exercício da longanimidade foi percebido no seu modo de tratar com os seus discípulos. Ele teve de lidar com pessoas imaturas, que haviam tido na vida um desenvolvimento errado e falho; alguns deles eram governados apenas por impulsos – impetuosos.
            Mas o Mestre não só teve que lidar com pessoas de caráter subdesenvolvido e de fortes impulsos, mas também de acentuadas tendências para o pecado. Lidou com pessoas desafiadas pelas perplexidades e problemas da vida que O procuravam para que Ele os resolvesse.
            Com gente ignorante, provenientes das baixas camadas da sociedade, gente que não estava preparada para compreender muitas coisas, uma vez que a mente deles não estava habilitada a assimilar toda a verdade.
            Como ensinar verdades espirituais, que só se discernem espiritualmente, para gente que possuía uma concepção muito materialista da vida e a ideia ritualista acerca da religião? Se tudo isso já não bastasse, eram cheios de preconceitos e instáveis.
            Se um dia Ele nos disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:15 – ACF). Logo, nós também devemos ser pacientes para com aqueles que estão a nossa volta; contudo isto apenas será possível se o Espírito Santo habitar em nosso ser. Somente Ele é capaz de operar este milagre!

            A longanimidade do cristão
            Uma vez que tal virtude está condicionada ao cumprimento de um pré-requisito tão importante – devemos ser o templo do Espírito de Deus; certamente o é por uma razão muito importante também, qual seja, a salvação; nossa e dos que estão ao nosso redor.
           
            Carecemos ser pacientes com os fracos
            No final da epístola aos romanos, Paulo ao tratar da ética cristã, mencionou como deve ser a relação entre cristãos fortes e fracos. Cristãos fortes são aqueles maduros em sua experiência cristã. Os fracos são imaturos em suas convicções, incultos e até equivocados; contudo, não devem ser ignorados ou censurados. A igreja (comunidade cristã) deve acolhê-los sem discussões, debates ou julgamentos, respeitando suas opiniões (Rm 14:1).

            Por que eles devem ser aceitos?

            1° - Porque o próprio Deus os acolheu (Rm 14:2-3);
            2° - Porque Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor (Rm 14:4-9);
            3° - Porque eles são nossos irmãos (Rm 14:10);
            4° - Porque todos nós compareceremos diante do tribunal de Deus (Rm 14:10-13).

            Como bem observou o pastor e teólogo anglicano britânico John Robert Walmsley Stott: “No essencial, unidade; em coisas não essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade”. 

            Devemos ser pacientes quando anunciamos o evangelho
            Os evangelistas acabam por descobrir na prática o que a Bíblia atesta há séculos.

            Sempre que o evangelho for anunciado três coisas podem acontecer:

            1° - Rejeição – Quem ouve decididamente não aceita. A história do moço rico que foi ter com Jesus se encaixa nesta categoria (Mt 19:16-22).
            2° - Procrastinação – No momento a pessoa não aceita, contudo, algum tempo depois diz “sim” Jesus como seu Senhor e Salvador pessoal. O exemplo clássico real da Bíblia é encontrado na pessoa de Nicodemos (João 3:1-21).
            3° - Aceitação – O evangelho é aceito sem mais tardar – imediatamente. Este foi o caso da mulher samaritana (João 4:1-43).

            A aceitação ou não do evangelho, a rapidez ou a demora para que isso ocorra não dependem apenas de Deus ou do mensageiro,  mas em grande parte da disposição do coração daquele que o recebe. Jovens são mais suscetíveis à aceitação da verdade de que as pessoas mais vividas. Isto acontece porque as pessoas costumam filtrar os conhecimentos que recebem. Mais experiência, mais filtros; menos vivência, menos filtros.
 Portanto, é de se esperar que a conversão do jovem seja mais fácil e rápida do que a do mais experiente.

            Necessitamos desenvolver a paciência
            Desenvolvê-la por quê? Porque nós não nascemos com ela. Nessa busca por paciência ou longanimidade podemos contar com a ajuda divina.

            Sabe aquela pergunta recorrente ao longo da história humana: Porque sofremos? Aí está uma das razões pelas quais Deus nos permite passar por provações, por desafios e por dificuldades – cultivar um caráter paciente,constante e a desenvolver a maturidade cristã. Foi o apóstolo Paulo quem escreveu: “Também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança”(Romanos 5:3,4). Em outras palavras: Paciência tem a ver com santificação, pré-requisito básico para alcançarmos o Céu. (ver Hebreus 12:14).

            Precisamos saber que a paciência tem limites
            Onde está seu espírito cristão?
            Ser cristão significa ser capacho dos outros?
            Você tem pavio curto ou longo?
            Qual é o tamanho do pavio divino?

 “Deus é longânimo e não quer que ninguém pereça; mas sua paciência tem limite, e quando o limite for ultrapassado, não haverá segunda chance. Sua ira se manifestará e Ele destruirá sem escape”. SDA Bible Commentary, volume 7, página 946.

Comentando sobre o assunto, Ellen G. White declarou: “Passado o período de nossa prova, se formos achados transgressores da lei de Deus, encontraremos no Deus de amor um ministro de vingança. Deus não se compromete com o pecado. Os desobedientes serão punidos. [...] O amor de Deus agora se expande para incluir o mais baixo e vil pecador que, contrito, venha a Cristo. Estende-se para transformar o pecador num obediente e fiel filho de Deus; mas nenhuma alma pode ser salva se continuar em pecado. O pecado é a transgressão da lei, e o braço que é agora poderoso para salvar, será forte para punir quando o transgressor ultrapassar as fronteiras que limitam a paciência divina” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 313).

É óbvio que não é correto ter pavio curto, estourar rapidamente; contudo é parte do fruto do Espírito ser longânimo.

            Conclusão
            “Portanto, Deus é longânimo para com os homens e para conosco, individualmente. Por essa razão, Ele nos concede tempo suficiente para o arrependimento e a mudança de vida; para formarmos um caráter como o de Cristo. Aproveitemos a oportunidade e permitamos que o Seu Espírito nos faça pacientes em nossos relacionamentos”. Emilson dos Reis, Depois do Perdão, pag. 60.
            Sejamos mais pacientes, mais tolerantes, mais longânimos.
            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!
          




© Nelson Teixeira Santos 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

AMOR EXEMPLIFICADO - DO MAIS IMPROVÁVEL O


Naquele momento, para testar Jesus, um líder religioso lhe perguntou: “Mestre, o que preciso fazer para ter a vida eterna?” Ele respondeu: “O que está escrito na Lei de Deus? Como você a interpreta?” Ele disse: “Ame o Senhor seu Deus com toda a paixão, toda a fé, toda a inteligência e todas as forças; e ame o próximo como a você mesmo”. “Boa resposta!”, disse Jesus. “Faça isso e viverá.” Querendo fugir da resposta, ele perguntou: “Como saber quem é o próximo’?”. Jesus respondeu com uma história: “Certa vez, um homem viajava de Jerusalém para Jericó. No caminho, foi atacado por ladrões. Eles o espancaram e fugiram com suas roupas, deixando-o quase morto. Pouco depois, um sacerdote passou por aquela estrada, mas, quando viu o homem, esquivou-se e simplesmente foi para o outro lado. Em seguida, surgiu um religioso levita. Ele também evitou o homem ferido. “Um samaritano que viajava por aquela estrada aproximou-se do ferido. Quando viu o estado do homem, sentiu muita pena dele. Aplicou ao ferido os primeiros socorros, desinfetando os ferimentos e fazendo alguns curativos. Pôs o homem sobre o jumento em que viajava e levou-o até uma pensão. Na manhã seguinte, entregou duas moedas de prata ao dono da pensão e disse: ‘Cuide bem dele. Se custar mais, ponha na minha conta; pago quando voltar’. “O que você acha? Qual dos três é o próximo do homem atacado pelos ladrões?”. Aquele que o tratou com bondade”, respondeu o líder religioso. Jesus concluiu: “Faça a mesma coisa”. (Lucas 10:25-37 -  A Mensagem).

            Introdução
            Após séculos de predomínio do pecado, o distanciamento entre o professo povo de Deus era tamanho que os judeus tinham dificuldades em reconhecer quem de fato era seu próximo.  Evidentemente que não faziam parte deste grupo os gentios e os samaritanos, pelo simples fato de serem estrangeiros e inimigos, mas até mesmo entre os próprios judeus quem era o próximo?

            Objetivo da mensagem
            Mostrar que além das muitas lições espirituais que possamos extrair desta parábola contada por Jesus, as pessoas que entraram em contato com o homem ferido podem ser classificadas em três grupos distintos, cada um demonstrando uma atitude e filosofia de vida.

            1° Grupo
            Quem representa o primeiro grupo?
             Os assaltantes. A atitude demonstrada por eles foi a cobiça. Esta é uma classe muita difundida em nossos dias. Pessoas inescrupulosas, que não medem esforços para conseguir aquilo que querem, custe o que custar; que levam uma vida de cobiça e ganância procurando não dividir não compartilhar nada que possuem e empenhando-se ao máximo para ganhar tudo o que puderem. Nunca se satisfazem e querem cada vez mais. Seu lema é: Os fins justificam os meios. São o cumprimento de uma profecia escrita pelo apóstolo Paulo – II Tm 3:1-3. 

            2° Grupo
            Não devemos olvidar o fato de Jesus jamais fez parte da liderança institucional enquanto esteve entre nós. Não era sacerdote, sumo sacerdote, escriba, levita, nem fazia parte dos diversos grupos existentes: fariseus, saduceus, zelotes, epicureus, essênios, estóicos.
            Na parábola do bom samaritano a segunda classe é retratada pelos religiosos, especificamente o sacerdote e o levita.  Sua atitude diante da desgraça alheia foi a de indiferença. Podemos até não fazer parte do primeiro grupo – o dos cobiçosos; mas será que muitos de nós que ostentamos o nome de cristãos nos identificamos com a classe dos que são indiferentes para com a dor, a tristeza e infelicidade dos outros? Pior ainda, quantas vezes, mesmo envolvidos e comprometidos na obra que o Senhor nos confiou ficamos tão empolgados com novos projetos, métodos, metas, programas de igreja e, todavia, somos indiferentes para com as pessoas. Esquecemos que nenhuma atividade missionária, por mais sagrada que seja, vale mais que um ser humano.
            O mais surpreendente é que esta parábola na realidade era uma história real. “Isso não era uma cena imaginária, mas uma ocorrência verídica, que se sabia ser tal qual era apresentada” (Ellen G. White DTN, edição de 1990, pág. 481). Aquele sacerdote e aquele levita que participaram do ocorrido estavam escutando a narrativa fiel dos lábios de Jesus. Quando se viram frente a frente com aquele que estava quase morto, pensaram estar sós e que ninguém os observava. Agora se deparam com a história sendo contada como que por uma testemunha ocular. Na verdade ao se verem frente a frente com o homem quase morto, “todo o Céu observava, para ver se o coração desses homens seria tocado de piedade pela desgraça humana” (idem, pág. 481).
            A pergunta incisiva é: Será que nós, muitas vezes não estamos agindo da mesma forma? Passando de largo uns pelos outros?

            3° Grupo
            A terceira classe logicamente é representada pelo bom samaritano. A força motivadora de sua vida é o amor que procede de Deus (I Jo 4:7). Aquele tipo de amor  que cumpre a lei (Rm 13:8-10; Gl 5:14). Se desconsiderarmos esse tipo de amor, viveremos a buscar tão somente nossos próprios interesses, ou, quando muito, também os de nossa família. Aquele que deseja agradar a Deus de verdade, deve ir além, transcender os limites de si mesmo e de sua família. Próximo segundo a parábola e todo aquele que se encontra em necessidade.
            Essa qualidade de amor não é encontrada em qualquer esquina, é de origem celeste e só é encontrada no coração daqueles que são realmente convertidos (I Jo 3:14; 4:7).

            Conclusão
            Qual e a sua filosofia de vida?
            A filosofia dos assaltantes, dos religiosos ou a do bom samaritano?
            Qual a motivação que o impulsiona em sua relação com o próximo?
            A cobiça, a indiferença ou o amor?
         Hoje mais do que nunca Deus está mais que desejoso de repartir Seu amor com você. Você tem condições, você pode, você deve amar mais e mais. Vá ao encontro dEle, apresente-Lhe sua necessidade, peça-Lhe com fé, em nada duvidando e veja o que acontece.
            Ame como amou o bom samaritano!
            Este é o meu desejo e a minha oração. Amém!!!









© Nelson Teixeira Santos

sexta-feira, 24 de julho de 2015

DESMISTIFICANDO O FRUTO


Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda.
Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado. Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim. Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido. Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos
” (João 15:1-8 – NVI).

            Introdução
            No momento em que aceitamos a Jesus como Senhor e Salvador pessoal, o Espírito Santo passa a habitar em nós e com um claro objetivo: a formação de um caráter cristão através do desenvolvimento das virtudes chamadas de “fruto do Espírito”.
            O desafio: Como exemplificar esta verdade espiritual?
            Jesus o Mestre por Excelência, em sua metodologia de ensino, por inúmeras vezes fez uso de uma figura de linguagem que nós conhecemos como metáfora – segundo o Aurélio: Tropo (emprego de palavra ou expressão em sentido figurado) em que a significação natural duma palavra é substituída por outra com que tem relação de semelhança.
            Que verdades espirituais Jesus estava querendo transmitir aos seus discípulos e extensivamente a todos nós, ao usar a ilustração do fruto em Seus ensinos (João 15)?
            A partir de uma breve exegese desse capítulo verdades são encontradas:

            A produção do bom fruto é condicional
            Aqui, como na maioria das promessas divinas, condições precisam ser satisfeitas para que ocorra a tão sonhada frutificação. A produção do bom fruto está condicionada a nossa relação com Jesus. Necessitamos receber constantemente de Sua seiva, Sua vida para que possamos produzir o bom fruto. Foi o próprio Jesus quem afirmou: “Porque sem mim nada podeis fazer” (v.5). O apóstolo Paulo reafirmou: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). Daí a conclusão que sem Jesus, nada é possível na vida espiritual; já com Ele, tudo é possível.
            Por diversas razões, e de modo equivocado, pessoas se conectam a pessoas, a líderes, a pastores, a igrejas, a instituições religiosas, porque isto lhes proporciona aparente segurança, não percebendo que estão colocando em risco a sua salvação. Foi Lucas, no livro de Atos falando acerca de Jesus quem escreveu: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4:11).

            A produção do bom fruto implica em resultado
            Toda ação de Deus é realizada com objetivos bem definidos – resultados. Neste caso específico a produção do bom fruto não foge à regra – deve resultar na glorificação do nome de Deus (v. 8).
            Nas bem-aventuranças (Sermão da Montanha), Jesus já havia ensinado: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16).
            Aquilo que somos é externado através do que fazemos, e tanto um como o outro devem promover a glória de Deus!
          As pessoas que observam nossa maneira de falar, o nosso trajar, nossa bebida, nossa comida, nosso proceder, o nosso trabalho e nossos relacionamentos devem dar glórias a Deus. Que responsabilidade a nossa! Foi assim com Jesus. O evangelho de Lucas relata no capítulo 18, que certa vez Jesus curou um cego diante de uma multidão. E qual foi o resultado? Tanto o abençoado quanto a multidão que presenciou o milagre glorificaram a Deus. Está escrito: “E imediatamente ficou vendo e seguia a Jesus, glorificando a Deus. Presenciando isto, todo o povo deu glória a Deus” (Lc 18:43).

            A produção do bom fruto vai além
           Gosto de pensar que nosso Deus não é um Deus mesquinho, que se contenta com ninharias. Quando Ele investe em nós é porque já avaliou o nosso potencial. Ele sabe que podemos render e render muito. “Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta” (Mateus 13:23).
            Contudo, para Deus, uma única safra é muito pouco. A produção do bom fruto deve ser seguida de uma poda. Poda? Sim, para que produza ainda mais fruto.  A ferramenta escolhida por Deus neste caso é a Sua Palavra. Trata-se de um mistério! Ela é poderosa! Ela tem a capacidade de realizar em cada um de nós toda a transformação necessária par a produção do bom fruto. Ela ensina, repreende, corrige, educa, aperfeiçoa, habilita (II Tm 3:16-17). Daí a relevância das Escrituras em nossa vida. Precisamos buscar de forma regular e sistemática, até adquirirmos o hábito para estudá-la diariamente e de disposição de coração para seguir seus ensinos.
             
            A produção do bom fruto deve ser mensurada
            Ainda não inventaram algo como “frutômetro” para medir a quantidade de bom fruto que se tenha produzido, contudo, a produção ou sua falta é um indicativo de qual será o nosso destino. Aquele que produz muito fruto revela que está unido a Cristo, A Videira, e desfrutará da vida eterna. Ao contrário, a falta do fruto evidenciará que o ramo está separado de Cristo e que, por esta razão, no tempo aprazado por Deus será destruído pelo fogo, pois assim está escrito: “Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados” (Jo 15:6).

            Conclusão
            Dois mil anos se passaram e Jesus continua desafiando-nos:
            Precisamos permanecer conectados a Videira;
            Precisamos produzir mais de uma safra, por isso;
            Precisamos submeter-nos a poda divina (neste caso, Sua palavra);
            Precisamos produzir mais fruto ainda;
            Precisamos permitir que Deus avalie nosso desempenho!
             Faço do conselho de Paulo a Timóteo as minhas palavras: “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade” (II Tm 2:15 – NVI); pois “estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6 - NVI). 
            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!


              

     © Nelson Teixeira Santos