segunda-feira, 9 de junho de 2014

SAN ANTONIO - TEXAS - 60ª ASSEMBLEIA GERAL DA IASD


Uma pré-reflexão sobre o pós-assembleia

            Hoje, 02 de junho de 2014 (data em que comecei redigir este artigo), sinaliza-nos que daqui a exatos 13 meses (número que os norte-americanos abominam) os olhares de pelo menos 17.6 milhões de pessoas estarão voltados para a cidade de San Antonio, no estado norte-americano do Texas, para abertura da 60ª Assembleia Geral da IASD.

            Dada sua abrangência, magnitude e relevância para o os Adventistas do Sétimo Dia – o povo que aguarda a volta do Senhor e Salvador Jesus Cristo (do qual eu faço parte); esta data já pode ser considerada histórica; sem exagero algum, comparada com a 27ª Assembleia Geral, ocorrida em Minneapolis em 1888, considerado um dos eventos mais importantes da história da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

            O que acontecerá na próxima assembleia, que nos leva a compará-la com a de 1888?  Em 1888 o tema que monopolizou a atenção da igreja foi o da justificação pela fé. De antemão, é inegável que entre 02 e 11 de julho de 2015, período em que ocorrerá a próxima assembleia, o assunto mais aguardado, comentado, discutido tanto nos bastidores e comissões, como fora deles, será o que diz respeito à ordenação de mulheres na IASD.

            Até lá muita coisa a favor e contra, será dita, produzida, escrita, editada e veiculada sobre o assunto; oportunidade ímpar que se nos apresenta para melhor conhecermos a história da nossa igreja. Mas cuidado, não devemos acreditar em tudo que assistimos, escutamos ou lemos. Gente despreparada, mal preparada, mal intencionada estará a postos com muito material que em nada contribuirá para nossa edificação. O conselho do apóstolo Paulo vem a calhar nesta hora: “ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom” (1 Tessalonicenses 5:21).  Como é que se põem prova? Através da oração pedindo por sabedoria, através de consultas e pesquisas a fontes dignas de confiança: bons livros, boas revistas, bons artigos, bons autores; sempre procurando saber a fonte, onde foi publicado, edição, ano, número, página. Por amor ao que lhe é mais sagrado, cheque a veracidade da informação!            

            O novo grande desafio para a igreja, iniciar-se-á assim que a decisão sobre ordenação de mulheres for anunciada, independentemente do resultado, podemos estar certos de que embora oficial, legal em termos eclesiásticos, ela trará consequências.
            Muito embora a decisão seja de cunho administrativo, não envolvendo crenças fundamentais (doutrinas), e por esta razão tem muita gente querendo minimizar a crise; ela afetará sim, entre outras, a área mais sensível do povo de Deus – o lado espiritual. Não sei explicar o motivo, mas ao pensar sobre o assunto me ocorreram duas passagens bíblicas:  2 Crônicas 7:14  e  Tiago 5:16.

            A crise de autoridade ainda que negada por alguns, já se instalou e será duramente testada e obviamente contestada nos mais variados níveis institucionais. A prova concreta para tal afirmação baseia-se no rompimento da União Columbia e da União do Pacífico, bem como da Associação Sudeste da Califórnia (a mesma que elegeu com 72% dos votos, a pastora Sandra Roberts como presidente).
            De nada valeram os protestos do presidente da AG, Pr. Ted Wilson que alertou através de um email que o voto não seria reconhecido pela Associação Geral. O então presidente da União do Pacífico, Pr. Ricardo Graham retificou, no entanto, que o voto estaria sendo tomado dentro das políticas da União votadas em 2012.
            As duas uniões (nos EUA), deliberaram não esperar os resultados do estudo solicitado lá em 2010 sobre o tema e tomaram votos em seu território já que pelos poderes conferidos pela Associação Geral, é a União que decide quem será ordenado.
            As decisões das Uniões antecipam uma mudança da política de ordenação prevista para 2015. Encurtando a história: Surpreendentemente, antes de qualquer retaliação ou mesmo, demonstração inoportuna de autoridade por parte da AG fosse demonstrada em resposta ao fato, ambas decidiram romper com a AG. Coube a AG num gesto simbólico informar que todas elas estão removidas. Pergunta-se: Pode uma instituição jurídica ser removida? O manual prevê apenas a remoção de pessoas físicas. Em que se baseiam estas remoções? Alegação de insubordinação eclesiástica? Ademais, ainda que se encontre respaldo para tal atitude elas se tornaram incabíveis a partir do momento em que foram as uniões tomaram a iniciativa de rompimento.
            São tantas as perguntas ainda sem respostas, entre elas: Porque estas uniões resolveram não esperar até 2015? Será que dá para esperar por “uma mudança da política de ordenação” em 2015?

            O ceticismo se faz presente. Basta revermos os antecedentes históricos: Uriah Smith em 1866; Neal C. Wilson em 1988; Assembleia Geral em 1990; Assembleia Geral em 1995. Não olvidemos o fato de que Ted Wilson é filho de Neal C. Wilson. Em outras palavras, o conservadorismo continua imperando.

            Por outro lado, como em qualquer instituição, seja ela religiosa ou não e a nossa não é a exceção; a centralização, o autoritarismo, o conservadorismo, o sectarismo, e tantos “ismos” quanto a sua imaginação permitir, fazem parte do dia a dia das mesmas.

            Alegra-nos, no entanto, o fato de que, apesar de todos os pesares, ainda que de forma bastante tímida e discreta, a liderança mundial da igreja começa a dar mostras que apontam desejo de mudança em seus procedimentos e ideologias eclesiásticos. O reconhecimento de que nem tudo em nosso meio funciona como um relógio suíço já é um bom começo. Líderes leigos (delegados) nas trienais, quadrienais, quinquenais quer seja a nível de Associação, União ou Divisão ou até mesmo nas Assembleias Gerais da AG, precisam realmente representar os anseios das comunidades que os elegeram e não meramente os interesses institucionais.     

            Foi Ella Smith Simmons, vice-presidente da Associação Geral quem disse, em entrevista concedida a Revista Adventista, por ocasião da última AG em 2010 que a maior fraqueza de nossa igreja hoje é “a lentidão para adaptar nossos processos e procedimentos aos tempos em que vivemos”. Afirmou também que a maior ameaça da igreja hoje é “a falta de coerência em relação a alguns princípios da vida cristã e questões teológicas que podem fragmentar o corpo da igreja”. – (RA I Agosto2010, pág. 10).

            Jan Paulsen, quando presidente da AG afirmou em um artigo publicado pela Adventist World: “Há ainda desafios como o tão discutido assunto do papel da mulher no ministério. Esta é uma preocupação que vem à tona de tempos em tempos, tanto em minhas conversas com jovens como durante uma recente conversa, televisionada, com um grupo de pastores da América do Norte. Alguns perguntaram: “Temos que continuar falando sobre isso?” Parece-me que sim. Podemos inclusive achar que deveríamos ter lidado com o problema de maneira diferente, desde o princípio. Entretanto, aconselhamo-nos como uma família mundial e chegamos a uma conclusão. Houve decisões a respeito, das quais todos participaram e não podemos nos desviar delas, dizendo: “Eu não gosto disso! Não importa o que os outros digam, vou corrigir no meu território o que, a meu ver, é um engano.” Não funciona assim na igreja. Antes de tomarmos um novo caminho, especialmente quando se trata de um ponto difícil e, potencialmente, divisor, deve haver amplo consenso entre a liderança, disposição para ouvir uns aos outros e para concluir que chegou o momento de pensar de maneira diferente.

A grande preocupação de muitas mulheres que se sentem chamadas ao ministério, e que possuem formação profissional para tanto, não é a ordenação, mas apenas o fato de serem admitidas e ter a oportunidade de trabalhar no ministério. As igrejas locais são relutantes e as associações encontram dificuldade para empregá-las. Essa é, em minha opinião, uma grande falha. Os jovens, tanto homens quanto mulheres, devem aceitar o chamado que Deus colocou em seu coração. Vamos necessitar de todos para concluir nossa missão e sermos recebidos por Deus na eternidade”. (Adventist World I Janeiro 2008, pág. 10).

            George R. Knight, pastor, historiador e professor de história da igreja na Universidade Andrews,  em seu sermão intitulado Se Eu Fosse o Diabo, proferido por ocasião da 57ª Assembleia Geral da IASD em Toronto do Canadá em  2000: "Se eu fosse o diabo, faria dos pastores e administradores o centro do trabalho da igreja. Faria pastores e administradores planejarem e executarem tudo sem autorizar nem capacitar os leigos para planejar e executar sozinhos e independentemente o trabalho da Igreja.
"Se eu fosse o diabo, questionaria a importância da congregação local, subestimando-a enquanto focalizasse a atenção da Igreja sobre objetivos mais distantes e abstratos.
"Se eu fosse o diabo, criaria novos níveis administrativos e geraria mais administradores. Retiraria os pastores e pregadores mais eficientes da linha de frente e os colocaria atrás de uma escrivaninha. A Igreja Adventista possui mais níveis administrativos que qualquer outra igreja no mundo! Mais até que a Igreja Católica Romana. Nós, adventistas, temos quatro níveis de administração enquanto a hierarquia Igreja Católica tem apenas dois...
"Se estivesse no lugar de Deus, encorajaria Sua igreja a usar seu tempo e energia pensando, planejando e agindo para fazer fracassar o plano do diabo."

            Como povo de Deus carecemos de paciência, de perseverança. O futuro não está em nossas mãos; a Deus pertence. Ele está no controle. “Embora existam males na igreja, e tenham de existir até o fim do mundo, a igreja destes últimos dias há de ser a luz do mundo poluído e desmoralizado pelo pecado. A igreja, débil e defeituosa, precisando ser repreendida, advertida e aconselhada é o único objeto na Terra ao qual Cristo confere Sua suprema consideração. O mundo é uma oficina em que, pela cooperação de agentes humanos e divinos, Jesus está, por Sua graça e divina misericórdia, fazendo experiências em corações humanos” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, vol. II, pág. 355).

            “Não há necessidade de duvidar, de temer que a obra não terá êxito. Deus está a frente da obra, e Ele porá tudo em ordem. Se, na direção da obra, houver coisas que careçam de ajustamentos, Deus cuidará, e operará para corrigir todo erro. Tenhamos fé em que Deus há de pilotar seguramente ao porto a nobre nau que conduz o povo de Deus” – (Review and Herald, 20 de Setembro de 1892).

            Deus está pilotando e “há de pilotar seguramente ao porto a nobre nau que conduz o povo de Deus”. Tenha fé. Acredite!
            Este é o meu desejo, a minha esperança e a minha oração.
            Amém!!!   



© Nelson Teixeira Santos 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O MELHOR A FAZER



            Objetivo da mensagem
            Ser sábio o suficiente para aceitar sem questionamentos às orientações de Jesus.

            Introdução
            Durante toda nossa vida recebemos os mais variados tipos de convite. Convite para festas, para fazermos parte de algum grupo, para assumirmos alguma função em alguma empresa, para entrarmos em alguma sociedade, para cursarmos alguma coisa.
            Alguns deles são bons, outros nem tanto, alguns nos alegram, outros...
            A verdade é que quanto mais importante for a pessoa que nos convida, maior importância damos ao convite.
            Meu desejo é compartilhar uma mensagem acerca do convite formulado pela pessoa mais importante que habitou o planeta Terra – o convite de Jesus.
            Ninguém é obrigado a aceitar um convite. Até mesmo o convite feito por Jesus, contudo, diferentemente dos outros convites que recebemos e desprezamos sem maiores consequências, a recusa deste pode fazer toda diferença em sua vida agora e, sobretudo na eternidade.

            A quem é dirigido o convite?
            Uma das muitas coisas que nos deixa maravilhado ao estudarmos a Palavra de Deus é percebermos que a lógica divina às vezes parece não fazer muito sentido na Terra. Parece...
            Habitualmente, um convite é feito para alguém que está bem. Ser convidado para uma festa, por exemplo, salvo interesses à parte, significa que alguém considera sua pessoa uma boa companhia – alguém agradável. Ser convidado para trabalhar com alguém significa que somos considerados competentes – um bom profissional.
            Mas Jesus é mesmo diferente. Até na hora de fazer um convite. O dele não está direcionado aos que estão de bem com a vida, nem aos que esbanjam suas competências profissionais, mas para todos os necessitados (vers. 28 a).
            Ele não estava querendo, nem mesmo fazendo média quando afirmou isto.  Isto está de conformidade com o que Ele já havia dito ao ser criticado pelos escribas e fariseus, pelo fato de assentar-se a mesa com publicanos e pecadores e dizer: "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes” (Mateus 9:12 – NVI).
            A resposta à pergunta: Para todos os que estão cansados, sobrecarregados, oprimidos. Para todas as pessoas que estão com problemas, que necessitam de ajuda, pessoas normais como eu e você. Como nós. A graça divina é, entre tantas outras coisas, um antídoto contra a hipocrisia – ela é inclusiva!

            Convite do tipo 2 em 1
            Outra característica que difere o convite de Jesus dos outros convites é que junto ao Seu vêm inserido um segundo convite. O convite foge à regra dos convites habituais  porque nos convida para aprendermos com Ele, para aprendermos dEle.
            Ele não nos chama, nem a ninguém para que venha e aprenda através de uma lista de regras (e convenhamos, têm manuais de igrejas por aí que são verdadeiros contratos leoninos – unilaterais), mas, que aprendam dEle.
            Jesus jamais sequer insinuou ser um adepto da teoria do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Ele não é um teórico que só fala, que fica só na conversa, Ele é um prático de mão cheia, daqueles que nos ensina fazendo. Fez. Faz.  Aqui na Terra e no Céu Ele continua fazendo!
            Infelizmente não temos o privilégio de Sua presença física, andando com a multidão, tratando dos necessitados,ensinando, confortando os cansados, como tiveram seus discípulos, mas ainda assim, podemos aprender dEle. Onde? Como? Quando?

            O convite está na Palavra de Deus, quando entramos em comunhão, buscando-O  através da oração, na presença do Espírito Santo – que é o representante de Jesus Cristo, através da leitura dos livros do Espírito de Profecia. É através deles que Jesus continua chamando e ensinando sempre que assim o desejarmos.

            Os desafios
            O convite de Jesus exige algo daqueles que o aceitem. Talvez esta seja uma das lições mais difíceis de ser aprendida, sobretudo pelos jovens. Quando se é jovem nos julgamos invencíveis, inatingíveis, poderosos e de fato podemos tudo. Contudo, segundo o apóstolo Paulo as coisas inconvenientes, as que não nos edificam, devem ser postas de lado. Por quê? Porque tudo tem um custo. Sempre há um preço a ser pago e neste caso específico, parte deste preço é a submissão (dependência, obediência, subordinação, sujeição) ao Mestre. Alguém gosta de submeter-se?
            Existe também, outro aspecto deste custo e que deve ser informado ao aspirante ao discipulado; sob pena de incorrer no pecado da omissão. Trata-se de uma prática bastante difundida, tolerável e até mesmo aceitável no meio evangélico que prega que ao estendermos o convite de Jesus (evangelizarmos), ajamos como bons vendedores mostrando apenas as coisas agradáveis, os privilégios que alguém poderá usufruir ao aceitar a Jesus.
            Seguindo esta linha de pensamento, deixando de lado o preço do discipulado, certamente seríamos levados a concluir que Jesus era um péssimo evangelista. Isso porque Ele não deixava de apresentar o custo para todo aquele que deseja seguir os Seus passos.
          O conselho: Não cometa o asneira de utilizar a mentira para pregar a verdade! Jesus nunca escondeu isto de ninguém, pois desejava que os seus discípulos soubessem e estivessem dispostos a pagar o preço. Você está?
            O texto chave encerra duas vezes a palavra jugo. O Aurélio define como canga; junta de bois; sujeição, submissão; domínio moral. Em outras palavras: trata-se de um símbolo de submissão! De novo: Alguém gosta de submeter-se?
            Exemplificando, o profeta Jeremias orienta Judá e os seus aliados a colocarem de livre e espontânea vontade, os seus pescoços sob o jugo do rei de Babilônia (Jr 27:1-12). Tanto quanto era difícil para o povo de Deus no passado aceitar a ordem divina e submeter-se a um rei pagão, o é para nós hoje submeter-nos a vontade divina.
            Mas Ele nos convida: “tomais sobre vós o meu jugo”, exigindo submissão. Ele se apresenta neste texto como manso e humilde de coração e convida pessoas para que, humildemente, se coloquem sob sua autoridade.

            A recompensa em forma de promessa
            Existe um preço sim, todavia existe também a recompensa. A promessa é de alívio e descanso.  Que o convite de Jesus exige muito mais que envolvimento, exige compromisso é inquestionável, mas também promete alívio e descanso.
            O texto original grego evidencia a ênfase de Jesus no alívio que Ele promete. Não se trata apenas de uma possibilidade. Que talvez você encontre descanso. É promessa de Jesus: Você encontrará descanso!
            Ele nos convida a se colocar debaixo de Seu jugo sim, mas explica que este jugo é leve, diferentemente de qualquer outro jugo que possamos estar debaixo. Se não nos encontramos debaixo do jugo de Jesus certamente estaremos debaixo de algum outro, como do pecado, da própria vontade, quando não de Satanás.
         Ele nos convida para tomar o seu fardo, mas garante-nos que o fardo é leve. Resumindo, Jesus mesmo garante: Deixe o jugo que você está carregando, troque-o pelo Meu (de Jesus), e você, finalmente encontrará descanso!

            Conclusão
            Você está cansado, sobrecarregado, cheio de problemas? O convite é para você. Aproxime-se de Jesus!
            Jesus o está convidando para que aprenda dEle, para que humildemente, sem reservas, de forma plena, por completo se coloque sob sua autoridade – a entrega.
            Não se esqueça, qualquer outro convite, por mais importante que seja, ao ser rejeitado terá implicações apenas para esta vida. O de Jesus, no entanto, tem também implicações eternas. Como você responderá a este convite?
           Espero de coração que você o aceite!
           É o meu desejo, a minha esperança e a minha oração. Amém!!


© Nelson Teixeira Santos