sábado, 13 de fevereiro de 2016

ESTER


            É estranho pensar como a consciência da existência de Deus – ou mesmo a consciência de povo de Deus – expõe o pior da natureza de algumas pessoas. Deus, a fonte de toda bondade, bênção e alegria, às vezes, se torna motivo de atos inimagináveis de crueldade, atrocidade e maldade.
            Existe um longo histórico de matança de homens e mulheres simplesmente porque foram visto como lembranças ou representantes do Deus vivo, como se, ao matarem os que adoram a Deus, fosse possível eliminar o próprio Deus. Recentemente, terminamos um século marcado por um frenesi extraordinário de massacres de “deus”. Não é de espantar que Deus continue vivo e presente.
            O livro de Ester abre nova página nesse mundo de violência, direta ou discretamente, contra Deus e contra o povo de Deus. A perspectiva do livro transcende as circunstâncias que provocaram, um esquema horroroso elaborado para massacrar todos os judeus exilados que viviam na vasta expansão da Pérsia do século V a. C. São três as personagens principais. Mardoqueu, identificado simplesmente como “o judeu”, protagoniza a história. Ele é firme, leal, sensato e temente a Deus. Sua bondade rivaliza com a vaidade maldosa e arrogante de Hamã, que idealiza o plano do massacre. Ester, a jovem, órfã e encantadora prima de Mardoqueu, que ele criou, surge da obscuridade do harém real para ocupar um lugar de honra.

            No fim da história, nenhum representante de Deus é morto. Por causa de uma reviravolta dramática, o plano fracassa. Mas milhões de pessoas, antes e depois de Ester, foram e continuarão sendo mortos. Dificilmente existe uma cultura ou um século sem um Hamã determinado a eliminar do mundo as evidências e as lembranças da existência de Deus. Enquanto isso, Ester continua proclamando a palavra final e definitiva: não se pode eliminar o povo de Deus. Não importa quantos sejam mortos, não é possível eliminar as comunidades de pessoas que honram, servem e adoram a Deus espalhadas por toda a terra. Essa continua sendo a última e definitiva palavra. The Message: The Bible in Contemporary  Language, pág. 623. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

DÉBORA – UMA FÉ A SER IMITADA


“... até que eu, Débora, me levantei; levantou-se uma mãe em Israel” (Juízes 5:7).

            Introdução
            Desde que o mundo é mundo, as minorias sempre foram alvo de perseguição, preconceito, discriminação, injustiça, violência e abuso.
            Rumores a respeito de minorias religiosas podem se propagar rápida e inesperadamente, e podem ser objetos da mídia, de políticos, de oposições religiosas e da polícia como inimigos públicos. Somos alvos fáceis, portanto, muito cuidado com os escândalos (Lucas 17:1).
            Contudo, há um grupo, do gênero humano que ainda hoje, apesar de ser maioria no mundo, apesar de ser maioria na igreja e ainda apesar de ser responsável pela maioria dos batismos, ainda não é tratado com a devida dignidade, nem como Deus gostaria que fosse.
            É obvio que estamos falando das mulheres. Para Deus, os dois gêneros tem o mesmo valor e ambos podem galardoar a aprovação divina naquilo que forem chamados a realizar (Rm 2:11; Gl 3:28).

            Objetivo da mensagem
            Lembrar-nos de que Deus também concede privilégios especiais as mulheres e demonstra absoluta confiança nelas a ponto de designar algumas delas para missões muito especiais.
            É inadmissível que como cristãos, mantenhamos uma atitude preconceituosa para com elas; algo tão comum em nossos dias.

            O aparecimento
            O mais incrível é que elas quase sempre surgem no cenário em momentos críticos. Com a nossa protagonista não foi diferente. Ela entrou em cena num momento que, segundo a Palavra de Deus “cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Jz 17:6).

           Ela aparece e logo de cara acumulando duas funções: profetiza e juíza (Jz 4:4-5).
            Profetiza era uma designação incomum. Normalmente era uma atribuição conferida por Deus aos homens (sexo masculino), porém, ela não se constitui exceção. No Antigo Testamento, entre outras encontramos Miriã (Êx 15:20); Hulda (II Reis 22:14; a esposa de Isaías (Is 8:3). No NT encontramos Ana (Lc 2:36); as filhas de Filipe Atos 21:9).

            Como Juíza ela se assentava debaixo de uma palmeira que levava o seu nome e ali julgava o povo de Israel, dando a resposta de Deus às disputas que surgiam entre o povo.

            A prova de fé
            Veio através de uma ordem divinamente inspirada ‘Débora mandou chamar Baraque, filho de Abinoão, de Quedes, em Naftali, e lhe disse: “O Senhor, o Deus de Israel, lhe ordena que reúna dez mil homens de Naftali e Zebulom e vá ao monte Tabor”’ (Jz 4:6).

            Antes mesmo que Baraque pudesse esboçar qualquer tipo de reação, como forma de se esquivar da missão, ele recebe a promessa divina de vitória: “Ele [o Senhor] fará que Sísera, o comandante do exército de Jabim, vá atacá-lo, com seus carros de guerra e tropas, junto ao rio Quisom, e os entregará em suas mãos" (Jz 4:7).
            Vitória sobre Sísera. Mas quem era Sísera?
             Este era o nome que causava terror e pânico em Israel. Era o comandante militar das tropas do rei cananeu chamado Jabim. Há vinte anos ele vinha aterrorizando a Israel e por quê? Pelo fato de terem feito o que era mau aos olhos do Senhor (Jz 4:3).
            Quanto à expressão “levantou-se uma mãe em Israel” (Juízes 5:7), não se     sabe ao certo se Débora, esposa de     um homem chamado Lapidote (Jz 4:4), era mãe de fato, no sentido literal da palavra. Acredita-se que nesta passagem ela fez uso dessa expressão em sentido figurado. Deus designou Débora para dar à nação uma proteção materna.
            A resposta de Baraque: “Só irei se você for comigo” (Jz 4:8).

           O repasse da prova de fé
            Débora tem consciência de que Baraque e seus 10.000 homens esperam dela uma resposta. Ponha-se em seu lugar. O que você faria diante de uma situação como aquela? Talvez se perguntasse:
ü  Por que eu? Será que sou a única mulher aqui?
ü  Sou mulher! Sou juíza! Sou profetiza!  “Mãe”! Mais responsabilidade ainda?
ü  Por que vim parar aqui?

            Não! A sua fé é forte o suficiente para acreditar que se Deus lhe disse para começar essa guerra e também pelo fato de Deus ter-lhe revelado que usará uma mulher para acabar com a guerra, ela está decidida.
            “Está bem! Eu vou com você. Mas você não ficará com as honras da vitória, pois o Senhor entregará Sísera nas mãos de uma mulher” (Jz 4:9).
            Como homem de fé, Baraque reconheceu o valor de ter ali alguém representante do Deus Todo Poderoso para fortalecer a ele e a seus homens num momento tão dramático como aquele (Hebreus 11:32-33).
              
            E Débora foi com eles” (Jz 4:9).
            Através dos olhos da fé somos levados a imaginar a satisfação dos soldados ao perceber a presença de Débora entre eles marchando rumo ao Monte Tabor. Uma mulher disposta a arriscar sua vida ao lado deles em prol de uma nobre causa como aquela!
            Não demorou muito e Sísera ficou sabendo que o exército de Israel estava a caminho do Monte Tabor e marcha para lá com seus 900 carros de guerra em clima de já ganhei.
            Como diria o apóstolo Paulo séculos mais tarde: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8:35-39).

            Ao comando de Débora o exército de Israel avança sobre o inimigo e a vitória é alcançada de uma forma muito peculiar - divina. Uma chuva torrencial fez com que os temidos e pesados carros de guerra de Sísera ficassem atolados nas estreitas passagens do ribeiro Quisom. Seus condutores, na tentativa desesperada de se salvarem os abandonaram. Perseguidos foram exterminados um  a um.

            A lição que essa história encerra
             Nos dias atuais é pouco provável que Deus nos peça para nos envolvermos em batalhas literais. Mas há uma luta em que todos nós estamos envolvidos. E mais do que isso, trata-se de uma luta da qual todos são chamados para participar. Não há neutralidade. Uma luta espiritual (Mt 26:52; Efésios 6:12; II Cor 10:4).
            Quando optamos por seguir os caminhos do Senhor nos dias de hoje, tomamos partido por um dos lados nesta guerra – o lado vendedor!
            Precisamos ser ousados, corajosos e estarmos cientes de que ao nos colocarmos ao lado de Deus certamente enfrentaremos forte oposição; “mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33).
            Essas palavras de conforto foram dirigidas inicialmente aos seus discípulos e pelo fato de Deus não mudar, também a cada um de nós. Ele ainda sai em socorro daqueles que tem fé e confiança nEle, assim como tiveram Débora, Baraque e aqueles 10.000 soldados.

            Voltando a história
            E o cumprimento da profecia? Sísera seria morto por uma mulher.
             Cumpriu-se. De todo o poderoso exército de Sísera somente ele escapou com vida. Escapou e foi pedir ajuda na tenda de um homem chamado Héber com o qual o seu rei Jabim tinha um acordo. Ele não estava em casa e pelo visto Sísera pensou que sua mulher honraria o acordo firmado entre eles.
            Jael era o nome dela. Com certeza ela conhecia as maldades e toda opressão praticada pelos cananeus. Diante de escolher ajudar esse homem perverso ou tomar o lado de Deus e assim por fim a esse inimigo que tanto afligia o povo de Deus, ela não teve dúvida. Tomou a decisão mais acertada. O relato bíblico afirma que a tarefa foi cumprida. Sísera estava morto (Jz 4:18-21; 5:24-27).
            Baraque que vinha em seu encalço chega a tenda de Héber e Jael e encontra Sísera morto com uma estaca fincada em sua testa.
            No Cântico de Débora elogia Jael como “a mais abençoada das mulheres” por seu corajoso ato (Jz 4:22; 5:24). Nota-se ali a bela atitude de Débora. Ela não fiou com inveja ou enciumada, em vez disso, ficou feliz porque a Palavra do Senhor havia se cumprido.
            Sem Sísera, o rei Jabim perdeu o poder. A opressão cananita chegou ao seu final e houve paz na terra por 40 anos (Jz 4:24; 5:31).
            Débora, Baraque e Jael foram abençoados por terem confiado incondicionalmente no Senhor.

            Conclusão
            Somos desafiados a imitarmos a fé e determinação de Débora, posicionando-se corajosamente ao lado de Deus e incentivando outros a fazer o mesmo.
            Agindo assim, certamente Deus nos abençoará com incontáveis vitórias.
            Este é o meu desejo e a minha oração. Amém!!!

   








© Nelson Teixeira Santos