sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A IGREJA DO “NADA A VER”


Como enfrentar a tendência relativista dos tempos atuais

 

           Faz algum tempo, ouvi algumas pessoas expressarem suas preocupações com respeito à suposta existência do que chamam de “igreja do nada a ver”. Mas não se trata de uma nova denominação religiosa oficial.

 

           De acordo com aquelas pessoas, os adeptos desse, digamos, movimento se destacam por minimizar princípios e normas de conduta cristã. Sempre que são confrontados com a necessidade de observá-los, rechaçam a ideia com a expressa “nada a ver”, julgando-os obsoletos e descontextualizados da modernidade.

 

           Pensando bem, parece que a tal ”igreja” existe informalmente dentro da igreja real.            Ela é como que a versão “na linguagem de hoje” do relativismo característico da mentalidade pós-moderna, contrária ao absolutismo de princípios, normas e valores que são marcos distintivos do povo de Deus.

 

           Ao contrário do que muitos aparentemente imaginam, a tendência pós-modernista não é posse exclusiva de segmentos culturalmente privilegiados da sociedade. Ela tem alcançado todo grupo socialmente engajado ou que tenha acesso aos meios de comunicação. Obviamente, não poderia ignorar a Igreja Adventista. E, embora essa tendência não seja benéfica à fé individual nem à unidade coletiva, consciente ou inconscientemente, alguns entre nos lhe tem dado guarida.

 

           Reinder Bruinsma, pastor jubilado, ex-presidente da União Holandesa, aponta os seguintes sintomas da tendência pós-modernista entre membros da Igreja Adventista (Ministério, jan./fev. 2006, págs. 29-31):

 

           1) - Questionamento da ideia de movimento adventista mundial e tendência para pensar e agir localmente.

            2) – Desconfiança nas estruturas institucionais e desinteresse pela hierarquia da igreja.

           3) – Relativismo doutrinário e comportamental. Cada um estabelece a sua própria verdade, conforme a conveniência pessoal. 

           4) – Mudanças no estilo de culto, com ênfase crescente na experiência, música contemporânea, drama e reuniões informais.

           5) – Ampliação dos limites para aplicação da disciplina eclesiástica. Tendência cada vez maior para transigir com princípios.

           6) – Questionamento da eclesiologia adventista.

 

           Somos o povo remanescente, a igreja da profecia, ou apenas uma opção entre outras igrejas?

           Apesar de tudo, estou convencido de que, se o pós-modernismo tem riscos, também nos oferece grandes oportunidades, entre as quais a de nos voltarmos para a Bíblia. Precisamos estar atentos aos “dardos inflamados” com que o inimigo tenta destruir

nossa fé e a unidade da igreja. Somente estando firmados na Palavra de Deus é que nos encontraremos plenamente protegidos. Nesse sentido, Jesus Cristo orou: “Não peço que os tire do mundo, e sim que os guarde do mal... Santifica-os na verdade, a Tua Palavra é a verdade” (João 17:15,17).

 

           Ou seja, não precisamos, nem devemos viver marginalizados ou isolados no mundo, fechados atrás dos muros de algum monastério. Pela natureza da nossa missão, temos que interagir com o mundo sem, contudo, ser influenciados por seus conceitos, tendências e máximas. Como “sal da terra” e “luz do mundo”, é nosso dever permanecer nele, exemplificando o poder transformador do evangelho, agindo como objetos inoxidáveis que entram em contato com a impureza, mas não se deixam contaminar. E sempre que o inimigo tentar nos seduzir, com as suas bajulações ou fúria, precisamos ter coração e mente transbordantes das verdades da Palavra, fazendo de seus princípios nosso escudo; e do “está escrito” nossa defesa.

 

          É oportuno lembrar que não nos conferida autoridade para julgar, muito menos condenar, e que o amor cristão não nos permite estigmatizar quem quer que seja. Estamos todos em fase de militância e crescimento. Portanto, devemos alimentar a disposição de nos aceitarmos mutuamente, ouvir uns aos outros e continuar a buscar, juntos, no estudo da Bíblia, respostas para nossos questionamentos.

 

           Ao fazermos isso com a mente aberta e dirigida pelo Espírito Santo, à sombra da graça de Deus, construiremos uma igreja em amor e nos tornaremos um povo “zeloso e de boas obras”, pronto para o encontro com Jesus.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           Zinaldo A. Santos é editor da revista Ministério. Revista Adventista I Setembro – 2009, pág. 42.

 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O VENENO DA INÉRCIA EM NOSSAS VIDAS


                    

 
           "Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro. Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: SENHOR, Senhor, abre-nos. E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço". (Mateus 25:6-12).

           Creio que quando as pessoas estão imersas num cenário que se move pela inércia, elas passam a ser componentes ativos e passivos dele. Passivos porque sofrem as suas consequências. Ativos porque, por incrível que pareça, alimentam minuto a minuto as caldeiras mornas que mantêm suas vidinhas seguindo "assim, assim", como quem não quer nada – e não quer mesmo. Raramente algumas dessas pessoas ousam levantar os olhos para além do chão onde pisam, talvez por medo que a intensa luz das mudanças as ofusque.

           Quanto mais tempo se passa mergulhado na inércia, maior é a tendência de se acreditar que tudo permanecerá como está, que o azeite durará para sempre em nossas lâmpadas, porque afinal de contas "sempre foi assim". Mesmo que se anuncie com todas as letras que a mudança ocorrerá, um levará o outro a permanecer naquela sonolenta e virtualmente eterna inércia.

           Essa estabilidade perniciosa chega a um ponto em que todos passam a acreditar que nada ou ninguém será capaz de mudar aquele estado de coisas. Passam a agir em função da imutabilidade das pessoas, dos relacionamentos, dos processos, ignorando que lá fora o mundo gira e tudo se transforma. Ignoram mesmo que a mudança pode vir do lado de fora daquela redoma onde as pessoas se enfurnaram - e é geralmente de fora mesmo que a mudança vem e pega a todos de surpresa. É nessa hora que percebem que o azeite em suas lâmpadas está no fim e a escuridão é iminente.

           A essa surpresa alguns chamam "fatalidade", outros "destino", mas é tudo consequência natural da inércia que se alojou nos corações e mentes das pessoas. Se a humanidade dependesse dessas pessoas, ainda estaríamos tratando infecções com ferro em brasa e azeite fervente, em vez de antibióticos.

           Quebrar a continuidade desse estado pode requerer um choque cultural que nem todos estão dispostos a suportar. É algo como se a pessoa tivesse os pés amarrados aos trilhos por onde passará o trem e, em vez de tentar de desamarrar e se libertar, ela opta por fechar os olhos - se ela não vê o trem, logo ele não existe. O noivo se demora, então dormem. No entanto, o noivo chegará, o trem passará, com ou sem a pessoa amarrada aos trilhos, a despeito daquilo que se passa na mente de quem optou por fechar os olhos. No entanto, quem se preparou, quem se proveu de azeite suficiente para manter sua lâmpada acesa até a chegada do noivo, quem se dispõe a desamarrar as cordas que o prendem aos trilhos, não só terá sobrevida, mas poderá entrar na tenda nupcial, embarcar no trem e seguir viagem.

           A inércia nos leva a crer que somos todos tão imprescindíveis! Recentemente, a direção de uma importante empresa percebeu que teria que passar em breve por uma mudança cultural muito ampla e por isso decidiu preparar seus empregados para a tal mudança. Para tanto, organizou encontros semanais com profissionais especializados em gestão de mudanças e aconselhamento pessoal. Qual não foi a surpresa da diretoria ao ser notificada que a maioria dos empregados convocados simplesmente não comparecia aos encontros semanais, geralmente com o seguinte argumento: "Estou ocupado demais com minhas tarefas para perder uma manhã por semana ouvindo conselhos". Isso soa algo como "Deixe-me aqui, confortavelmente amarrado aos trilhos"!

           Será que essas pessoas teriam ouvidos para ouvir o testemunho de quem um dia já se considerou imprescindível a uma empresa e ao mundo, até que de repente se viu jogado numa cama de hospital por dois anos e meio - quarenta e dois meses inteiros! - sem poder realizar nada daquilo que julgava imprescindível para a empresa e para o mundo? Que dura lição, ver as demais pessoas saindo todos os dias para os seus empregos pela manhã e voltando à noite, enquanto se está preso a uma cama, experimentando pela janela do quarto o sentido mais material de inércia e impotência que um ser humano pode experimentar!

           Não, ninguém é tão imprescindível a ponto de não poder separar um tempo e se preparar para continuar colaborando para a caminhada da empresa e da humanidade, enquanto tempo houver. Lembremo-nos: a lâmpada ilumina enquanto nela há azeite para queimar. Tratemos, pois, de nos provermos do azeite necessário para iluminar toda a jornada e não apenas parte dela.

           Àqueles que ainda não acordaram para o fato de que a mudança já começou; àqueles que optaram por fechar os olhos para o trem que apita na curva; àqueles que acham que tudo permanecerá como está: Já nada é como era!



           Conclusão.
           Ainda que seus olhos não alcancem a mudança que já começou, meu conselho é:
           Àquele que dorme, que se levante.
           Àquele que está de pé, que caminhe.
           Àquele que caminha, que corra.
           Àquele que corre, que voe, pois estão soprando os ventos da mudança, e é hora de içar velas e esticar cordas para atravessar esse oceano e precisamos de todos aqueles que se disponham a navegar.
           Que DEUS prossiga abençoando a sua vida e o fruto do seu trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



          
Robson Lelles é executivo em Estratégias de Negócios. Pós-graduado em Marketing; graduado em Administração e Informática. Seminarista da 1ª Igreja Batista em Inhaúma, RJ. tel:(21)8858-5492 - robson.lelles@gmail.com




 

sábado, 19 de outubro de 2013

FUNDAMENTADA NO AMOR DE DEUS


 

            Introdução

            1-O que Deus tinha em mente ao instituir os profetas?
            2-Com que finalidade a Bíblia foi escrita?
            3-Qual o desígnio de Deus ao enviar Jesus ao nosso planeta?
            4-Qual o propósito de Jesus ao vir a Terra pela primeira vez?
            5-E qual o objetivo da divindade com a segunda vinda de Jesus a Terra?

 
            Para cada uma destas pergunta existe uma resposta bíblica (1- II Cr 20:20 up; 2- II Tm 3:16-17; 3- João 3:16; 4- Lc 19:10; 5- Jo 14:1-3). Resumindo estes versos numa única palavra encontraremos o sonho de Deus para nossas vidas: Salvação! A própria Palavra de Deus confirma esta verdade em versículos bastante conhecidos: João 3:16 (já citado); 2 Pedro 3:9.

 

            Objetivos

            Muito embora o conhecimento doutrinário não tenha o poder de salvar, ele é muito útil para o nosso crescimento espiritual, através do fortalecimento da nossa fé. Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” (1 Pedro 3:15).


            Desafios
 
            1°- A urgência da mensagem (Salmos 95:7-8; Hb 3:7; 3:15; 4:7). Infelizmente não podemos esperar até que a volta de Jesus aconteça para só daí tomar uma decisão. Será tarde demais. “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos” (Jeremias 8:20).

            2° - A doutrina da salvação apresenta um mistério essencial: Seus beneficiários não podem compreender plenamente como ela opera.

            Ainda que não saibamos nem o dia nem a hora da volta de Jesus. Ainda que desconheçamos os modos como opera o plano da salvação é preciso que seja aceito pela fé este presente que nos é oferecido.

            Entretanto, a doutrina sobre a qual vamos discorrer, não é a doutrina da salvação, contudo ela faz parte dela, está inserida nela e é chamada de doutrina da expiação. Ela não é uma teoria abstrata de salvação; ao contrário, é o poder de salvação de Deus na vida dos seres humanos caídos, pecadores – eu e você; nós.

            3º - Pedagogicamente falando temos mais um desafio a vencer. Para efeito de estudos separamos em blocos os temas, assuntos e eventos bíblicos; depois temos uma dificuldade tremenda em reagrupá-los novamente. Aparentemente temos a impressão de que eles, às vezes, não se encaixam.

 

            Como tudo começou

            Conhecemos a história. Não foi aqui. No Céu teve uma crise que acabou se estendendo para a Terra e consequentemente, envolvendo todo Universo, tornando-se uma crise cósmica. Esta crise causou uma ruptura da ordem universal. Um elemento estranho, que até então não existia entrou em cena – o pecado.

            Expulso do Céu, juntamente coma terça parte dos anjos, aquele que “se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus” encontrou espaço para atuar na Terra, ocasionado a queda. O caráter de Deus, Sua soberania, Seu governo, Sua lei foram colocados em xeque.

            Como já afirmamos, existem muitos mistérios a respeito de Deus, coisas sobre Ele, sobre Sua natureza, Sua santidade e Seu poder que não podemos entender. Mas existe um aspecto sobre Deus que podemos começar a entender; isto é, Seu amor. Um amor manifesto por nós por meio da obra redentora de Seu Filho, uma obra que nos toca em nível individual e pessoal, uma obra que é a expressão abundante da própria natureza e existência de Deus.

 

            Havia um plano

            Tão logo o pecado se estabeleceu entre nós, Deus colocou em prática um plano. E que plano! Algo planejado, muito bem elaborado. Inexplicavelmente exequível. O plano nada mais é que a Doutrina da Expiação, cuja ênfase encontra-se no sacrifício de Cristo como o exclusivo meio expiatório pelo qual a barreira entre nós e Deus – que é o pecado é removida, deixando-nos reconciliados com Ele (Atos 4:12).

 

           O que é expiação, então?

            É a remoção de qualquer barreira que impeça que tenhamos comunhão plena com Deus (logicamente respeitando as limitações atualmente impostas pelo pecado).
 

            Expiação e a iniciativa divina

            Novamente entra em ação o mistério do amor de Deus. Deus previu a queda, e por conta disso, um plano foi traçado para resolver o problema chamado pecado, muito antes que ele surgisse.

            Deus nos dotou de liberdade moral, algo não encontrado em nenhuma das outras criaturas aqui na Terra. Liberdade para fazer o que bem entendessem, até de virar as costas para Deus. Afinal, se o homem não tivesse a opção de desobedecer, realmente não seria livre.

            Agindo dessa forma Deus arrumou para si, por assim dizer uns problemas. Mas, desde quando o Deus do impossível tem problemas?

            Como já foi dito fomos agraciados com liberdade moral, somos livres. Ele nos dotou do livre arbítrio e por esta razão respeita nossas decisões.

            Somos seres de “dura cerviz”, ou seja, obstinados, teimosos, cabeçudos. Ainda que queiramos, ainda que saibamos, ainda que estejamos dispostos, temos dificuldade em fazer a vontade de Deus em nossas vidas.  Em outras palavras, nós limitamos a ação de Deus em nossas vidas.

             Felizmente o arsenal pedagógico de Deus, tal qual Ele, é ilimitado. Parábolas, parábolas vivas, histórias, figuras de linguagem, acontecimentos extraídos do cotidiano das pessoas são amplamente utilizados para o ensino.  

            É através de coisas materiais, palpáveis que Deus procura nos levar a entender as verdades espirituais. Só não confundamos verdades espirituais com coisas abstratas!

            Enfatizando, a doutrina da expiação, por exemplo, não é uma teoria abstrata de salvação; ao contrário, é o poder de salvação de Deus na vida dos seres humanos caídos, pecadores. A doutrina da expiação como afirma o título da mensagem, encontra-se fundamentada no amor de Deus. E mais, ela não é exceção é regra: toda crença fundamental da igreja está fundamentada na Palavra de Deus. Não se toma por crença fundamental uma verdade ainda não totalmente esclarecida.
 

             Expiação anunciada

            Você poderá indagar: mas onde é que está escrito sobre expiação?

            Como já foi dito, trata-se de uma doutrina bíblica; obviamente que está na Bíblia: Gn 3:15; 22:1-18; Êx 32; 34:6-10; Dn 9. Particularmente aprecio Amós 3:7; Zacarias 3:3 e Apocalipse 12:10.

            Curiosidade bíblica. Você sabia que o primeiro missionário na história cósmica não foi uma criatura, mas o próprio Criador?   Tão logo o pecado mostrou suas garras, o Senhor anunciou imediatamente as boas novas para os seres caídos – Gênesis 3:15.

             Ao longo da história do povo de Deus no AT o Senhor criou instituições e leis diretamente relacionadas ao Seu plano de salvação e que ilustram Sua atuação. Ex.: o sistema sacrifical, o sacerdócio, e até mesmo o rei.

            Particularmente no serviço do santuário estava prefigurada a obra de expiação de Cristo num dia denominado Dia da Expiação.

            Neste dia que ocorria uma vez por ano, o santuário israelita era purificado do pecado e das impurezas de Israel, transferidos para lá pelos sacrifícios diários. A cerimônia anual representava simbolicamente o tempo em que Deus, de Seu lugar de habitação celestial, poria fim ao problema do pecado e reestabeleceria todo Universo à sua harmonia original.

 

            Expiação e encarnação

            A Bíblia também está cheia de mistérios – e o maior deles é a obra de Deus para nossa salvação.

           Deus se fez homem! Como aconteceu este evento surpreendente?

            Resposta: Só a Divindade conhece! Uma coisa porém nós conhecemos: Sem a encarnação, não haveria perdão dos pecados nem reconciliação com Deus.

            A encarnação do filho de Deus foi um elemento indispensável no plano de Deus para a salvação da humanidade.

            Na encarnação Deus se tornou humano, e a plenitude de Deus passou a habitar na humanidade. Foi isso que o apóstolo Paulo afirmou: “Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9).

            Para o propósito da encarnação, era indispensável ter Deus em carne humana. Por quê? Porque somente Deus poderia salvar-nos.

            A realidade da união do humano com o divino em Cristo é indispensável para a expiação. Por quê? Porque, depois da queda, Adão e Eva e todos os seus descendentes foram separados de Deus, separação esta que ameaçou sua existência – Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Isaías 59:2).

            Sendo impossível para os seres humanos por si mesmos se reunirem com Deus, o Senhor tomou a iniciativa e Se reuniu com a humanidade, e isso ele fez com a encarnação, quando Deus Se tornou humano. A parábola da ovelha perdida.

            Cristo Se tornou o “lugar” em que o divino cruzou o humano em uma reunificação permanente. Na encarnação, “Divindade e humanidade foram combinadas misteriosamente, e homem e Deus se tornaram um” (Ellen G. White, Signs of the Times, 30 de Julho de 1896). Essa unidade foi mais profunda que a unidade que havia originalmente entre Deus e os seres humanos. Por Cristo, todo ser humano que O desejasse poderia ser levado à completa harmonia com Deus.

 

            Metáforas da salvação

            Diferentemente do AT onde o Senhor criou instituições e leis diretamente relacionadas ao Seu plano de salvação e que ilustram Sua atuação; no NT usou aquilo que os teólogos chamam de “metáforas da salvação”. Imagens-chaves utilizadas para expressar o dom maravilhoso que recebemos pela morte de Jesus na cruz.

 

            1ª) - Redenção É a libertação de uma dívida ou da escravidão pelo pagamento de um resgate (Marcos 10:45; Gálatas 3:13; Efésios 1:7; I Pe 1:18-19).

             2ª) – Reconciliação É a restauração de relações pacíficas entre pessoas ou grupos que eram inimigos (II Cor 5:18-21).
 
            3ª) – Justificação Fundamentalmente é um termo legal que se refere à absolvição de alguém que foi acusado de um crime mas foi considerado inocente em um tribunal (Romanos 3:19-24).

            4ª) – Sacrifício expiatório – É por causa de sua morte na cruz como a vítima sacrifical, única e sem igual, que Deus pode justificar aqueles que creem (Rm 5:9). Ao condenar o pecado em Cristo, Deus demonstrou que é juto quando justifica aqueles que nEle creem  (Romanos 3:25-26).  Em outras palavras. Toda a vida e morte de Jesus Cristo foram uma demonstração magnífica do caráter de Deus, a revelação mais sublime de amor.

 

            Benefícios da expiação

            O plano da salvação ainda está em andamento. A obra sacerdotal de Cristo no santuário celestial faz parte de Sua obra de salvação em nosso favor. 

            A finalidade da cruz não é ameaçada pela obra indispensável de intercessão de Cristo por nós no templo celestial. Ainda estamos vivendo dentro da história da salvação, entre ascensão e Sua volta.

            O tempo entre esses dois eventos é preenchido por Sua intercessão e o cumprimento da missão da igreja. A culpa e pecado continuam a ser parte da experiência humana à vista de Deus. Isso torna o papel de nosso Mediador diante do Pai um elemento indispensável no plano de salvação.

            Também é eficaz para o perdão dos pecados cometidos pelos crentes depois da conversão, porque mesmo depois da conversão, o pecado pode nos atacar. Nesses casos, João diz que temos um advogado que pode nos representar diante de Deus, e por quem podemos ser perdoados (I João 2:1-2).

 

            Conclusão

             Diante de tanta grandiosidade, de bondade, de graça, perdão, misericórdia, de amor demonstrados pela Divindade em nosso favor, só nos resta repetir a pergunta feita inúmeras vezes na Palavra de Deus: “Que devo fazer?”

            Se você ainda não foi batizado; aceite hoje, a Jesus Cristo como Senhor e Salvador! Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará” (Salmos 37:5). “Confia ao Senhor as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos” (Pv 16:3).

             Se já o fez, aproveite a oportunidade para renovar seus votos de entrega e consagração e o convido a crer na promessa divina que afirma: Estou convencido de que Aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6). 

            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!        

 

 

         

© Nelson Teixeira Santos

 
 
 
 

Bibliografia:
LES 3° Trimestre 2008 – A Doutrina da Expiação
Nisto Cremos – 3ª edição 1975.

          

 

domingo, 6 de outubro de 2013

DESTA VEZ VAMOS FAZER DIFERENTE!


 
            Como você reage quando se depara com um problema? É claro que eu não sei. Só você sabe a resposta, contudo, seja ela qual for, certamente se encaixa numa destas alternativas: Você ignora-o; contorna-o ou enfrenta-o.

            Estamos iniciando um novo trimestre da Escola Sabatina. Não temos um problema, entretanto temos um tremendo desafio pelos próximos 12 sábados.

            O tema escolhido pela AG desta feita foi O Santuário. A última vez que estudamos este assunto de forma aprofundada, foi há 10 anos – 3° trimestre 2003,  lição intitulada Temas do Santuário – O livro de Hebreus.

            Conclamo a todos alunos e professores que aspiram novo Céu, nova Terra, a eternidade e de forma muito especial os professores da Escola Sabatina a não praticarem o famoso “enrolation”.

            O assunto santuário é sumamente importante. Importante demais para ser desperdiçado com conversas frívolas até que o tempo destinado ao estudo (recapitulação da lição) se esgote e... (deixemos para lá os detalhes, vocês conhecem).

            O arsenal pedagógico de Deus é extraordinário. “Deus usou o santuário como ferramenta de ensino” – “Figura da salvação”!

            “O assunto do santuário foi a chave que desvendou o mistério do desapontamento de 1844 [...]” – Ellen G. White, O Grande Conflito, pág. 423.

            O santuário e o ministério sacerdotal de Cristo são a base para a fé Adventista do Sétimo Dia. A mensagem do santuário é uma doutrina exclusiva dos adventistas”.

            “Ellen G. White recomendou que focalizássemos nossa maior atenção no santuário, porque ‘o santuário no Céu é o próprio centro da obra de cristo em favor dos homens’ [...] – O Grande Conflito, pág. 488)”.

            Os discípulos de João Batista entenderam quando ele disse que Jesus era “o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo” (João 1:29,36). Por quê? Porque conheciam algo a respeito do santuário.

            Quem escreveu o livro de Hebreus pressupôs que seus leitores estavam familiarizados com o antigo sacerdócio israelita, a ponto de entenderem o que Jesus estava fazendo por eles no Céu.

            Sabe você algo a respeito do santuário celestial, da cópia terrestre? Sabe onde está Jesus neste exato momento? Sabe o que Ele está fazendo em seu favor?

            Continuará ignorando, contornando a questão a ponto de colocar em risco a sua salvação? Quanto tempo você tem para esperar por outra oportunidade de estudar um tema de tamanha relevância? É capaz de responder onde estará daqui a dez anos? O momento da decisão é hoje (Hebreus 3:7; 4:7).

            Fazer diferente desta vez significa aceitar o desafio estudando com todo afinco a cada dia esta magnífica lição; igualmente clamando à Deus pedindo sabedoria e entendimento, foi Ele quem prometeu, Ele é fiel,Ele cumprirá (Tiago 1:5).

            Acredite na promessa de “que Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Filipenses 1: 6).

            Que Ele o prepare para o Seu Reino.

            É o meu desejo e a minha oração. Amém.  

 

 

 

 

 

© Nelson Teixeira Santos

Os textos entre aspas foram selecionados da LES Out • Nov • Dez 2013, Adultos – PROFESSOR, pág. 2.              

terça-feira, 1 de outubro de 2013

TRÊS LEIS DE ESPIRITUALIDADE:


 
UMA REFLEXÃO SOBRE A PARÁBOLA DO FARISEU E DO PUBLICANO

 

           Dois homens vieram à casa de Deus para orar. Aparentemente eles não se conheciam. Espiritual e socialmente estavam em mundos à parte — ou pelo menos era assim que se consideravam (algumas comunidades se ufanam de tais distinções). Esses dois representam dois grupos de pessoas que sempre acharam o caminho da casa de Deus para orar.

           Um era considerado uma pessoa boa e respeitável. Ele pertencia à classe média. Vivia uma vida decente e provavelmente se considerava um modelo. Estava convicto do que era certo e do que era errado. Pelo menos assim pensava. O outro indivíduo era considerado um velhaco — um caráter desprezível. Um era respeitado, o outro certamente não. Um era descrito como um “fariseu”, e o outro um “publicano”.

           Para que você não fique chocado com a dedução de que as pessoas que entram na casa de Deus para adorar e orar podem ser facilmente divididas em dois grupos, permitam-me dizer imediatamente que a coisa não é assim. Teríamos dificuldade em achar muitos com a fibra, zelo e disciplina de um fariseu. E provavelmente não muitos que vêm para a igreja desceram à profundidade do proverbial publicano. Suspeito que na maioria de nós há um pouco de ambos — um pouco do publicano e um pouco do fariseu; às vezes mais fariseu e às vezes mais publicano. Mas entre os dois temos provavelmente um nítido perfil das pessoas que vêm orar.

           A mensagem básica dessa história, contada por Jesus e registrada por Lucas 18:9-14, é tanto de julgamento como de salvação. O julgamento é inicialmente dirigido contra aqueles que tendem a se comparar com outros na igreja, e assim fazendo terminam se sentindo muito bons. Consideram-se perfeitos e bem-sucedidos em comparação com alguns sobre os quais nutrem opiniões negativas. Como os dois expressaram seus pensamentos e sentimentos diante de Deus em oração, torna-se claro como se viam a si mesmos.

           Um louva-se a si mesmo e a Deus pelo que é e pelo que é capaz de fazer. Não deseja ser diferente. Não tem pedido a apresentar diante de Deus. Seus jejuns, vida de oração e contribuições de dízimos e ofertas são impressionantes. (“Certamente, ó Deus, Tu reconheces isso!”) Sua mente está concentrada naquilo que pode trazer a Deus e não no que recebeu de dEle. Aí jaz sua falta principal.

Em contraste, vemos o outro que parece comovido e se sente deslocado. Sua própria ocupação (publicano) atrai a descrença sobre si. Gente decente não aceitava tal profissão. Socialmente, ele não pertencia às classes dignas. Muitos o viam como um leproso moral. Assim, era bastante apropriado que ele ficasse “de longe”, como o texto diz.

           Alguém poderia perguntar: É possível que tenhamos nessa história um homem basicamente correto que se tinha tornado, injustamente, vítima de uma profissão desprezada? Não; de modo algum! Ele era corrupto e falsário.

Sua postura e palavras refletiam-lhe o verdadeiro estado. Tudo estava errado com ele. Nada havia para recomendá-lo.

           Mas precisamente aí reside sua salvação. Ele teve a coragem de ser honesto consigo mesmo e com Deus. De pé diante de Deus, nada encontrava em si mesmo de que se orgulhar. Só via fracasso e miséria. Com sentimentos que lembram os de Davi muitos anos antes (“Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim”, Salmo 51:2 e 3), ele clama por socorro.

 

           Leis de espiritualidade

           Dessa história memorável destacam-se três importantes leis de espiritualidade.

 

           A primeira: A pessoa que em sinceridade confessa seu pecado diante de Deus está mais perto dEle do que aquela que crê nada ter a confessar. Deus pode lidar com pecados; Ele faz isso o tempo todo. (“A tua iniquidade foi tirada, e purificado o teu pecado”, Isaías 6:7.) Mas a cegueira da arrogância é difícil de ser curada.

Alguém pode lançar a pergunta: Qual foi o critério segundo o qual o fariseu se sentia tão maduro e bem-sucedido espiritualmente? Ele se comparou com um indivíduo pelo qual ele só sentia desprezo. Comparar-nos com os outros, o que frequentemente fazemos, pouco ajuda. As conclusões que extraímos então são inseguras. E isso nos conduz à segunda lei da espiritualidade.

 

           Segunda lei: Aquele que admira sua própria espiritualidade geralmente acha difícil ver algum bem nos outros. Lembramo-nos das palavras de advertência ditas por Paulo: “Aquele, pois, que cuida estar de pé, olhe não caia!” (I Coríntios 10:12). De pé diante de Deus, provavelmente nenhum sentimento é mais perigoso de nutrir do que aquele que evidencia que conquanto os outros possam não ser competentes espiritualmente, agradeço a Deus por aquilo que sou. Isso recorda um pensamento bem conhecido: “Quanto mais nos achegarmos a Jesus e mais claramente discernimos a pureza de seu caráter, tanto mais claramente discerniremos a extraordinária malignidade do pecado, e tanto menos teremos a tendência de nos exaltar.” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, pág. 160).

           Os sentimentos de verdadeiros peregrinos são que eles não encontram satisfação em proclamar sua própria espiritualidade. Humildade é seu traço dominante (ver Filipenses 2:3). Um peregrino conhece por experiência pessoal a fraqueza da humanidade. Um verdadeiro peregrino compreende e toma tempo para dar a mão a companheiros de viagem que acham a jornada difícil.

 

           Terceira lei de espiritualidade: Ao passo que os humanos natural e espontaneamente saúdam os vencedores, Jesus Cristo espontânea e profundamente Se importa com os que perdem. A história em Lucas 18 nos conta da solidariedade de Cristo com os que lutam e acham o caminho penoso. Ele disse: “Não necessitam de médico os que estão sãos, mas sim, os que estão enfermos” (Lucas 5:31). Ele também declarou através do profeta: “Num alto e santo lugar habito, e também com o abatido e contrito de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57:15).

           A verdade maravilhosa é que diante de Deus ninguém precisa se desesperar. Davi orou: “Mas Tu, Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, sofredor, e grande em benignidade e em verdade” (Salmo 86:15). As boas-novas a todos nós é que Deus pode prover o Bálsamo de Gileade para curar nossas feridas (Jeremias 8:22).

 

 

 

 

 

           Jan Paulsen (Doutor em Teologia pela Tubingen University) é presidente da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia.   (2000).Diálogo, 12(2), 24-25.