domingo, 3 de dezembro de 2017

DEUS ODEIA A IDOLATRIA



            Deus é amor. Nós amamos que Deus seja amor, que Ele seja a fonte inesgotável de amor, que ele seja o único que sempre age de forma amorosa. Mesmo aqueles que rejeitam a fé cristã ainda gostariam de imaginar e acreditar em um Deus que é amor.

            Mas Deus não é só o amor. O Deus que ama também deve odiar. O Deus que ama tudo que é bom, puro e santo deve odiar tudo o que é mau, contaminado e perverso. E, não surpreendentemente, a Bíblia nos fala de muitas coisas que inflamam a ira de Deus. Às vezes, Ele diz-nos claramente como em Provérbios 6:16: “Há seis coisas que o Senhor odeia…” Às vezes, ele nos fala de coisas que são uma abominação para Ele ou coisas que são detestáveis à sua vista. Ao compilar, chegamos a uma lista de mais de 40 coisas que Deus odeia expressamente. Eles vão desde práticas sexuais abomináveis a formas pagãs de culto e atos de grave injustiça.

            Hoje eu estou dando início a uma série que irá examinar as coisas que Deus odeia, porque o que Deus odeia, devemos odiar também. Separei a lista de 40 coisas em 8 categorias. Começamos hoje com o ódio de Deus à idolatria.

            Deus odeia a Idolatria
            Deus criou os seres humanos para serem adoradores. A questão não é “adoraremos?” mas “o que vamos adorar?”. Nós todos vamos buscar algo como antídoto para o nosso vazio, nossa insuficiência. Todos vamos buscar um significado, um preenchimento, uma satisfação. J.I. Packer diz assim: “É impossível adorar a nada: nós, seres humanos, somos criaturas adoradoras, e se nós não adoramos o Deus que nos criou, será inevitável que adoraremos alguém ou alguma outra coisa.” É claro que “a verdade é que a nossa realização suprema, como seres morais feitos à imagem de Deus, é encontrada e expressa na adoração ativa ao nosso santo Criador.” Não é de admirar, então, que os três primeiros dos dez mandamentos lidem com a adequada adoração a Deus.

            Deus nos diz em termos inequívocos que Ele odeia a idolatria. Ele despreza a adoração a qualquer coisa ou pessoa que não seja Ele mesmo. Em Deuteronômio 7:25, Ele diz a seu povo o que fazer quando encontrar ídolos estrangeiros na terra em que estão entrando: eles não devem apenas destruir os ídolos, mas até mesmo se livrar da matéria-prima com as quais são feitos. “As imagens de escultura de seus deuses queimarás; a prata e o ouro que estão sobre elas não cobiçarás, nem os tomarás para ti, para que te não enlaces neles; pois são abominação ao SENHOR, teu Deus”. Se Deus odeia os ídolos, então é claro que ele odeia a idolatria, a adoração a falsos deuses. Em Jeremias 44:3, Ele explica que o castigo veio em cima de seu povo “por causa da maldade que fizeram, para me irarem, indo queimar incenso e servir a outros deuses que eles nunca conheceram, eles, vós e vossos pais”. O povo teimosamente ignorou seus profetas que repetidamente falaram esta advertência divina: “Oh, não faça essa abominação que eu odeio!”

            A idolatria pode tomar forma em práticas de culto pagãos e Deus particularmente destaca seu ódio por essas práticas, dizendo que Ele odeia a adivinhação, a feitiçaria e a necromancia (Deuteronômio 18:10-12). Ele também odeia a astrologia, a adoração ao sol, à lua e às estrelas (Deuteronômio 17: 3-4), e outras práticas de culto pagãs, como sacrifício humano (Deuteronômio 18:10). A imagem é clara. Deus diz ao seu povo para adorar e como adorar e Ele despreza todos os desvios de seus desejos divinos. Deus espera que odiemos a idolatria com o mesmo grau de justa ira.

            Por que Deus odeia a idolatria
            Por que Deus odeia a idolatria? Deus odeia a idolatria porque ela é caluniosa, porque ela faz declarações falsas sobre a natureza e caráter de Deus. A idolatria proclama serem verdadeiras coisas que Deus afirma que são falsas. Ela inevitavelmente recria Deus na imagem do homem, diminuindo-o, esvaziando-o de sua santidade, de sua transcendência. Tozer explica muito bem: “Um Deus unigênito nas sombras de um coração caído vai naturalmente ser diferente do Deus verdadeiro.” Esse ídolo pode ser do tipo que podemos ver e tocar, um pedaço de pedra ou um toco de madeira. Pode também ser algo imaterial, mas agradável, como o sexo ou dinheiro. Esse ídolo pode até ser um culto perverso ao próprio Deus (ver Êxodo 32). Keller define um ídolo da seguinte maneira:

            “É algo mais importante para você do que Deus, qualquer coisa que absorve seu coração e imaginação mais do que Deus, tudo o que você procura para te dar o que só Deus pode dar. … Um ídolo é qualquer coisa que você olha e diz, no fundo do seu coração, “Se eu tiver isso, então eu vou sentir que a minha vida tem sentido, então eu vou saber que tenho valor, então eu vou me sentir importante e seguro. … [Um ídolo] é algo tão central e essencial para a sua vida que, se você perdê-lo, você sentiria que não valeria tanto a pena viver.”
            Deus odeia os ídolos, porque eles fazem declarações falsas sobre ele. Ele também odeia os ídolos porque eles nos danificam, nós, os portadores de sua imagem. Quando buscamos ídolos, buscamos coisas que nunca podem nos satisfazer e paramos de perseguir a única coisa que pode trazer satisfação completa e permanente. Como diz Packer, “Quando o objeto de homenagem é nobre, a rendição da homenagem é enobrecedor; mas quando os objetos de homenagem não são nobres, a homenagem é degradante”. A coisa mais degradante que podemos fazer como seres humanos é viver nossas vidas em busca de deuses vazios.

            Você certamente já ouviu dizer que o coração é uma fábrica de ídolos. A história humana confirma isso. E em nossas casas, em uns poucos momentos de introspecção honesta, isso fica ainda mais claro. Somos todos idólatras. Como Deus, devemos desprezar a idolatria pelo que ela diz sobre Deus e pelo que ela faz conosco.

            Julgamento de Deus sobre idólatras
            Se Deus odeia os ídolos e a idolatria, não devemos ficar surpresos ao saber que ele lida com os idólatras da maneira mais dura. E, de fato, sob a lei do Velho Testamento, aqueles que adoravam deuses estrangeiros eram condenados à morte (veja Deuteronômio 13:10-11). No Novo Testamento, lemos algo ainda mais terrível:  “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus” (1 Coríntios 6:9 -10). Idólatras perdem a bênção de Deus e o seu lugar no seu reino eterno. O fim deles é a condenação.

            Esperança para idólatras
            Deus odeia os ídolos e a idolatria, mas ainda há uma boa notícia para os idólatras. Se 1 Coríntios 6:9-10 fornece o aviso, o versículo seguinte fornece a esperança: “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus”. Membros daquela igreja tinha sido idólatras. Eles adoraram falsos deuses, ajoelhando-se aos ídolos. No entanto, Paulo pôde dizer que isso era parte do passado. Eles tinham aprendido o que todos nós devemos aprender: Cristo morreu por idólatras. Há perdão para os idólatras se eles adorarem a Deus Pai por meio de Cristo Jesus, seu Filho.

            Nós logo aprendemos que não é suficiente destruir um ídolo. Temos de substituí-lo. Devemos substituir a nossa adoração a falsos deuses por um culto ao verdadeiro Deus. Isso é o que os cristãos de Corinto fizeram. Eles encontraram o evangelho de Jesus Cristo, colocaram sua fé nEle, receberam o perdão e foram habitados pelo seu Espírito. Deus oferece essa mesma esperança para você. “Portanto, meus amados, fugi da idolatria” (1 Coríntios 10:14). Fugi da idolatria fugindo para Cristo Jesus.


            Versículos-chave sobre idolatria
            Se você gostaria de se envolver em algum estudo mais aprofundado, aqui estão os versículos-chave sobre o ódio de Deus à idolatria.

            Deus odeia os ídolos e até mesmo os materiais utilizados para formá-los (Deuteronômio 7:25)

            Deus odeia a adoração ao sol, à lua e às estrelas (Deuteronômio 17:3-4)

            Deus odeia o sacrifício humano (Deuteronômio 18:10)

            Deus odeia adivinhação (Deuteronômio 18:10)

            Deus odeia a feitiçaria (Deuteronômio 18:10)

            Deus odeia os encantamentos (Deuteronômio 18:11)

            Deus odeia a bruxaria (Deuteronômio 18:11)

            Deus odeia a mediunidade (Deuteronômio 18.11)

            Deus odeia a necromancia (Deuteronômio 18:11)

            Deus odeia a idolatria (Jeremias 44: 2-4)

            Deus exige que os idólatras sejam condenados à morte (Deuteronômio 13:10-11)

            Deus ordena que fujamos da idolatria (1 Coríntios 10:14)

            Deus oferece o perdão para os idólatras (1 Coríntios 6:9-11)



Tim Challies - I am a follower of Jesus Christ, a husband to Aileen and a father to three children. I worship and serve as a pastor at Grace Fellowship Church in Toronto, Ontario, and am a co-founder of Cruciform Press.


Traduzido por Kimberly Anastacio | Reforma21.org | Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.



sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

DEUS ODEIA A IMORALIDADE SEXUAL


            Aqueles que amam também devem odiar. Aqueles que amam o que é bom, o que é benéfico, o que é honroso, devem odiar o que é mau, o que é prejudicial, o que é lamentável. Nós somos definidos tanto pelas coisas que amamos, quanto pelas coisas que detestamos. E o que é verdade para nós também é para Deus (ou melhor dizendo, o que em primeiro lugar é verdadeiro para Deus também é para nós). Para que Deus ame, Ele também deve odiar.

            A Bíblia nos fala de muitas coisas que Deus odeia. Às vezes, ela diz diretamente “Deus odeia isso”; outras, descreve tais coisas com palavras como “abominável” ou “detestável”. Quando colocamos tudo isso junto, encontramos cerca de oito grandes categorias de coisas que Deus odeia. Já vimos que Deus odeia idolatria. Hoje eu quero mostrar que Deus também odeia a imoralidade sexual.

            Deus odeia a imoralidade sexual
            Os seres humanos são seres sexuais. Nós somos muito mais do que isso, é claro, mas não somos menos. Nossa sexualidade é uma parte de quem somos, um bom presente de Deus para unir marido e mulher e expandir a raça humana. Como tudo o mais que temos, a nossa sexualidade é um dom que nos foi dado em confiança. Devemos nutri-lo fielmente, usando-o nos caminhos comandados por Deus, recusando seu uso de formas que Ele proíba. Deus estipula que o sexo deve existir somente no casamento de um homem com uma mulher e ainda estipula de que ele deve, de fato, acontecer no casamento (1 Coríntios 7: 1-5). Assim como é pecaminoso ter relações sexuais fora do casamento, é pecaminoso não ter relações sexuais dentro do casamento.

            Deus ama quando os seres humanos usam o dom da sexualidade nos caminhos que Ele ordena, mas, em seguida, necessariamente odeia quando eles o abusam de outras maneiras. Especificamente, ele odeia os atos de homossexualidade e bestialidade (Levítico 18: 22-23), assim como o transvestimento (Deuteronômio 22:5). Ele odeia ofertas provenientes de prostituição ou, neste caso, a prostituição no contexto ritualístico (Deuteronômio 23:18). Podemos aplicar isso a um contexto moderno, observando que o dinheiro gasto ou ganho ilicitamente desonra a Deus, mesmo quando dado a uma causa nobre.

            Deus também odeia o divórcio, a separação dos laços do casamento (Malaquias 2: 14-16). Malaquias 2 é uma passagem complicada cuja tradução é contestada, mas podemos estar confiantes disso: o que pode estar opaco no Antigo Testamento, em que o divórcio era permitido, está absolutamente claro no Novo Testamento, em que o divórcio é proibido, exceto no caso de adultério (ver Marcos 10: 1-12). Deus, sobretudo, odeia o divórcio quando o objeto é a exploração de outra pessoa, como em Deuteronômio 24:4, onde parece que a ênfase é em um marido que se casa para receber o dote de sua esposa, se divorciando, e depois se casando com ela uma segunda vez para receber um segundo dote.

            Para resumir: Deus odeia o pecado sexual, Ele odeia qualquer contaminação do dom da sexualidade, e Ele odeia qualquer desonra do casamento, o único contexto certo para a sexualidade.

            Por que Deus odeia a imoralidade sexual?
            Por que Deus odeia a imoralidade sexual? Porque de alguma forma o pecado sexual é mais grave do que outras formas de rebelião. Em 1 Coríntios 6:18, lemos essas palavras surpreendentes: “Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo.” Os estudiosos da Bíblia debatem o significado das palavras, mas isso é muito claro: o pecado sexual debocha da união física e espiritual presente no relacionamento sexual. Como a Reformation Study Bible aponta, “no ensino de Paulo, a união física envolvida na imoralidade sexual tem consequências especiais porque interfere na nossa identidade cristã como pessoas que foram unidas a Cristo através do Espírito Santo.” Aqueles que estão unidos a Cristo não podem estar unidos a uma prostituta ou qualquer outra pessoa com a qual não estejam casados.

            O pecado sexual degrada e abusa do corpo que Deus utiliza como seu templo. “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (1 Coríntios 6:19-20). É importante ressaltar a linguagem similar que Paulo usa para descrever a idolatria e a imoralidade sexual. Ambos são sinais de profunda rebelião contra Deus.

            Julgamento de Deus sobre os devassos
            Deus é perfeitamente claro em seu julgamento sobre a imoralidade sexual. Grande parte do primeiro capítulo de Romanos 1 é dedicado a provar que o julgamento de Deus cai sobre aqueles que cometem o pecado sexual e que, ao longo do tempo, caem mais e mais nesse erro. “Conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.” (Romanos 1:32). Na verdade, Paulo chega a afirmar que o aumento do pecado sexual é a própria forma de julgamento através da qual Deus deixa as pessoas mais perdidas em seus pecados. 1 Coríntios 6:9 insiste que nem os devassos, nem os homossexuais verão o céu, o que se repete em Gálatas 5:19-21, Efésios 5:5 e Apocalipse 22:15. O autor da carta aos Hebreus demanda, “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.” (Hebreus 13:4). Aqueles que cometem imoralidade sexual enfrentarão o julgamento justo e eterno de Deus.

            Esperança para os imorais sexuais
            No entanto, há esperança, mesmo para os devassos. Em sua primeira carta a Timóteo, Paulo discute o propósito da lei de Deus e diz que a lei foi dada para “impuros, sodomitas, raptores de homens” (1:10). Deus provê para todos os pecadores! A lei foi dada graciosamente para expor seus pecados, seus desejos pelo pecado, e sua incapacidade de parar de pecar. Mas, é claro, a lei não era suficiente, então Paulo muda imediatamente da completude da lei para a bondade do evangelho, para o que ele se refere como “o evangelho da glória do Deus bendito”. O evangelho insiste que nenhum de nós está além da redenção, nenhum de nós está além da salvação, se nos voltarmos para Cristo e seu perdão. “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1:15). Não há pecador inalcançável à sua graça.

            “Fugi da impureza”, diz Paulo (1 Coríntios 6:18). Devemos fugir desse pecado e, por meio do evangelho, nós podemos.

            Versículos-chave sobre a imoralidade sexual

            Se você gostaria de se envolver em algum estudo mais aprofundado, aqui estão os versículos-chave sobre o ódio de Deus à imoralidade sexual:

            Deus planejou o casamento e a sexualidade em torno do sexo masculino e do sexo feminino (Gênesis 2: 24-25)
            Deus odeia os atos homossexuais (Levítico 18:22)
            Deus odeia atos sexuais entre humanos e animais (Levítico 18:23)
            Deus odeia o uso de roupas do sexo oposto (Deuteronômio 22:5)
            Deus odeia e não aceitará ofertas provenientes da prostituição (Deuteronômio 23:18)
            Deus odeia a exploração através do divórcio (Deuteronômio 24:4)
            Deus odeia o divórcio (Malaquias 2: 14-16)
            Deus odeia a imoralidade sexual em todas as suas formas (Gálatas 5:19-21, Efésios 5:5, Apocalipse 22:15)
            Deus criou o corpo para a pureza e não para a imoralidade (1 Coríntios 6:13)
            Deus nos ordena a fugir da imoralidade sexual (1 Coríntios 6:18)
            Deus oferece o perdão para os devassos (1 Coríntios 6:9-11)
            Deus ordena a exclusividade da relação sexual dentro do casamento (Hebreus 13:4)


Tim Challies - I am a follower of Jesus Christ, a husband to Aileen and a father to three children. I worship and serve as a pastor at Grace Fellowship Church in Toronto, Ontario, and am a co-founder of Cruciform Press.


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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

DEUS ODEIA A INJUSTIÇA


            O Deus que ama o que é bom, não deve amar o que é mau. Ele não deve ser ambivalente em relação ao que é mau, ao que é prejudicial, ao que é destrutivo. Ele deve odiar essas coisas. O Deus da Bíblia se revela como um Deus de amor. Mas Ele também se revela como um Deus que odeia. Estamos analisando versos onde a Bíblia emprega palavras como “ódio”, “abominação” e “detestável”, e vimos que Deus odeia a idolatria e também a imoralidade sexual. Hoje voltamos a nossa atenção para o seguinte: Deus odeia a injustiça.

            Deus odeia a injustiça
            Deus governa este mundo, e Ele governa com justiça. “Justiça e direito são o fundamento do teu trono; graça e verdade te precedem”(Salmo 89:14). Deus delega autoridade e responsabilidade para nós, seres feitos à sua imagem, e Ele espera que exerçamos a justiça em seu nome. “Por meu intermédio, reinam os reis, e os príncipes decretam justiça” (Provérbios 8:15) e “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Miquéias 6: 8).

            De acordo com Gregg Allison, a justiça é “dar às pessoas o que lhes é devido, em especial no que diz respeito à administração de uma lei”. A Bíblia muitas vezes refere-se a um tipo específico de justiça, justiça social, que é “a partilha equitativa dos meios econômicos, dos prospectos educacionais,da influência política e de outras oportunidades dentro de uma comunidade”. O Antigo Testamento ordenava que a nação de Israel cuidasse dos fracos, dos vulneráveis, dos destituídos. Ordenava que seus líderes governassem de forma equitativa, de acordo com a lei de Deus. Qualquer falha em fazê-lo era uma grave injustiça e trazia a ameaça do julgamento de Deus.

            O Novo Testamento traz um fim à nação de Israel, mas certamente não um fim à justiça, visto que “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo. “(Tiago 1:27). Quanto à administração da justiça na sociedade, o governante civil é “ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.” (Romanos 13:4, ver também Mateus 25: 31-46, Tiago 2: 1-13 , Atos 6: 1-7).

            Deus não vai tolerar qualquer coisa abaixo do seu alto padrão de justiça. Especificamente, Ele odeia as pessoas que enganam os outros, a fim de enriquecer-se (Deuteronômio 25: 13-16). Ele odeia aqueles que pervertem a justiça declarando povos culpados inocentes e inocentes como culpados (Provérbios 17:15). Ele odeia aqueles que cometem o último ato de injustiça: o assassinato do inocente (Provérbios 6:17).

            Por que Deus odeia a injustiça?
            Deus odeia a injustiça porque ela perverte o seu mundo. O objetivo de Deus para a justiça é que ela reinasse neste mundo através das pessoas feitas à sua imagem. Ele chama as pessoas para cuidar dos outros em amor e para aliviar o seu sofrimento. Greg Forster diz: “O evangelho em si requer que a igreja tenha uma visão de justiça que desafie a ganância e a opressão do mundo. E, ao libertar o povo da escravidão espiritual da culpa e do medo, o evangelho expõe a impiedade dos poderes do mundo que exploram a escravidão espiritual para ganho egoísta. É por isso que a igreja na terra é ‘a igreja militante’. A igreja não é a igreja se ela não está em guerra com a injustiça do mundo”.
            Em última análise, Deus deseja que as pessoas encontrem sua satisfação nele, encontrem a paz nele e tragam a paz para os outros através da justiça. John Piper diz: “Quando usamos falsas balanças ou mentimos sobre nossas declarações de impostos ou deturpamos os fatos em nossos negócios, estamos declarando que a doçura fugaz do pecado é mais desejável do que a paz eterna de Deus. Isso não honra a Deus e, portanto, não traz prazer ao seu coração. “‘A balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer’’’.

            O julgamento de Deus sobre os injustos
            O próprio Jesus fala sobre o julgamento final e sobre o que vai acontecer a todos os que cometem atos de injustiça. “Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me”(Mateus 25: 42-43). As pessoas vão saber quando e como isso aconteceu, e Jesus responderá: “sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer” (45). E então virá a consequência da sua injustiça: “E irão estes para o castigo eterno” (46). A injusta não têm lugar no reino eterno de Deus. Em vez disso, eles vão pagar o preço mais terrível por negligenciar os necessitados e se rebelarem contra Deus.

            Em Romanos 1, Paulo destaca uma longa lista de pecados que marcam aqueles que se afastam de Deus no ódio idólatra, e muitos deles se relacionam com a injustiça: “cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia” (29-31). Em uma lista semelhante em 1 Coríntios 6:9-10, Paulo diz especificamente que os ladrões, os avarentos e os roubadores não podem herdar o reino de Deus. Deus deixa claro: o injusto será punido por sua injustiça.

            Esperança para o injusto
            Mas há esperança para os injustos. Há esperança para aqueles que fizeram atos deliberados de injustiça e para aqueles que não conseguiram aproveitar todas as oportunidades para expressar o amor para com os outros. A esperança é o evangelho de Jesus Cristo, pois Jesus disse: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores” (Marcos 2:17). Jesus veio ao mundo para salvar os injustos.

            Na cruz, o Filho de Deus perfeito e sem pecado sofreu o maior ato de injustiça ao ser torturado e morto. E, ainda assim, a cruz foi também o maior ato de justiça, porque a dívida do nosso pecado foi paga totalmente – em seus ombros. Através de seu sacrifício, Jesus satisfez a ira de Deus contra o injusto, comprando o perdão daqueles que recorrerem a Ele em arrependimento e fé. “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito” (1 Pedro 3:18).

            Versículos-chave sobre a injustiça
            Deus odeia pesos falsamente definidos para enganar o cliente (Deuteronômio 25:13-16)
            Deus odeia as mãos que derramam sangue inocente (Provérbios 06:17)
            Deus odeia aqueles que justificam os perversos (Provérbios 17:15)
            Deus odeia aqueles que condenam os justos (Provérbios 17:15)
            Deus condena aqueles que agem injustamente e acolhe aqueles que agem com justiça (Mateus 25: 31-46)
            Deus ama a religião compromissada em ajudar os pobres e negligenciados (Tiago 1:27)
            Deus levanta os líderes da igreja para garantir que seu povo seja tratado de forma igual (Atos 6: 1-7)
            Deus puniu justamente o seu Filho justo para satisfazer a sua ira contra os injustos (1 Pedro 3:18)










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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A FÁBRICA DE VASOS E SUAS LIÇÕES


Jeremias 18:1-6


           Introdução
           Ao longo de toda a Escritura, profetas e pregadores pintam retratos de Deus. Davi (Salmo 23), Ezequiel (Ez 34:8), João (Jo 10:11,14,16)  e Paulo (Hb 13:20) descrevem nosso Senhor como pastor, enquanto Jesus descreve Deus como alguém que semeia e cuida de vinhas (João 15:1-6).
           Por ter sido um país tipicamente agropastoril, ou seja, um povo cuja economia estava baseada na agricultura e na criação de gado, pastores e agricultores eram profissões muito comuns. Essa metodologia de ensino levou Israel a compreender essas figuras, as quais mostravam Deus agindo por meio de Seu povo

           A Palavra de Deus também descreve Deus como oleiro – metáfora que exploramos muito pouco.
           Isaías disse: “Ó Senhor, Tu és nosso Pai, nós somos o barro, e Tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das Tuas mãos” (Is 64:8).
           Em Jeremias, Deus adverte Seus filhos errantes: “Como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na Minha mão, ó casa de Israel” (Jr 18:6). Essa imagem, que falou claramente na antiguidade, pode ainda falar a nós, hoje, não importa o lugar em que vivemos
           Quando a metáfora do vaso é usada na Bíblia, na maioria das vezes ela se encaixa em duas categorias: (a) o julgamento dos ímpios e (b) a restauração dos justos.
           Quando Deus anuncia Seu julgamento, Ele destrói o pote de barro, às vezes, despedaçando-o no chão: “Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro” (Sl 2:9; Ap 2:27).
           Entretanto, o processo de restauração de Deus assemelha-se à criação de um vaso de barro. Em Jeremias 18, Deus, o Oleiro, está ativo em Seu propósito. Ele está na roda de oleiro, fazendo do barro um vaso
           Deus disse a Jeremias: “Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as Minhas palavras” (Jr 18:2).
           Ao visitar a casa de um oleiro, com Jeremias, também podemos aprender as lições que Deus quer nos ensinar:


           Lição: 1. Necessidade do Espírito Santo 
                              Um dicionário bíblico explica que o barro se torna “incrivelmente maleável à medida que se lhe adiciona água, e mais rijo quando a mistura seca”. Sua natureza é transformada quando tocada pela água.1 As partículas de barro não se unirão sem a água e, se não ficarem ligadas, o oleiro não pode moldá-las. A água – agente que amacia e une – representa o Espírito Santo
           Quando Jesus afirma que “Se alguém tem sede, venha a Mim e beba”, João nos diz que o Mestre “disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nEle cressem” (Jo 7:37-39).
           Esse Espírito, segundo Paulo, promove a unidade entre o povo de Deus: “Esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4:3).
           À medida que o Espírito é concedido aos crentes, “Ele faz com que transcendam preconceitos humanos de cultura, raça, sexo, cor, nacionalidade e condição social”.2 O Espírito nos une. 
           A primeira lição que tiramos da casa do oleiro é que necessitamos da água do Espírito, que nos torna maleáveis, a fim de sermos usados por Deus. 


           Lição 2: Ainda não somos vasos 
                             A Bíblia nos chama de barro e, embora haja uma similaridade química entre o barro e o vaso, as Escrituras fazem clara distinção (teológica) entre os dois.
           Podemos ter a aparência de um vaso quando o barro é manipulado, assim como o próprio barro é um vaso em desenvolvimento
           O vaso, por si mesmo, não endurece ou se recicla. Quando o vaso era mal manipulado e rachava, os oleiros da antiguidade ajuntavam os cacos e os colocavam em um local próprio, semelhante ao lugar em que Jó se assentou enquanto coçava suas feridas (Jó 2:8).
           O Vale de Hinom, do lado de fora de Jerusalém, era um desses locais, onde toda a cidade colocava os entulhos, inclusive, vasos quebrados. Foi ali que Deus levou Jeremias. 
           Como lição para Judá (e para nós), Deus joga o vaso de barro no monte de entulhos, não apenas desprezando-o, mas destruindo-o.
           Quando Jeremias, obediente à ordem de Deus, quebra o vaso de barro, Ele explica: “Deste modo quebrarei Eu este povo e esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, que não pode mais refazer-se”, nem com fita adesiva, superbonder ou qualquer outro agente humano. O vaso está em cacos. O “teste” acabou. 
           Tal como o vaso de barro de Jeremias, cada um de nós está entre dois futuros. Ou seremos esmiuçados em algum Vale de Hinom ou nos tornaremos vasos perfeitos, criados para ser usados por Deus em Sua casa – ambos de caráter eterno: destruição ou serviço (Ml 4:1; Jo 14:2, 3).
           Deus, nosso Oleiro, em breve completará em nós Sua obra criadora e terminará o tempo de modelagem. 
           Assim, a segunda lição que tiramos é que ainda não somos vasos: somos barro nas mãos de Deus. Enquanto podemos ser moldados, Deus, nosso Oleiro, continua trabalhando conosco, em nós, e dentro de nós, moldando e construindo “segundo bem Lhe parecer” (Jr 18:4) 


          Lição 3: Devemos passar pelo fogo 
                            Para criar um vaso, os antigos oleiros tiravam o barro da terra, jogavam no chão e pisavam nele (Is 41:25). Em seguida, amaciavam o barro com água até formar uma pasta. Pegavam, então, o barro amassado e jogavam com força no centro da roda de oleiro, um disco plano, montado horizontalmente em uma barra vertical (Jr 18:3). Girando a roda e segurando o barro com os dedos e palma da mão, a manipulação do oleiro moldava o vaso. 
           Mesmo estando moldado, o vaso novo não endurecia com a luz do sol. Mesmo que endurecesse, trincaria e quebraria quando o enchessem com líquido.
           Por essa razão, os antigos oleiros colocavam seu produto no forno, uma fornalha especial que facilmente chega a 1400° C.
           Após ser pisado, amassado, socado e rodar em velocidade vertiginosa, o barro, finalmente, era assado em um forno bem quente
           Essa não é uma experiência prazerosa e relaxante. Mas é isso que enfrentamos como barro. As “fornalhas” da vida – dívida e divórcio, decadência e desordem, dor e morte – atingem a todos. Ellen White disse: “O fato de sermos chamados a suportar a prova mostra que o Senhor Jesus vê em nós alguma coisa de precioso que deseja desenvolver. [...] Não lança pedras sem valor na Sua fornalha. É o minério precioso que Ele depura.”3 Por meio de nossas “fornalhas”, participamos dos sofrimentos de Cristo “para que também, quando a Sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria” (1Pe 4:12, 13 – NVI). 


           Lição 4: Quanto mais quente a fornalha, mais fino o vaso 
                             Embora a porcelana seja lisa, colorida e brilhante, trinca facilmente se for assada em baixas temperaturas. Tal vaso não tem força interior necessária para resistir à pressão ou a trabalhos mais pesados.
           Vasos de pedra, muito mais duros e fortes, suportam fornos duas vezes mais quentes. A porcelana, porém, assada entre 1000 e 1400 graus centígrados, é um utensílio mais caro e mais fino.
            A porcelana é um produto branco impermeável e translúcido. Ela se distingue de outros produtos cerâmicos, especialmente, da faiança e da louça, pela sua vitrificação, transparência, resistência, completa isenção de porosidade e sonoridade.
           Basicamente a matéria prima da porcelana são: argila, quartzo, caulim .
           O Oleiro, entretanto, não requer que nenhum de Seus vasos suporte temperaturas elevadas arbitrariamente.
           Na verdade, tipos diferentes de vasos requerem diferentes tipos de calor, e na casa do Grande Oleiro, nenhum vaso recebe mais calor do que necessita.  Mesmo assim, a “fornalha” ainda é necessária para produzir um vaso fino, e o produto dessa grande “dor” é a porcelana, cuja característica é “cantar” quando golpeada.
           Como João Huss e Jerônimo, que cantaram na fogueira, ou Paulo e Silas, na prisão de Filipos, os cristãos são porcelanas humanas. Dia após dia, pela ação do Espírito, os fiéis desenvolvem um eco, a total rejeição da vingança, a capacidade de amar sob pressão
           A porcelana ainda tem uma segunda característica: quando colocada perto de uma fonte de luz, reflete seu brilho. Do mesmo modo, após passarmos pelo fogo, refletimos a luz de Cristo nas trevas deste mundo (Mt 5:16). 


           Conclusão
           Em Sua roda, através do Espírito Santo, o Grande Oleiro pode moldar você. Você só precisa desejar e consentir.
           Ele o vê, não como “barro estragado”, como servo inútil ou negligente, mas como fina porcelana.
           Ele promete restaurá-lo porque “Aquele que os chama é fiel, e fará isso” (I Ts 5:24 – NVI; Fl 1:6). 
           Deus, o Oleiro, está esperando por você em Sua casa. Você irá ao Seu encontro? 



 1 Dicionário Bíblico Adventista, volume 5, página 214. 
2 E. D. Nichol. ed., Comentário Bíblico Adventista, volume 6, página 1021; cf. Crenças Adventistas do Sétimo Dia, página 175. 
3 Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, página 471. 
4 White, O Grande Conflito, p. 109-115; Atos 16:26. 

  

© Nelson Teixeira Santos

terça-feira, 18 de julho de 2017

OS CINCO SEGREDOS DO APÓSTOLO PAULO


Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se!” (Filipenses 4:4).


            Introdução
            O apóstolo Paulo estava na prisão quando escreveu Filipenses, a carta mais alegre de sua autoria. Nessa carta em que repete 16 vezes as palavras “alegria” e “alegrar-se”, ele sabia que a alegria não depende do conforto, lugar ou espaço. A alegria está em Deus. E Deus se dispõe a morar em nosso coração. Ele só precisa de nosso consentimento. Lembram-se da imagem de Jesus batendo a porta; a maçaneta só existe do lado de dentro (nosso lado); nós decidimos.
            Nessa epístola Paulo não diz que podemos ser felizes ou como ser felizes. Ele simplesmente afirma que é feliz. Daí o título: segredos. É preciso ir além do nível da superficialidade para descobrirmos o que fazia de Paulo um homem feliz!

            Os cinco segredos do apóstolo para manter a alegria aparecem nos versos seguintes.

            - Não ande ansioso por coisa alguma
            Em Sua Onisciência Deus sabia que a ansiedade seria o mal reinante nos últimos tempos. Alguém sabiamente já a comparou com uma cadeira de balanço. Movemos-nos, porém, não saímos do lugar. Perdemos o sono preocupando-nos demais com o que comer, o que vestir, o que calçar, onde habitar, onde trabalhar, aliás; este assunto não é novo, já havia sido tratado por Jesus no conhecido Sermão da Montanha.
            Segundo o próprio Cristo isto até poderia ser motivo de preocupação para gentios, não para cristãos. Cristão que se preza não deveria andar preocupado! E por quê?
            Porque você não só pode, como deve apresentar tudo a Deus por meio da oração e de ações de graças. Fazendo isso, “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”, guardará o seu coração e a sua mente em Cristo Jesus (v. 6, 7).
            O versículo 7, na versão bíblica A Mensagem afirma: “É maravilhoso o que acontece quando Cristo retira a preocupação do centro da vida humana”.

            - Tenha um padrão de pensamento positivo
            Pense a respeito de “tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama”, tudo o que for “excelente ou digno de louvor” (v. 8). Focalizar o lado luminoso da vida deve ser um hábito diário.
            Resumindo, amigos, o melhor que vocês têm a fazer é encher a mente e o pensamento com coisas verdadeiras, nobres, respeitáveis, autênticas, úteis, graciosas — o melhor, não o pior; o belo, não o feio. Coisas para elogiar, não para amaldiçoar. Ponham em prática o que aprenderam de mim, o que ouviram, viram e entenderam. Façam assim, e Deus, que é soberano, irá tornar real em vocês a mais excelente harmonia” (versículos 8 e 9 – versão A Mensagem)..


            - Adapte-se às circunstâncias
            O que o apóstolo nos diz em seguida, num português bem popular, é o seguinte: “Tenha jogo de cintura, seja flexível, se preferir, seja maleável, seja transigente”, contudo, excetue princípios; esses fazem parte do grupo dos intocáveis.
            O mundo vive a beira de um ataque de nervos então, nós que ostentamos o título de cristão desenvolvamos aquilo que os psicólogos, entre outros, chamam de inteligência emocional. Precisamos urgentemente aprender, se é que ainda não aprendemos, a administrar crises, conflitos.
            Há na Palavra de Deus uma bênção para todo aquele que consegue mostrar que cooperar é melhor do que partir para o confronto ou competição. Agindo dessa forma as pessoas irão descobrir quem você é realmente. Um (a) pacificador (a)!
            Paulo disse: “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade” (v. 12).


            - Tenha a certeza
            De que Deus lhe concederá poder para enfrentar todos os desafios. “Tudo posso naquele que me fortalece”, diz o apóstolo (v. 13).
            O problema acontece porque nós assumimos aquela postura do “eu me garanto”.
Eu confio na minha força”. “Eu confio em minhas competências”. “Eu confio em minha inteligência”. “Eu confio em minha conta bancária”. Eu confio tantas outras coisas que não sobra espaço para Deus operar; muito menos para acreditar que Deus é capaz de resolver todos os desejos mais profundos de meu ser.
            Por isso quando pedir, “peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte” (Tiago 1:6 – ACF).



            - Deus proverá o que você precisa
            Lamentavelmente vivemos num mundo que cria necessidades artificiais, falsas necessidades.
            Somos convencidos de que, além das necessidades humanas básicas de ar, água, alimento e abrigo, todos nós temos uma quinta necessidade humana: a necessidade de novidade, a necessidade ao longo da vida de uma contínua variedade de estímulos externos aos nossos olhos, ouvidos, sentidos ou órgãos, e a toda a nossa rede nervosa. E o resultado? A grande maioria de nós, inclusive os crentes, pessoas de fé, acabamos sucumbindo a esse apetite pela novidade.  
            Como verdadeiros adoradores de Jeová-Jire precisamos também acreditar que:       “O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus” (v. 19).


            Conclusão
            Você não se alegra focalizando os motivos para tristeza, mas conectando-se à fonte da alegria. Então, meu irmão, minha irmã, alegre-se no Senhor!
            Este é o meu desejo e a minha oração. Amém!!!








© Nelson Teixeira Santos

sexta-feira, 16 de junho de 2017

ESPERANÇA PARA O CRISTÃO DESCONTENTE


            Exteriormente, Chloe parece ter tudo resolvido. Ela é solteira, tem uma carreira boa e é bastante ativa em sua igreja local. Mas ela está sozinha, desencantada com sua carreira e sente-se separada da sua igreja. A casca que seus pares admiraram esconde seu descontentamento e seu cristianismo sem alegria.

            Chloe tinha imaginado uma vida diferente para si mesma. Até agora, ela pensou que estaria no seu auge, mas encontra-se em um poço de miséria. Ela pensou que iria se casar, ainda estaria ligada a seus amigos da faculdade, criaria uma família e mentoraria mulheres cristãs mais jovens. Mas sua realidade presente decepciona suas expectativas. Seu descontentamento levou-a por um caminho escuro do pecado, buscando por alívio, mas só encontrando a morte.

            A única esperança de Chloe para curar o seu descontentamento e infelicidade é aprender a arte do contentamento e abraçar uma visão bíblica sobre Deus. Essas duas coisas são essenciais para a sua alegria.

            Não é você, sou eu
           Chloe representa muitos cristãos lutando para lidar com a mão que cuida deles. A condição do seu  coração não se aplica apenas para os solteiros, mas para casados também. Todas as manhãs, cristãos em todo o país acordam descontentes com a vida – em relação a sua solteirice, ao casamento, à carreira, à igreja ou comunidade – e gostariam de trocá-la por uma vida diferente.

            O nosso descontentamento leva a ilusões sem esperança (e às vezes suicidas). Nós tentamos substituir e eliminar qualquer coisa que esteja ligada ao nosso descontentamento:

“Eu odeio ser solteira, então eu deveria arrumar alguém logo.”
“Minha esposa não me satisfaz, então eu deveria arrumar uma nova.”
“Meu trabalho não está me completando, então eu deveria me demitir.”
“Minha igreja não é emocionante, então eu deveria sair.”
“A vida é cheia de miséria, então eu deveria acabar com ela.”
“Deus não me faz feliz, então eu deveria rejeitá-lo.”

            No entanto, o problema não está na solteirice, no casamento, no trabalho, na igreja, ou em Deus. A resposta para o nosso problema nem sempre está ligada à mudança de nossa circunstância. O puritano, Jeremiah Burroughs, escreveu: “É um ditado comum de que existem muitas pessoas que não estão bem nem quando estão cheias, nem quando estão jejuando…  Há algumas pessoas que tem disposições tão irritáveis e desagradáveis que não importa em que condições elas são colocadas, são sempre antipáticas. Há alguns que têm corações desagradáveis, e eles são desagradáveis em todas as circunstâncias que encontram”.

            Doente ou saudável, solteiro ou casado, rico ou pobre, frutífera ou estéril, com fome ou fartos – independentemente da circunstância – podemos encontrar uma maneira de estar descontentes, independentemente da nossa situação na vida. O coração humano é impossível de satisfazer com condições temporais ou bens terrenos. Queremos sempre mais. A vida poderia ser sempre melhor. Como Charles Haddon Spurgeon justamente salientou, “lembre-se de que o contentamento de um homem está em sua mente, não na extensão de suas posses. Alexandre, com todo o mundo a seus pés, chora por um outro mundo para conquistar. ” No entanto, há uma maneira melhor – um caminho que leva à satisfação doce e à verdadeira felicidade.

            Contentamento doce
            A infelicidade do cristão, o descontentamento e a forma como vemos a Deus estão diretamente ligados. Descontentamento grita: “Você merece o melhor!” e sussurra: “Deus não está dando o que você merece.” Esses gritos são obviamente falsos, mas o último sussurro é profundamente verdadeiro. Satanás é o mestre da mistura de mentiras com verdades.

            É uma mentira que você merece algo melhor. Essa declaração assume que você sabe o que é melhor e que os dons de Deus não são os melhores para você. A mentira leva a acreditar que você é mais sábio do que Deus e interpreta a direção de Deus para a sua vida como um ataque ao invés de um presente e misericórdia.

            É verdade que Deus não está dando o que você merece. Nós merecemos a ira de Deus, mas diariamente recebemos novas graças. Como pode a doença, sofrimento, e outras tragédias serem consideradas misericórdias? Ao perceber que todas as manhãs nós não acordamos no inferno é um exemplo da misericórdia de Deus para conosco. Mesmo quando estamos sentindo o nosso pior, Deus está nos mostrando mais misericórdia do que merecemos. Não há calamidade ou tragédia que possamos enfrentar que seja pior do que a ira santa de Deus. Ao mesmo tempo, não há prazer terreno que possa se comparar com a glória que há de ser revelada. É assim que o apóstolo Paulo enfrentou o sofrimento: “Porque eu considero que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que há de ser revelada a nós.”

            Com isto em mente, mesmo em nosso pior dia, Deus é digno de ação de graças e louvor por tudo que fez. Ou como se costuma dizer na igreja: “Se Deus nunca fizer outra coisa por nós, Ele já fez o suficiente.” Este ponto de vista da bondade de Deus reflete um coração humilde diante de um Deus santo e bom. Essa perspectiva permite-nos sofrer bem, sabendo que o melhor ainda está por vir.

            Mas podemos ir ainda mais longe. À medida que lutamos diariamente contra o descontentamento, devemos interpretar tudo o que vem a nós como um motivo para se alegrar. Mais uma vez, Burroughs escreve: “Tenha bons pensamentos de Deus e faça boas interpretações de seus planos para você. É muito difícil viver confortavelmente e alegremente entre amigos quando se faz interpretações duras das palavras e ações dos outros. A única maneira de manter o contentamento doce e o conforto nas sociedades cristãs é fazer as melhores interpretações das coisas. Da mesma forma, a principal maneira de ajudar a manter o conforto e satisfação em nossos corações é fazer boas interpretações dos feitos de Deus para nós”.
Imagine se nós realmente acreditássemos no que a Bíblia diz sobre como Deus nos vê. Isso transformaria a maneira como interpretamos todas as ações de Deus, vendo-as como misericórdias. Eu sei que no meio das minhas batalhas com o descontentamento e com os pecados que nos assediam, é difícil ver o que está acontecendo nas nossas vidas como nada além de uma condenação e punição.


            Misericórdias de Deus, nossa alegria
            Como Chloe, a nossa insatisfação com a vida, inevitavelmente, nos leva a um ciclo de descontentamento, pecado, culpa e depressão, se não for devidamente controlada. Descontentamento acabará por levar ao pecado, o pecado à culpa, a culpa à depressão, e a depressão de volta ao descontentamento. Este ciclo lentamente destrói tudo o que encontramos e tocamos, deixando-nos sem alegria e vazios. A fim de quebrar este ciclo mortal, a busca da alegria é essencial. Tiago 1: 2-4 complementa as palavras de Burroughs:  Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.

            Se nós alegremente interpretarmos tudo o que acontece – doença, morte, perda, pobreza – como ações de misericórdia em vez de julgamento, isso transformará a nossa forma de viver como cristãos. Devemos olhar para a inerrante Palavra de Deus para encontrar o conforto de que Ele realmente nos ama e faz o bem para nós. A Escritura diz:

            É Deus quem nos ajuda, por isso não temos nada a temer. (Isaías 41:13)
O amor de Deus é apresentado e comprovado por Ele ter enviado seu Filho para morrer por nossos pecados. (1 João 4:10)
Nada pode nos separar do amor de Deus – absolutamente nada. (Romanos 8: 35-39)
Deus nos ama com um amor eterno. (Jeremias 31: 3)
Jesus nos ama com o mesmo amor que o Pai o ama. (João 15: 9)
Jesus, Filho unigênito de Deus, era um homem de dores (Is 53: 3). Ele foi desprezado e rejeitado pelos homens, sofreu e morreu por crimes dos quais era inocente, e sofreu ao máximo a ira de Deus pelos pecados que nunca cometeu. Deus ordenou tudo isso. Por quê? Porque Deus nos ama (João 3:16). E porque Ele nos ama, devemos esperar sofrimento nesta vida, como Cristo sofreu, porque “nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado. (Romanos 5: 3-5).

            Mas graças a Deus, “Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo” (2 Coríntios 1: 5). Nossa capacidade de interpretar as ações de Deus em relação a nós como boas está inevitavelmente ligada à nossa satisfação e alegria. Se não podemos ver sua providência como boa, nós nunca estaremos contentes, e sem contentamento, nunca iremos conhecer plenamente a alegria que Ele tem para nós.






Autor: Phillip Holmes served as a content strategist at desiringGod.org. He’s married to Jasmine. They have a son.

Traduzido por Kimberly Anastacio | Reforma21.org | Original aqui


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