sexta-feira, 24 de julho de 2015

DESMISTIFICANDO O FRUTO


Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda.
Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado. Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim. Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma. Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados. Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido. Meu Pai é glorificado pelo fato de vocês darem muito fruto; e assim serão meus discípulos
” (João 15:1-8 – NVI).

            Introdução
            No momento em que aceitamos a Jesus como Senhor e Salvador pessoal, o Espírito Santo passa a habitar em nós e com um claro objetivo: a formação de um caráter cristão através do desenvolvimento das virtudes chamadas de “fruto do Espírito”.
            O desafio: Como exemplificar esta verdade espiritual?
            Jesus o Mestre por Excelência, em sua metodologia de ensino, por inúmeras vezes fez uso de uma figura de linguagem que nós conhecemos como metáfora – segundo o Aurélio: Tropo (emprego de palavra ou expressão em sentido figurado) em que a significação natural duma palavra é substituída por outra com que tem relação de semelhança.
            Que verdades espirituais Jesus estava querendo transmitir aos seus discípulos e extensivamente a todos nós, ao usar a ilustração do fruto em Seus ensinos (João 15)?
            A partir de uma breve exegese desse capítulo verdades são encontradas:

            A produção do bom fruto é condicional
            Aqui, como na maioria das promessas divinas, condições precisam ser satisfeitas para que ocorra a tão sonhada frutificação. A produção do bom fruto está condicionada a nossa relação com Jesus. Necessitamos receber constantemente de Sua seiva, Sua vida para que possamos produzir o bom fruto. Foi o próprio Jesus quem afirmou: “Porque sem mim nada podeis fazer” (v.5). O apóstolo Paulo reafirmou: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). Daí a conclusão que sem Jesus, nada é possível na vida espiritual; já com Ele, tudo é possível.
            Por diversas razões, e de modo equivocado, pessoas se conectam a pessoas, a líderes, a pastores, a igrejas, a instituições religiosas, porque isto lhes proporciona aparente segurança, não percebendo que estão colocando em risco a sua salvação. Foi Lucas, no livro de Atos falando acerca de Jesus quem escreveu: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (Atos 4:11).

            A produção do bom fruto implica em resultado
            Toda ação de Deus é realizada com objetivos bem definidos – resultados. Neste caso específico a produção do bom fruto não foge à regra – deve resultar na glorificação do nome de Deus (v. 8).
            Nas bem-aventuranças (Sermão da Montanha), Jesus já havia ensinado: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16).
            Aquilo que somos é externado através do que fazemos, e tanto um como o outro devem promover a glória de Deus!
          As pessoas que observam nossa maneira de falar, o nosso trajar, nossa bebida, nossa comida, nosso proceder, o nosso trabalho e nossos relacionamentos devem dar glórias a Deus. Que responsabilidade a nossa! Foi assim com Jesus. O evangelho de Lucas relata no capítulo 18, que certa vez Jesus curou um cego diante de uma multidão. E qual foi o resultado? Tanto o abençoado quanto a multidão que presenciou o milagre glorificaram a Deus. Está escrito: “E imediatamente ficou vendo e seguia a Jesus, glorificando a Deus. Presenciando isto, todo o povo deu glória a Deus” (Lc 18:43).

            A produção do bom fruto vai além
           Gosto de pensar que nosso Deus não é um Deus mesquinho, que se contenta com ninharias. Quando Ele investe em nós é porque já avaliou o nosso potencial. Ele sabe que podemos render e render muito. “Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta” (Mateus 13:23).
            Contudo, para Deus, uma única safra é muito pouco. A produção do bom fruto deve ser seguida de uma poda. Poda? Sim, para que produza ainda mais fruto.  A ferramenta escolhida por Deus neste caso é a Sua Palavra. Trata-se de um mistério! Ela é poderosa! Ela tem a capacidade de realizar em cada um de nós toda a transformação necessária par a produção do bom fruto. Ela ensina, repreende, corrige, educa, aperfeiçoa, habilita (II Tm 3:16-17). Daí a relevância das Escrituras em nossa vida. Precisamos buscar de forma regular e sistemática, até adquirirmos o hábito para estudá-la diariamente e de disposição de coração para seguir seus ensinos.
             
            A produção do bom fruto deve ser mensurada
            Ainda não inventaram algo como “frutômetro” para medir a quantidade de bom fruto que se tenha produzido, contudo, a produção ou sua falta é um indicativo de qual será o nosso destino. Aquele que produz muito fruto revela que está unido a Cristo, A Videira, e desfrutará da vida eterna. Ao contrário, a falta do fruto evidenciará que o ramo está separado de Cristo e que, por esta razão, no tempo aprazado por Deus será destruído pelo fogo, pois assim está escrito: “Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados” (Jo 15:6).

            Conclusão
            Dois mil anos se passaram e Jesus continua desafiando-nos:
            Precisamos permanecer conectados a Videira;
            Precisamos produzir mais de uma safra, por isso;
            Precisamos submeter-nos a poda divina (neste caso, Sua palavra);
            Precisamos produzir mais fruto ainda;
            Precisamos permitir que Deus avalie nosso desempenho!
             Faço do conselho de Paulo a Timóteo as minhas palavras: “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade” (II Tm 2:15 – NVI); pois “estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6 - NVI). 
            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!


              

     © Nelson Teixeira Santos

sábado, 4 de julho de 2015

O TEXTO QUE NÃO FOI EDITADO


        Hoje treze meses mais tarde posso, com convicção, afirmar categoricamente o que pensava naquela ocasião, mas, por uma questão puramente ética deixei de fazê-lo. Habitualmente ao preparar minhas mensagens (sermões) costumo logo no início externar o objetivo da mensagem; naquela ocasião era: Demonstrar através dos antecedentes históricos que não há a menor chance da liderança mundial mudar o seu parecer quanto a ordenação de mulheres.

            Omiti também, propositadamente os parágrafos abaixo descritos para que naquela época não corresse o risco de ser taxado de incitador de insubordinação eclesiástica. 

            Se os defensores da ordenação de mulheres na IASD viram na atitude demonstrada pela liderança mundial da igreja, sinal de abertura, mudança de posicionamento ou avanço nas “negociações” por ocasião da 59ª Assembleia Geral em 2010, ao tomar um voto: “A teologia bíblica da ordenação de mulheres ao ministério será reestudada por uma comissão” e os resultados apresentados em 2015 na próxima assembleia, equivocaram-se redondamente. O tempo demonstrou tratar-se de mais uma estratégia (no Brasil uma delas é chamada de Ministério da Mulher), muito bem articulada para neutralizar eventuais “oponentes”.

            Atualmente (02 de Junho de 2014), já de posse dos 13 relatórios provenientes das Divisões, a AG sabe quem é contra e quem está a favor da ordenação e envidará todos os esforços possíveis para que prevaleça a sua vontade. Durante os próximos treze meses trabalhará arduamente para persuadir e minimizar toda oposição existente. Vencida a oposição reinante nas lideranças destas divisões (que se submeterem, é óbvio), elas próprias serão incumbidas de “orientarem” seus representantes, os delegados a votarem afinados com a AG em 2015.

            Aí será apenas uma questão de tempo. Quando finalmente o assunto for colocado em votação na próxima assembleia, a Conferência Geral sagrar-se-á vitoriosa mais uma vez. Espera-se que a decisão não seja por unanimidade (do tipo daquela presenciada nas reuniões do PC Chinês, onde coincidentemente, 2600 delegados representando quase 1.4 bi de habitantes votam unânimes), pois reza um velho adágio popular: “a unanimidade é burra”.

            Mais uma vez a instituição adventista perderá a oportunidade de caminhar junto com o povo que se prepara para volta de Jesus Cristo (a verdadeira igreja que triunfará),  colocando-se na contramão da historia. O mundo tem uma dinâmica própria e a igreja por sua vez, deve ter a sua; logicamente sem comprometer princípios divinos, nem suas crenças fundamentais, caso contrário, como bem afirmou Ella Smith Simmons (vice-presidente da AG), “a falta de coerência em relação a alguns princípios da vida cristã e questões teológicas que podem fragmentar o corpo da igreja”.  Pior que não tomar uma atitude coerente com os anseios de seus membros é ter que tomá-las, não pressionada pelos seus membros ou igrejas nem pelos seus representantes legais, mas pela sociedade em que ela encontra-se inserida ou por força de lei. Isto será deprimente!

            A “verdade presente” tornou-se “verdade conveniente”.



© Nelson Teixeira Santos