terça-feira, 4 de março de 2014

ANO BÍBLICO EM UM ANO? –ONDE ESTÁ ESCRITO QUE...


  
            Deve-se fazer ano bíblico (ler a Bíblia) no período de um ano?
             1º de janeiro o início; 31 de dezembro a conclusão da leitura. Permitam-me fazer outra pergunta: Onde está escrito que a Bíblia deve ser lida livro por livro começando em Gênesis e concluída no Apocalipse? Sessenta e seis livros, um a um conforme estão ali dispostos? “Eu a leio, mas não a entendo” (Atos 8:31). Lembra-se da história do eunuco e Filipe?
             Até na questão da leitura bíblica a lógica divina parece não fazer sentido muito sentido na Terra. Parece. A Bíblia não foi escrita para ser lida assim. Para o vosso conhecimento, os livros não estão dispostos em ordem cronológica (se assim estivessem ordenados, o primeiro livro da Bíblia seria o livro de Jó), nem tampouco os assuntos contidos em seus respectivos capítulos e versículos estão.

            Se você está determinado, por exemplo, a ler 3 capítulos de domingo a sexta e 5 no sábado; meus pêsames. Você está fadado ao fracasso, está candidatando-se a receber um certificado de abandono, de inconclusão de ano bíblico.  Ainda que consiga você estará realizando algo mecânico, maçante, frustrante com resultados medíocres. Deus espera mais que isso de nossa parte!

            A própria Palavra de Deus recomenda como deve ser lida. A resposta encontra-se em Isaías 28:10: Porque é mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali”, ou seja
“Para compreender qualquer assunto na Bíblia, temos de considerar tudo que é ensinado nas diferentes partes das Escrituras. Essas passagens têm de ser reunidas, como se reúnem, por exemplo, as partes de um quebra-cabeça, para ver o quadro completo, em sua beleza” (A Bíblia Fala Nº 1). 

              Demore o tempo que desejar ou que for necessário, mas por amor aquilo que lhe é mais sagrado – leia, medite, estude a Bíblia - diariamente.
             A título de motivação, deixe-me contar-lhe uma história verídica que aconteceu comigo, caso você encontre dificuldade, ou seja, tentado a levar mais de dois anos para lê-la. Tive um colega de trabalho em meus tempos de bancário que após ser desafiado por mim, conseguiu ler quatro vezes a Bíblia num período de menos de um ano. Trata-se evidentemente de uma exceção, ele possuía leitura dinâmica e uma memória fantástica, pois ao conversarmos ele descrevia detalhes que eu mesmo desconhecia.  

             Por diversos motivos somos instados a ter como hábito a leitura diária das Sagradas Escrituras, entre eles:

             “Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus (Ef 6:17).

             “Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração (Hb 4:12).

            Na segunda epístola de Paulo à Timóteo, a quem havia discipulado e que por conta disso o considerava  filho na fé e, também a nós extensivamente, que vivemos nos últimos dias da história deste planeta, o apóstolo nos admoesta a ficar longe dos falsos mestres, daqueles de transformam a religião em mercadoria, dos burocratas religiosos, dos executivos religiosos . “Fiquem longe deles!” (II Tim 3:5)* é o conselho.

            Taxativamente o apóstolo afirma no  final do capítulo três: “Não há nada como a Palavra de Deus escrita para mostrar o caminho para a salvação por meio da fé em Cristo Jesus. Cada parte da Escritura é inspirada por Deus e útil de um modo ou de outro – para mostrar a verdade, denunciar nossa rebelião, corrigir nosso erros,ensinar como viver o caminho de Deus.Por meio da Palavra, somos unidos e moldados para as tarefas que Deus deseja nos incumbir” (II Tim 3:15-17)*.

            Salvação e suas implicações: Céu. Nova Terra. Vida eterna. Queres motivo melhor para fazer do livro mais vendido no mundo, o livro mais lido também?





 
Referências:

* Todas as citações da epístola de II Timóteo neste artigo foram extraídas da versão portuguesa da The Message: The Bible in Contemporary Language, Eugene H. Peterson. 

© Nelson Teixeira Santos    

               

sábado, 1 de março de 2014

JONAS E SUAS NOSSAS INDIFERENÇAS


            Introdução
            A Palavra de Deus afirma que “Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, a testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos (Provérbios 6:16-19).

            Breves considerações
            Todos nós a semelhança de Deus temos nossas preferências e também nossas posposições, ou seja, coisas de que não gostamos. Eu por exemplo, não gosto de trabalhar a noite, de reunião e de festa de formatura. Pior que festa de formatura só mesmo ser convidado a assistir DVD de formatura. O fato é que nesta vida muitas vezes temos de fazer, participar, colaborar, estar presente, contra nossa vontade.

            Como é praticamente impossível a gente se esquivar de todas estas e outras coisas abomináveis, por coincidência ou ironia, em 12.03.2007, fui parar na festa de formatura de nossa filha Sara Cristina no auditório da Reitoria da UFPR.
            Ente os palestrantes naquela noite, um dos professores teve a coragem de afirmar em público já ter sido orientado pelos seus superiores a não apontar o dedo para as pessoas – uma de suas manias adquirida ao longo de seu magistério.
            Tal atitude levou-me a pensar nas tantas coisas incorretas que costumeiramente fazemos (inclusive dentro da igreja) e cheguei a seguinte conclusão: De que adianta não apontar o dedo em riste ao nosso semelhante, mas feri-lo com outros tipos de atitudes, olhares, gestos e palavras?

            É fato que muitos dentre o professo povo de Deus, equivocadamente acreditam, que as pessoas só se perderão por causa das coisas erradas que fizeram – roubaram, furtaram, adulteraram, cobiçaram. Por que equivocadamente? Porque existem outros tantos que se perderão pelo simples fato de terem deixado de praticar boas obras. O conselho divino é muito claro: “Nunca deixes de fazer o bem estando em suas mãos o poder de fazê-lo” (Pv 3:27 - TL). E outros mais que, costumam dizer uma coisa e fazer outra; chegam mesmo a fazer as coisas certas, mas o fazem pelas razões erradas. Pura hipocrisia! (Mt 23:1-7).

            Então, deixar de praticar boas obras nos conduz ao pecado da omissão. Um pecado que é muito sutil. É o pecado que se comete sem se fazer; por deixar de fazer. Ele se manifesta sob as mais variadas formas: mornidão (salvo, satisfeito, sossegado); pela falta de sensibilidade, de misericórdia (Mt 9:13), através da indiferença.

            Mas se você acha que esse tipo de pecado é recorrente ou típico dos nossos dias, saiba que não. A Bíblia está repleta deste tipo de história. O NT apresenta uma parábola contada por Jesus que pode ser considerada o exemplo clássico – a parábola do bom samaritano. O AT encerra uma história ocorrida séculos antes do nascimento de Jesus e mostra-nos de forma gritante a indiferença para com a ordem de Deus, para com a advertência de Deus, aos esforços dos outros e quanto ao destino de uma cidade inteira.

            Objetivos da mensagem
            Aprender por contraste (não fazendo), coisas que como cristãos devemos evitar. Três características da vida do profeta Jonas que não devemos (podemos?) cultivar na vida cristã: acomodação, desobediência e a indiferença (nosso tema).
            O livro de Jonas, por ser um livro missionário, obviamente fala sobre missão. E descreve ainda, a indiferença do povo de Deus para com o Seu chamado, a sua vocação e a sua missão.
            A mensagem adquire um peso ainda maior quando buscamos no dicionário as definições apresentadas para indiferença e indiferente: apatia, descuido, negligência, desleixo, insensibilidade, que não apresenta qualquer motivo de preferência, que nada comove, que não se importa, enfim, pessoa que se mostra desinteressada de qualquer assunto ou acontecimento, inclusive religião.
            Notaremos ao compartilhar a mensagem que as indiferenças demonstradas pelo profeta são, de alguma forma, retratadas na vida de alguns cristãos hoje.

            Indiferente quanto à ordem de Deus
            Jonas 1:2 – “Ande, vá correndo para a grande cidade de Nínive! E anuncie meu julgamento contra ela, pois não posso mais ignorar a sua maldade”.
            A ordem era clara e requeria urgência em seu cumprimento. Embora não tenha argumentado, discutido ou mesmo questionado com Deus acerca da missão, o que Jonas fez todos nós sabemos. Compra passagem, embarca em um navio tendo como destino Társis (considerada na época – o fim do mundo); sentido oposto ao que Deus lhe havia determinado.
            Curiosamente foi se alojar no escuro porão do navio, achando que naquele local ninguém ia vê-lo, nem mesmo Deus!  Jonas, um homem de Deus, um profeta verdadeiro tentando fugir da presença do Senhor se torna indiferente à ordem dada por Deus.
            Humanamente falando, Jonas tinha motivos de sobra para temer a ordem divina. Quando jovem Jonas profetizou um período de potência militar e prosperidade econômica em Israel, e assim aconteceu (II Reis 14:25). A perigosa superpotência do norte - Assíria, encontrava-se temporariamente enfraquecida. Passadas algumas décadas, Deus enviou esse patriota para salvar a capital do império assírio – Nínive, da destruição. Para a nação israelita, o cumprimento dessa missão representada um risco à segurança nacional.
ü  Qual foi a ordem que Deus lhe incumbiu?
ü  Qual foi a orientação específica que Deus  lhe deu e você tem sido indiferente?
ü  Para onde você está sendo comissionado por Deus?
ü  De qual Nínive você tem fugido em desobediência ao Senhor?
            E Jonas tentou fugir da presença do Senhor... Tentou. Nós também tentamos... Tentamos. Também não podemos fugir da presença de Deus (Salmos 139:7-10).  

            Indiferente à advertência de Deus
            Jonas 1:4 – “Então, o Eterno enviou uma tempestade tão forte sobre o mar que provocou ondas gigantes. O navio estava a ponto de se partir ao meio, e os marinheiros ficaram apavorados”.
            Os processos pedagógicos (metodologias de ensino) de Deus são muito diversificados. Ele julgou o comportamento de Jonas e valeu-se da natureza para ministrar disciplina ao seu desobediente servo a quem Ele amava.
            Um vento forte soprando sobre o mar provoca uma grande tempestade. E como os navios daquela época eram de pequeno porte, a embarcação em que Jonas viajava estava a ponto de despedaçar-se.
            Lamentavelmente Jonas se esqueceu do conselho divino: “Filho meu, ouça com atenção os meus conselhos. Esteja sempre pronto para escutar as minhas instruções. Elas devem estar sempre em sua mente, sempre presentes em seu coração, porque delas depende a verdadeira vida e uma saúde perfeita” (Provérbios 4:20-22).

            Indiferente aos esforços dos outros
            Jonas 1:5 – “Desesperados, cada um começou a clamar ao seu próprio deus. Jogaram ao mar tudo o que podiam para aliviar o peso do navio. Enquanto isso, Jonas tinha descido ao porão do navio e ali dormia profundamente”.
            Conhecedores do mar, aqueles homens eram marinheiros experimentados. Sabiam avaliar nitidamente a tragédia que estava diante de si. A sensação de medo os domina. A morte é iminente e cada um clamava ao seu deus por misericórdia.

            Indiferente ao destino dos ninivitas
            Jonas 1:2 – “Ande, vá correndo para a grande cidade de Nínive! E anuncie meu julgamento contra ela, pois não posso mais ignorar a sua maldade”.
            Nínive (+ de 120.000 homens – Jn 4:11), a capital do império assírio, tornou-se famosa por sua crueldade. Segundo Miquéias 5:6, Ninrode foi o seu fundador. Seus métodos de tratar os vencidos não eram nada convencionais incluíam decepar as mãos, nariz, orelhas, vazar os olhos, empalação.
           Jonas conhece Nínive. Pode nunca ter estado lá, mas sabe a fama da cidade. Jonas recebe uma ordem específica de Deus de levar a mensagem de salvação ao povo de Nínive; um povo violento, incrédulo, cego, idólatra... e que se torna objeto da grande misericórdia divina!
            Como profeta também conhece a Deus. Ele sabe que entre as muitas virtudes divinas encontram-se a misericórdia, a longanimidade, a benignidade e que por conta delas Deus poderá dar a Nínive uma segunda chance, uma oportunidade se houver conversão na cidade.

            Conclusão
            Certamente Deus não nos chamou para junto de Seu povo, simplesmente para ficarmos esquentando banco ou para fazer um monte de coisas (certas ou não), que comumente fazemos, mas para pregar as boas-novas – a nossa missão.
            Que Deus nos conceda a graça de, como cristãos, jamais nos esquivar-nos das nossas responsabilidades; de não tratarmos com leviandade, com indiferença às ordens divinas, suas advertências, o nosso próximo (seja ele quem for).           
            Que sejamos sensíveis a ponto de perceber as necessidades das pessoas que estão a nossa volta e para as quais devemos ser o sal da terra, a luz do mundo.

            “Talvez a minha vida não seja o que Tu queres
             Talvez ainda esteja de Ti distanciado
              No entanto ao ouvir o Teu chamado
              Pensei em ser aquilo que Tu queres que eu seja
              Quero ser um novo ser, que eu quero estar onde estás.
              Mestre, quero ser um discípulo Teu”. – Williams Costa Jr.

              Que cada um de nós possa realmente ser um discípulo de Jesus!
              É o meu desejo e a minha oração, Amém!!!



  

* Todas as citações do livro de Jonas neste artigo foram extraídas da versão portuguesa da The Message: The Bible in Contemporary Language, Eugene H. Peterson. 


© Nelson Teixeira Santos