sexta-feira, 15 de julho de 2016

EXTREMOS


“É bom não radicalizar e ter equilíbrio. Quem teme a Deus evita extremos, porque vê os dois lados da moeda” (Eclesiastes 7:18  - A Mensagem)

            Você é extremista, uma pessoa do tipo “oito ou oitenta”? Pois saiba que o extremismo pode ser perigoso. A sabedoria raramente é vista na atitude dos radicais. Literalmente, o extremo pode destruir você, pois a morte está nos extremos. A própria vida no planeta não existiria se não houvesse equilíbrio.

            O extremo é o ponto mais remoto em ambas as direções, algo fora do normal, o grau mais alto, um evento além do razoável. Usamos essa palavra quando queremos enfatizar algo excessivo, severo, intenso, difícil, perigoso, radical, distante, o que ocorre em expressões como prazer extremo, dor extrema, medida extrema, risco extremo, extrema dificuldade, frio extremo, extremo Oriente.

            Eventos extremos são raros, mas, quando ocorrem, representam perigo. As pessoas que trabalham com cálculos de probabilidade sabem disso. Para tanto, usam a teoria do valor extremo, que é um ramo importante da estatística. Por exemplo, se você tivesse que estudar as crises da bolsa de valores, os fenômenos da hidrologia ou o controle de tráfego, precisaria usar essa teoria. Ela é útil para determinar os valores máximos e mínimos em certas ocorrências. O estatístico inglês Leonard Tippett (1902-1985), um dos pioneiros na elaboração dessa teoria, a usou para tornar mais fortes os fios de algodão. Em seus estudos, ele concluiu que a resistência de um fio era controlada pela resistência das fibras mais fracas.

            Salomão nos aconselha a não sermos justos ou sábios demais (Ec 7:16). Quando colocamos a esperança em nossa própria justiça, nos tornamos fanáticos e autossuficientes. Perdemos de vista a plenitude da justiça de Cristo. Trocamos o que é central pelo periférico. E a vida entra em desequilíbrio. Não é fácil manter o equilíbrio em um mundo desequilibrado, ou andar na corda bamba dos extremismos pós-modernos. Entretanto, é necessário.

            O extremismo gera desequilíbrio na perspectiva da pessoa e a faz ver a vida de modo deformado. Com o tempo, essa desarmonia pode afetar o próprio caráter. Por isso, tente equilibrar sonho e realidade, trabalho e descanso, intelecto e físico, foco no interior e no exterior, sim e não, o “eu” e o “tu”, passado e futuro. Não busque apenas um equilíbrio abstrato, mas a harmonia em cada aspecto da vida.

            Ter equilíbrio não significa levar a vida em cima do muro, ou cultivar um estilo de vida morno, mas priorizar as coisas na medida certa. Quando você coloca Deus no centro e nas extremidades da vida, o equilíbrio se torna possível. Afinal, é ele quem mantém todas as coisas em perfeito equilíbrio.


Autor: Marcos de Benedicto, em Um Olhar Para O Céu, MD 13072016

Fonte: CPB On line

terça-feira, 5 de julho de 2016

TENTAÇÃO NÃO É O MESMO QUE PECADO


            Esta é uma daquelas coisas que sabemos ser verdade em um nível intelectual, mas esquecemos facilmente em nossa experiência pessoal. Esta verdade é evidente a partir das Escrituras. Na Oração do Senhor, somos ensinados a orar “perdoa-nos as nossas dívidas” e “não nos deixeis cair em tentação” (Mt 6:12–13). Dívidas e transgressões exigem perdão; tentação exige libertação. Elas não são a mesma coisa. Só porque você está lutando com a tentação não significa que você está atolado em pecado.       A progressão espiritual no coração do homem vai do desejo, à tentação do pecado para a morte (Tiago 1:14–15). Somos instruídos a fugir da tentação, não porque já pecamos,​​mas porque no meio da tentação é que desesperadamente nos sentimos como nós queremos. Se ser tentado fosse em si uma marca da maldade, não poderíamos confessar que Jesus Cristo “em todos os aspectos foi tentado como nós somos, mas sem pecado” (Hb 4:15). É possível experimentar profundas tentações para o pecado, e continuar sendo inocente do pecado.

            Por que essa distinção importa? Por, pelo menos, duas razões.

            Em primeiro lugar, muitos cristãos passam pela vida com um peso de culpa e vergonha pelas tentações que parecem ser pecado, mas elas mesmas não são pecaminosas. Pegue a luxúria, por exemplo. Um homem viciado em pornografia está pecando. Um homem fantasiando sobre a aparência de uma mulher está cometendo luxúria em seu coração. Mas e um homem que percebe que uma mulher é atraente e, em seguida, hesita olhar mais e pensar mais profundamente sobre o que acabou de ver? Essa é provavelmente uma tentação e não um pecado. Pense em Davi e Bate-Seba. Supondo que ele estava no telhado cuidando de sua vida, não era errado Davi achar a mulher atraente. O problema foi que ele, em seguida, indagou a respeito dela. Este desejo cedendo à tentação, é o caminho para o pecado e a morte.

            Por uma série de razões, devido ao mundo, a carne e o diabo, nós somos, como seres humanos, tentados. Somos tentados a nos vingar quando alguém nos magoa. Somos tentados guardar rancor quando alguém nos decepciona. Somos tentados a ficar com raiva e impaciência quando nossos filhos não conseguem se comportar direito. Somos tentados muitas vezes por dia, todos os dias. Se confundirmos a contemplação do pecado e a atratividade do pecado com o próprio pecado, vamos sentir uma culpa que não fomos feitos para sentir e perder a compaixão de Jesus que devemos experimentar (Hb 2:18).

            Em segundo lugar, é importante manter a distinção entre tentação e pecado para não desistir do combate da fé muito rapidamente. Por que encarar tentações como pecado? E se Davi visse Bate-Seba com o canto do olho, percebesse que ela era bonita, tivesse um pensamento rápido de que ele poderia obter ela para si, mas, em seguida, pedisse a Deus para livrá-lo da tentação? O que ele precisava não era chafurdar nas profundezas do desespero sobre o seu coração concupiscente, mas de um posicionamento forte contra a tentação muito humana que estava lhe atacando.

            De qualquer jeito, sejamos rápidos em arrepender-se quando pecamos em pensamento, palavra ou ação. Peçamos a Deus que nos perdoe as nossas dívidas reais. Vamos também orar com mais frequência e fervor “não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal.” O pecado e a tentação não são idênticos, mas ambos são ameaças para o cristão.






Autor: Kevin DeYoung is senior pastor of University Reformed Church (PCA) in East Lansing, Michigan, near Michigan State University. He and his wife Trisha have six young children.
Traduzido e cedido por: André Nascimento Freitas
 Fonte: Traduzido por Reforma21 | Reforma21.org .

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