segunda-feira, 25 de abril de 2016

QUEBRANDO TABUS - PARTE XIII



Chapter Nine
Torne Seu Casamento Invulnerável a “Casos”
Não há salvaguarda melhor contra a infidelidade do que um casamento vital, interessante.                                                                                                                Dr. Norman M. Lobenz

            
            Em uma viagem ao Alaska, Evelyn e eu ganhamos umas férias de uma semana, com todas as despesas pagas, no fabuloso Parque Nacional de Monte McKinley. Voamos para o parque em um pequeno avião, sobre profundos vales entre montanhas, bonitos lagos e entre picos magnificentes. Que cenário maravilhoso! Em seguida transferimo-nos para um ônibus de turismo, para a viagem de cinco horas através das montanhas, até o remoto Camp Denali, com o nosso hospedeiro, Wally Cole.
            Como acontece às crianças, em sua primeira viagem à Disneylândia, tudo para nós era motivo para admiração. Era o paraíso dos fotógrafos. Ursos pardos, caribus, alces, ovelhas selvagens, pássaros raros – vimos todos eles. E o ponto culminante da América do Norte, o Monte McKinley, era espetacular, solene, majestoso, imponente! 
            Mas, nessa viagem inesquecível, havia também muitos sinais comuns, ao longo do caminho, sinais de advertência: Cuidado com Rochas Soltas. Não Saia da Estrada. Não Acampar Aqui. E também sinais indicadores: Parada Panorâmica de Descanso. Estação Científica. Monumento Histórico.
            O casamento é assim – uma viagem longa e memorável. E ele torna-se mais significativo quando você presta bem atenção aos sinais. E mais seguro – seguro de um “caso” de infidelidade conjugal. Primeiramente, vejamos os sinais de advertência.

            NÃO COMPARE O INCOMPARÁVEL
            Não há dois casamentos iguais, de forma alguma. Portanto, compará-los é uma atitude negativa, produzindo resultados negativos. Se você comparar o seu casamento com muitos outros ao seu redor, que estão se desmoronando ou são apenas concurso de resistência, ficará desanimado, sentir-se-á fora de sincronismo com os tempos atuais. Ou se tornará complacente, pensando que não tem por que se preocupar. Se você se focalizar em casamentos que acha que realmente tiveram sucesso, você se menosprezará, ampliará as suas próprias incapacidades e irá desesperar. Você nunca poderá alcançar o padrão.
            A verdade é que não existe casamento-padrão. As comparações são como uma porta giratória, que não leva a gente a lugar nenhum. Você fica dando voltas, e termina no mesmo lugar. Você só confirma a sua convicção de que seu casamento é de segunda classe, ou aumenta o seu temor de que não conseguirá ter um casamento de primeira classe. Estas duas atitudes matam a iniciativa pessoal, que é necessária para se obter êxito no casamento. Não nos admiremos de a Bíblia dizer: “Os que se comparam entre si não são sábios”.
            O seu casamento é único – e, por isso, incomparável. Você não compara um Volkswagen com um Mercedes Benz, embora ambos sejam automóveis, e ambos possam levar você aonde você quiser ir. Tudo a respeito desses dois carros é diferente, embora ambos tenham as mesmas peças essenciais e operem segundo mesmo princípio básico. As personalidades e temperamentos dos cônjuges, as características herdadas das famílias, as oportunidades, a instrução e a experiência – tudo isso difere amplamente em cada situação. É fácil imaginar que outros casamentos são muitos melhores do que o seu, mas, na verdade, você não sabe a verdadeira situação do casamento de ninguém. A comparação de seu casamento com o de qualquer outra pessoa jamais pode ser válida ou positiva. As semente do sucesso no casamento já se encontram em seu casamento. Você precisa regá-las e fertilizá-las.
            O seu cônjuge é especial. Você não precisa de um outro cônjuge. Ente vocês, ambos têm os recursos para edificar um grande relacionamento, se realmente estiverem empenhados nisso. Ninguém mais tem o mesmo potencial que vocês têm – a combinação especial de forças e doçura que Deus lhes deu. Todos os elementos para um casamento que satisfaça já estão aí, se você quiser usá-los. Você não precisa de um novo emprego, uma nova amante, lá fora, ou de uma cirurgia plástica. Tudo está bem ao seu alcance, se cada um de vocês dois assumir uma nova atitude. Essas riquezas estão ao seu alcance. Mas você precisa procurá-las e continuar procurando.
          Isto não será fácil. Nenhum casamento maravilhoso acontece automaticamente. Tudo o que tem valor vale o esforço que se faz para alcançá-lo. Se você está tendo dificuldades, a tendência é focalizar-se nos problemas, e não em encontrar soluções. A situação exige coragem, bem como persistência, determinação e dedicação. Ao invés de comparar o seu casamento com outros, compara-o com o potencial que Deus deu a vocês dois e com os eternos princípios de Deus, que funcionam. Esquecemo-nos, quando dizemos que a grama do vizinho é mais verde, que ela precisa ser aparada, fertilizada e regada, da mesma forma como a de nosso jardim. Os esforços para cultivar o seu gramado darão resultados mais recompensadores e permanentes do que a excitação passageira de escapar para uma aventura.
            Não olhe para fora, para ver o que os outros estão fazendo. Aproveite qualquer ideia prática que você puder, provinda de fontes confiáveis, e aplique-a criativamente ao seu relacionamento. Copie todas as boas ideais que puder, e faça experiências com elas. Pratique-as. Copie, mas não compare. Olhe para dentro. Você está, agora mesmo, pisando em sua mina de ouro – a sua jazida de diamantes. Russel Conwell conta uma história incomparável:
            Era uma vez um idoso persa que se chamava Ali Hafed. Ele era possuidor de uma grande fazenda, pomar, campos de cereais, hortas. Fizera muitos investimentos, e estava rico e contente. Um dia recebeu a visita de um velho sacerdote budista, um homem de elevada estirpe. Eles se assentaram perto do fogo, e o sacerdote contou-lhe a minuciosa história da criação. E concluiu dizendo que os diamantes eram as pedras preciosas mais raras e valiosas que haviam sido criadas, “gotas congeladas de luz solar”, e, se Ali tivesse diamantes, ele poderia obter o que quisesse para si e para sua família.
           Ali Hafed começou a sonhar com diamantes – acerca de quanto valiam. E tornou-se pobre. Ele não ao perdera nada, mas sentia-se pobre, porque tornou-se confuso e descontente porque temia que fosse pobre. Ele disse: “Quero uma mina de diamantes”, e ficava acordado durante a noite.
            Certa manhã, ele decidiu vender a sua fazenda e tudo o que tinha, e viajar pelo mundo, em busca de diamantes. Juntou o dinheiro que tinha, deixou a família aos cuidados de um vizinho, e começou a sua busca. Viajou pela Palestina e pela Europa extensivamente, e nada encontrou. Por fim, depois que o seu dinheiro já fora todo gasto e ele estava em farrapos, em miséria e pobreza, chegou a uma praia em Barcelona, Espanha. Uma grande onda veio quebrando, e esse homem pobre, desanimado, sofrendo, quase moribundo, não pode resistir à terrível tentação de se lançar nessa onda tremenda. E afundou, para nunca mais emergir.
            O home que comprou a fazenda de Ali Hafed, certo dia levou o seu camelo para o regato que havia em sua horta. Quando o camelo colocou o focinho naquele ribeiro raso, o novo proprietário notou um brilho curioso de luz, que provinha de uma pedra nas areias brancas da torrente. Ao esgravatar com os dedos a areia, ele encontrou um monte das mais belas pedras preciosas: diamantes. Esta foi a descoberta da mais magnífica mina de diamantes na história da humanidade: a Golconda. Os maiores diamantes que enfeitam as coroas reais do mundo vieram dessa mina.
            Os diamantes de Ali Hafed estavam debaixo de seus próprios pés, mas ele não o percebeu.
            Os diamantes de seu casamento estão em seu quintal. Não os deixe passar despercebidos. Não os menospreze. Garimpe-os.

            NÃO ARME AS SUAS PRÓPRIAS ARMADILHAS
            Muitos “casos” são o resultado da queda nas armadilhas autoarmadas, com iscas para si próprio. Bisonhamente passamos graxa em nossos próprios escorregadores, e, inconscientemente, fazemos as coisas que nos preparam para cair.

            Considere primeiramente os seus amigos (as). Numa sociedade em que o flerte é a norma, e a infidelidade, comportamento aceito, você precisa escolher e cultivar as amizades com muito cuidado. Os amigos que tratam levianamente a infidelidade conjugal ou que contam piadas sugestivas e histórias picantes são, na verdade, inimigos de seu casamento. Evite-os. Visto que muitos “casos” acontecem entre amigos íntimos – casais que tiveram muita amizade – uma conversa desbragada a respeito de sexo derruba os muros protetores, espicaça a curiosidade e suscita fantasias. Quanto mais franca e aproximada for a amizade, mais necessário é manter a conversa em alto nível. Muitas mulheres se defrontam com a tragédia dupla da infidelidade de seu marido com a sua melhor amiga.  Sem querer bancar o “santo”, você sempre pode encontrar maneiras de fazer os seus amigos perceberem que você considera que a infidelidade é algo muito sério. E, indubitavelmente, com ações positivas, precisa confirmar o seu ponto de vista, de forma que os seus amigos vejam e ouçam que você admira, aprecia e ama o seu cônjuge. Quando, na conversa, se mencionar algo que, de alguma forma, demonstre pouco caso do casamento, você deve reagir com algo positivo a respeito de seu casamento. Não deixe o ambiente continuar envenenado pelas dúvidas e negativismo, que dão ao casamento uma má fama. Seja mais do que uma testemunha silenciosa. Fale a favor do casamento – de seu casamento.

            Outra armadilha que armamos para nós mesmos é no escritório, no trabalho. Não é segredo que muitos “casos” são gerados no escritório, e que os favores sexuais muitas vezes influenciam contratos e promoções. Uma secretária atraente e muito competente contou-me como ela se protege: “Recuso todos os convites para almoços ou jantares privados com homens de nosso escritório – e recebo muitos – porque me conheço e sei que seria difícil não reagir à admiração dos outros homens. Eu dou muito valor ao meu casamento, para me expor a esses riscos”.

           Evite as revistas e as diversões que diminuem as inibições. Considere as novelas da TV, por exemplo. É impossível edificar um casamento sólido e ser “gamada” em novelas. Os seus dramas distorcidos, de romance, sexualidade, infidelidade, “casos” e abortos, induzem a comparações, insatisfações. Inconscientemente, você começa a pensar por que sua esposa não igual à “outra mulher de João” ou porque o seu esposo não é igual ao “marido secreto de Maria”. Essas comparações com a ficção inevitavelmente resultarão em um sentimento de que o seu casamento lhe está roubando algo, e que um “caso” libertaria você dessa chateação. Esta fantasia irreal aumenta qualquer desapontamento conjugal que você possa ter. As expectativas frustradas levam você a culpar o seu cônjuge por estar restringindo você. O fato de culpar o seu cônjuge leva-o a tornar-se inativo em seus esforços para edificar um casamento sadio. O resultado dessa dedicação e desse esforço decrescente é deterioração conjugal ainda maior. Isto, por seu turno, alimenta ainda mais a fantasia e prepara você para um “caso”. É um círculo vicioso. Você não pode edificar um casamento sadio baseando-se em uma fantasia, com personagens imaginários.
            Margaret Hess, esposa de um pastor de Detroit, tem algumas sugestões práticas para você evitar as suas próprias armadilhas: Trace limites nos relacionamentos com o sexo oposto. Um psiquiatra disse que evita marcar a última consulta do dia com uma mulher. Um pastor mantém a pessoa que está sendo aconselhada do outro lado da escrivaninha, e conserva as cortinas abertas. Um médico chama a enfermeira para a sala, quando precisa examinar uma paciente. Um patrão e sua secretária podem evitar irem jantar sozinhos ou trabalhar à noite sozinhos. Uma dona de casa pode evitar situações tentadoras com vizinhos, quando  o marido está viajando.  Uma esposa de bom senso não ficará três meses numa casa de campo ou de praia, deixando o marido entregue a si mesmo. Da mesma forma, ela não procurará o marido de alguma outra mulher que foi passar o verão fora. Não há necessidade de um marido mostrar solicitude indevida por uma mulher cujo marido tem de estar ausente, a negócios. Ela precisa sentir uma lacuna que só o marido pode preencher.

            A Sra. Hess continua:
            Será que esses limites significam o impedimento de relacionamentos calorosos entre homens e mulheres? Claro que não. A Bíblia nos dá o modelo. Paulo aconselhou Timóteo a considerar “um velho... como a um pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza.” Você pode desfrutar de amizades maravilhosas com o sexo oposto. A relação entre irmão e irmã inclui identificação. Expressa interesse e mostra amor. Inclui o carinho verbal, e mesmo o toque físico, sob certas circunstâncias. Um caloroso aperto de mão pode expressar apoio. Mas evite qualquer contato físico que contenha insinuações de atração sexual. Os limites que você estabelecer dependerão do potencial de eletricidade.
Abstende-vos de toda espécie de mal”.
            O Dr. Carlfred B. Broderick resume de outra maneira: “Se você se encontrar em uma situação que expresse deliciosa intimidade com um membro atraente do sexo oposto, você deve começar a procurar maneiras de reestruturar a situação”. Se você não o  fizer, o seu pé será preso em sua própria rede.

            RECUSE-SE A SERRAR PÓ DE SERRA
            O pó de serra não pode ser serrado de novo. O chiclete velho não pode ser mastigado interminavelmente. O passado agora é história, e não pode ser vivido outra vez. Você não pode fazer nada a respeito do comportamento do passado, mas pode aprender dele. Você pode viver apenas o momento presente; quaisquer recordações pessoais ou de outras pessoas a respeito dos erros do passado só o ferirão e o tornarão incapaz de agir agora. Recuse-se a permitir que o seu casamento hoje seja ferido pelo que existiu no passado.
            Todo mundo tem um passado imperfeito. Ninguém tem uma história imaculada, podendo olhar para trás e ver uma sucessão de vitórias sem solução de continuidade. O passado de cada um de nós foi pontilhado de dificuldades, desenganos, fracassos e pecados. Nenhuma vida, nenhum casamento foi todo ensolarado, sem tempestade, perigo ou crise.
            Algumas pessoas se detêm em uma falha em sua criação. De fato, todos foram vítimas dessas falhas, porque não há pais perfeitos. Ninguém recebe carinho suficiente de seu pai, carinho suficiente de sua mãe, carinho suficiente do resto da família. Nenhum casamento até hoje, foi um modelo perfeito para os filhos. Alguns experimentaram o sentimento de culpa por causa de fracasso pessoal. O fracasso nos negócios, na escola, na vida moral, no casamento.
         Todos temos um passado irrevogável. O que está feito está feito. Isso nunca pode ser mudado ou revogado. Lord Byron, o poeta inglês, escreveu: “Nenhuma mão pode fazer o relógio bater para mim as horas que passaram”.
            Nem todo o esforço do mundo pode trazer de volta a pedra já atirada.
            Nem todo o remorso do mundo pode desdizer as palavras contundentes uma vez ditas.
            Nem toda a tristeza do mundo pode desfazer o dano que um “caso” inflige ao seu casamento.
            Nem todas as lágrimas do mundo podem transformar o adultério em um ato de pureza.
            Nem todas as desculpas do mundo consertarão o ato de negligência.
            Nenhuma pena pode anular o que já foi escrito.
            Não há maneira de se colocar o leite derramado de volta na leiteira ou de recolher novamente a água perdida no solo.
            Ninguém pode reunir de novo as penas que foram sopradas pelo vento, para onde só Deus sabe.
            Não há quantidade de orações ou de vida piedosa que desfaça o dano causado por atos indisciplinados e indulgência. 
           O seu passado pode beneficiar o seu casamento, ou pode ser que o arruíne. Você pode aprender com ele, edificar sobre ele, e entregá-lo a Deus – ou você pode estacionar ao lado dele, vivê-lo novamente, e ser seduzido por ele. O passado é um tirano que o manterá amedrontado, e o tornará incapaz diante das oportunidades de seu casamento hoje. Ou se tornará um bode expiatório, de forma que sempre haverá algum lugar onde colocar a culpa pela sua indisposição para transformar-se e edificar o seu matrimônio agora. Você pode desenvolver, dentro de si, uma percepção para examinar o seu passado. Mas essa percepção por si mesma não mudará o passado nem o presente.
            Quando você se desculpa, por causa de seu passado, está se consignando à mediocridade para sempre – para de contínuo fazer-se de vítima. Como sugere sucintamente o Dr. Wayne W. Dyer: “Se o meu passado é o culpado pelo que sou hoje, e o passado não pode ser mudado, estou condenado a permanecer como sou”. Há um sinal diante do seu passado que diz: NÃO ESTACIONAR AQUI. Se você ignorar esse sinal, permanecer no passado, recapitulá-lo minuciosamente, estará indicando: “O meu futuro está atrás de mim”. Consequentemente, isto solapará o desenvolvimento de seu casamento hoje e amanhã.
            A bagagem de ontem é fardo demasiadamente pesado para hoje. Tenho viajado constantemente durante trinta e oito anos. Se insistisse em incluir em minha bagagem hoje todos os ternos e camisas, todos os pares de sapatos e meias, todas as malas de todo esse período, não seria capaz de carregá-la. Não me deixariam entrar no ônibus ou avião. E também, não teria nenhum objetivo útil. Eu me livrei de tudo o que não pode me servir hoje. Paulo, o apóstolo, expressou bem isso para todos os casamentos: “... uma coisa faço, e é que , esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante....” Cada cônjuge precisa tomar exatamente esta decisão: “Nunca mais suscitarei o passado. Não podemos deixar que nada do que ficou para trás controle o futuro de nosso casamento. Jamais tirarei do armário qualquer esqueleto, para fazer você se lembrar de um erro passado, nem apresentarei contra você qualquer coisa para prejudicá-lo e continuar o sofrimento que nós dois passamos. Os melhores dias de nosso casamento estão à nossa frente, e nós avançamos para eles e os gozaremos juntos”.  
            O amor não guarda nenhum registro de injustiças sofridas. Você joga fora o livro de registros e se livra de suas armas de manipulação. Entregue o seu último trunfo.
            Desta maneira, cada dia é um novo começo, e não apenas uma recapitulação do passado. Vocês decidem perdoar, aprender com os erros cometidos, para crescerem juntos. Deus, mediante a nossa confissão, enterra os nossos pecados no mar de seu esquecimento, e nunca mais os apresenta novamente contra nós: Ele “...irá atrás de vocês, para protegê-los”. Cada um dos cônjuges precisa assumir um compromisso sério de “ser a retaguarda” do outro, de protegê-lo contra as recordações automutiladoras do passado. Lembre-se: o ontem acabou a noite passada.

             OLHE ATRAVÉS DOS ÓCULOS DE SEU CÔNJUGE
             Devido às muitas diferenças temperamentais e emocionais entre homens e mulheres, é natural que eles julguem de maneira diferente o seu casamento. Um cônjuge pode estar recebendo grande parte do que  deseja, enquanto o outro se sente frustrado. O arranjo que pode ser ideal para um pode ser maçante para o outro. Portanto, ao considerar o estado de seu casamento, você precisa perguntar-se corajosamente como o seu cônjuge se sente, e não apenas como você se sente. Visto que o casamento é uma sociedade, as condições e sucesso precisam ser julgados por ambos os sócios. Você não pode presumir que ambos têm a mesma opinião, e que, porque as suas necessidades são supridas, as de seu cônjuge também estão sendo supridas.
            Tom e Jan são meus amigos especiais, no Texas. Recentemente, quando nos assentamos ao redor da mesa da cozinha, eles me contaram a sua experiência. Certa noite, eles tinham acabado de ira para a cama. Tom estava deitado de costas, enquanto eles contavam as experiências do dia. Com as mãos na nuca ele exclamou com grande satisfação: “Estou muito feliz. Temos um casamento e família maravilhosos, estou indo bem nos negócios, estamos em uma igreja abençoada. Não sei como poderíamos estar mais contentes”. Enquanto ele estava gozando dessa euforia, dessa alegria, percebeu que Jan permanecia muito quieta, e então a cama começou a ser sacudida. Soluços abafados vinham do outro lado da cama. Jan rompera em choro. Tom ficou chocado, e então quase morreu de surpresa quando ela disse: “Como é que você pode dizer isso? Eu nunca estive tão infeliz e desiludida. Nada está indo direito. Tudo é uma bagunça”. Tom me disse: “Eu não podia crer no que estava ouvindo. Não podia entender aquilo”.
            Muitas vezes os homens são obtusos. Os maridos, em geral, acham que, se não há conflitos frontais por várias semanas, nenhuma discussão, ninguém atirou pratos, as coisas estão indo muito bem, e o casamento está sendo um sucesso. A esposa pode estar sofrendo sozinha, por sentir que não é reconhecida, não é entendida, e que o romance entre eles se desfez.
            Certa mulher, que estava visitando um conselheiro conjugal havia várias semanas, finalmente reuniu coragem suficiente para contar isso ao marido. Ele ficou boquiaberto, como se dissesse: “O que é que há de errado com você?” Uma junta de cavalos não conseguiria levá-lo arrastado ao conselheiro. O casamento ia às mil maravilhas  - para ele.
            Os casais muitas vezes acham, inconscientemente, que discutir as necessidades do casamento abertamente criará tensões e aumentará os problemas, e que é melhor não mexer com eles. Deixe sossegado o cão que dorme. Não traga à luz o que não é bom. Mas o oposto é verdadeiro. Enquanto presumimos que tudo está otimamente bem, se não sabemos onde estão as falhas potenciais, um terremoto pode estar se formando, e de repente pode abalar tudo, para nunca mais se recuperar. Precisamos conhecer as forças e as fraquezas de nossa vida em comum. Precisamos saber como o nosso cônjuge se sente a respeito da qualidade de nosso casamento. Os segredos precisam ser compartilhados enquanto somos capazes de enfrentá-los positivamente e juntos.
            Recentemente, discuti, com um casal que estava casado havia quarenta anos, os problemas de seu casamento. Embora fossem conhecidos em sua igreja, eles, durante todos aqueles anos, ainda não se haviam nivelado um com o outro, e cada um presumia que tudo ia bem com o outro. Ambos desempenhavam certos papéis e apoiavam um ao outro publicamente, mas, em seu íntimo, a esposa achava que não tinha identidade própria e fora negligenciada todo aquele tempo. Agora tudo veio para fora como uma explosão, e os pedaços estão espalhados por toda parte. Ela diz: “O nosso casamento está condenado”.
            Pergunte ao seu cônjuge agora: “Como você realmente se sente em relação ao nosso casamento? Onde você vê áreas de necessidade?” Aliás, enquanto estou escrevendo este capitulo, em casa, saí do escritório, fui até a cozinha, e fiz à minha esposa estas perguntas.  Se ela está chateada, eu preciso ficar sabendo. Se ela sente-se ferida, preciso saber por quê. Se ela se sente negligenciada fisicamente, socialmente, sexualmente, preciso ficar sabendo, porque senão não haverá progresso em nosso casamento.
            Assim sendo, faça estas perguntas, e fale a verdade ao respondê-las ao seu cônjuge. Fale a verdade em amor a respeito de si mesmo, e não a respeito de seu cônjuge.  Não aponte o dedo nem faça acusações. Somente diga como se sente. Troquem de óculos só por um pouquinho, de forma que cada cônjuge possa ver exata e equilibradamente os pontos de vista do outro. “Em vez disso, seguiremos com amor a verdade em todo o tempo – falando com verdade, tratando com verdade, vivendo em verdade – e assim nos tornaremos cada vez mais, e de todas as maneiras, semelhantes a Cristo, que é o Cabeça”.
            Em um casamento que está se desenvolvendo nenhum dos cônjuges deve dizer, surpreso: “Mas eu não sabia que você estava se sentindo assim”.

            MANTENHA AS MÃOS VAZIAS, MAS A CAIXA CHEIA
            Visto que dirijo grandes conferências sobre o casamento e a vida familiar, estou sempre procurando novos títulos para as palestras, de modo a conterem um apelo e serem atraentes para o público. O que você acha deste: “Dez maneiras secretas de Segurar o Seu Cônjuge”? Estou certo de que este tópico será muito atraente, e ajudará a aumentar o número de ouvintes. Mas isso seria trágico. Como seria incorreto alguém tentar segurar outra pessoa. Pelo contrário, precisamos aprender dez maneiras de abrir a mão  fechada com que cada um está segurando o outro.
            Nós agarramos possessivamente o nosso cônjuge, porque sempre deixamos a caixa vazia. O Dr. Willard Beecher conta como a maioria das pessoas chega ao casamento crendo que ele é uma caixa cheia de coisas boas, da qual tiramos tudo o de que precisamos para nos tornarmos felizes. Que a certidão de casamento é também a chave dessa caixa. Que podemos tirar dela tanto quanto desejamos, e ela, de alguma forma misteriosa, continuará cheia. E, mesmo quando essa caixa fica vazia, e o casamento desmorona, ainda não aprendemos a nossa lição. Ainda continuaremos a procurar um segundo casamento, que traga uma outra caixa sem fundo, de forma que possamos esvaziar.
            O casamento é uma caixa vazia. Não há nada nela. Ele é uma oportunidade de colocar algo nela, de se fazer algo por ele. Nunca se pretendeu que o casamento fizesse algo por alguém. Espera-se que as pessoas façam algo por ele. Se você não puser na caixa mais do que tirou dela, ela ficará vazia. O amor não está no casamento, está nas pessoas, e as pessoas o colocam no casamento. Romance, consideração, generosidade, não estão no casamento, estão nas pessoas, e elas os colocam na caixa do casamento. Quando essa caixa fica vazia, tornamo-nos vulneráveis, susceptíveis a ter um “caso”.
            Se você pretende conservar cheia essa caixa, deve abrir as mãos e afrouxar o aperto com que tenta controlar o seu cônjuge. O fato de segurar o seu cônjuge muitas vezes significa oprimi-lo. Segurar o seu cônjuge, na verdade, significa controlá-lo. Isso é feito de várias maneiras, por exemplo: sendo autoritário, mandão, dominador. Essa espécie de marido ou esposa geralmente se casou com uma pessoa “fraca”, com alguém que tem de si mesmo ideia muito negativa. Um fraco – alguém que tem medo e fará o que o outro diz. Um homem que conheço trata a esposa como a um cão. Não, ele trata o cão melhor. Ele conversa com o cão mais do que com a mulher, e não engana o cão da maneira como engana a esposa, com os seus “casos”. Pelo fato de ela estar amedrontada, sentir-se insegura, perseguida, ela pensa que é seu dever cristão não dizer nada e não fazer nada. Assim, ele continua intimidando-a, oprimindo-a ainda mais, e ela se sujeita. Por medo de um futuro incerto, ela se apega a ele covardemente. Ambos se agarram um ao outro por diferentes razões. Com os punhos cerrados. Dois fracos.

            Esta possessividade de mãos fechadas se manifesta também em uma incapacidade de realçar os dons, talentos e qualidades de nosso cônjuge. As esposas cujos maridos não as incentivam a progredirem e a desenvolverem os seus talentos, dados por Deus, estão às mercê das vozes extremistas do movimento feminista, ou coisa semelhante. Algumas vezes o marido é estimulado pelo seu trabalho e pelos seus contatos, enquanto a mente de sua esposa está virando geleia, pois só se relaciona com as crianças em casa. Ele controla e limita o desenvolvimento dela, e depois, anos mais tarde, volta-se para uma mulher mais faceira, porque a sua esposa não evoluiu. Esta semana mesmo, em Oklahoma, uma filha me falou a respeito de seus pais. O pai, um pastor, negligenciou a mãe dela completamente durante anos, oprimindo-a e favorecendo a filha. A esposa raramente era vista, era sempre o cônjuge silencioso. E ele estava sempre citando versículos bíblicos distorcidos para provar a sua política de punhos fechados. Com o tempo, tanto a esposa como a filha descobriram que estavam sendo vitimadas e manipuladas uma contra a outra. Ambas encontraram sua identidade em Cristo, foram libertas, e agora estão desenvolvendo de maneira útil suas capacidades dadas por Deus. Quando ele viu que o seu jogo fora descoberto, saiu de casa, e ainda continua citar os seus versículos.
          Conservar a mão aberta significa que você vive para o seu cônjuge, mas não através dele. David Wilkerson diz para as donas-de-casa:
Saia da escravidão de viver a sua vida apenas através dos outros. Deus nunca pretendeu que você encontrasse felicidade só através de seu marido ou de seus filhos.  Não estou sugerindo que você os abandone – mas que tão somente abandone a sua degradante escravidão à ideia de que a sua felicidade depende apenas de outras pessoas. Deus quer que você descubra uma vida de verdadeira felicidade e contentamento, baseada apenas no que você é como pessoa, e não nos caprichos das pessoas que estão ao seu redor.
Deus quer que você encontre a sua identidade pessoal no fato de ele o ter criado e redimido. Você tem valor desde o nascimento, e, além disso, tem uma posição correta para com Deus e sua justiça, quando recebe a Cristo como Salvador e Senhor. Assim, seja você marido ou mulher, precisa ter um relacionamento pessoal e crescente com Deus, que não dependa de seu cônjuge ou de seu papel na família. Assim, vocês dois são livres para viver um para o outro, em vez de viver um através do outro. Viver um através do outro encoraja um apego doentio, e punhos cerrados, para não ficar opresso ou desiludido. Viver um pelo outro libera vocês dois para relaxarem o aperto com que prendem um ao outro, e juntos trabalharem produtivamente para conservarem a caixa cheia. 
            Existe um pequeno restaurante holandês na Pensilvânia, em um subúrbio, onde Evelyn e eu gostamos de tomar refeições. Não há nada como ele em toda a região de Chicago. A comida é maravilhosa – havendo variedade incomum, deliciosamente temperada, o seu preparo constituindo uma tentação, sendo em porções grandes. Quando temos hóspedes em casa, este é o primeiro lugar em que pensamos em levá-los. E eles sempre falam de lá, lembrando-o com entusiasmo. Não há decoração luxuosa; na realidade, ele é bem simples, o refeitório apertado, as mesas cobertas de linóleo. Não fazem reservas antecipadas, por isso geralmente precisamos esperar até que haja mesa desocupada. Nenhuma vez os donos nos apertaram num canto e nos fizeram prometer que voltaríamos. Nenhuma vez eles nos acorrentaram às mesas para terem a certeza de que não os deixaríamos. Nenhuma vez eles gritaram e se lamentaram: “O que faremos se vocês não voltarem mais? Vocês não veem o que estão fazendo por nós? Como podemos viver sem vocês?” Nenhuma vez eles enviaram piquetes de valentões para arrastar fregueses para dentro. E eles não dão descontos. Simplesmente mantêm a sua caixa apetitosamente cheia, e as suas mãos generosas sempre vazias. Todo freguês está disposto a esperar pacientemente uma mesa vazia, e a se arrumar como puder no aperto da sala. Ele sabe que não poderá encontrar nada melhor em qualquer outro lugar.
           Para dizê-lo de outra maneira, abra a gaiola, mas mantenha o cocho cheio de alpiste da melhor qualidade.

            TORNE-SE O HOSPEDEIRO, E NÃO O HÓSPEDE
            Não deviam permitir que as crianças casassem. Se essa fosse a lei, ela eliminaria todos os casamentos, visto que nós todos agimos como crianças egoístas, grande parte do tempo. O fato de realizarmos o ato adulto de nos casarmos não nos torna adultos. E este é o verdadeiro problema que está subjacente a qualquer outra dificuldade no casamento. A criança desempenha um papel passivo/receptivo. Ela espera ser servida. Tudo é feito para ela. Ela não tem nenhum senso de responsabilidade ou nenhuma iniciativa. É tratada como hóspede. As crianças não sabem como serem hospedeiras.
           Qualquer marido ou esposa com um pouquinho de sinceridade admitirá que é mais gostoso ser hóspede,ser mimado, que se “faça sala” para a gente. Não ter nenhum senso de responsabilidade, não assumir nenhuma despesa, não sacrificar nenhum tempo para nos prepararmos – só descansar, gozar a vida, ser servido. Se cada um dos cônjuges está esperando ser hóspede, esperando que o outro exerça iniciativa em seu benefício, haverá problemas. Ambos ficarão desapontados. O casamento chegará a um ponto insuportável, e a infidelidade se tornará atraente. Ambos começam a pensar que em algum outro lugar há outra pessoa que dará o “show” e deixará que eles sejam os expectadores.
           Isto é bem o contrário do que Jesus disse e demonstrou. “Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos”.
            Nenhum casamento pode acomodar dois hóspedes – nem mesmo um. Um casamento que satisfaz precisa ter dois hospedeiros, cada um dedicado pessoalmente ao papel ativo/comunicador de adulto maduro, e não ao papel passivo/receptor de criança mimada. Evelyn e eu temos recebido muitas centenas de hóspedes em nossa casa, através dos anos. Minha esposa ama as pessoas, e durante trinta anos dificilmente tem passado uma semana sem hóspedes em casa. Se passamos alguns dias tendo em casa apenas a nossa família, um de nossos filhos pergunta: “Quando é que vamos ter visitas”? Temos hospedado ricos e pobres, personalidades mundialmente conhecidas e viúvas solitárias, famosos líderes cristãos e o casal lutador que mora no fim da rua, que não tem igreja. Houve dezenas de lanches, jantares, festas, pequenas e grandes. Algumas vezes uma começava quando a outra mal estava terminando. Ser um hospedeiro gentil e bem sucedido exige exatamente o que é necessário para edificar um casamento que propicie satisfação.

           O Hospedeiro Inicia e Edifica Amizades                                                                                   Geralmente, quando hóspedes são convidados para uma refeição ou para passar uma noite com a gente, são amigos do hospedeiro. Pessoas totalmente estranhas, ou inimigas, não fazem parte de nossa lista de hóspedes, geralmente. Um dos objetivos da hospitalidade é desenvolver novas amizades e aprofundar as antigas. De fato, amigos e amizade perfazem o elemento central  e mais importante, com diz Salomão: “O homem que tem amigos precisa mostrar-se amável”.
            Cada cônjuge deve desejar dizer: “O meu cônjuge é o meu melhor amigo”. Em uma festa recente, um líder crente e sua esposa estavam celebrando suas bodas de prata. Perguntei-lhes qual era a principal característica de seu casamento. A esposa respondeu imediatamente: “Nós nos tornamos muito bons amigos”. Isto é significativo. Vocês podem ter um relacionamento sexual compatível, e não ser amigos íntimos. Vocês podem estar associados em suas responsabilidades de pais, e não gozar de intimidade e franqueza como amigos. Vocês podem desempenhar os seus papéis biblicamente prescritos, e não aceitar um ao outro como iguais, que é a base da verdadeira amizade.
            A própria palavra amizade (no inglês), diz o Dr. Allan Fromme, originou-se de um verbo da antiga linguagem tribal teutônica, e significa amar.  Da maneira sutil que a linguagem é capaz de ligar experiências humanas afins, “amigos” e “amor” parece terem uma origem comum. Em uma pesquisa feita com mais de quarenta mil americanos, dirigida pela revista Psychology Today, estas qualidades foram muito apreciadas em um amigo: a capacidade de guardar confidências, lealdade, calor humano e afeição. Em seu livro Love Life, o meu amigo Dr. Ed Wheat incluí um ótimo capítulo a respeito de como nos tornamos melhores amigos. Eu o recomendo profusamente. O começo do amor fraternal (philéo), diz ele, é: “Passamos tempo juntos, nos divertimos juntos, participamos de atividades e interesses, gostamos um do outro, mesmo depois de nos conhecermos, comentamos sobre diversos assuntos, temos confiança um no outro, pedimos ajuda um do outro, contamos com a lealdade do outro. Tempo compartilhado, atividades compartilhadas, interesses compartilhados e experiências compartilhadas”. “Isto foi a essência de nosso casamento”, disse Jan Struther. “Essa exposição e compartilhamento da bolsa de recordações do dia que passou, a cada noite”.
            Assumindo o papel de hospedeiro, trataremos o nosso cônjuge da maneira como tratamos os nossos hóspedes. Suponha que um hóspede acidentalmente derrame café em sua toalha de linho. Como você reage? “Não foi nada. Nós também fazemos isso constantemente. Olhe, deixe-me ajudá-lo a enxugar isso, para que não pingue em sua roupa”. Se seu marido faz o mesmo, será esta a sua reação: “Você é um desastrado. Não pode ser mais cuidadoso? Você sujou a minha melhor toalha! Você não tem consideração pelo tempo que gasto limpando tudo o que você suja”?
        Muitas vezes não demonstramos amabilidade de amigos nem consideração e cortesia. Isto suscita uma pergunta importante: “Como eu agiria se isso acontecesse com um hóspede em minha casa?” Faça esta pergunta quando sua esposa produzir um arranhão no carro, quando o seu marido manchar o tapete ou derrubar aquela xícara de porcelana, quando o seu vaso favorito for quebrado, e acontecer toda uma série de coisas como essas. Veja o seu cônjuge como o hóspede de honra, e fale com ele como  tal. Quanto melhor for o seu amigo, mais necessários se tornarão o tato e a cortesia.

            O Hospedeiro É Também um Planejador Cuidadoso                                                                Hospedeiros e hospedeiras de sucesso não chegam a sê-lo por acidente. Eles planejam os eventos festivos até o último detalhe. Nada é considerado sem importância. A festa que acontece tão naturalmente e eficientemente, na verdade, é o resultado de muito planejamento, muito tempo gasto e muito dinheiro também. Minha esposa vai servir um pequeno lanche amanhã, e já vi os preparativos que ela está fazendo para ele. Pratinhos especiais para a salada de atum, coisas no refrigerador que não sou capaz de identificar, notas que a fazem lembrar de minúcias insignificantes, mas importantes. E ela tem falado acerca desse lanche todos os dias da semana passada...
          Os casamentos sem o mesmo tipo de esforço cuidadoso e planejamento detalhado podem deteriorar-se.  A noção mais destrutiva que os jovens têm a respeito do casamento é que ele, de alguma forma, vai rodar por conta própria. Contudo, a tendência natural é se afastarem, e não crescerem juntos. O chão inculto produz ervas daninhas, e não flores. A preguiça e a falta de iniciativa abrem o caminho para o enfado e a tentação de olhar por cima da cerca. Os bons momentos não acontecem por acaso. Um bilhete de amor junto a coma marmita ou debaixo da xícara de café não parece por mágica. Uma refeição temperada com amor não e vendida pré-cozida no supermercado. Para um jantar à luz de velas, alguém tem que acender as velas. Pra um fim de semana a sós, alguém tem que fazer as reservas. O amor precisa ser planejado. O namoro constante precisa ser cultivado. O amor crescerá ou morrerá. Alguém precisa pensar, pensar, pensar. Um casamento íntimo que dure, diz W. H. Auden, “não é o resultado involuntário de emoções passageiras, mas a criação de esforço e de vontade”. Se você planejar para que as coisas aconteçam, elas acontecerão.

            O Hospedeiro Supre as Necessidades Atenciosamente                                                                        
            Ele assume responsabilidades pelo conforto de seu hóspede. A música cria uma atmosfera repousante, assentos confortáveis são preparados, aperitivos e “hors d’oevres” são servidos. Finalmente, uma refeição completa é servida. A conversa é iniciada e os estranhos são apresentados, de forma que todos os hóspedes se sintam à vontade. O hospedeiro se empenha em satisfazer as necessidades sociais de todos.
            Pinte, em sua mente, um quadro bem claro de você mesmo como hospedeiro, e seu cônjuge como hóspede. É capaz de vê-lo? Você atencioso, carinhoso, cuidadoso, generoso e iniciador. Agora, como é que você pode satisfazer as necessidades emocionais de seu cônjuge? Será que você é capaz de arrumar algum tempo para estarem juntos? Para conversar a respeito de seus interesses mútuos? Para compartilharem os alvos e sonhos pessoais? Certa mãe cochichou ao ouvido de sua filha, pouco antes de ela entrar na igreja, para o casamento: “Agora você vai ficar sabendo o que é a verdadeira solidão”.
          O que dizer a respeito das necessidades sexuais? Como você vai fazer para suprir as necessidades sexuais de seu cônjuge, se você for o hospedeiro? Você será mais sensível? Mais generoso? Mais criativo? Apresentará menos desculpas? Culpará menos? Procurará aprender tudo o que puder a respeito da natureza sexual de seu cônjuge? Ou continuará na ignorância? O cônjuge que se recusa a ser hospedeiro e a propiciar a satisfação sexual de seu parceiro está simplesmente pedindo que outra pessoa entre em cena e satisfaça essa necessidade.

            Necessidades espirituais? Se você assumiu a responsabilidade do desenvolvimento espiritual de seu cônjuge, vai se familiarizar mais com a Bíblia? Estar mais cônscio de como orarem juntos e se incentivarem mutuamente?
            O jantar terminara. Os seus corpos suados estavam descansando, e os seus pés cansados ainda falavam das estradas quentes e poeirentas que haviam palmilhado. Os discípulos estavam pensativos, recordando o que haviam visto e ouvido naquele feriado judaico, chamado de Páscoa. Jesus havia, naquele dia, ensinado algumas coisas surpreendentes, coisas de fazer pensar, como: “Quem me recebe, recebe aquele que me enviou”. Fizera dezenas de declarações como esta.
            Durante uma pausa na conversa, Jesus levantou-se e tirou a capa. Movido por um profundo senso de quem ele era, de onde viera, e o que tinha, colocou uma toalha ao redor da cintura, derramou um pouco de água em uma bacia e começou a lavar os pés dos discípulos. O líder deles tornara-se seu servo. Chocante! Ele era o hospedeiro. Eles eram os hóspedes. Ele havia suprido as suas necessidades humanas de comida e camaradagem, e agora estava lhes falando de parceria, serviço e amor. João 13:1 diz: “Jesus... havendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. E então, no versículo 15, Jesus disse: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também”. Isto é o que é necessário para ser um bom hospedeiro, diz ele: grande amor e serviço humilde.
            Outra vez, na penumbra da madrugada, após a sua ressurreição, Jesus apareceu à margem do Mar de Tiberíades, esperando sete de seus discípulos. Quando o barco deles chegou ao alcance de sua voz, ele os convidou para comerem. “Sejam meus hóspedes”, disse ele. Eles estavam cansados e desanimados, depois de trabalharem a noite toda e não terem pescado nada. Ele sugeriu que eles lançassem a rededo outro lado do barco, e as suas redes repentinamente se viram cheias. Ele havia preparado um fogo para aquecê-los, comida para alimentá-los e incentivo para o seu trabalho. E ele falou com ele acerca de amizade, amor e de segui-lo. Quando a refeição terminou, eles saíram com alegria e esperança, com suas necessidades supridas. Ele era o hospedeiro perfeito.

            ATIVE O AMOR MEDIANTE AS SUAS AÇÕES                                                                                 
            “O amor é a única emoção que não é espontânea. A única que precisa ser aprendida e a única que realmente interessa. O verdadeiro amor é uma habilidade raramente aprendida antes dos trinta e cinco anos de idade. Nenhum amor, nem mesmo o amor maternal, é instintivo ou inato. Muita gente consegue amar apenas de maneira miserável, suspeitando; quando fala de amor, dá a entender recebimento, e não doação. A autora canadense, June Callwood, acertou bem o alvo. O amor precisa ser aprendido. O amor é uma especialidade. O amor implica em doação. Embora o amor seja a coisa mais desejada do mundo e incontáveis volumes tenham sido escritos, exaltando-o e explicando-o, ainda assim temos tão pouco dele e tão pouco entendimento de como ele funciona! William Penn reconheceu que ele era a lição mais difícil do cristianismo.
          Um triste comentário a respeito de toda a nossa sociedade é que estamos mais familiarizados com o tipo romântico de amor, que é expresso, de maneira mascarada, em música ao luar de verão, em pasta dental e em sutiãs almofadados. E continuamos a exaltá-lo, sem expressar o que ele na verdade é: um mundo de pensamentos anelantes de criança. André Maurois o expressa mais abertamente quando reflete com tristeza: “Devemos à Idade Média as duas piores invenções da humanidade: o amor romântico e a pólvora”.
            As concepções erradas a respeito do amor persistem. Para muitas pessoas, ele é o direito de ser mimado. Uma dívida que os outros precisam nos pagar – uma garantia. Você apaixonou-se, e, agora que está casado, pode cruzar os braços e esperar que o casamento lhe entregue a felicidade, que é sua por contrato. Não é assim. Você adquire amor dando-o, não exigindo-o. É um mito que o amor está presente automaticamente e que, de alguma forma, virá à tona, mais cedo ou mais tarde. Se você crê nisso, o desapontamento será inevitável.
            Relacionada com isto, existe a noção de que o amor acontece a você. A sua decisão ou ação é secundária, e você torna-se uma vítima maravilhosa do amor. Ou que o amor é uma espécie de depósito, que você recebe ao nascer, que forma um reservatório, do qual você pode sacar à vontade, para satisfazer as suas necessidades e as dos outros. Ou que já vimos equipados, com uma capacidade fixa e finita de amar – um talento especial. Frequentemente nos consideramos como compreensivos, doadores e geralmente amorosos, embora os fatos deixem de confirmar esse quadro tão simpático, que pintamos de nós mesmos. Mas cremos que o amor é uma emoção passiva, que vive e morre dentro de nós, e que surge e desaparece, dependendo de providência ou circunstâncias favoráveis.
        Nas palavras de Katherine Ann Porter: “O amor precisa ser aprendido, e aprendido novamente, e sempre novamente; não há fim para esse processo”. June Callwood concorda: “Uma vida sem amor, de acordo com os psicólogos modernos, é uma vida de destruição e insanidade. E, enquanto ira, ódio e culpa desabrocham em qualquer canto, amor, simpatia e tato requerem décadas de cuidados e carinho”.
            Para aprender, precisamos estudar. E a Bíblia, por falar nisso, é o único livro que serve de fonte inteiramente exata e de autoridade confiável acerca do amor, que se pode encontrar. Há três passagens principais na Bíblia que tratam do amor, seus elementos e sua prática. O Cântico dos Cânticos de Salomão é uma história detalhada e cândida de amor conjugal. I Coríntios 13 é um capítulo que mostra do que o amor é feito,e como ele se comporta.I João 3 e 4 enfatiza as verdades gêmeas de que o amor precisa ser primariamente recebido de Deus e depois ministrado ativamente aos outros. Nesses dois capítulos, os verbos fazer, praticar, dar, agir e amar são usados repetidamente. Visto que o amor é ordenado por Deus – maridos, amai as vossas mulheres, praticai o amor – isto mostra que o amor é uma decisão. Uma escolha. Deus não pode comandar os nossos sentimentos ou emoções. Nós também não podemos. As injunções de Deus podem ser obedecidas somente se amar é uma decisão que tomamos, uma ação que iniciamos. De fato, é uma escolha expressa em ação e confirmada pela ação. É por isso que Deus diz: “Vamos parar de dizer que amamos os outros; vamos realmente amá-los, e mostrá-lo com as nossas ações”. Portanto, como já dissemos em capítulo anterior, o amor é algo que fazemos. Isto tira dele o mistério e o mito que o envolvem - o sentimentalismo barato e o emocionalismo irracional. O amor é uma arte que é aprendida e uma disciplina que é praticada. A atenção e os esforços que são necessários para se adquirir qualquer arte, perícia, vocação, precisam ser empenhados para se aprender a amar. Isto inclui disciplina, concentração, paciência e dedicação. Visto que esses atos de amor são uma questão de escolha ou decisão, eles não são dependentes de nossos sentimentos. De fato, eles podem ser contrários aos nossos sentimentos. Ainda ontem uma esposa me disse: “Eu não sinto mais nada pelo meu marido. Não posso tocá-lo e não quero que ele me toque. E o senhor quer que eu reaja positivamente a ele, quando é isso que sinto?”  Exatamente! As ações positivas repetidas podem ter um efeito positivo em seus sentimentos.
           Repetindo os princípios do capítulo quatro: “Não fazemos o que fazemos porque sentimos da maneira como sentimos. Sentimos da maneira como sentimos porque fazemos o que fazemos”. Isso é hipocrisia, dirá você! “Você quer que eu expresse amor, fale palavras de amor, demonstre amor, quando não sinto vontade de fazê-lo?”, interrogou um marido. Claro. Aja “como se...” Seria hipocrisia apenas se as suas motivações fossem enganar ou manipular o seu companheiro. Se o seu desejo é edificar uma relação e praticar a verdade de Deus, Deus o honrará e os sentimentos corretos se seguirão.
            O colunista de vários jornais e pastor Dr. George Crane conta esta experiência elucidadora: Uma esposa entrou em seu escritório cheia de ódio contra o marido e decidida a requerer o divórcio. “Eu nãoquero apenas me ver livre dele; quero me vingar dele. Antes de me divorciar dele, quero feri-lo tanto quanto puder, pelo que ele fez comigo”.  O Dr. Crane sugeriu um plano engenhoso: “Vá para casa e pense e aja como se, na verdade, você amasse o seu marido. Diga-lhe o quanto ele significa para você. Expresse admiração por todas as suas boas qualidades; louve-o por todas as características positivas. Esforce-se para ser tão amável, atenciosa e generosa quanto possível. Não poupe esforços para se dedicar a ele de todas as formas, para agradá-lo, para estar com ele sempre. Faça tudo o que você puder para levá-lo a crer que você o ama mesmo. Depois de você o convencer de seu amor infindo e de que você não pode viver sem ele, então solte a bomba. Diga-lhe o quanto você o odeia, e que você está requerendo o divórcio. Isso realmente vai feri-lo profundamente”.
            Com expressão de vingança em seus olhos, ela sorriu e exclamou: “Ótimo, ótimo. Não é que ele vai ficar surpreso?”          
            E ela o fez com entusiasmo. Agindo “como se”. Durante dois meses,ela iniciou atos de amor, amabilidade, ouviu, deu, reanimou, compartilhou, “fazendo o melhor pelo objeto de seu amor”.
            Como ela não voltou, o Dr. Crane telefonou-lhe: “Agora você está pronta para iniciar o divórcio?”
           “Divórcio?” – exclamou ela. “Nunca! Descobri que realmente o amo”.
            Os atos dela haviam mudado os seus próprios sentimentos. Movimento resultou em emoção. O experimento tornou-se uma experiência.
            O Dr. Wheat resume isto nestes quatro princípios: “Um, eu posso aprender o que é amor na Palavra de Deus e crescer no meu entendimento dele. Dois, amor não é fácil ou simples – ele é uma arte que preciso aprender e à qual preciso me dedicar. Três, amor é um poder ativo, que controlo pela minha vontade. Eu posso decidir amar. Quatro, amor é poder que produzirá  amor à medida que aprendo a dá-lo,em vez de fazer força para atraí-lo”.
            A sua capacidade de amar é estabelecida não tanto por promessas fervorosas quanto por atos repetidos. “E, quando nos amamos uns aos outros, Deus vive em nós e o seu amor em nós cresce ainda mais”. A verdade emocionante é que, quanto mais você dá amor aos outros, mais Deus lhe dá amor. Você torna-se uma tubulação,e não uma cisterna. O seu suprimento do amor de Deus aumenta à medida que você aciona o amor pelas suas ações. Quando para de amar, você se engana a si mesmo. A fonte seca. Henry Drummond, famoso autor, que escreveu sobre o amor, resume tudo isso:
A vida não é cheia de oportunidades de aprendermos a amar? Todo homem, toda mulher, todos os dias, têm milhares delas. O mundo não é um parque de diversões; é uma classe escolar. A vida não é um feriado, mas um curso difícil. E a única lição eterna para nós todos é de que maneira podemos amar melhor. O que torna um homem um bom artista, um bom escultor, um bom músico? O treinamento. O que faz de um homem, um bom homem? O treinamento. O amor não é produto de emoção entusiástica. Ele é uma expressão rica, forte, vigorosa, viril de todo o caráter cristão – a natureza que se assemelha a Cristo na mais ampla acepção da palavra. E os fatores constituintes desse grande caráter só podem ser edificados por treinamento incessante”.

            COMECE O SEU PRÓPRIO “CASO” EM CASA
            “Os ‘casos’ existem, e sempre existirão, porque as pessoas desejam relacionamentos conjugais de qualidade, que satisfaçam; e, se elas não os encontram em seu casamento, os procurarão em outros lugares. Os anseios que estão pro detrás dos ‘casos’ são profundamente humanos e ativos em todos nós”. Essa declaração foi feita pelo Dr. Tom McGinnis, psicólogo e conselheiro em Fair Lawn,New Jersey.
            Se existisse alguma verdade nessa firmação, segue-se que, propiciando em casa aquilo que o “caso” promete, a tentação para o “caso” fica impotente. Quais são os elementos de um “caso” que o tornam atraente? O que é que ele oferece? Quais são os seus segredos e mistérios não revelados? Qual é o desafio que ele faz a um casamento cansado? Quais são as qualidades que você pode adicionar ao seu casamento, que lhe darão as “sensações” que um “caso” propicia, sem a traição, a destruição e o sentimento de culpa, que um “caso” inevitavelmente produz?  
            O texto mais descritivo que  li a respeito das características que um casamento precisa ter para contra-atacar os apelos da infidelidade conjugal foi escrito pelo Dr. Ginnis, mencionado acima. É citado por Nicky McWhirter, do Serviço de Notícias Knigth-Ridder.
As pessoas casadas procuram “casos” ou sucumbem diante deles quando se acham desvalorizadas e não estão vivendo plenamente. Quando estão chateadas. Sobrecarregadas. Isso aumenta quando se sentem solitárias, o que pode acontecer em uma casa cheia de crianças e com um cônjuge palrador, em que haja um programa estafante de coisas “divertidas para fazer.
            As pessoas que procuram ter um “caso” sofrem do anseio infantil mais profundo de serem tocadas, acariciadas, apoiadas, abraçadas e beijadas, quer o admitam ou não. Elas querem surpresas felizes. Isto pode significar um presente sentimental e inesperado de vez em quando. Mais importante do que isto, é o presente fidedigno de tempo e carinho, a dádiva de ideias, experiências, histórias, disparates e jogos compartilhados, inclusive os jogos sexuais. Elas querem viver.
            Elas querem um amigo ou amiga amorosos, um companheiro que não as julgue. Desejam alguém que as convença de que ainda são amadas, dignas de amor e muito especiais. Por um pouco de tempo, de vez em quando, elas querem escapar das responsabilidades de adultos, que se tornaram inevitáveis, monótonas e difíceis.
            Há pelo menos dezesseis pensamentos, qualidades e características mencionadas aqui. Relacionei essas ideias importantes, e propus três perguntas a respeito de cada uma. Repasse essas perguntas cuidadosamente. Considere-as sem pressa. Responda-as com sinceridade. As suas respostas sinceras podem prognosticar um novo começo – podem ser o início da mudança. Elas indicarão onde você poderá começar a mudar o clima de seu casamento e criar as situações que lhe darão e ao seu cônjuge os sentimentos bons de que vocês necessitam. (Também inclui essas perguntas em páginas separadas, no fim deste capítulo, de forma que você pode arrancá-las e conservá-las diante de si enquanto esses hábitos novos estão sendo formados).
            Uma pergunta importante, final. É realmente possível construir e manter um casamento vibrante?  Podemos enfrentar os inevitáveis desapontamentos e conflitos com coragem, e crescer em amor e intimidade? A resposta é sim – um enfático SIM. Outro triângulo é formado: você, o seu cônjuge e Deus. Cada parte é indispensável para o sucesso do casamento. Deus não fará a sua parte – e você não pode fazer a dele. É uma sociedade. Um relacionamento pessoal com Deus capacita-o a contribuir com o que você tem de melhor para o casamento. E então ele acrescenta a dimensão extra, de amor, paz, alegria, força e perdão, que você não pode criar por si mesmo.
            Deus é quem ele diz que é. Você é quem ele diz que é. Deus fará o que ele diz que fará. Você pode fazer o que ele diz que você pode fazer.
Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome; tanto em ter abundância, como em padecer necessidade.
            Posso todas as coisas naquele que me fortalece.

            TRÊS PENSAMENTOS FINAIS
            “Uma coisa continua imutável através dos séculos: nada é mais excelente, mais completo, de fato, mais santificado, do que o leito matrimonial imaculado, particularmente quando a decisão de que ele permaneça imaculado é um ato consciente das duas pessoas que o compartilham”.
           “Há uma enorme diferença entre querer algo quando não o temos, e continuar a querê-lo quando o temos. Continuar a desejar e a querer o que temos significa que estabelecemos um relacionamento, que formamos uma conexão – que, de fato, amamos”.
            Há mais de um século, Henry David Thoreau disse esta verdade sucintamente: “Simplifique, simplifique, simplifique”. Focalize-se e permaneça fiel ao que está no centro, e, como planetas ao redor do sol de nosso casamento, os outros elementos da vida encontrarão o seu lugar apropriado. Seja fiel, permaneça fiel, tenha fé e a felicidade acontecerá.




 O Mito da Grama Mais Verde de J. Allan Petersen, 4ª Edição/ 1990, Juerp, págs. 161 - 187.

sábado, 16 de abril de 2016

LIDERANÇA - REVENDO CONCEITOS


            O maior ato de liderança é o que acontece na sua ausência. Se tudo o que você fizer morrer contigo, você é um fracasso.
            A verdadeira liderança é medida pelo que acontece depois que você morre. É por isso que os verdadeiros líderes não investem em templos (Jesus nunca construiu um templo).
            Eles (os verdadeiros líderes) investem em pessoas. Por quê? Porque sucesso sem um sucessor é fracasso.
            Então, o seu legado não deveria estar em templos, programas ou projetos. O seu legado deve ser em pessoas.
            O maior ato de um líder é ser um mentor. Quem você está mentoriando para assumir o seu lugar?
            Verdadeiros líderes se fazem desnecessários. Vou dizer de novo! Verdadeiros líderes se fazem desnecessários. E verdadeiros líderes se constroem sem esforços (de forma natural). Então, grandes líderes medem sua grandeza pela ausência.
            Olhe Jesus, o maior líder de todos. Escute suas palavras: “É melhor para vocês que eu vá!” Se eu não for embora, vocês não serão melhores!” “Minha ausência é sua grandeza!”
           Ele provou sua grandeza indo embora. Ele partiu e sua organização cresceu em sua ausência.
            Minha pergunta é: Se você morrer hoje, como um líder, saindo do estúdio, em um acidente, o que vai acontecer com sua organização? Sua igreja? Seu negócio?
            Se tudo morrer quando você morrer, você é um fracasso!
            Então, eu te encorajo neste momento: identifique seus sucessores e os mentorie, os treine. É por isso que em nossa organização, eu sou desnecessário. Eu posso viajar o mundo e nosso ministério cresce, a empresa cresce.
            Meu filho, de 29 anos, está cuidando dos meus negócios. Minha filha, com 30 anos, cuida de nossa organização global.










Dr. Myles Munroe (Nassau, 20 de abril de 1954 - Grande Bahama, 9 de Novembro de 2014) foi um autor de best-sellers, pastor e palestrante bahamiano, presidente e fundador da Myles Munroe International e da Bahamas Faith Ministries International (a maior congregação cristã das Bahamas).


quarta-feira, 6 de abril de 2016

SIM, SIM; NÃO, NÃO


Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mateus 5:37 - ACRF).
Que o “sim” de vocês seja sim, e o “não”, não, pois qualquer coisa a mais que disserem vem do Maligno’ (Mateus 5:37 - NTLH)

            Introdução
            Deixando de lado a controvérsia etimológica em torno da palavra religião, contudo, sem deixar de seguir a linha teológica que advoga o surgimento da mesma a partir da junção do prefixo re, que funciona como um intensificador da palavra que o sucede, neste caso ligare, que significa “unir” ou “atar”. Assim, religare teria o sentido de “ligar novamente”, “voltar a ligar” ou “religar”, ou seja, restabelecer a comunicação entre a criatura e o seu Criador.

          A tarefa de reatar o elo pedido por ocasião da queda, foi confiada por Jesus aos seres humanos na forma de missão: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15 - ACRF).  Por isso quando aceitamos a Jesus tornamo-nos imediatamente missionários.
            Para o cumprimento da missão fomos dotados graciosamente por Deus de várias ferramentas, entre elas, a palavra. Uma citação atribuída a um teólogo católico assevera:
Pregue sempre o evangelho; se necessário for, use a palavra”. A relevância é tamanha que ela aparece nada mais nada menos de 3077 vezes na Bíblia (Versão ACRF).

            Considerando o que já foi escrito...
            “Falar é a arte de sufocar e interromper o pensamento” Thomas Carlyle (1795 - 1881), historiador e crítico inglês.
            “A palavra é o fio de ouro do pensamento” Isócrates (436 – 338 a C.), filósofo e retórico ateniense.
            “O homem que sabe, não fala; o homem que fala, não sabe” Lao-Tsé (1324 a.C,? -  ?) filósofo chinês, autor da obra fundamental do Taoismo: o Tão Te Ching – O Livro do Caminho Perfeito.
            É possível afirmar baseado nestes pensamentos que o silêncio é ouro. Será?

            O que diz a Palavra de Deus?
            Louvado seja Deus que em Sua palavra advoga o equilíbrio, o bom senso a moderação - temperança. Extremismos são sempre perigosos!
            “Tempo de estar calado, e tempo de falar” (Eclesiastes 3:7 – ACRF – up).
            “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” (Provérbios 25:11 – ACRF).
            
            É imperativo que como cristãos aprendamos a arte de falar prudentemente. Não se trata de falar corretamente segundo as regras gramaticais (embora isto também seja importante), mas de fazermos uso de um linguajar cristão. Costumamos motivar uns aos outros a fazermos a diferença em nossa esfera de ação. Que tal comercarmos pela palavra?

           Onde começar a fazer uso da boa palavra
           “A educação vem de berço; a instrução a escola se encarrega”, reza um velho ditado, mas a igreja é o lugar em que nos compete dizer palavras de vida. Para tanto, é necessário que aqueles que falam expressem a vontade de Deus (I Pe 4:11): “Sejam generosos com os dons que Deus concedeu a vocês e permitam que todos participem deles: se palavras, que sejam palavras de Deus” . Mas convenhamos; nem sempre as palavras proferidas nas comunidades religiosas são construtivas e sensatas.
            Hipocrisia, por exemplo. A palavra vem do grego hypokrisis e indicava a representação de um ator, que, ao atuar, fingia ser outra coisa. Amplamente criticada por toda a Bíblia, inclusive pelo próprio Jesus. Para o divino Mestre, não há espaço para ela na vida religiosa, tanto que várias vezes repetiu a exclamação: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas”!
            Qual a razão deste tremendo puxão de orelhas?
            A hipocrisia é uma forma de pecado muito versátil. Ela materializa-se quando a pessoa finge qualidades ou sentimentos bons, que realmente não tem – mentiras e isto pode se feito através da articulação de palavras, ou seja através da fala: pensar uma coisa e falar outra. Somos o que pensamos, mas nem sempre somos o que falamos. Quando as palavras disfarçam nossa realidade interior, somos hipócritas. Portanto, a atitude ideal seria falar o que sentimos, sem racionalizações.  Mas, em determinadas circunstâncias, a prudência nos ensina que nem tudo o que pensamos deve vir à tona. Daí o princípio bíblico: há tempo “de estar calado e tempo de falar”.
          
                 

           1º) – Palavras condenatórias
                    Há nas palavras um poder que a maioria de nós não se dá conta. Bem empregadas, podem ser grande bênção. A verdade precisa e deve ser dita; contudo, jamais se deve confundir franqueza com falta de tato. Quando ditas de forma inadequadas as palavras queimam, machucam, cortam e dilaceram o coração; produzem danos, muitas vezes irreparáveis. Que isto não sirva de desculpa para justificar tal procedimento em nossos dias, mas na igreja de Battle Creek, em 1870, havia alguns irmãos implacáveis no trato com as pessoas. O irmão S era “demasiado severo”. Por isso, recebeu o seguinte conselho de Ellen G. White: “Você distraiu, confundiu e espalhou as pobres ovelhas. Teve zelo... mas não entendimento (Rm 10:2). Seu trabalho não foi feito com amor, mas com rigor e severidade. Você foi exigente e dominante. Não fortaleceu a fraca nem enfaixou a que mancava (Ez 34:4). Sua aspereza imprudente empurrou algumas para fora do aprisco, as quais nunca poderão ser alcançadas e trazidas de volta” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, pág. 109).
          
           2º) – Palavras irrefletidas                  
                   Quem não pensa antes de falar, fala o que não deve. Os detentores de temperamento sanguíneo precisam tomar muito cuidado quanto a isto, pois tal atitude fere as ovelhas do aprisco do Senhor, principalmente as recém-batizadas. “Tens visto um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança há para o insensato do que para ele” (Pv 29:20).
           Se você é líder, escolha a palavra certa e diga-a na hora oportuna. Use linguagem inclusiva, cheia de amor e misericórdia. Aprenda a perdoar. Ninguém vai à igreja para ser agredido verbalmente. “Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado” (Pv 19:2).
           Poderíamos falar sobre os efeitos negativos de palavras preconceituosas, grosseiras, insensíveis e agressivas, mas o que nos interessa é a arte da sensatez no falar.

           3°) - Palavras otimistas
                   Num momento em que o povo de Israel estava amedrontado com o relato de espias marcados pela síndrome do catastrofismo, Calebe disse: “Eia! Subamos e possuamos a terra, porque, certamente, prevaleceremos contra ela” (Nm 13:30). Na linguagem de hoje, ele teria dito: “Pessoal, vamos em frente, porque para Deus não há nada impossível”!  
           A palavra tem o poder de mudar o curso das coisas. No lar, na escola, no trabalho e na igreja, podemos levar esperança por meio de palavras otimistas.
           Se você deseja ser uma bênção em sua igreja, seja animoso. Não se coloque no time dos pessimistas. “Palavra alguma deve ser proferida para desanimar alguém, pois isso entristece o coração de Cristo e agrada grandemente o adversário” (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, vol. 6, págs. 292,293).

           4°) - Palavras oportunas
                   Na hora de falar, fale. Não cometa o pecado da omissão. Mas fale o que é conveniente. Fale em harmonia com a vontade de Deus.
           Como escritora, Ellen G. White se preocupava com a influência de suas palavras, escolhendo-as cuidadosamente. Certa vez, ela disse: “Estou muitíssimo ansiosa de usar palavras que não deem ensejo para que alguém mantenha sentimentos errôneos. Preciso usar palavras que não sejam tomadas em mau sentido, atribuindo-se-lhes um significado oposto àquilo que tencionavam indicar  (Manuscrito 126, 1905, citado em Mensagens Escolhidas, vol.3, pág. 52). Isso chama-se senso de responsabilidade; algo desejável na vida dos filhos e filhas de Deus.

            Conclusão
            Paulo nos brindou com um precioso conselho: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4:6).
           Deus deseja que sejamos articuladores da palavra sensata, polida e edificante.
           Que esta seja a vossa experiência no trato com as palavras.
           É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!
  








                                                                   





© Nelson Teixeira Santos