sexta-feira, 25 de julho de 2014

COMPARTILHANDO RESPONSABILIDADE E CONFIANÇA



            Esta é uma adaptação do sermão do Pastor Jan Paulsen, presidente da Associação Geral, proferido no sábado, 13 de outubro, no Concílio Anual (reunião dos líderes de todas as divisões da igreja mundial).
            O apóstolo Paulo confrontou-se com um dilema que ele mesmo descreve em 1 Coríntios 8 a 10. Trata-se do dilema que todo líder da igreja enfrenta, não importa se é pastor distrital ou administrador. Um dilema que atinge frontalmente a unidade da igreja.

            A questão diante de Paulo era: que conselho dar às pessoas sobre comer ou não carne oferecida aos ídolos? Sua conclusão foi: “A comida, porém, não nos torna aceitáveis diante de Deus; não seremos piores se não comermos, nem melhores se comermos” (1Co 8:8 NVI).

            E completa – e aqui está o ponto crítico – dizendo que se o exercício da minha liberdade causa dano a alguém, está errado e não está em harmonia com a vontade de Cristo. A prática do amor e cuidado pelos outros deve ser pautada pelo exercício da minha liberdade e pelas escolhas que faço. Esse princípio bíblico deve definir as ações de todos os que exercem liderança na igreja. “Todas as coisas me são lícitas”, diz Paulo, “mas nem todas edificam.” E acrescenta: “Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem” (1Co 10:23, 24). Então conclui dizendo: “Sede meus imitadores, como também sou de Cristo” (1Co 11:1).

            É claro que, para Paulo, não se trata de um assunto sobre alimentação. O alimento é apenas uma ilustração. O assunto é: Quais são os valores que dirigem suas ações e decisões? Sua resposta é clara: consideração e deferência. Ou seja, renunciar a direitos em vez de reivindicá-los. É perguntar: Se eu fizer isso – e está no meu direito fazê-lo –, qual será o impacto sobre os outros? É o reconhecimento genuíno de que nosso dever para com os outros é mais importante do que para conosco. Essa passagem consiste em descobrir o que significa ser parte de algo maior que qualquer um de nós e nossas comunidades. É um princípio muito importante para nós, como igreja mundial.

            Permita-me destacar alguns pensamentos que podem ser extraídos desse texto.

            1. Aprendendo a confiar. É bom ser capaz de partilhar recursos e, ao mesmo tempo, delegar o controle. Sem confiança, não podemos funcionar como igreja. Você e eu temos áreas de responsabilidade delimitadas. Façamos o nosso melhor em nossa área e confiemos em outros para cuidar da vida e da missão da igreja onde estão. Todos teremos que prestar conta de nosso procedimento, se não nesta vida, na por vir, com certeza.

            2. Aceitando as diferenças. As palavras de Paulo nos aconselham também a aceitar quem é diferente de nós e de nossa maneira de pensar. “Aceitação” não significa, necessariamente, assumir algo como meu, mas não impor sua importância sobre os que vivem em diferentes circunstâncias e culturas. Não somos filhos da mesma cultura, mas compartilhamos dos mesmos laços de família. Estamos ligados pela unidade e temos que confiar que todos nós faremos o que é correto.

            3. Compreendendo o essencial. Esse texto nos aconselha a sermos sensíveis ao que está no coração da fé adventista e ao que não está; que não elevemos excessivamente nosso ponto de vista particular, e o imponhamos a outros; que não superestimemos o valor de nossa cultura ao relacionar-nos com outros.

           4.  Cultivar os laços familiares. Um ponto fundamental desse texto está relacionado ao cultivo dos laços que nos mantêm unidos como “família”. A Igreja Adventista do Sétimo Dia é assim. Você apoia essa família por causa de seu amor e lealdade para com o Senhor e Seu povo, mas não apoia os que têm a tendência de pensar que foram “chamados” para dar declarações judiciosas e mensagens de crítica negativa que se tornam uma ofensa ao Senhor e aborrecimento para a igreja e seus líderes. Esse é um hábito perigoso, por ser prejudicial e destrutivo para a igreja como família.

            5. Representando a Cristo e Seus valores. Tudo que faço, diz Paulo, quero que seja aprovado por Cristo. Embora eu seja livre, me faço de escravo, disciplino a mim mesmo pela causa do evangelho e por Seu povo. Em tudo que faço, diz Paulo, faço “para ganhar tantos quantos seja possível”, de tal maneira que a voz de Cristo e Seu amor pela igreja sejam constrangedores e claros.


Como cumpriremos nossa missão em um mundo imperfeito, repleto de valores sociais e legais que não podemos aceitar?

            O conceito de responsabilidade e confiança compartilhado por Cristo e pela unidade da igreja define a liderança adventista. A igreja está longe de ser uma comunidade perfeita. Mas é o povo de Deus, o corpo de Cristo, e cuidar da igreja é um ato de adoração.

            Seja qual for sua esfera de responsabilidade, sempre haverá a tentação de assumir responsabilidades delegadas a outros, ou desafios interessantes que não se recusaria a assumir. Você pode ser solicitado a intervir em algo que esteja acontecendo em algum lugar na igreja mundial. Você pode envolver-se profundamente, achando que tem a solução.

            Meu conselho é: “Não faça isso!” Provavelmente você não percebeu o quadro completo. Frequentemente, recebo o que chamo de “10% das histórias” – mas é nos 90% do que não me contaram que encontramos a verdadeira causa do problema.

            Mantenha seu foco, portanto, no trabalho para o qual foi chamado. Deixe que outros lidem com as responsabilidades confiadas a eles. Se, no fim, tiverem êxito ou fracasso, terão que responder ao Senhor, como cada um de nós.

            O que você faz como líder de igreja, faça pelo amor ao Senhor e pelo Seu povo, faça com integridade e mantenha seu coração limpo, pois a meu ver é isso que o Senhor espera de nós.

            Comprometimento com a Unidade
            A igreja é única. Não é apenas uma ideia de Deus, mas uma comunidade de alto valor para Ele. Ellen White escreveu: “Fraca e defeituosa como possa parecer, a igreja é o único objeto sobre que Deus concede em sentido especial Sua suprema atenção.”* A igreja é profundamente amada por Deus. É “o cenário de Sua graça e Ele tem firme compromisso com ela”. A mensagem da Escritura, da pena de Ellen White e de nossa própria história, confirma que Deus quer que Sua igreja permaneça unida.

            De tempos em tempos, surgem problemas que testam nosso comprometimento com a unidade. É aí que o compartilhamento da confiança e da responsabilidade sinaliza o caminho para frente.

            Crenças Compartilhadas
            Não conheço nada com maior potencial para dividir a igreja que a Teologia. Sempre foi assim. Alguns de vocês, que estudam a história da igreja, devem se lembrar de que, muitos séculos atrás, houve uma controvérsia que dividiu a igreja do Oriente da igreja do Ocidente. Constantinopla separou-se de Roma, a Igreja Ortodoxa, do Cristianismo ocidental. O âmago do problema ficou conhecido como a controvérsia do “Filioque”. O problema tinha que ver com a procedência do Espírito Santo após a ascensão de Cristo. Os cristãos do Oriente diziam que o Espírito Santo procedia do Pai, enquanto a igreja do Ocidente adicionava “e do Filho”. E a igreja foi dividida.

            Como adventistas do sétimo dia, temos forte convicção a respeito das doutrinas e da Teologia. Isso não deveria surpreender-nos, pois está relacionado às nossas raízes e à nossa compreensão do assunto. Tem que ver com escatologia e com o fato de preparar um povo para estar pronto para o retorno de Cristo.

            Digo a todos os líderes da igreja: Temos 28 crenças fundamentais que mantêm a unidade do cerne de nossa identidade em termos de fé e doutrina. Isso resiste a qualquer tendência de desestabilizar uma delas para transformá-la em nova doutrina que possa dividir a comunidade global dos adventistas do sétimo dia! Hoje estamos crescendo tão rapidamente como igreja mundial que, para mim, é importante que tenhamos as 28 crenças fundamentais, como declaradas, bem compreendidas e aceitas por todos os novos membros que estão se unindo a nós. Esse é um desafio monumental. O maravilhoso fato de estarmos crescendo rapidamente ao redor do globo é também nosso grande desafio, e não podemos distrair-nos.

            Encontrando um Consenso
            Há ainda desafios como o tão discutido assunto do papel da mulher no ministério. Esta é uma preocupação que vem à tona de tempos em tempos, tanto em minhas conversas com jovens como durante uma recente conversa, televisionada, com um grupo de pastores da América do Norte. Alguns perguntaram: “Temos que continuar falando sobre isso?” Parece-me que sim. Podemos inclusive achar que deveríamos ter lidado com o problema de maneira diferente, desde o princípio. Entretanto, aconselhamo-nos como uma família mundial e chegamos a uma conclusão. Houve decisões a respeito, das quais todos participaram e não podemos nos desviar delas, dizendo: “Eu não gosto disso! Não importa o que os outros digam, vou corrigir no meu território o que, a meu ver, é um engano.” Não funciona assim na igreja. Antes de tomarmos um novo caminho, especialmente quando se trata de um ponto difícil e, potencialmente, divisor, deve haver amplo consenso entre a liderança, disposição para ouvir uns aos outros e para concluir que chegou o momento de pensar de maneira diferente.

            A grande preocupação de muitas mulheres que se sentem chamadas ao ministério, e que possuem formação profissional para tanto, não é a ordenação, mas apenas o fato de serem admitidas e ter a oportunidade de trabalhar no ministério. As igrejas locais são relutantes e as associações encontram dificuldade para empregá-las. Essa é, em minha opinião, uma grande falha. Os jovens, tanto homens quanto mulheres, devem aceitar o chamado que Deus colocou em seu coração. Vamos necessitar de todos para concluir nossa missão e sermos recebidos por Deus na eternidade.

            A Missão e um Mundo Imperfeito
            A sociedade secular e a igreja fazem parte do mesmo mundo, mas são divididas por valores muito importantes. A sociedade, porém, irá testar nossa conduta em algumas dessas áreas: coabitação, casamento e relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Essa já é uma controvérsia entre a sociedade e a igreja. As leis impactarão, cada vez mais, nossa conduta como igreja e talvez em assuntos trabalhistas e na maneira como administramos nossas instituições. Posso antever tensão entre o fato de, por um lado, sermos justos com todos e não atrair litígio, e por outro, permanecermos firmes aos valores bíblicos importantes.

            Somos um povo que respeita as leis, em qualquer país somos cidadãos obedientes; mas a obediência a Deus é prioritária. É importante não perdermos isso de vista quando os valores dos dois mundos diferentes colidirem.

            Mesmo quando isso acontecer e as coisas se tornarem difíceis, temos que nos perguntar: Como cumpriremos nossa missão em um mundo imperfeito, repleto de valores sociais e legais que não podemos aceitar? Em tal cenário, creio que precisamos nos lembrar de que somos chamados para cumprir a missão em um mundo dominado pelo pecado. Em alguns casos, as leis do país podem restringir nossa reação pública com o que não compactuamos. Isso é difícil, mas assim é o mundo em que vivemos e não podemos sair dele. É onde fomos colocados para cumprir nossa missão.

           Obediência
           O que é, então, realmente importante quando tudo é dito e feito a nós, individual e pessoalmente e também como líderes desta igreja que cremos ser a comunidade de Deus nos últimos dias da história da Terra? Se tivesse que me expressar em apenas uma palavra, provavelmente usaria a palavra “obediência” – obediência a Deus. Porque obediência expressa o lado prático da fé; seu ponto de referência é sempre alguém ou alguma coisa fora da minha pessoa. Não há outra maneira de expressar fé.
            Como os dirigentes da igreja deveriam reagir a questões difíceis? Como deveríamos tomar decisões quando as consequências podem ser incertas ou imprevisíveis? Se, após termos discutido o assunto, orado por ele, nossa mente estiver em paz com o que acreditamos ser correto, é importante que a perspectiva das consequências incertas não nos impeça de avançar. Se você tem certeza do que é correto, vá em frente. Não seja político. Conserve limpo seu coração. Seja autocrítico em relação a potenciais conflitos de interesses e só faça o que sabe ser correto. Você vai dormir melhor, pois fez o máximo para ser leal e obediente a Deus. Neste mundo incerto, de futuro incerto, esta é, creio eu, a única atitude segura que um líder da igreja pode assumir.
 

*Atos dos Apóstolos, p. 12


Fonte: Adventist World I Edição Janeiro 2008

terça-feira, 22 de julho de 2014

RECOMENDAÇÃO APOSTÓLICA



            Introdução
            De minha modesta perspectiva, um dos assuntos mais fascinantes das Santas Escrituras diz respeito aos dons espirituais.
            Primeiramente porque é ali que Deus manifesta de forma esplêndida suas mais excelentes virtudes. Três delas são inerentes à Sua pessoa e exclusivas: onipotência, onisciência e onipresença; outras, Ele nos convida a compartilhar: amor, bondade, compassividade, perdão, misericórdia, longanimidade, enfim, a graça torna-se visível em sua forma mais pura, mais santa, mais divina.
            Inquestionavelmente, em matéria de dons espirituais, o apóstolo Paulo é um expert. Ninguém em toda Escritura falou com tanta propriedade sobre este tema como ele. As passagens clássicas encontram-se nos capítulos 12 e 14 de I° Coríntios.
            Segundo, é que somente pela graça se pode explicar como um Deus com tantas virtudes concede a cada um de nós, que somos falhos, finitos, limitados e pecadores, poder, capacidade através de talentos e habilidades para serem usados exclusivamente para a edificação do corpo de Cristo - Sua igreja.

            Para reflexão
            Já que a concessão de dons espirituais é de tamanha relevância, pois tem a ver com o crescimento espiritual – santificação, com o cumprimento da missão que o Senhor nos confiou; com a salvação, porque alguns enterram, deixam apagar ou mesmo morrer o dom que graciosamente receberam de Deus?
            O texto chave faz parte da última obra de Paulo. Dirigida a Timóteo, seu filho na fé e a nós extensivamente; nela Paulo manifesta esta preocupação.

            Objetivo da mensagem
            Primeiro, mostrar que tão importante quanto ser agraciado com um dom é mantê-lo vivo. Segundo, aprender por contraste como conservá-lo.

            O que estava acontecendo com Timóteo?
             A Bíblia não entra em detalhes, mas que Paulo estava preocupado, ah estava. Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades” (1 Timóteo 5:23).  Através dos olhos da fé somos levados a acreditar que o seu problema físico estava começando a comprometer sua saúde espiritual. De sua perspectiva, Timóteo carecia reavivar o dom que havia recebido de Deus.
            Dom que procede de Deus não deve ser apagado. Entretanto, por alguma razão que nos é desconhecida, Timóteo estava se esquecendo de que o Espírito Santo habitava nele (vers. 14). O dom de Deus, simbolicamente transmitido pela imposição das mãos, estava sendo esquecido.
            Como nos esquecemos do primeiro amor! Porque que isto acontece conosco?  Os motivos são os mais diversos. Cada um de nós tem os seus. Porque foi acontecer com Timóteo?
            Não sabemos. Talvez o fato de ter sua saúde fragilizada (dores de estômago) e não conseguir a desejada cura o tenha feito desanimar, cansado de viver. Talvez tenha orado a Deus e como Deus não tivesse respondido da forma e ao tempo que ele esperava, talvez estivesse desanimado, até mesmo decepcionado com Deus. Ao que tudo indica a preocupação de Paulo com seu filho adotivo, era de que ele estivesse entrando ou mesmo já se encontrasse num estado depressivo.
            Por isso o apóstolo Paulo recomenda-lhe que sejam quais forem as circunstâncias, que ele não se esquecesse de que o Espírito santo habitava nele.

            O que está acontecendo conosco?
            Por que permitimos que o dom se apague?
            Por que nos esquecemos de que o Espírito Santo habita em nós?
            Podemos oferecer algumas respostas para estas inquietantes perguntas:

            As pressões da vida
             A vida não têm sido fácil para ninguém, contudo, três categorias têm sido sobremaneira sacrificadas: os pobres, os da classe média e os jovens.

            Os pobres sofrem com a precariedade dos serviços públicos essenciais: saúde, educação, segurança, sem contar com as crônicas dificuldades de moradia e alimentação.
            A classe média com seus salários congelados perde gradativamente seu poder de compra (bens e serviços) diante de preços que não param de subir.
            As maiores vítimas – e isso tem a ver com Timóteo – são os adolescentes e os jovens. Ter um mundo para conquistar, mas, sem emprego, como fazê-lo?
            Quando se consegue um estágio remunerado, algo que deveria ser absolutamente normal dói a consciência saber que centenas (que precisavam tanto quanto), ficaram de fora. Para muitos a única solução aparente é deixar o país.
            É nessas condições que somos chamados a testemunhar acerca do poder de nosso Senhor (vers. 8). Nós, que estamos precisando de alento, é que temo de confortar os outros. Nós, que queríamos ver esse poder, é que temos de falar dele. É daí que surge parte de nosso desânimo, especialmente quando vemos o que o salmista viu: a prosperidade do ímpio (Salmo 37). E como dói ver o incrédulo prosperar!          
            Outras pressões vão além do plano material: guarda do sábado, assédio moral, questões ligadas à pureza – tais como castidade.
            A pressão é muito grande e, às vezes apaga o dom, não somente dos adolescentes e jovens, mas também dos solteiros e solteiras que querem constituir família; dos viúvos e das viúvas que não querem ficar sozinhos; aos separados e separadas que querem recompor suas vidas afetivas. 
            A solidão dói, machuca, abafa e abala.         

           Os sofrimentos da vida
            Nosso dom se apaga quando provamos aquilo que consideramos o silêncio de Deus. Em outras palavras, quando oramos a Deus e não ouvimos a resposta. Aprendemos que Deus tem o Seu tempo e isso nos consola por algum tempo. Oramos, oramos, tornamos a orar e nada de resposta. Depois, nos cansamos de esperar.
            Evidentemente sabemos que devemos orar pelo nosso filho afastado da igreja e de Deus, mas por quanto tempo?
            Temos consciência de que precisamos orar pela saúde das pessoas queridas, mas até a quando? Oramos pela saúde das pessoas e elas acabam morrendo. Oramos pela recuperação das pessoas e elas continuam sofrendo. Isso nos deixa cansados e debilitados. Afinal, nossa fé é para todas as áreas de nossa vida. Deus não é só para a vida religiosa, mas para a vida toda.
          A pergunta que não quer calar é: vale a pena servir a um Deus deste? Paulo, que sofria a prisão, como que para testar seu filho na fé, faz-lhe um convite: vem sofrer comigo, Timóteo (vers. 8).

            O cansaço da igreja
             Coisas que por vezes sobram na igreja: línguas para criticar destrutivamente; dedos para apontar os erros dos outros; olhos para ver as brechas; ligeiras pernas para se esquivar dos compromissos; cérebro para discutir temas irrelevantes. Como perdemos tempo com coisas sem importância!
            Enfim, em dados momentos, na igreja sobram palavras, palavras de compreensão e entendimento.
            Lamentável e infelizmente, por outro lado, faltam: braços para fazer o que precisa ser feito; ombros para sustentar os que querem ficar firmes; disposição para tapar, ainda que seja apenas uma brecha (Ezequiel 22:30); vigor para se por a caminho; inteligência e criatividade para encontrar soluções novas para um novo tempo que têm as carências de sempre.
            Igualmente enfim, na igreja faltam ações, ações de compreensão e entendimento.
             Por todas as razões aqui apresentadas e por outras mais é que há muita gente cansada de igreja e que logo se cansará também de Deus, que logo se afastará de Deus, às vezes irremediavelmente.
            “Há gente cansada porque fez muito e acabou sufocada pela incompreensão e pela crítica. Há gente cansada por não ter feito nada. Há gente que se cansa de sua própria acomodação. Há gente cansada de esperar atitudes coerentes”.

            O cansaço de Deus
            Dificilmente ou raramente alguém confessará tal coisa, entretanto é fato que pessoas se cansam de Deus porque o acesso a Ele é fácil demais.
            Para qualquer um de nós Ele está disponível durante 24 horas por dia. Não há qualquer exigência para se falar com Ele. Também não existe um local específico para se falar com Ele. Igualmente não existe uma posição para se falar com Ele.
            Banalizamos Deus pelo fato dele ser gracioso demais! Que tremendo paradoxo, como se preferíssemos um deus aterrador e pavoroso, do tipo mitológico; irado que necessita ser aplacado. Não se trata de uma situação vivenciada apenas por pessoas convertidas em idade adulta, mas também aqueles que são cristãos de berço. Há gente esquecida de sua salvação e de sua santa vocação (vers. 9).

            Conclusão
            Há muita gente triste com a sua salvação, por mais estranho que isto possa parecer. Se somos salvos e estamos cansados, é porque nos esquecemos que somos salvos (Isaías 40:31) ou porque a salvação produz tristeza em nós – isso é atípico. 
            “Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário” (Salmos 51:12). Para o salmista, falta a muitos a alegria da salvação, alegria que produza uma adoração vibrante, alegria que produz uma vida ativa, fruto do Espírito Santo que em nós habita.
            Que a preocupação demonstrada pelo apóstolo Paulo por seu filho na fé – Timóteo, não venha a concretizar-se em sua vida, na minha vida, em nossas vidas.
           É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!
    





© Nelson Teixeira Santos

sábado, 12 de julho de 2014

CONFIE EM DEUS


Assim diz o Senhor: "Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor. Ele será como um arbusto no deserto; não verá quando vier algum bem. Habitará nos lugares áridos do deserto, numa terra salgada onde não vive ninguém. "Mas bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nEle está. Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto" (Jeremias 17:5-8 NVI).

            Objetivo da mensagem: Mostrar a relevância de confiar única e exclusivamente em Deus e não nas competências humanas.

            Introdução
            Desde o início de minha caminhada cristã tenho pautado minha vida em um versículo bíblico que numa tradução livre ficaria mais ou menos assim: “tudo me é licito, mas nem tudo me é conveniente; tudo me é licito, mas nem tudo me edifica” (1 Coríntios 10:23; 1 Coríntios 6:12).  Detalhe: Só o fato de constar uma vez na Palavra de Deus já seria o bastante. Duas citações então; é porque é muito importante, não só para mim ou para você, mas para todos que almejam o Céu.
            O porquê desta observação. Porque uns confiam em carros e outros em cavalos (Salmos 20:7); outros em príncipes, em filho de homem (Salmos 146:3); confiam em suas riquezas (Provérbios 11:28); em armas (arco, espada) (Salmos 44:6); em seu próprio coração (Provérbios 28:26). As respostas estão na Palavra de Deus (cairá, insensato, se perderá) são pesadas demais; mas ainda assim podemos confiar em que desejar. O livre arbítrio assegura-nos este direito. Vejamos o conselho divino: (Isaías 30:21).

            Deturpação da verdade
            Este texto bíblico de Jeremias, têm sido por diversas vezes mal interpretado. A frase inicial “maldito o homem que confia no homem”, quando retirada de seu contexto original, leva-nos a conclusão de que não devemos confiar em ninguém e isto não condiz com a verdade – isto é errado.
            Para que a convivência humana aconteça de forma satisfatória é muito importante a existência de confiança entre irmãos (de sangue ou de fé); marido e mulher; pastor e ovelhas; colegas de trabalho, vizinhos; membros de uma equipe; a sociedade em geral. Contudo, não é deste tipo de confiança que Jeremias está se referindo.
            No contexto histórico imediato, ou seja, na mensagem para os seus contemporâneos, ele estava falando da confiança para livramento de um inimigo político – Babilônia representava uma séria ameaça. Espremido, encurralado entre países que se alternavam como superpotência mundial (Egito, Síria, Assíria, Babilônia), Judá procurava fazer acordos, ora com um ora com outro. Contrariando a ordem divina, dada através de Moisés, Oséias, e pelo próprio Jeremias corriam de um lado para outro, desesperados, em busca de refúgio, de segurança que não existia.
            É nesta conjuntura que Jeremias desenvolve a questão: Deus – homem; bênção – maldição.

            Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem(v. 5)
            O que significa confiar no homem?
            No momento em que a mensagem foi dada era esperar livramento da parte de outro país. Extensivamente, em termos pessoais, pode ser confiar em outro ou em si mesmo (“fulano me garante”; “eu me garanto”).
            Curiosamente no hebraico (língua em que o texto foi escrito) Jeremias fez uso de duas palavras, diferentes, para “homem”. A primeira, Géber traduzida como homem forte, jovem; da raiz de herói. A segunda, Adam significa gênero humano. Mesmo o forte não deve confiar em sua força. Isto é confiar no falível (Jeremias 9:23-24).
            O problema: Esta confiança no gênero humano afasta-nos de Deus.

            Consequências deste afastamento (v. 6):
            Será abandonado em meio à dificuldade.
            Não verá o livramento (o bem).
            Só terá sofrimento.
            Esterilidade – não dará fruto.
            Quem coloca esperanças de salvação no gênero humano está fadado ao fracasso; será infeliz, maldito, derrotado, e o mais grave: candidata-se a perda do Céu!
 
       Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor” (v. 7
       O que confiar em Deus?
       No contexto original era acreditar em Deus a ponto de esperar que a nação israelita fosse liberta do opressor.
        Pode ser, em termos pessoais acreditar que Deus é capaz de resolver qualquer problema, em, qualquer área de nossa vida.
        É exatamente o contrário de se depositar nossa confiança em algo falível. É confiar em Quem pode todas as coisas.
        É mais que isso, é confiar em quem pode dar a solução; livrar de todas as dificuldades; conceder-nos a vitória, e ainda mais; a salvação – vida eterna!

         Ao contrário do maldito que tem o seu coração afastado de Deus, o bendito achega seu coração ao Senhor (se coloca a disposição dele – nas mãos dEle.

            Resultado desta aproximação (v. 8)
            O texto bíblico afirma que o abençoado fica seguro como árvore junto às águas. Não teme dificuldades, pois está preparado. Não perde a força, o ânimo, o entusiasmo (continua sempre verde – contagiante no bom sentido). Não se deixa abalar diante das dificuldades; ainda assim continua a dar bons frutos.
            Aquele que confia em Deus é bendito, feliz, bem aventurado, abençoado. Permanece seguro e tem a garantia da vitória em qualquer situação – confie em Deus!

            Conclusão
            A idoneidade de Jeremias. Ele sabia o que dizia, pregou por aproximadamente quarenta anos, numa época muito difícil, em meio a muitas dificuldades.
            Apesar de todos os percalços pelos quais passou, ele ficou firme. Não foi abalado, não perdeu a força, nem a fé, cumpriu a missão que o Senhor lhe confiou.
            Se você quer continuar a ser bendito, só tem um caminho a seguir: continue confiando em Deus. Sua Palavra é fiel; não olhe para trás. É para frente que se anda!
            É somente Ele que pode dar forças para vencer o pecado; livrar dos inimigos e do Inimigo; livrar das dificuldades; dar a vitória – a salvação!
            Confie no Senhor, espere nEle e você será conhecido com abençoado. Procure fazer das palavras do salmista norma de vida, quando disse: Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do Senhor nosso Deus. Eles vacilam e caem, mas nós nos erguemos e estamos firmes” (Salmos 20:7-8 - NVI).
            Este é o meu desejo e a minha oração. Amém!!!


© Nelson Teixeira Santos

quinta-feira, 10 de julho de 2014

OBADIAS - SEIS MOTIVOS PARA ESTUDAR O LIVRO MENOS POPULAR DA BÍBLIA



            Aparentemente, Obadias é o livro menos lido da Bíblia. Não é Levítico ou 2 Crônicas, mas Obadias. Eu gostaria de motivar o estudo desse maravilhoso pequeno livro ao te dar seis razões para lê-lo, estudá-lo, ensiná-lo e pregá-lo.

            1. É facilmente dividido
            Alguns dos profetas, mesmo os menores, são livros incrivelmente complexos que desafiam divisão ou organização. Não é o caso de Obadias. É facilmente divido em duas partes simples, apesar de um tanto desiguais:
            1.  A vingança de Deus sobre Esaú (1-16)
            2.  A vitória de Deus por Jacó (17-21)
Ou, de forma ainda mais simples:
            1.  A vingança de Deus sobre seus inimigos (1-16)
            2.  A vitória de Deus por seu povo (17-21)

            2. É rico em imagens
            O livro começa se referindo a Edom, a pequena mas orgulhosa e autoconfiante nação-estado dos descendentes de Esaú. Construída sobre uma fortaleza natural de altos rochedos, era considerada virtualmente inatacável. Veja algumas imagens aqui. Certamente o menos imaginativo de nós seria capaz de evocar uma descrição gráfica atrativa de tal paisagem. O profeta também descreve o tratamento edomita tenebroso dos seus primos antigos de Israel.

           3. É culturalmente relevante
            O grande crime de Edom não foi de apenas se regozijar no saque de Jerusalém pelas hordas pagãs, mas por também terem ajudado no ataque, atrapalhando fugitivos, se aproveitando do saque e demonstrando prazer no sofrimento miserável do povo de Deus.
Soa familiar? Conforme o povo de Deus hoje é cada vez mais atacado, não há falta de pessoas aproveitando o espetáculo, incentivando e pisando no pescoço quando possível. Assim, qual é a mensagem de Deus para os edomitas daquele tempo e do nosso tempo?

            4. É perfeitamente justo
            “Eu o derrubarei!”. Essa foi a mensagem de Deus para esse inimigo altivo e intocável. Mais do que isso, Deus diz aos edomitas: “como tu fizeste, assim se fará contigo”. A perfeita justiça de Deus será executada – como tu fizeste, assim se fará contigo – olho por olho, risada por risada, saque por saque, bota por bota. A vingança pertence ao Senhor, e ele irá retribuir todos os Seus inimigos e os inimigos do Seu povo – não restará pedra sobre pedra.

            Não sei quanto a você, mas isso realmente me ajuda nesses dias em que vemos as pessoas mais perversas da sociedade sendo promovidas e celebradas, e aqueles que amam a santidade e a pureza sendo punidos e perseguidos.

            5. É claramente messiânico
            Há uma mudança clara de curso com uma pequena palavra no verso 17: “MAS”.       Após alertar Seus inimigos de que tudo aquilo voltaria para eles, a não ser que se arrependessem, Deus prossegue e assegura Seu povo da vitória final, em uma série de promessas nos versos 17-21:
             O povo de Deus será livrado
             O povo de Deus gozará paz santa
             O povo de Deus herdará a terra (mesmo a terra edomita)
             E como isso vai acontecer?
“Salvadores hão de subir ao monte Sião”. Uma série de salvadores serão levantados do meio do povo de Deus, culminando no supremo e final Salvador, quando “o reino será do SENHOR”.

            6. É gloriosamente triunfante
           “O reino será do SENHOR”.
            Que forma triunfante de terminar! O Senhor reinará como Rei sobre toda a terra. Não seja um perdedor. Junte-se ao lado vencedor!



POR DAVID MURRAY | Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

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