sexta-feira, 28 de setembro de 2012

PERFIL DE SOBREVIVENTE


 

           Introdução.

           Em seu best-seller intitulado Impensável – Como e Por que as Pessoas Sobrevivem a Desastres, lançado no Brasil pela Editora Globo, Amanda Ripley, repórter da revista Time, encarregada da cobertura jornalística dos atentados às torres do WTC em Nova Iorque em 11 de setembro de 2001 defende a ideia que qualquer que seja o desastre, partimos praticamente do mesmo ponto e passamos por três fases distintas daquilo que ela chama de “arco da sobrevivência”.

 

           1ª – Negação. Consiste na tentativa de encontramos formas de provar para nós mesmos que aquilo não está acontecendo.  A duração desse processo depende do tempo que levamos para calcular riscos. Vencido o choque inicial, passamos à fase seguinte.

 

           2ª – Deliberação. Nessa fase em que notamos que algo está incrivelmente fora da ordem e passamos a ponderar sobre as opções possíveis. Por fim, com a aceitação do fato de que estamos em perigo e com a contemplação de soluções, chega a hora da fase final e assim passamos a próxima.

 

           3ª - Ação.

 

           Cinco Maneiras de Desenvolver um Perfil de Sobrevivente.

           Desde a cobertura do atentado de 11 de setembro, a autora se debruçou sobre o tema, entrevistando sobreviventes de outras tragédias, ouvindo especialistas sobre o que acontece no cérebro diante do medo, teve acesso a pesquisas militares revelando as características de quem consegue agir sob pressão emocional intensa e conversou sobre preparação mental com policiais, pilotos de aeronaves e militares.

           Foi assim que ela chegou a conclusão de que os sobreviventes possuem algumas características em comum. Faça uma força para lembrar dessas dicas e trabalhe com antecedência essas características sua vida pode depender disso.

 

           1ª – Atitude. Pessoa que enfrentam crises e se recuperam bem delas tendem a contar com três vantagens:

           »Elas acreditam que podem influenciar o que acontece em torno de delas.

           Floresça onde você está plantado, faça a diferença onde você vive , trabalha, estuda. Seja a luz do mundo, o sal da terra. Para isso você foi chamado!

           »Conseguem encontrar sentido no caos da vida moderna.

           “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos” (I Co 15:32). Não é assim que o mundo pensa? Quanto a você, que é um privilegiado; alimente a chama da esperança, transmita esperança.

           »Estão convencidas de que podem aprender com as experiências, sejam elas boas ou ruins.

           Está escrito: “Todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8:28).

                

           2ª – Conhecimento. Se você souber como pode reagir em um desastre, pode aprender a superar seus instintos mais prejudiciais nessa situação. Se você souber mais sobre os riscos que teme, provavelmente ficará mais calmo na hora em que algo der errado.

           “Conhecereis e verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32). O conhecimento teórico da verdade não o levará à salvação, mas a aplicação da verdade em sua vida, sim! O livrará dos enganos do inimigo, através dos falsos mestres e profetas e consequentemente de seus ensinos.

 

           3ª – Nível de Ansiedade. Gente que lida diariamente com altos níveis de ansiedade têm mais tendência a ficar paralisadas ou “apagar” em uma emergência. Isso não é necessariamente mau, mas é importante reconhecer quando pode significar um risco e tentar superar isso, caso sua casa esteja em chamas ou uma balsa esteja afundando, por exemplo. Tente aprender truques para controlar o nível de ansiedade nas questões cotidianas. Isso vai ajudá-lo na hora do desastre.

           Jesus sabia o quanto o pecado deixou os seres humanos ansiosos e por essa razão dedicou uma parte do famoso Sermão da Montanha a este tema.

           Ao abrirmos a Palavra de Deus em Mateus 6:25-34 encontraremos curiosos subtítulos: as preocupações da vida; os cuidados e inquietações; a ansiosa solicitude pela vida. Mas o melhor desta passagem bíblica está no conselho dado por Jesus, aliás, dois: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a Sua justiça...” (v 33) e “Não vos inquieteis...” (v 34) →vj tb Sl 127:1-2.

 

           4ª – Controle do Peso. É obvio, mas não custa lembrar que gente acima do peso se move mais lentamente, é mais vulnerável a males colaterais (como um ataque cardíaco), precisam de mais espaço e sofrem mais para se recuperarem de ferimentos.

           Durante o 11 de Setembro, aqueles com menos preparo físico foram os que se machucaram mais durante a evacuação das torres. A boa forma física aumenta as chances para quem enfrenta “inimigos” como águas geladas. De novo, o que é bom para a vida normal também é útil nas tragédias.

           A igreja nos ensina a sermos temperantes. O termo temperança se refere ao bom senso de usar com moderação, as coisas consideradas boas e abster-se das prejudiciais.

           Equilíbrio em tudo é o segredo do bem-estar físico e mental. Evite excessos em qualquer sentido.

 

           5ª – Treinamento. Não há jeito melhor de aprimorar a performance (desempenho) do que a prática. Faça uma lista com os maiores riscos a que está exposto (use dados, e não apenas a emoção). Daí faça um esforço para imaginar um treinamento simulado com a sua família. É muito melhor parar, cair e rolar do que falar sobre paradas, quedas e rolamentos. Assim, faça com que o treinamento contra incêndios se torne uma prática no mínimo anual em seu local de trabalho.

           O que é nossa vida aqui na Terra senão um treinamento para a vida futura?

           Tudo no Cristianismo pressupõe ação: criação, salvação, redenção, consagração, santificação, glorificação. “E ser-me-eis testemunhas” (Atos 1:8 u.p.). O que faz uma testemunha?

           Lembre-se e coloque em prática essas cinco características; sua vida pode depender disso. Mas serão suficientes para fazer de você, que é um cristão, um sobrevivente da luta entre o bem e o mal? Certamente que não.

 

           Abra seu coração.

           Você necessita de algo mais. Você necessita de fé (Hb 11:6).

            Você precisa confiar em Deus. Ele é o Senhor da História. É o Salvador vitorioso que nos protegerá.

           Em que você tem depositado a sua confiança?

Em ídolos? “O vento a todos levará, e um assopro os arrebatará”. Isaías 57:13.

No homem? “Maldito o homem que confia no homem”. Jr. 17:5.

Em seu próprio coração?O que confia no seu próprio coração é insensato”. Pv. 28:26.→ vj tb Jr. 17:9.

Nas riquezas? “Aquele que confia nas suas riquezas, cairá”. Pv. 11:28.      

           O ímpio tem muitas dores, mas aquele que confia no Senhor, a misericórdia o cerca”. Sl 32:10.

           Quer ser feliz? “Confia no Senhor”. Pv. 16:20.

           Quer prosperar? “Confia no Senhor”. Pv. 28:25.

           Quer sentir-se seguro? “Confia no Senhor”. Pv. 29:25.

           Quer ter paz? “Confia no Senhor”. Isaías 26:3.

           Quer ser abençoado? “Confia no Senhor”. Jr. 17:7.

           Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nEle, e ele tudo fará”. Sl 37:5

           Que dia memorável será este; o dia que nos apropriarmos destas promessas e as aplicarmos a nossa vida!

 

           Conclusão.

           Então, da próxima vez que você for tentado a declinar de alguma atividade, de alguma responsabilidade ou função na igreja, por amor daquilo que é mais sagrado para você, não o faça.

           Aceite o desafio, você crescerá e com isso fortalecerá o corpo de Cristo, que é a igreja e de sobra estará mais preparado para as dificuldades que o futuro nos reserva.

           É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!

 

 

          

 

CAUSAS DE APOSTASIA NA IGREJA


 
 

           Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;” (I Tim 4:1).

 

           Introdução.

           O texto é de uma clareza assustadora. A igreja cristã devia esperar uma apostasia crescente, que culminaria antes da segunda vinda de Jesus (ver Mt 24:24; Ap. 16:14). 

           A negação e consequentemente o abandono da fé - a apostasia é uma realidade presente na igreja. Ela existe. É um fato. E como reza um velho adágio popular: Contra fatos não há argumentos.

           A necessidade de refreá-la nos leva a busca de suas verdadeiras causas. E são muitas. Impossível de serem abordadas neste curto espaço de tempo. Curiosamente, não são as mesmas causas que levam membros novos e experientes a apostatarem.

            Também descobrimos que ela não acontece de uma ora para outra. Trata-se de um processo. O que então desencadeia esse processo?    

 

           Falta de um círculo de amizades.

           Ao ser introduzido no seio da igreja o novo converso, que recebeu estudos bíblicos através de um pastor (evangelista) ou obreiro bíblico, se depara com pessoas quase desconhecidas para ele.

           Ele precisa ser introduzido em algum grupo ou mesmo numa família que o leve, em primeiro lugar, a freqüentar sua casa, criando novos vínculos de amizade que o levarão a se desligar mais facilmente das coisas do mundo.

           Ele precisa sentir-se querido, amado, literalmente adotado. Caso contrário não haverá rompimento com as amizades do mundo e facilmente voltará a praticar as coisas que fazia anteriormente, consequentemente poderá deixar a igreja.

 

           Falta (falha) de um processo transitório eficiente.

           Evangelistas e obreiros bíblicos devem paulatinamente direcionar os futuros crentes à pessoas que possam criar vínculos de amizade, antes do término da série evangelística ou do estudo bíblico. Os próprios interessados devem estar cientes de evangelistas e obreiros bíblicos só estão ali temporariamente. Logo partirão, deixando-os aos cuidados dos novos amigos (de sua nova família espiritual).

           É assim, cercados de amigos que eles chegarão ao dia do batismo. Amigos que o acompanharão desde o início da nova vida.

 

           Advertências de Ellen G. White sobre apostasia.

           » “A obra feita ao acaso na igreja, falando a outros de erros e falhas antes de falar com quem falhou tem sido a maior causa de manifestação de fraqueza e apostasia na igreja. A fraqueza tem atingido a muitos porque não assumiram a obra que lhes foi confiada. Deus não aceitará suas ofertas, por mais preciosas que sejam, a menos que endireite o caminho para os seus pés, seguindo a direção que Cristo tem dado” (Ellen G. White, Review and Herald, 19 de janeiro de 1905, parágrafo 9 – citado por Jonas Arrais, no livro Uma Igreja Positiva num Mundo Negativo, pág. 48).

           » “Não é de admirar que alguns desanimem, retardem-se pelo caminho, e sejam deixados por presa aos lobos. Satanás se acha no encalço de todos. Envia seus agentes para que levem de volta a suas fileiras as almas que perdeu. Deve haver pais e mães para tomarem ao colo esses infantes na verdade, e animá-los a orar com eles, para que sua fé não se confunda” (Evangelismo, págs. 35-352). 

           » “Muitos há que estão perdendo o interesse e a confiança na verdade por terem entrado em íntimo contato com incrédulos” (Testemunhos para a Igreja, vol. 4, pág. 504).

           » “A medida que as aflições se adensam ao nosso redor, serão vistas em nossas fileiras tanto separação como unidade. [...] Os que tiveram grande luz e preciosos privilégios, mas não os aproveitaram, irão, sob um pretexto ou outro, retirar-se de nosso meio” (Testemunhos para a Igreja, vol. 6, pág. 400).

 

           Deixar de olhar para Jesus.

           Alguns estudiosos advogam que a causa principal está como próprio apóstata, ou seja, quando ele tira os olhos do alvo supremo: Jesus. 

           Necessitamos aprender e ensinar a manter os olhos fixos em Jesus. Por quê?

           Porque manter os olhos fixos em Jesus é mais que importante, é indispensável se desejamos alcançar a eternidade, habitar nas mansões celestiais. Por isso cantamos do HA, o hino de nº 272 – Olha com Fé para Cima, cuja inspiração advém do Salmo 121 (NVI):

           “Levanto os meus olhos para os montes e pergunto? De onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. Ele não permitirá que você tropece”; [...] O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida. O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre” .

           Como fazer do Salmo 121 uma realidade presente em nossa vida?

           O Salmo 37 em seus primeiros versículos (2-7) traça um caminho: confiar no Senhor→deleitar-se no Senhor→entregar o seu caminho ao Senhor→descansar no Senhor.

 

           Dar ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios.

             A versão Almeida Corrigida apresenta 14 passagens (uma no VT e treze no NT – Jeremias 6:10; Mateus 11:15; 13:9; 13:43; Marcos 4:9; Lucas 8:8; 14:35; Apocalipse 2:7; 2:11; 2:17; 2:29; 3:6; 3:13; 3:22) com a expressão “quem tem ouvidos para ouvir ouça”. Ouvir o que? As sete passagens do Apocalipse respondem: “Ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

           Curiosamente a única passagem do AT consegue retratar uma situação bastante atual que levou o profeta a desabafar: "A quem falarei e testemunharei, para que ouça? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos, e não podem ouvir; eis que a palavra do Senhor é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela." (Jeremias 6:10).

           A Palavra de Deus é bastante clara: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). O que é a verdade? "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (João 14:6).

 

           Conclusão.

           "Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas"  (Jr. 2:13).

           O que significa “cavar cisternas rotas, que não retêm águas”?

           Significa fazer escolhas equivocadas, significa perder o foco, perder o equilíbrio, envolver-se com coisas que não nos edificam. Se não nos edificam...

           Que Deus conceda a cada um de nós a sabedoria suficiente para saibamos fazer a diferença entre uma coisa e outra. Entre o bem e o mal; entre a verdade e o erro, e principalmente quando ambos estiverem misturados.

           É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!             

 

A MAIOR BÊNÇÃO


 


“O Espírito Santo é a maior benção que um filho de Deus ou a Igreja pode receber. Em sua esteira vêm todas as demais bênçãos espirituais”. PCF, pág. 50.

Uma vez que este é o meio pelo qual havemos de receber poder, por que não sentimos fome e sede pelo Dom do Espírito? Por que não falamos sobre Ele, não oramos por Ele e não pregamos a seu respeito? AA, pág. 50.

“Cristo prometeu o Dom do Espírito Santo a sua igreja, e a promessa nos pertence a nós, da mesma maneira que aos primeiros discípulos. Mas como todas as outras promessas, é dada sob condições”. DTN, pág. 502.

 

Nossa reação diante das questões espirituais.

Assuntos polêmicos tais como: justificação pela fé, profecias, a Trindade?

           A Bíblia não prova a existência de Deus; parte do princípio que Ele existe. Você pode acreditar em Deus ou ser um ateu. Você pode acreditar em Jesus Cristo e ser um cristão ou não. Da mesma maneira você pode ou não acreditar na existência do Espírito Santo. É tudo uma questão de fé:Ora, sem fé é impossível agradar a Deus; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11:6).

Os antitrinitarianos (pessoas que não acreditam na existência de um Deus triuno) entendem o Espírito Santo como sendo um condutor ativo de energia de Deus, ou uma corrente elétrica impessoal que nos liga os trono de Deus, ou um canal destinado para prover a ligação pela qual Deus pode se comunicar com os seres humanos.

Embora o Espírito Santo seja o grande canal ou meio de comunicação, a evidência bíblica esmagadora sugere que esse canal ou meio não é uma força impessoal, uma energia, mas um ser pessoal. Jo. 14:26; 16:13; Atos 16:6-7; I Cor. 12:11; Ef. 4:30; Isa. 63:10.

Sendo que o Espírito Santo é o Instrutor divino, sabemos que Ele possui intelecto.  Sendo que Ele pode proibir os servos de Deus de realizar algumas coisas, e sendo que pode distribuir dons espirituais a quem Lhe apraz, sabemos que Ele possui vontade. O fato de que o Espírito Santo pode entristecer-Se e contrariar-Se, demonstra que Ele tem a capacidade de sentir emoções. Intelecto, vontade e emoções são as principais evidências da personalidade. Uma mera influência não pode realizar estas coisas que o Espírito Santo faz.

Na verdade o Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade (textos que indicam a Divindade do Espírito Santo: Atos 5:3-5; II Samuel 23:2-3; II Pedro 1:21 comparar com II Timóteo 3:16; Ezequiel 8:1,3, o representante pessoal de Deus e de Cristo (João 14:18), embora despojado da personalidade humana e dela independente; opera no coração do crente para abrandá-lo e mostrar-lhe sua necessidade. Sem Ele não se converteria uma só alma!

Os Adventistas do Sétimo Dia crêem que...

“Há um só Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, uma unidade de três Pessoas coeternas. Deus é imortal, onipotente, onisciente, acima de tudo e sempre presente. Ele é infinito e está além da compreensão humana, mas é conhecido por meio de Sua Auto-revelação. Para sempre é digno de culto, adoração e serviço por parte de toda a criação”. –Crenças Fundamentais, 2 – Nisto Cremos, página 31.  P.S. Eles são um em natureza, caráter e propósito.

Concluímos, pois, que somos um povo de convicções trinitárias. O persistente testemunho trinitário de Ellen G. White, especialmente a partir de 1880, teve influência formativa quando a denominação mudou sua tendência antitrinitariana. Esta é uma questão teológica que a igreja, entre o 3º e o 6º séculos havia resolvido.

 Já que como as demais promessas o recebimento do Espírito Santo só nos será concedido sob condições, que condições precisam ser satisfeitas para que O recebamos?  Deus prometeu e está disposto a conceder-nos esta benção maravilhosa. “Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem?” (Lc 11:13)

A Sr.ª White escreveu em AA, pág. 50: “Se todos estivessem dispostos, todos seriam cheios do Espírito... O Senhor está mais disposto a dar o Espírito Santos àqueles que O servem do que os pais a dar boas dádivas a seus filhos.”

O Senhor está ansioso para cumprir o que prometeu. “O Espírito trabalha no coração do homem de acordo com seu desejo e consentimento, nele implantando natureza nova”, PJ, pág. 411.

Precisamos sentir a necessidade do Espírito Santo e orar por Ele!

Precisamos estar dispostos a sermos usados e guiados pelo Espírito!

“Não podemos usar o Espírito Santo. É Ele que deve servir-se de nós”. DTN, pág. 502.

A maioria dos textos bíblicos referentes ao Espírito Santo diz respeito a seu relacionamento como o povo de Deus.

 

Sua missão em favor do mundo e dos crentes.

Convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo... João 16:8 produzindo arrependimento e conversão; a experiência do novo nascimento através do batismo da água e do Espírito Santo, conforme João 3:5.

Dirigir a mente no estudo da Palavra de Deus, guiando-a em toda a verdade. João 14:26; 16:13. Ele nos ensina. Não algumas coisas, mas, todas as coisas.

Recordar as verdades ou as passagens bíblicas já estudadas, em momentos de necessidade ou emergência. João 14:26; Marcos 13:11 Capacita-nos a dar testemunho de Cristo.

Interceder por nós perante o Pai quando oramos, interpretando e aperfeiçoando nossas súplicas. Romanos 8:26.

Dar-nos o testemunho ou a certeza interna de que somos filhos de Deus. Rm. 8:16

Habilitar os filhos de Deus a proclamar com êxito e com poder o Evangelho. At 1:8

A obra-chave do Espírito Santo que procede do Pai e do Filho é atrair a atenção para o Filho. E ao enaltecê-Lo, o Pai é revelado e glorificado.” Woodrow W. Whidden, professor de religião na Andrews.

 

Conclusão.

“Esta prometida benção, reclamada pela fé, traz consigo todas as demais bênçãos. Ela é concedida segundo as riquezas da graça de Cristo, e Ele está pronto a suprir cada alma, de acordo com sua capacidade de receber”. OE, pág. 285.

· Que cumpramos todas as condições necessárias para recebê-la!

· Que sejamos instrumentos poderosos nas mãos de Deus!

· Que Deus possa usar-nos segundo Sua necessidade e vontade!

· Que no poder do Espírito Santo continuemos cada dia mais amando, anunciando, apressando e aguardando a Jesus até que Ele venha.

É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!

 

DIREITO OU DEVER?


 

            Sem entrar no mérito desta questão, mas apenas para chamar sua atenção, o dia 7 de outubro se aproxima a passos largos e certamente muitas dúvidas assolam a mente de muitos brasileiros, inclusive nós - cristãos.

 

ü  Comparecer ou não às urnas?

ü  Votar ou não votar?

ü  Se, sim. Em quais candidatos? Como avaliá-los?

ü  Se não. Votar em branco ou anular o voto?

ü  Cristãos devem envolver-se com a política?

ü  Cristãos podem candidatar-se?

 

            Respostas prontas não existem, mas desejo desafiá-lo e ao mesmo tempo convidá-lo para uma reflexão sobre os textos que encontrei na net acerca deste assunto. Os três primeiros são denominacionais; os dois últimos não. Alguns foram postados recentemente, outros nem tanto.

            A leitura dos mesmos permitirá que você tome uma posição mais abalizada e talvez até o leve a rever seus conceitos sobre este assunto que a cada dois anos tende a fazer a cabeça de muita gente, inclusive a nossa.

            Uma coisa é certa. Por mais equilibrada que venha ser sua decisão, os resultados, sejam quais forem em 07.10.12, você será direta ou indiretamente afetado. É o preço pago por ser cidadão de dupla cidadania, ou se preferir, de estar no mundo mas não pertencer ao mundo.  

            Boa leitura. Boa reflexão.

            Que Deus te conceda sabedoria suficiente para tomar a decisão correta!

            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!

 

 

 

A IGREJA ADVENTISTA E A POLÍTICA

 

           Depois de ser questionado, como pastor e amigo, por muitas pessoas de nosso rol de relacionamento (família, igreja, amizades, etc.), resolvi pesquisar e escrever o seguinte esclarecimento: a Igreja Adventista do Sétimo Dia sempre manteve posição oficial de não se posicionar a favor ou contra qualquer partido político e/ou seus candidatos. Essa posição é mantida em todos os níveis organizacionais e institucionais da denominação, inclusive em suas congregações locais.

 

           Os membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia devem reconhecer ser seu dever individual escolher livre e conscientemente em quem votar. O princípio básico é sempre votar em candidatos cuja ideologia, crenças, estilo de vida e propostas políticas estejam mais próximos dos princípios adventistas.

 

           Entre os princípios mais importantes, estão: (1) liberdade religiosa, (2) separação entre Igreja e Estado, (3) observância do sábado, (4) conduta moral, (5) temperança cristã, (6) apoio ao sistema educacional privado mantido pela Igreja, e a (6) tentativa de melhorar a qualidade de vida das classes moral e economicamente desfavorecidas. A posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre algumas dessas questões é enunciada no livro Declarações da Igreja (Tatuí, SP: CPB, 2003).

           Ellen White adverte contra votar em candidatos sem compromisso com a liberdade religiosa: “Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos; pois não sabemos em quem votamos. Não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político. Não podemos trabalhar para agradar a homens que irão empregar sua influência para reprimir a liberdade religiosa. [...] O povo de Deus não deve votar para colocar tais homens em cargos oficiais; pois assim fazendo, são participantes nos pecados que eles cometem enquanto investidos desses cargos” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 475).

           Uma sensata atitude, quanto em quem votar, seria orar pedindo sabedoria (Tiago 1:5). Lembrando que a Palavra de Deus nos revela que “todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por Ele instituídas” (Romanos 13:1).


 

Pr. Moisés Biondo,
IASD Central de Artur Nogueira

 

 

 

O CRISTÃO E A POLÍTICA

Publicado em  por Blog Sétimo Dia

Por Bert B. Beach

 

Desde o nascimento da igreja cristã, estas questões têm sido debatidas vez após vez: Qual é o papel do cristão na política? Pode um membro ou a própria igreja envolver-se em política? Como deviam se relacionar com o governo e com as autoridades políticas?

Alguns adventistas do sétimo dia acham que a igreja não desempenha nenhum papel político, e o cristão individual, no máximo, uma parte minúscula. Esta opinião funda-se sobre o conceito de que o reino de Cristo não é deste mundo. Outros adventistas insistem que tanto indivíduos como a igreja têm responsabilidades sociopolíticas incontestáveis para melhorar as condições de vida. Alguns cristãos vão mais longe e pretendem que a tarefa principal do cristianismo é trabalhar para criar uma ordem política cristã que resulte no estabelecimento do reino de Deus na Terra. Entre uma e outra, há todo uma gama de opiniões.

O exemplo de Cristo

Jesus raramente mencionou o tipo de sociedade política à qual Seus discípulos deviam aspirar. Ele não pretendeu ser um reformador sociopolítico. Ele não enunciou nenhuma plataforma política. As tentações no deserto tinham uma dimensão claramente política e Ele as resistiu. Embora Ele tivesse mais de uma oportunidade para apoderar-Se do governo da sociedade por uma espécie de golpe de estado (ex.: o alimentar a multidão e a entrada triunfal em Jerusalém), Ele não escolheu esta opção.

Ao mesmo tempo, os ensinos de Jesus não podiam deixar de ter uma influência sociopolítica ao serem observados pela comunidade cristã. Ele ofereceu boas novas aos pobres, liberdade para os oprimidos e vida abundante (João 10:10). Portanto, os adventistas, seguindo o exemplo de cristãos através dos séculos, precisam reconhecer sua responsabilidade social. Os pioneiros adventistas pregavam não só o evangelho de salvação individual, mas também se preocupavam com alcoólatras, escravos, mulheres oprimidas e as necessidades educacionais de crianças e jovens.

A base bíblica de responsabilidade sociopolítica

A responsabilidade sociopolítica cristã baseia-se sobre dois fundamentos bíblicos. Primeiro, a doutrina da Criação. Deus criou o Universo e nos designou como os mordomos deste mundo. Mordomia implica tanto em responsabilidade como prestação de contas pelo domínio sobre o qual tem jurisdição.

Segundo, a doutrina do homem. Os seres humanos são criados à imagem de Deus. Os parâmetros da responsabilidade humana de servir jazem dentro deste conceito bíblico da natureza humana. A visão cristã é que homens e mulheres não são uma espuma sobre o mar da vida, mas pessoas com um papel responsável a desempenhar e com um futuro promissor. O potencial humano confere propósito, direção e otimismo a cristãos a serviço de outros num contexto comunitário.

Assim, o cristianismo não é uma religião de individualismo isolado ou de introversão; é uma religião de comunidade. Os dons e as virtudes cristãs têm implicações sociais. Devoção a Jesus Cristo significa devoção a todos os filhos de Deus, e devoção gera responsabilidade pelo bem-estar de outros.

O dilema de uma dupla cidadania

Cristãos sinceros confrontam o dilema de uma dupla cidadania. De um lado eles pertencem ao reino de Deus, e do outro, a sua terra natal. São parte da “nova humanidade” e vivem no meio da “velha humanidade”. Há aqui um conflito inerente? Precisa a juventude adventista do sétimo dia escolher uma cidadania e renunciar à outra? Não há dúvida de que ocasionalmente possa haver conflito quando as exigências ou deveres de uma cidadania colidem com os da outra. Em tais casos as Escrituras são claras: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29).

Não obstante, o reino de Deus não se encontra isolado deste mundo; “está entre vós”(Lucas 17:21). Em outras palavras, o reino de Deus é uma esfera, um comprometimento, uma atitude e um modo de vida e pensar que permeia a toda nossa existência e que dá um sentido especial à cidadania nacional. É a soberania de Deus invadindo o viver humano.

 

Nada fazer é ação política

A organização política da sociedade é a provisão divina para a humanidade caída. Deus não pede que as pessoas corretas se distanciem do processo político de governo e deixem o controle sociopolítico e econômico nas mãos dos “malfeitores”. Os cristãos devem ser o sal e a luz do mundo social, e portanto não podem simplesmente se afastar do processo político. Com efeito, tal abdicação é em si mesma uma ação política que abre o caminho para o controle político para aqueles que não apoiam valores cristãos. “Nada fazer” é uma receita certa para o pecado ficar senhor da situação. Os adventistas têm tanto o direito como o dever de usar a cidadania terrestre para manter a igreja livre para cumprir seu mandato divino e ajudar como indivíduos a atender às necessidades sociais gritantes.

 

Deveres de cidadania política

Os adventistas do sétimo dia confrontam pelo menos quatro deveres da cidadania política.

Primeiro, o dever de orar a favor dos que exercem autoridade governamental. Precisamos orar por auxílio divino para resolver alguns dos problemas sociopolíticos que afetam negativamente a vida humana e a proclamação do evangelho. As orações e súplicas dos fiéis ascendem muito mais alto do que as declarações e ações políticas que enchem montanhas de papel reciclável.

Segundo, o dever de votar e de fazer petições às autoridades no poder. Os adventistas devem votar mesmo quando a escolha seja entre o menor de dois males. Em conexão com isto, a obtenção do título de eleitor é o primeiro passo.

Terceiro, o dever de educar-se e informar-se. Os adventistas, não menos que outros cidadãos, devem instruir-se continuamente quanto a questões que afetam a vida presente e futura. Ignorância política não aumenta a felicidade espiritual.

Quarto, o dever de candidatar-se e ocupar cargos públicos. Os adventistas têm este direito constitucional. Há também designação para cargos governamentais que não envolvem campanha eleitoral. Ellen White afirma que não há nada errado na aspiração de “sentar em conselhos deliberativos e legislativos e ajudar votar leis para a nação”.1 Contudo, ela aconselha que ministros e professores empregados pela igreja se abstenham de atividades políticas partidárias.2 A razão que ela dá é bem clara: política partidária pode criar divisões. Um pastor poderia facilmente dividir uma congregação e enfraquecer grandemente sua habilidade de servir como pastor de todo o rebanho, tomando partido.

 

Perigo de envolvimento político

Tendo salientado a responsabilidade e privilégios da cidadania, torna-se necessário advertir contra o perigo de envolvimento político tanto do indivíduo como da igreja. Os adventistas, como outros cristãos, podem ser enganados por César. Sucesso na política envolve compromisso, exaltação própria, ocultar fraquezas e desempenhar papéis partidários. Às vezes torna-se necessário aceitar expedientes que não se enquadram com as melhores convicções morais. A política é um patrão exigente e absorvente. Os políticos cristãos caminham sobre uma corda bamba. Devem evitar contaminar-se com a qualidade irônica e absorvente do ativismo político que pode rebaixar seus esforços a um nível em que Deus parece não envolver-Se nos assuntos humanos.

Há um perigo crescente de as igrejas se envolverem em política. Isto leva à interpretação da fé e do evangelho cristãos em termos de valores políticos. O interesse em muitas igrejas parece ter-se transferido da moralidade individual à moralidade social. O resultado é que, em certos segmentos da sociedade eclesiástica, idéias seculares começam a moldar os valores cristãos de modo a haver pouca diferença entre o secular e o sagrado. É triste constatar que amiúde as atitudes de cristãos são as mesmas da sociedade em geral.

Envolvimento circunspecto da igreja

O que acabamos de dizer aponta à necessidade de um envolvimento político judicioso. Uma igreja mundial, com milhares de instituições, dez milhões de membros adultos e muitos interessados, não pode evitar contato com o Estado e o envolvimento político. Não somente pessoas, mas também organizações eclesiásticas, têm direitos e responsabilidades. A igreja tem o direito de intervir no caso de legislação ou ações regulatórias, tanto positivas como negativas, que afetem a missão da igreja.

A igreja não deve jamais (e jamais é um termo forte) identificar-se com um partido político particular ou com um sistema político. Uma identificação tal pode de início trazer um privilégio temporário rápido, mas inevitavelmente arrastará a igreja pela rampa descendente que leva a uma paralisia de sua ação evangelística e profética. Em suma, “a igreja deve ser a igreja”, e não uma agência social. Sua iniciativa mais prometedora para mudar a sociedade é transformar indivíduos, gente. Os adventistas do sétimo dia cumprem, numa estrada de mão dupla a missão de Deus no mundo: evangelismo e serviço.

 

Bert B. Beach (Ph.D., Universidade de Paris, Sorbonne) é o diretor de relações entre igrejas da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. Seu endereço: 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, MD 20904-6600, E.U.A.

 

Notas e referências

1. Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, pág. 36.

2. Ellen G. White, Obreiros Evangélicos, págs. 391-395

 

 

 

 




           Notícias sobre crises políticas e corrupções governamentais acabam polarizando a opinião pública dos países afetados. É curioso ver, de um lado, políticos questionáveis se fazendo de vítimas para continuar recebendo o apoio popular e, do outro lado, oposicionistas aproveitando a situação para se autoproclamarem os únicos “salvadores” da pátria. Ao mesmo tempo em que vários políticos tradicionais vão perdendo a credibilidade, algumas denominações evangélicas têm-se mobilizado politicamente, a ponto de montarem suas próprias bancadas em câmaras de vereadores, nas assembléias legislativas, na Câmara dos Deputados e mesmo no Senado Federal. Tais bancadas se formam sob a alegação de que os políticos evangélicos são mais honestos e confiáveis.
           A crescente militância política evangélica tem suscitado algumas indagações importantes entre os próprios adventistas: Deveriam os adventistas continuar politicamente passivos ou assumir uma postura mais agressiva diante das crises governamentais? Como a Igreja Adventista do Sétimo Dia encara a candidatura de alguns de seus membros a cargos políticos através de eleições públicas? Que critérios devem ser usados na escolha dos candidatos em quem votar?
           No capítulo “Nossa Atitude Quanto à Política”, do livro Obreiros Evangélicos, págs. 391-396 (ver também Fundamentos da Educação Cristã, págs. 475-484), podem ser encontradas importantes orientações sobre o não envolvimento de obreiros denominacionais em questões políticas. Já o presente artigo menciona alguns conceitos básicos sobre a posição dos adventistas como cidadãos, candidatos e eleitores políticos.

           ORGANIZAÇÃO APOLÍTICA
           Existem pelo menos três princípios fundamentais que regem a posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre a política. Um deles é o princípio da separação entre Igreja e Estado, levando cada uma dessas entidades a cumprir suas respectivas funções sem interferir nos negócios da outra. A Igreja crê que só poderá preservar esse princípio por meio de uma postura denominacional apolítica, não se posicionando nem a favor e nem contra quaisquer regimes ou partidos políticos. Essa postura deve caracterizar, não apenas a organização adventista em todos os seus níveis, mas também todas as instituições por ela mantidas, todas as congregações adventistas locais, bem como todos os obreiros assalariados pela organização.
           A Igreja encontra nos ensinos de Cristo e dos apóstolos base suficiente para evitar qualquer militância política institucional. O cristianismo apostólico cumpria sua missão evangélica sob as estruturas opressoras do Império Romano sem se voltar contra elas. O próprio Cristo afirmou que o Seu reino “não é deste mundo” e que, por conseguinte, os Seus “ministros” não empunham bandeiras políticas (João 18:36). Qualquer compromisso político ou partidário por parte da denominação dificultaria a pregação do “evangelho eterno” a todos os seres humanos indistintamente (Mt. 24:14; Apoc. 14:6).

           Outro princípio fundamental é que o nível de justiça social de um país é diretamente proporcional ao nível de justiça individual de cada um dos seus cidadãos, e que esta justiça individual, por sua vez, deriva do interior da própria pessoa. Reconhecendo as dimensões sociais do pecado, a Igreja apóia e mesmo participa de projetos sociais e educacionais que beneficiam a vida comunitária sem conflitarem com os princípios bíblicos. Muitos desses projetos são levados a efeito em nome da Adra – Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais. No entanto, a Igreja não participa de quaisquer greves e passeatas de índole política e partidária que acabariam comprometendo sua postura apolítica.
           A validade de uma perspectiva que parta do interior para o exterior do ser humano é destacada por Cristo ao afirmar que “de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Mar. 7:21, 22). Consequentemente, a solução cabal para esses problemas não está na mera formulação de novas leis ou no ativismo revolucionário, e sim, na conversão interior do ser humano. Nas palavras de Cristo, “limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!” Mt. 23:26.
           Um terceiro princípio fundamental é que cada cristão-adventista possui uma dupla cidadania – ele é, acima de tudo, cidadão do reino de Deus e, em segundo plano, cidadão do país em que nasceu ou do qual obteve a cidadania. Conseqüentemente, deve exercer sua cidadania terrestre com base nos princípios cristãos de respeito ao próximo. Mesmo desaprovando situações de injustiça e exploração social, a Igreja Adventista do Sétimo Dia procura se relacionar respeitosamente com o governo civil e os partidos políticos de cada país em que exerce suas atividades, sem com isso comprometer os princípios bíblicos.
           Que o cristianismo não isenta os cristãos dos seus deveres civis é evidente na ordem de Cristo: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” Mar. 12:17. O Novo Testamento apresenta várias orientações a respeito do dever cristão de honrar os governos civis como instituídos por Deus (ver Rom. 13:1-7; Tito 3:1 e 2; I Pedro 2:13-17). Somente quando tais governos obrigam seus súditos a transgredirem as leis divinas é que o cristão deve assumir a postura de que “antes, importa obedecer a Deus do que aos homens”. Atos 5:29.

           VOTO DE CONFIANÇA
           Quando uma eleição se aproxima, como você decide em quem vai votar? Fazer a escolha certa não é tarefa tão simples. Exige observação, prudência e boa análise do eleitor. Estas dicas poderão ajudá-lo no exercício da cidadania:

• Informe-se sobre os candidatos através do que sai nos meios de comunicação.
• Certifique-se do real comprometimento do candidato com seus ideais e propostas. Naturalmente, você não pode medir a sinceridade do candidato, mas pode estudar seu histórico na política.
• Ouça atentamente as propostas dos candidatos e escolha aqueles que estão propondo ações que você considera corretas.
• Escolha um representante que faria as mesmas propostas e tomaria as mesmas decisões que você, se estivesse ocupando o mesmo cargo. Por isso o candidato precisa pensar e agir como você.
• Fique atento ao candidato que tenta comprar seu voto. Se ele é capaz de fazer isso sendo apenas um candidato, imagine o que fará depois de eleito.
• Leve o número do seu candidato anotado, para não correr o risco de se atrapalhar no momento da votação.

          CANDIDATOS ADVENTISTAS
           Entre os direitos do cristão-adventista no exercício de sua cidadania, está o de ocupar cargos políticos. O Antigo Testamento menciona vários membros do povo de Deus que exerceram funções de grande projeção no governo de importantes nações pagãs da época. Por exemplo, José foi por muitos anos primeiro-ministro do Egito, a mais importante nação da época (Gên. 41:38-45). Colocado por Deus sobre o trono daquele país (Gên. 45:7, 8), José se manteve “puro e imaculado na corte do rei”, e foi “um representante de Cristo” aos egípcios (Medicina e Salvação, pág. 36; Patriarcas e Profetas, págs. 368-369). Daniel exerceu importantes cargos governamentais em Babilônia sob o reinado de Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro (Dan. 2:48, 49; 5:11, 12, 29; 6:1-3, 28; 8:27). Com um apego incondicional aos princípios divinos, Daniel e seus companheiros foram embaixadores do verdadeiro Deus na corte desses reis (ver Dan. caps. 1, 3 e 6).
           A postura de José e Daniel nas cortes pagãs do Egito e de Babilônia, respectivamente, corrobora o fato de que é possível ser cristão sob governos não comprometidos com a religião bíblica. Mas o aprisionamento de José (Gn. 39:7-23), o teste alimentar de Daniel e seus três companheiros (Dan. 1), a passagem desses três companheiros na fornalha de fogo (Dan. 3) e a experiência de Daniel na cova dos leões (Dan. 6) comprovam que há um preço elevado a ser pago por aqueles que ocupam cargos públicos em ambientes hostis à verdadeira religião. O exemplo do rei Salomão deixa claro que boas intenções iniciais (II Crôn. 1:1-13) podem ser corrompidas pela influência de ambientes vulgares (I Reis 11:1-15). Já a atitude do rei Ezequias para com a embaixada de Babilônia comprova que governantes tementes a Deus correm o risco de se orgulharem de suas próprias consecuções (II Reis 20:12-19).
           É interessante notarmos que José e Daniel foram nomeados para suas funções públicas pelos próprios monarcas da época. Mas hoje, na maioria das democracias modernas, as pessoas precisam se candidatar e concorrer a tais funções em um processo bem mais competitivo. O fato de existirem políticos corruptos não significa que todo político seja corrupto. Embora a Igreja Adventista do Sétimo Dia, normalmente, não encoraje e nem desestimule a candidatura política dos seus membros, ela também reconhece que a sociedade contemporânea tem sido beneficiada pelo bom exemplo de alguns políticos adventistas que concorrem honestamente a determinados cargos públicos e os exercem dignamente, sem comprometerem com isso os princípios bíblicos. A influência positiva de políticos adventistas tem sido decisiva, em vários países, para o estabelecimento de legislações que facilitem a observância do sábado.
           A Igreja espera que os adventistas que se candidatam a cargos políticos elegíveis sejam honestos em sua campanha e, se eleitos, também no exercício de suas funções políticas. Cada candidato deve conduzir o seu processo eleitoral-político (1) sem assumir posturas ideológicas e partidárias contrárias aos princípios cristãos; (2) sem se valer de recursos financeiros inapropriados; (3) sem prometer o que não possa cumprir; (4) sem denegrir a reputação de outros candidatos igualmente honestos; (5) sem se envolver com coligações não condizentes com a fé cristã-adventista; (6) sem jamais comprometer a observância do sábado em suas campanhas; e (7) sem minimizar seu compromisso pessoal com o estilo de vida adventista em coquetéis e confraternizações sociais.
           Conheço igrejas locais que enfrentaram sérias desavenças internas pelo fato de alguns dos seus membros se candidatarem a vereadores por partidos rivais. É certo que os membros da igreja têm o direito, como cidadãos, de se candidatarem e concorrerem a cargos elegíveis, bem como de procurarem convencer outros a neles votarem. Mas nenhuma programação oficial de qualquer congregação adventista deve ser usada como plataforma política que comprometa a postura apolítica da denominação. Candidatos adventistas que usam eventualmente o púlpito devem pregar o evangelho, sem jamais falar sobre política. Deus poderá abençoar ricamente os candidatos que exercerem honestamente sua cidadania, respeitando a posição apolítica da igreja e de seus obreiros, e promoverem a cordialidade e a unidade de nossas congregações.


           ELEITORES ADVENTISTAS
           Os membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia devem reconhecer ser seu dever individual escolher conscientemente em quem votar. O princípio básico é sempre votar em candidatos cuja ideologia, crenças, estilo de vida e propostas políticas estejam mais próximos dos princípios adventistas. Entre os princípios mais importantes estão: liberdade religiosa, separação entre Igreja e Estado, observância do sábado, conduta moral, temperança cristã, apoio ao sistema educacional privado mantido pela Igreja, e a tentativa de melhorar a qualidade de vida das classes moral e economicamente desfavorecidas. A posição da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre algumas dessas questões é enunciada no livro Declarações da Igreja (Tatuí, SP: CPB, 2003).
           Ellen White adverte contra votar em candidatos sem compromisso com a liberdade religiosa: “Não podemos, com segurança, votar por partidos políticos; pois não sabemos em quem votamos. Não podemos, com segurança, tomar parte em nenhum plano político. Não podemos trabalhar para agradar a homens que irão empregar sua influência para reprimir a liberdade religiosa, e pôr em execução medidas opressivas para levar ou compelir seus semelhantes a observar o domingo como sábado. O primeiro dia da semana não é um dia para ser reverenciado. É um falso sábado, e os membros da família do Senhor não podem ter parte com os homens que o exaltam, e violam a lei de Deus, pisando Seu sábado. O povo de Deus não deve votar para colocar tais homens em cargos oficiais; pois assim fazendo, são participantes nos pecados que eles cometem enquanto investidos desses cargos.” – Fundamentos da Educação Cristã, pág. 475.
           Um dos maiores problemas na escolha de candidatos é a teoria de que “os fins justificam os meios”. Se determinado candidato, mesmo sem compromisso com os princípios acima mencionados, promete beneficiar financeira ou politicamente a Igreja, alguns líderes julgam pertinente apoiar tal candidato em troca desses favores. Mas esse tipo de barganha política jamais deveria ser tolerado nos meios adventistas. Acima de quaisquer benefícios coletivos ou individuais, deve estar o compromisso com os princípios adventistas.
           Outro aspecto de especial interesse para os eleitores adventistas é a votação ou não em candidatos adventistas. Alguns crêem equivocadamente que, votando em candidatos adventistas, estariam ao mesmo tempo promovendo a liberdade religiosa e postergando os eventos finais. Mas é dever de todo o cristão-adventista exercer sua influência em favor da liberdade religiosa (Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 375; Testemunhos para Ministros, págs. 200-203), contribuir positivamente para a finalização da pregação do evangelho (Mt. 24:14; 28:18-20), e deixar os eventos finais por conta de Deus (Atos 1:6-8).
           Como membros do corpo de Cristo (I Cor. 12:12-31), deveríamos acabar com a falsa teoria de que “adventista não deve votar em adventista”. Essa teoria só é aplicável a candidatos que não vivem uma vida condizente com os princípios adventistas ou cuja candidatura visa apenas a obter benefícios pessoais, sem uma proposta política adequada. Mas, por outro lado, se os candidatos adventistas são os que mais próximo se encontram dos princípios que sustentamos e se eles possuem boa proposta política, então, não existe qualquer justificativa plausível para se descartar tais candidatos simplesmente por serem adventistas.
           Deveria ser considerada também a questão das eleições no sábado em países onde a votação é obrigatória. Este assunto foi tratado por Mário Veloso em seu artigo “Os adventistas e a eleição no sábado”, Revista Adventista (Brasil), julho de 1986, págs. 19-20. Embora a Igreja Adventista do Sétimo Dia não discipline os membros que, por iniciativa pessoal, votem durante as horas do sábado, a recomendação é que isso seja evitado. O referido artigo foi escrito como um apelo aos políticos brasileiros para que houvesse um “prolongamento das horas para o exercício do voto, de tal maneira que os adventistas possam votar depois do pôr-do-sol do sábado”. A declaração de que Ellen White votaria até mesmo “no sábado” diz respeito à causa da temperança, ou seja, à lei seca de proibição da venda de bebidas alcoólicas, em Des Moines, Iowa, em 1881 (ver Arthur L. White, Ellen G. White, vol. 3, págs. 158-161). Mas essa declaração não provê qualquer endosso a votação política em dia de sábado.


           CONCLUSÃO
           A Igreja Adventista do Sétimo Dia sempre manteve uma posição oficial apolítica de não se posicionar a favor ou contra qualquer regime ou partido político. Essa posição é mantida em todos os níveis organizacionais e institucionais da denominação, inclusive em suas congregações locais. Os obreiros assalariados pela denominação devem manter a mesma postura. Consequentemente, nenhum púlpito adventista e nenhuma reunião promovida oficialmente pela denominação jamais deveria desfraldar qualquer bandeira política. Ele é um lugar onde o evangelho eterno deve ser proclamado com o propósito de conduzir à salvação em Cristo pessoas de todas as etnias e de todos os partidos políticos, sem preferências e discriminações.
           Por contraste, a Igreja faculta aos seus membros o direito individual de exercer sua cidadania, inclusive a de se candidatar a cargos políticos e de exercê-los dignamente. Tanto no processo eleitoral como no exercício da função, espera-se que cada adventista engajado em tais atividades mantenha uma postura digna de verdadeiro cristão adventista. Todos os políticos adventistas deveriam considerar a José e Daniel como seus modelos políticos. Deveriam sentir ser seu dever zelar pessoal e publicamente pela liberdade religiosa e pelos princípios cristãos em um mundo carente dos valores absolutos da verdadeira religião bíblica.
           Todos os membros da igreja deveriam votar conscientemente nos candidatos que melhor refletem os ideais adventistas. A escolha dos candidatos não deveria ser tanto por partido político, mas pela ideologia e os valores pessoais de cada um. Candidatos adventistas não deveriam ser discriminados simplesmente por serem adventistas, exceto se não demonstram uma conduta digna ou não possuam um plano de governo adequado. O voto de cada adventista deveria ser um testemunho autêntico a favor da liberdade religiosa que facilite o cumprimento da missão adventista nestes dias finais da história humana.

 

 

Fonte: Extraído do Site abciasd citando revista adventista / Maio de 2006 (Artigo Escrito pelo Pr. Alberto Timm, Ph.D., é reitor do Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, coordenador do Espírito de Profecia da Divisão Sul Americana e diretor do Centro de Pesquisas Ellen G. White – Brasil.)

 

 

 


A mistura entre religião e política é nitroglicerina pura. Quem mexe na coisa com displicência ou de maneira inadequada corre riscos de ver a mistura explodir causando danos não raras vezes irreparáveis. Pois essa nitroglicerina entrou de vez, e pela porta dos fundos, diga-se de passagem, no cenário eleitoral da cidade de São Paulo. O noticiário informa que José Serra, candidato do PSDB, recebeu o apoio da Igreja Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago. A Igreja Universal do Reino de Deus, com ligações estreitas com o PRB, apoia seu candidato, Celso Russomano. O mesmo fazem as Igrejas Assembleia de Deus (Ministério Santo Amaro) e a Igreja Renascer em Cristo. As igrejas Sara a Nossa Terra, setores dos carismáticos católicos e segmentos dos fiéis dos padres Marcelo Rossi e Fábio de Mello apoiam o candidato do PMDB, Gabriel Chalita. Notícias de bastidores do mundo gospel divulgadas também pela imprensa paulistana revelam que a coordenação inter-religiosa da campanha de Fernando Haddad teria alinhavado acordo para apresentar o candidato do PT em estande na próxima edição da ExpoCristã, evento evangélico que promove outra mistura letal: religião e negócios.

Os apoios dos religiosos não ocupam apenas as páginas dos jornais e as mídias virtuais. Estão presentes também nos púlpitos das igrejas, notadamente aquelas caracterizadas por lideranças de pendor autoritário – não admitem questionamento e muito menos contestação – no modelo clericalista tipo “a igreja é minha”. Pastores, bispos e apóstolos “abençoam” publicamente seus respectivos candidatos, com direito a orações, discursos e defesas em nome da fé e de Deus. As fronteiras entre templos e praças públicas, púlpitos e palanques, fiéis e eleitorado, guias espirituais e cabos eleitorais foram absolutamente devassadas. As comunidades de fé são transformadas em currais eleitorais e o antigo “voto de cabresto” foi substituído por algo mais sofisticado, o “voto de cajado”, numa referência ao abuso da autoridade pastoral sobre seus rebanhos.

Não faltam vozes condenando tais alianças entre igrejas e candidatos e partidos políticos. Mas, por que razão a prática é considerada inadmissível? O que existe de errado em uma igreja apoiar a eleição de um candidato com quem poderá contar caso ele seja realmente eleito? Por que razão o chamado “voto de cajado”, em que as lideranças religiosas manipulam seus rebanhos para a adesão massiva a um candidato é considerada inaceitável? Não basta dizer que “isso não é ético”. É preciso explicar porque.

O voto é um direito e uma responsabilidade do cidadão. Sindicatos, agremiações culturais, ONGs, clubes esportivos, associações da sociedade civil e empresas – embora se organizem para apoiar seus representantes – não votam. Igrejas também não votam. Não existe “voto coletivo”. Quem vota é o cidadão.

“Os deveres cívicos não devem ser encarados como propriedade privada, mas como uma responsabilidade pública”. Esta é a opinião de Michael Sandel, autor do best seller Justiça, baseado em curso homônimo que atualmente ocupa a lista dos mais populares da Universidade de Harvard. “Terceirizar os deveres cívicos significa aviltá-los e tratá-los da maneira errada”, conclui.

A noção de deveres cívicos como responsabilidade pública, defendida por Sandel, afeta o conceito de democracia republicana, que pode ser compreendida pelo menos de duas maneiras. A primeira é derivada do próprio entendimento da expressão: república, res pública, significa “a coisa pública”. A democracia, por sua vez, pode ser compreendida, mesmo com o risco do simplismo, o poder que emana do povo, é exercido pelo povo, para o bem do povo. Em síntese, democracia republicana é o exercício de administrar a coisa pública de modo a atender os interesses coletivos.

A segunda maneira de compreender a democracia está voltada para tensão das forças entre os diferentes grupos representativos da sociedade. Todos os segmentos da sociedade têm direito e liberdade de associação, expressão e mobilização para a busca dos seus próprios interesses. Em termos mais simples ainda, cada um puxa a brasa para a sua sardinha, e assim a brasa fica espalhada e igualmente dividida para todas as sardinhas. Na prática, isso é cruel. Primeiro, porque quem não se expressa, não se associa e não se mobiliza, acaba ficando sem brasa para a sua sardinha. Mas também e principalmente porque aqueles que têm mais condições de expressão, associação e mobilização ficam com porções significativas de brasa em suas sardinhas. Quem detém os poderes econômicos, políticos e de comunicação de massa leva vantagem. Em outras palavras, como todos sabemos, sobra para os pobres, que, aliás, nem mesmo sardinhas têm.

O melhor exercício da democracia é mesmo aquele em que cada cidadão está imbuído da busca dos interesses coletivos, independentemente de seus próprios interesses ou de seus grupos respectivos. Em termos ideais, os detentores do poder – em todas as instâncias – deveriam exercê-lo para o bem comum e a promoção da justiça na sociedade. Se a res é pública, todos os cidadãos deveriam dela se beneficiar. A expressão, associação e mobilização na defesa dos interesses particulares de pessoas ou grupos é uma traição aos ideais da democracia republicana.

Quando a igreja se associa e se mobiliza ao redor de candidatos que atendem aos seus interesses, está fazendo o jogo totalitário: governar do meu jeito, de acordo com os meus interesses, aos quais todos devem se ajustar, sob pena de serem banidos do jogo. O cristão, é, sim, chamado a viver dia a dia a prática de uma fé, que, por se manifestar sempre a favor da justiça, invariavelmente trará, como resultado de sua ação transformadora, consequências políticas. Respeitando as individualidades e rechaçando veementemente os maniqueísmos e as manipulações, a igreja é lugar privilegiado para a promoção de uma nova consciência. Boa parte dos movimentos de transformação social surgiu de profundos compromissos espirituais e motivações religiosas. Desmond Tutu ensinou que “não há nada mais político do que dizer que religião e política não se misturam”. Quem se omite do processo político favorece o status quo e fica refém do poder dominante. Vale a reflexão. Até porque cristãos jamais deveriam se esquecer de que inegavelmente são também seguidores de um prisioneiro político.

Quando a igreja extrapola seu papel social e assume a disposição de “voto coletivo”, rouba do cidadão sua prerrogativa de liberdade de consciência e opção ideológica e político partidária, bem como seu direito inalienável de votar livremente. Nenhum apoio institucional é vazio de interesses particulares. A igreja que apoia um candidato está explicitando sua expectativa de retribuição e recompensa. Em outras palavras, está colocando à venda aquilo que deveria estar fora da lógica de mercado, a saber, o voto e o mandato público.

Essa perversão da democracia representativa, no entanto, é mais antiga que a Grécia. Todos os poderosos a praticam. Vergonhosa e infelizmente, não faltam líderes religiosos que participam do jogo com os mesmos critérios de injustiça e espírito totalitário dos outros atores, comprometidos apenas consigo mesmos e os grupos que sustentam seus privilégios. A comunidade da fé que deveria exercer na sociedade um papel profético e diaconal acaba sendo levada por lideranças pseudo espirituais, que abusam de sua autoridade, se vendem por trinta moedas, e vendem o justo por preço menor do que o dos passarinhos, como já acusou o profeta hebreu. Para esses líderes oportunistas e inescrupulosos, a res é pública, mas a cosa é nostra – com todas as implicações do trocadilho.

 

 

Ed René Kivitz  - graduado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo, mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo; pastor presidente da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo; autor de Quebrando paradigmas (Abba Press), Vivendo com propósitos, Outra Espiritualidade e O livro mais mal humorado da Bíblia (Mundo Cristão); idealizador do Fórum Cristão de Profissionais.

 

 

 

UMA PALAVRA PASTORAL SOBRE AS ELEIÇÕES



Fundador e Diretor do Instituto Jetro, Rodolfo Montosa, proferiu uma "Palavra Pastoral sobre Eleições" deste ano na 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina-PR onde é Pastor Titular. Confira abaixo a mensagem na íntegra, e se preferir, veja o vídeo desta palavra no nosso Canal Oficial do Youtube clique aqui.

           Estamos às vésperas das eleições a presidente, senadores, governadores, deputados federais e estaduais. Nos últimos dias temos acompanhado muitas manifestações que têm o objetivo de denunciar movimentos que se levantam contra a liberdade de expressão da igreja e na direção de legalizar matérias contrárias à ética cristã. De fato, estamos vivendo um tempo que exige muita reflexão em busca de discernimento. Peço sua atenção para três palavras que me vêm ao coração neste momento.

           A primeira palavra é de alerta.

           Alguns projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional agridem diretamente a igreja. Quero citar alguns exemplos: o PL 1.154/03 pretende proibir a veiculação de programas em que o teor seja considerado preconceito religioso, o que classificaria como crime a pregação contra rituais satânicos, por exemplo. O PL 952/03 pretende classificar como crime atos religiosos que possam ser considerados abusivos à boa fé das pessoas, dando margem a que pastores sejam considerados criminosos por pregarem sobre dízimos e ofertas. O PL 4.270/04 pretende enquadrar como passível de ação civil comentários feitos contra ações praticadas por grupos religiosos, o que proibiria a pregação evangélica que contesta práticas de feitiçaria, por exemplo.

           Diversos outros projetos de lei agridem a ética cristã. Somente na tentativa de descriminalizar o aborto existem mais de 30 projetos de lei. Alguns parlamentares defendem a descriminalização do uso de drogas, ou até da regulamentação da prostituição como profissão. Outro exemplo que tem ocupado as manchetes de jornais é o PLC 122/06 que pretende tornar criminosa toda a manifestação contrária à prática do homossexualismo.

           Como cristãos amamos os feiticeiros, mas não a feitiçaria; amamos os adúlteros, mas não o adultério; amamos as prostitutas, mas não a prostituição; amamos os homossexuais, mas não o homossexualismo.

           Esses são apenas alguns exemplos das inúmeras tentativas de atacar a Igreja, ou atacar assuntos que ferem a ética que pregamos.

           Mesmo assim, não devemos nos enxergar como vítimas. Assim como nós, muitos outros segmentos sofrem seus riscos e pressões. Isso é o movimento natural de uma sociedade multifacetada como a brasileira, com valores diversos e variados.

           A segunda palavra é de posicionamento.

          
Por sermos tão diferentes uns dos outros no Brasil, precisamos buscar candidatos que representem nosso pensamento cristão e respeito à Constituição brasileira. É importante sermos representados por pessoas com discernimento e experiência suficientes para ocuparem de fato os cargos pretendidos.

           Permita-me fazer uma rápida explicação sobre o comportamento das pessoas.    Encontramos na sociedade pelo menos quatro grandes maneiras diferentes de procedimentos nas relações humanas. Algumas pessoas pensam assim: o que é meu é meu e o que é seu é meu (= opressor). Esse é o pior tipo de iniquidade de onde nasce o ditador e o opressor. Outras pessoas pensam assim: o que é meu é meu e o que é seu é seu (= egoísta). Esse pensamento domina a maior parte da sociedade e dá base ao comportamento individualista e egoísta. O capitalismo tem muito dele. Já outras poucas pessoas pensam assim: o que é seu é meu e o que é meu é seu (= comunista) . Essa é a base do discurso comunista, mas a história demonstrou que nunca funcionou literalmente. Na prática tornou-se um sistema regido por ditadores. O último grupo pensa assim: o que é seu é seu e o que é meu é seu (= cristão). Esse grupo respeita o recurso do outro e coloca à disposição por sua deliberada vontade seus recursos próprios. Aqui está o fundamento da ética cristã, embora pouco vivida pelos cristãos.

           Muito bem. Permita-me orientar o seguinte: devemos fugir de todo o candidato que pensa como o tirano: o que é meu é meu e o que é seu é meu. Identifique se seu candidato pensa e age de maneira imposta e autoritária. Não vote neles! Muitos em nome da defesa de um direito próprio, lutam para tirar o direito do outro. Cuidado que, nem todo o candidato que se diz cristão reflete todo o pensamento cristão. Muitos candidatos "lobos" se vestem de "cordeiros" para nos enganar. Você precisa conhecer a história de vida e pensamento de seus candidatos. Pesquise, converse, pergunte e vote.

           Lembre-se que o exercício consciente da cidadania não se esgota na participação do processo eleitoral. Precisamos acompanhar os eleitos por meio da intercessão, da exigência de prestação de contas e do devido apoio.

           A terceira palavra é de confiança.

          
Sei que muitas notícias que nos cercam geram profundo desconforto e temor. Mas devemos manter nossos olhos em Deus que é soberano na história da humanidade. Muitos são os textos bíblicos que nos deixam claro que o coração das autoridades está nas mãos dele. É bom notar que todos os Projetos de Lei que tramitam no congresso passam por um natural processo de lentidão. Além disso, temos a Constituição a nosso favor. Isso significa que alguns Projetos de Lei , mesmo que venham à luz, nascerão mortos, pois são inconstitucionais.

           Para concluir quero citar o sábio que disse "quando o justo governa, o povo se alegra, mas quando o ímpio governa o povo geme." (Provérbios 29.2)

          
Vamos orar para que o Senhor coloque pessoas justas nos atuais cargos governamentais.

           Exerça sua cidadania. Vote consciente. Vote certo.

 

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