quinta-feira, 11 de junho de 2015

MENSAGEM DE JESUS - O TOM IMPERATIVO DA


"Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus" (Mateus 5:13-16 – NVI).

            Introdução
            Não há quem não conheça o sal e luz. São dois dos elementos mais comuns numa casa e se fazem presentes em praticamente todos os lares, em todas as culturas em todo o mundo.
            Por que essas figuras de linguagem – metáforas; foram escolhidas por Jesus?
             Para exemplificar o tipo de impacto que pretendia que seus seguidores exercessem no mundo.
            Impacto visa abalar estruturas; é algo que pressupõe coragem, poder, convicção, determinação, ousadia, força e acima de tudo fé!  

            Objetivo da mensagem
            Mostrar que através da imagem do sal e da luz, Jesus Cristo estava ensinando quatro verdades sobre Sua igreja como coletividade e de seus seguidores como indivíduos.

            1ª - Somos radicalmente diferentes dos não cristãos
            Algumas pessoas tementes a Deus não concordam coma ideia de que crentes são diferentes; alegam sim, que precisam fazer a diferença no meio em que estão inseridos.
            Controvérsias a parte, as duas imagens (sal e luz), colocam cristãos e não cristãos em lados opostos.
            De um lado o mundo, com toda a sua pecaminosidade, maldades e tragédias, simbolicamente é como uma noite escura, enquanto do outro lado os cristãos, como uma luz no mundo em trevas.
            Novamente, de um lado está o mundo, simbolizado pela carne em vias de apodrecer, enquanto do outro lado, os cristãos sendo sal, impedindo a deteriorização social.
            Para aqueles que acreditam que não devemos ser diferentes, mas, fazer a diferença; saibam que este é um tema recorrente em toda a Bíblia. Deus está chamando para si um povo. Um povo que Ele pretende seja diferente da cultura prevalecente. “Sejam santos, pois Eu Sou santo” (I Pe 1:16; Lv 11:44; 11:45; Lv 19:2).
            No Sermão da Montanha, Jesus disse aos seus discípulos: “Não sejam iguais a eles” (Mt 6:8); em Romanos, o apóstolo Paulo escreveu: “Não se amoldem as padrão deste mundo” (Rm 12:2).
            Respeitemos quem pensa de modo diferente, contudo o chamado divino, constituído pelo “assim diz o Senhor” é para sermos radicalmente diferentes. Diferentes do modo de agir, de falar, de pensar, de se alimentar, de viver. Existe até um tradicional hino que nos interroga: Veem os outros Cristo em ti? HA n° 304.
           
            2ª - Devemos permear a sociedade não cristã
             Será praticamente impossível avançarmos se, primeiramente não entendermos o significado da palavra permear neste contexto. Vamos aprender por contraste. Tenho uma capa de chuva impermeável; isto significa que ela não deixar passar água. Permeável é exatamente o contrário. A Grande Enciclopédia Larousse Cultural afirma que em sentido figurativo é “aquele que se deixa influenciar”.
            Espiritual e eclesiasticamente falando, é exatamente o contrário, são os cristãos que devem influenciar o meio em que vivem. Trata-se de um tremendo desafio. Envolver-se sem se comprometer. Outro exemplo simplório, contudo, gostoso, de fácil compreensão: uma sobremesa de morangos com chantili. Os morangos se deixam envolver pelo creme chantili, mas, continuam sendo morangos.
            De modo semelhante deve ocorrer com os cristãos. Devem infiltrar-se, se envolver com o mundo; apenas com algumas ressalvas: nada de rebaixar o nível para ser aceito, nada de comprometer ou negociar princípios, ou seja, embora espiritualmente e moralmente distintos, cristãos não devem ficar segredados da sociedade. “Estar no mundo, mas não ser do mundo” (João 15:19; 17:14; 17:16). Que “brilhe a luz de vocês” – deixe-a penetrar na escuridão.  
            O conselho divino é: Jamais acenda sua luz para colocá-la sob sua cama ou armário escuro; pelo contrário, coloque sua lâmpada no aparador e deixe a luz brilhar.
            Deixe que as boas-novas de Jesus Cristo, a luz do mundo, se espalhe por toda a sociedade. De que forma? Através de palavras e atos de amor.
            Semelhantemente o sal deve penetrar na carne. Uma lâmpada não tem serventia nenhuma se ficar guardada no armário, e o sal torna-se inútil se permanecer no saleiro.
            A luz deve brilhar onde? Na escuridão é óbvio.
            E o sal deve se misturar com que? Com a carne, obviamente.
             A lição a ser aprendida: Os dois exemplos ilustram o processo de penetração e nos chamam para permear a sociedade.
            Lamentavelmente, muitos de nós nos escondemos em nossos pequenos armários escuros e permanecemos confortavelmente acomodados em nossos elegantes saleirinhos eclesiásticos.

            3ª - Podemos influenciar e mudar a sociedade não cristã
            Aprofundando nossa exegese sobre o tema, alcançamos agora um território mais controvertido, tendo em vista exatamente as implicações das metáforas do sal e da luz.
            Por exemplo: Se levarmos em consideração que tanto o sal quanto a luz são produtos efetivos – causam efeitos. Eles são capazes de transformar o ambiente em que são introduzidos. Assim quando o sal é introduzido na carne algo acontece. A deteriorização via bactéria é evitada. Também quando a luz é acesa, algo acontece: a escuridão é banida.
            Além disso, pode-se argumentar que o sal e a luz têm efeitos complementares. A influência do sal é negativa; impede a deterioração bacteriana. A influência da luz é positiva – ilumina as trevas. Do mesmo modo, Jesus almeja que a influência de seus filhos na sociedade seja tanto negativa (impedindo a disseminação do mal), quanto positiva (promovendo a disseminação da verdade e bondade, e, em especial, do evangelho eterno).
            A contundente pergunta é: Porque nós cristãos, não exercemos um efeito mais saudável na sociedade?
            O mundo se deteriora a nossa volta. Maldade, violência, injustiça, corrupção, promiscuidade sexual e tudo mais que possamos imaginar de ruim. De quem é a culpa?
            À noite, se a casa está escura não há lógica culpar a casa por estar escura. Naturalmente é o que acontece quando o Sol se põe.  A pergunta a se fazer é: Onde está a luz?
            De igual modo se a carne se estraga e se torna imprópria para o consumo, não há lógica culpar a carne por se estragar. É isso que acontece quando as bactérias são deixadas livres para se multiplicar. A pergunta a se fazer é: Onde está o sal?
            Assim também, se a sociedade se torna corrupta (como uma noite escura ou uma peça de carne que cheira mal), não faz sentido culpar a sociedade por sua corrupção. É isto que acontece quando o mal humano não é restringido, nem freado –“é proibido proibir”. A pergunta a se fazer é: Onde está a igreja? Onde está o sal e a luz de Jesus?
            A atitude hipócrita é arregalar os olhos e sacudir os ombros, como se a responsabilidade não fosse nossa.
            Se, portanto, a escuridão e a podridão graçam em grande parte é por falha nossa e precisamos aceitar boa parte da culpa.
            Ser cristão é um privilégio; contudo, tal privilégio implica em responsabilidades, entre elas, ser o sal da terra e a luz do mundo
                       
           4ª - Necessitamos aceitar o papel que Jesus delegou para nós
            Precisamos também aceitar, com nova determinação, o papel que Jesus delegou a nós, ou seja, ser o sal e a luz da sociedade. Não são somente as pessoas que podem ser transformadas; as sociedades também podem. Evidentemente, num mundo onde o pecado impera, não alcançaremos uma sociedade perfeita, contudo, podemos melhorá-la. Até Jesus voltar em glória e majestade, não haverá sociedade perfeita de paz e justiça. A História está repleta de benfeitores da humanidade, de exemplos de desenvolvimentos sociais – melhoria das condições de vida das pessoas no que diz respeito a saúde e higiene, alfabetização e instrução, emancipação feminina, erradicação de trabalho escravo, tráfico de pessoas, salários mais dignos, respeito aos direitos das crianças, dos idosos,dos portadores de necessidades especiais.
            Não podemos afirmar que todos esses avanços nas áreas sociais ocorram inteiramente devido à influência cristã. Contudo, podemos asseverar que, por meio de seus seguidores, Jesus Cristo tem exercido uma enorme influência para o bem.               

            Conclusão
            Concluindo desejo informar-lhe que neste caso específico, como assevera o título da mensagem, você não tem opções a fazer. Se você algum dia tomou a decisão de ser cristão; indiretamente você aceitou ser o fato de ser o sal da terra e a luz do mundo.
            Também não tente racionalizar fazendo afirmativas evasivas para se eximir da responsabilidade. Não procrastine prometendo ser o sal e luz quando você estiver disposto, ou quando lhe for mais conveniente.
            É imperativo que a mensagem seja aceita, compartilhada e vivida de forma plena, diariamente e assim você cumprirá a missão que o Senhor lhe confiou.
           Que a resposta ao hino “Veem os outros Cristo em ti?” seja afirmativa!
            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!













© Nelson Teixeira Santos

terça-feira, 2 de junho de 2015

ESSES CRISTÃOS REFLEXIVOS

"Os heróis da historia da Igreja começaram justamente como crentes questionadores, que duvidaram daquilo que todos consideravam ser o obvio."
            A diferença sempre foi vista com curiosidade ou estranheza. A cor de sua pele, por exemplo, pode tornar você um estranho em alguns cenários. Já seu poder aquisitivo ou sua educação têm a capacidade de fazer com que se destaque em determinados ambientes. Até mesmo seu estilo de adoração, a linha teológica que você adota ou sua preferência por algum partido político podem colocá-lo à margem – ou para além dela – em certos casos. A verdade é que ser, pensar, olhar ou agir de modo diferente da maioria pode empurrar determinado indivíduo para fora dos círculos sociais e religiosos.
            Fato é que, nas nossas igrejas, sempre há uma pessoa, ou um grupo, que na maioria das vezes se sente diferente da maioria – e gente assim quase sempre é marginalizada. Dan Taylor, em The Myth of Certainty [O mito da certeza], chama essas pessoas de “cristãos reflexivos”. Os menos solidários classificam-nas como questionadoras da fé; e, muitas vezes, suas atitudes de inconformismo fazem com que se tornem desrespeitados em suas comunidades.
          Como quase todos os protestantes sabem, no século 16 a Igreja Católica Apostólica Romana estava empolgada acerca da emissão das famigeradas indulgências. Elas eram alardeadas pelo clero como maneiras de reduzir o tempo das pessoas no purgatório através da doação de dinheiro ou bens à Igreja.  Mas apesar da generalização de tal prática, muitas pessoas não se contiveram e questionaram o programa de indulgência proposto pelas autoridades eclesiásticas. Elas duvidaram do que a instituição sustentava com tamanha convicção, simplesmente porque aquilo não fazia sentido para esses cristãos questionadores. Se permanecessem em silêncio, iriam se sentir desonestos e frustrados; contudo, se levantassem suas questões, seriam vistos com desconfiança. Alguns desses questionadores, como Martinho Lutero se manifestaram e descobriram que cristãos reflexivos, já àquela altura, não tinham futuro na Igreja.
           Aproximadamente cem anos mais tarde, Galileu Galilei olhou através de um telescópio certa noite e viu luas posicionadas como bailarinas em órbita de Júpiter. Logo percebeu que a Igreja estava errada ao sustentar a visão de mundo tradicional, geocêntrica, que havia herdado de Aristóteles e Ptolomeu. Infelizmente, quando passou a questionar abertamente a corrente majoritária, ele descobriu aquilo que Martinho Lutero já sentira na pele: cristãos reflexivos não eram bem-vindos à Igreja.
           Uma história semelhante poderia ser contada acerca do célebre evangelista John Wesley, que duvidava daquilo que todos sabiam: que atividades sagradas, como a pregação, precisavam ser desenvolvidas em espaços sagrados, como púlpitos. Por discordar disso, ele foi à porta das minas de carvão do Reino Unido anunciar a salvação em Jesus a trabalhadores que não frequentavam os templos. Poderíamos falar ainda de crentes reflexivos como Phineas Bresee, fundador dos Nazarenos, que duvidou que pessoas pobres devessem ser evitadas por cristãos honrados. E o que dizer de Menno Simons, o líder dos anabatistas, que discordava da voz corrente de que cristãos deveriam matar outros cristãos em nome de Cristo?
            Questionadores contemporâneos, como o pastor Martin Luther King Jr e o bispo Desmond Tutu, duvidaram que a raça fosse um fator de comunhão, e enfrentaram forte oposição por isso. Já líderes como Bill Hybels ou Rick Warren, com suas propostas de uma nova eclesiologia, ou talvez você, com suas ideias ainda não devidamente expostas, também tendem a provocar certo desconforto devido a suas posturas... Os heróis que estudamos na história da Igreja começaram como cristãos reflexivos que duvidaram daquilo que todos consideravam ser o óbvio. Como consequência foram, em quase todos os casos, marginalizados. Quando comunidades habitualmente marginalizam ou excluem seus membros mais reflexivos – aqueles que fazem perguntas difíceis sobre coisas que são completamente basilares para a maioria –, é claro que os que são estigmatizados acabam feridos.
           A comunidade que exclui, no entanto, também é ferida, porque ao agir assim corta da própria pele recursos de crescimento e de renovação. Além disso, constrói resistências exatamente para aquilo que em breve será necessário, o que deixa no ar uma pergunta urgente: quem são os cristãos reflexivos, que talvez sintam que já estão com a camada de gelo bem fina nas margens, ou seja, prestes a serem marginalizados por completo? E o que seria necessário para dizer-lhes que eles são queridos, necessários e respeitados, que a sua diferença não é um problema a ser resolvido por meio da pressão para que se amoldem, mas que sua atitude questionadora é um recurso?
           Aqui vai uma sugestão: que esses cristãos reflexivos sejam ouvidos! Tentemos entender suas perguntas, frustrações e novas ideias, mesmo que não concordemos com suas inquietações. Sejamos atenciosos, dando-lhes espaço para serem quem são, mesmo se pensam diferente da maioria. Às vezes, talvez seja preciso se posicionar entre eles e seus críticos mais contundentes a fim de defendê-los das forças que mantêm as fronteiras e promovem a exclusão. Um coração bondoso e um ouvido disposto a escutar podem manter os cristãos reflexivos dentro da comunidade – e, se a renovação vier das margens, como quase sempre parece ser o caso, então, ao amputarmos essas nossas margens, fazemos aquilo que os chefes dos sacerdotes e escribas fizeram quando uma voz necessária apareceu às margens de sua comunidade. Será que estamos escutando seu clamor?
(Tradução: Jorge Camargo)
Brian McLaren fundou e foi por muitos anos pastor da Cedar Ridge Community Church, nos arredores de Washington D.C. (EUA). É palestrante e autor de vários livros, dentre eles A mensagem secreta de Jesus e Uma ortodoxia generosa. 

Fonte: wwwcristianismohoje.com.br