sábado, 29 de novembro de 2014

ATITUDES SALVÍFICAS


Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade”... (João 4:28).
E levantaram-se ao crepúsculo, para irem ao arraial dos sírios; e, chegando à entrada do arraial dos sírios, eis que não havia ali ninguém” (2 Reis 7:5).

            Introdução
            Duas Histórias perdidas no tempo e no espaço, todavia preservadas de forma miraculosa nas páginas das Sagradas Escrituras servem de pano de fundo para esta mensagem.
            A mais antiga encontra-se registrada num livro escrito por volta do ano 400 antes de Cristo – II Reis capítulo 7. Seus protagonistas são quatro homens doentes e, ao que tudo indica portadores de hanseníase (lepra).
            A segunda, mais recente, mas nem tanto, ocorreu há exatos 1980 anos e é relatada unicamente no evangelho de João capítulo 4; tem como protagonista o nosso Mestre Jesus e como coadjuvante uma mulher samaritana.
            O que estas histórias, ocorridas há tanto tempo, tem em comum?
            Qual a relevância delas para o povo de Deus na atualidade?

            Objetivo da mensagem
            Desafiar-nos a encarar a missão e o testemunho como uma questão de atitude.  

            Predispor-se a deixar a zona de conforto
            A característica principal da igreja laodiceana (a igreja dos nossos dias) é a mornidão. Estamos acomodados. Esperamos que Deus chute nosso traseiro para nos colocarmos a serviço do Mestre. Engano fatal. Deus não irá chutar nem o meu, nem o seu. A atitude para mudar o estado atual das coisas cabe a você e a mim. É sério!

            Há um grande risco em se procrastinar a tomada de uma atitude positiva: a perda das oportunidades. Moral da história: Não se deve deixar passar as oportunidades.

            As oportunidades quando aparecem devem ser agarradas com unhas e dentes; pois elas não ficam a nossa disposição por tempo indeterminado. Os filhos crescem; os vizinhos, colegas de escola, de trabalho se vão; as pessoas morrem. Por esta razão a Palavra de Deus é enfática: “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz”... (Hebreus 3:7) e repete:Hoje, se ouvirdes a sua voz”... (Hebreus 3:15).
           
            Somente quando estudamos escatologia bíblica é que entendemos porque em questões espirituais a palavra amanhã é muito perigosa! “Não me demorarei aqui sobre a brevidade e incerteza da vida; mas há um terrível perigo que não é compreendido suficientemente: o de adiar para atender à voz suplicante do Santo Espírito de Deus, preferindo viver em pecado, pois isso é o que é, na verdade, esse retardamento” (Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 32).

            O que precisa ser feito deve ser feito logo. Jesus tinha consciência da brevidade do tempo: “Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (João 9:4).

            O recado à igreja de Laodiceia é muito claro caso ela insista em não acatar o conselho divino: ...”estou a ponto de vomitá-lo da minha boca” (Apocalipse 3:16).

            Convenhamos, o vômito é uma coisa repugnante. Ser vomitado sem se dar conta é pior ainda. E muito pior ainda, ser vomitado significa que um dia seremos levados a proferir a mais triste das sentenças: “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos” (Jeremias 8:20). Nos manuscritos hebraicos, na Vulgata inclusive, esta passagem é ainda mais contundente; não há mais espaço algum para a esperança: “e nós não fomos salvos”.

            Desejar mudar
            Eu preciso. Tu precisas. Nós precisamos mudar. Mas quem foi que disse que mudar é algo fácil? Mudança implica em perdas. Perdas evocam dores; sofrimentos. Alguém aí tem vocação para masoquista? Ninguém no uso pleno de suas faculdades mentais concordaria com isso, contudo, mudar é uma necessidade em nossa experiência cristã. Não existe crescimento sem mudança. Crescimento é sinal de vida. A falta de crescimento significa morte iminente. “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino” (1 Coríntios 13:11).

            O apóstolo Paulo lamenta: “De fato, embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal” (Hebreus 5:12-14 - NVI).
            Então... Ouse mudar!

            Vença o medo
            É uma das sensações mais antigas vivenciada por quase todos os seres vivos, inclusive por nós humanos (Gênesis 3:10).

            Não ter ou não sentir medo de nada, é insensatez. O medo nos livra de coisas e situações desagradáveis. Preserva-nos inclusive de situações perigosas. Garante-nos até certo ponto, a vida.

            Por outro lado não dá para se viver constantemente sob o signo do medo. O medo gera ansiedade. A coisa é tão séria que algumas pessoas, segundo David Clarkson, pregador inglês do século 17, muitos fazem dos piores inimigos (o medo é um deles) o seu deus. Ele afirma: “Nós nos preocupamos mais com os medos, com aquilo que põe em perigo a liberdade e a própria vida do que com o desagrado divino”.

            Você tem medo de pregar o evangelho? Tem medo de testemunhar?
            Acredite; você não está sozinho. Grandes personagens bíblicos passaram pela mesma experiência: Moisés, Gideão, Jeremias. Uma das figuras mais destacadas do AT, inclusive citada entre os heróis da fé em Hebreus 11, tinha lá seus temores, não com respeito à pregação do evangelho, mas a resposta de Deus às suas preocupações, que serve muito bem para nós, foi: "Não tenha medo, Abrão! Eu sou o seu escudo; grande será a sua recompensa!” (Gênesis 15:1 – NVI).

            O futuro de nossa vida, e mesmo o nosso futuro, até mesmo depois da morte; a pregação do evangelho; a terminação da obra; tudo está nas mãos de Deus. Ele sabe que a libertação da ansiedade gerada pelo medo é uma de nossas maiores necessidades, e quer que estejamos contentes hoje e confiantes amanhã.

            Deus, através de Sua Palavra enviou mensagens tranquilizadoras dizendo-nos que não temêssemos: No chamado de Josué (Dt 31:8); na ameaça de invasão por parte dos moabitas e amonitas nos dias do rei Jeosafá (II Cr 20:17); no decorrer da história cristã (Lc 21:9); o próprio Jesus proferiu: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27)
            Como se livrar do medo?
            Uma passagem encontrada no livro de Atos nos dá uma dica: “Ao verem a intrepidez de Pedro e João, e tendo notado que eram iletrados e indoutos, maravilhavam-se; e reconheciam que haviam eles estado com Jesus” (Atos 4:13 – SBB). O segredo é esse: Estar com Jesus!

            Ousar quebrar protocolos
            Não custa nada lembrar aos petistas de plantão (nada contra os partidários do PT) que regras não foram feitas para serem quebradas, mas para serem cumpridas.

            Há uma máxima conhecida nos meios acadêmicos que reza: “Toda regra tem exceção; se não tiver exceção não é regra”. Por regra podemos entender: leis, normas, regulamentos, diretrizes, preceitos, cláusulas, códigos, sistemas.

            Seguindo a linha de raciocínio definida por este ditado concluímos que toda regra é passível de questionamento, de mudança e até mesmo de revogação. Toda? Quando?

            E quanto à Lei de Deus? Onde é que ela se encaixa? Ela é um caso à parte. É a exceção das exceções. Diferentemente das demais; ela está fundamentada em princípios imutáveis, eternos, infalíveis, tal qual seu Autor. Portanto, não se deve; e é desaconselhável questionar princípios fundamentados na Palavra de Deus. O motivo? Deus está sempre certo!

            Como já afirmamos não se pode dizer o mesmo quanto às regras. Todas elas, com exceção da Palavra de Deus operam no âmbito circunstancial ou conjuntural; portanto, são passíveis de variação, até mesmo de revogação.  Elas existem para facilitar a vida em sociedade. Quando perdem a finalidade, deixam de ter utilidade.  O rei David, “o homem segundo o coração de Deus” (Atos 13:22), quando ainda não era rei, em certa ocasião quebrou o protocolo (1 Samuel 21:6).  O próprio Jesus não só quebrou, mas endossou a atitude de Davi (Mateus 12:4).
            Em nossos dias, o problema acontece quando no meio evangélico passa-se a praticar uma coisa chamada de obediência cega. Perdoem-me os adeptos, mas como reza um velho adágio popular, “a unanimidade é burra”. Até parece coisa do PC Chinês: 2600 delegados representando 1 366 429 500 (http://countrymeters.info/pt/China), as 18:15 do dia 08.11.2014) sempre votam unânimes em todas as questões do partido.
 
            Um texto atribuído a Ellen G. White afirma que “igrejas inteiras, juntamente com seus pastores se perderão”.

            Não quero ser taxado de incitar a insubordinação religiosa ou coisa do gênero, contudo, acredito ser muito difícil mesmo, admitir a ideia de que Deus jamais colocou qualquer instituição religiosa como consciência de quem quer que seja. É você, sou eu, somos nós, individualmente, que temos de estar “sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15). Também não podemos olvidar o fato de que, um dia todos nós seremos chamados diante de um tribunal divino para a devida prestação de contas. E daí, vamos alegar o que?

            Conclusão
            Agora pense comigo: O que teria acontecido se os protagonistas e coadjuvantes das duas histórias bíblicas agissem inteiramente dentro dos conformes?

            Nada. Absolutamente nada. Certamente nem fariam parte das Escrituras. Esta mensagem só foi possível porque eles resolveram abandonar a zona de conforto; desejaram mudar; venceram o medo e ousaram quebrar protocolos.

            J. M. Price em seu Best-seller intitulado A Pedagogia de Jesus – O Mestre por Excelência afirma na página 31: “Lembremo-nos, no entanto, de que dantes como agora, não são os conservadores, os intelectuais e os calmos, e, sim, os agressivos, os aventureiros e os destemidos que fazem progredir mais a obra de Reino de Deus”.

            Não dá para chamarmos Raabe, Elias, João Batista de pessoas política e eclesiasticamente corretas, contudo onde estão registrados os seus nomes?

            Louvado seja Deus que nos presenteou com homens e mulheres ousados, corajosos, destemidos, aventureiros – fora dos padrões previamente estabelecidos.
            Que sirvam de inspiração para nós outros!
            É o meu desejo e a minha oração. Amém!!!






© Nelson Teixeira Santos

sábado, 22 de novembro de 2014

O QUE CAUSOU A REFORMA?



            Muitas pessoas tentam responder essa pergunta apontando para Martinho Lutero e suas 95 Teses. Mas se você perguntasse ao próprio Lutero, ele não iria apontar para si mesmo ou para seus escritos. Ao invés, ele daria todo o crédito a Deus e Sua Palavra.

            Perto do fim de sua vida, Lutero declarou: “Tudo o que fiz foi destacar, pregar e escrever sobre a Palavra de Deus, e além disso não fiz nada. [...] Foi a Palavra que fez grandes coisas. [...] Eu não fiz nada; a Palavra fez e alcançou tudo”.

            Em outro lugar, exclamou: “Pela Palavra a terra tem sido dominada; pela Palavra a igreja tem sido salva; e pela Palavra ela também será reestabelecida”.

            Notando o fundamento da Escritura em seu próprio coração, Lutero escreveu: “Não importa o que aconteça, você deve dizer: ‘Há a Palavra de Deus. Isso é minha rocha e âncora. Dela eu dependo e ela permanece. Onde ela permanece, eu, também, permaneço; para onde ela for, eu, também, irei’”.

            Lutero entendia o que causou a Reforma. Ele reconhecia que foi a Palavra de Deus, pregada por homens de Deus, pelo poder do Espírito de Deus, em uma linguagem que as pessoas comuns da Europa poderia entender e quando seus ouvidos foram expostos à verdade da Palavra de Deus, ela penetrou seus corações e eles foram mudados radicalmente.

            Foi esse mesmo poder que havia transformado o próprio coração de Lutero, um poder que é resumido nas palavras de Hebreus 4.12: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes”.

           Durante o fim da Idade Média, a Igreja Católica Romana havia aprisionado a Palavra de Deus no Latim, uma língua que as pessoas comuns da Europa não falavam. Os Reformadores libertaram as Escrituras ao traduzi-las. E, uma vez que as pessoas tinham a Palavra de Deus, a Reforma se tornou inevitável. Vemos esse comprometimento com as Escrituras mesmo nos Séculos anteriores a Martinho Lutero, começando com os Precursores da Reforma:

           No Século XII, os Valdenses traduziram o Novo Testamento da Vulgata Latina para seus dialetos franceses regionais. De acordo com a tradição, eles eram tão comprometidos com as Escrituras que as famílias Valdenses memorizavam grandes partes da Bíblia. Dessa forma, se as autoridades Católicas Romanas os encontrassem e confiscassem suas cópias físicas da Escritura, eles seriam capazes de reproduzir toda a Bíblia memorizada depois.

            No Século XIV, John Wycliffe e seus companheiros de Oxford traduziram a Bíblia do Latim para o inglês. Os seguidores de Wycliffe, conhecidos como Lolardos, viajaram por todo o interior da Inglaterra pregando e cantando passagens da Escritura em inglês.

           No Século XV, Jan Huss pregava na língua do povo, não em Latim, o que fez dele o pregador mais popular de Praga, nessa época. Porém, porque Huss insistia que somente Cristo era o cabeça da igreja, não o Papa, o Concílio Católico de Constance o condenou por heresia e o queimou na fogueira (em 1415).
            No Século XVI, conforme o estudo do grego e do hebraico foi recuperado, Martinho Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, terminando o Novo Testamento em 1522.

           Em 1526, William Tyndale completou a tradução do Novo Testamento em grego para o inglês. Em alguns anos, também traduziu o Pentateuco do hebraico. Pouco tempo depois, foi preso e executado como herege – foi estrangulado e depois queimado na fogueira. De acordo com o Livro dos Mártires, de Fox, as últimas palavras de Tyndale foram “Senhor, abre os olhos do rei da Inglaterra”. E foi apenas alguns anos depois de sua morte que o rei Henrique VIII autorizou a Grande Bíblia na Inglaterra – uma Bíblia amplamente baseada no trabalho de tradução de Tyndale. A Grande Bíblia lançou os fundamentos para a famosa versão King James (completada em 1611).

            O fio condutor, de Reformador a Reformador, era o firme compromisso com a autoridade e suficiência da Escritura, a ponto de estarem dispostos a sacrificarem tudo, até suas próprias vidas, para levar a Palavra de Deus às mãos das pessoas.

            Eles assim o fizeram porque entendiam que o poder da reforma e avivamento espiritual não estava neles, mas no evangelho (Romanos 1.16-17). E eles usavam o termo Sola Scriptura (“Somente a Escritura”) para enfatizar a verdade de que a Palavra de Deus era o verdadeiro poder e autoridade suprema por trás de tudo que fizeram e disseram.

            Foi a ignorância da Escritura que tornou necessária a Reforma. Foi o resgate da Escritura que tornou possível a Reforma. E foi o poder da Escritura que deu à Reforma seu impacto marcante, conforme o Espírito Santo levava a verdade de Sua Palavra aos corações e mentes dos pecadores, individualmente transformando, regenerando e dando a vida eterna.









  


POR NATHAN BUSENITZ | 30 de outubro de 2014
Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org | Original aqui

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Nathan Busenitz - Serves on the pastoral staff of Grace Church and teaches theology at The Master's Seminary in Los Angeles.