"E
os discípulos, ao verem-no andando sobre as águas, ficaram aterrados e
exclamaram: É um fantasma! E, tomados de medo, gritaram." Mateus 14:26
Eu, particularmente, acho muito
interessante a postura dos discípulos nesta passagem das escrituras, devido a
toda situação aterrorizante em que estavam e que o levaram a pensar que Jesus
fosse um fantasma.
Sabemos que o fantasma desta
história era Jesus que vinha ao encontro de seus discípulos, mas naquele
momento as coisas estavam tão confusas por causa do medo que a primeira coisa
que pensaram foi em fantasma "de verdade".
Lembro-me da primeira vez que
assisti um filme de terror. Eu tinha uns 9 anos e era terrivelmente medroso.
Nossa televisão era muito antiga, de válvula e ela fazia uns barulhos estranhos
depois de desligada. Depois do filme a televisão começou a estalar como
normalmente fazia, mas para mim ela não apenas estalava, mas estourava em
barulhos terríveis. Com certeza aquela foi uma das noites mais longas da minha
vida.
O medo gera em nós pensamentos e
sentimentos confusos, quase que infantis, coloca-nos em situações
constrangedoras que somente quando o medo passa é que vamos ver o quão
ridículos que fomos.
Tenho medo de altura e somente
a minha esposa sabe os vexames que já fiz ela passar por causa disto, graças a
Deus ela é uma pessoa muito discreta.
Quando penso em Pedro e no vexame
que passou, primeiro por achar que Jesus era um fantasma e depois por causa do
medo de se afogar, vem a minha memória a quantidade de vezes que eu também agi
assim, de forma infantil diante de Jesus.
O medo nos paralisa a tal ponto que
um homem da pesca como Pedro, que sabia nadar, esquece-se disto na hora em que
mais precisa.
Sentimentos de incerteza muitas
vezes povoam nossos corações e nos fazem ver fantasmas no meio do caminho.
Alguém já disse que Pedro teria
afundado porque não permaneceu olhando para Jesus, porque ele voltou seus olhos
para as ondas e a força do vento; mas eu penso que na hora das incertezas e do
medo, podemos até focar nossos olhos no Mestre, mas há tanto medo e desespero
em nossa alma, que vemos fantasmas onde não existem e por isto afundamos.
Pedro estava tão amedrontado que
não conseguia suportar a angústia de esperar até Jesus chegar no barco para ter
certeza da situação. Ele quis ir ao encontro do Mestre por causa de sua
ansiedade, melhor era ir ter com o Mestre pois assim saberia de pronto se era
realmente Jesus ou não, e acabaria assim com aquele filme de terror. (Mateus
14:28)
É interessante como muitas pessoas
que procuram aconselhamento chegam exatamente neste estado, vendo fantasmas
onde não existem. Elas trazem figuras gigantescas em seus corações e muralhas
intransponíveis pois o medo e as incertezas estão dominando seus sentimentos.
Para estas pessoas as alturas das
ondas e a fúria do mar parecem ser aterrorizantes e por isto acham que o
casamento desmoronou mesmo, a família está destruída totalmente, a sua vida
espiritual não tem mais restauração, seu ministério naquela igreja não tem mais
solução.
Fantasmas!
Quase que na maioria destes casos,
no dia seguinte os fantasmas já desapareceram e as coisas parecem bem menores e
mais fáceis de se resolver, reafirmando a palavra do Salmo 30:5b, "Ao
anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã".
Sei muito bem que não acredito em
fantasma, minha fé me ensinou isto, mas porque meu coração não aprende que;
"fantasmas não existem".
Quantos fantasmas povoam nossos
corações e nos tiram a visão clara de nossa fé em Jesus? Sabemos que Nele toda
tempestade está sob controle, mas temos medo. Sabemos que as ondas não nos
submergirão, mas temos receios.
Sinceramente, não quero aprender a
andar sobre as águas, o que mais quero é aprender a esperar confiante e
aquietado pelo Mestre em meu pequeno barquinho.
Fonte: www.institutojetro.com
Autor: Armando
Altino da Silva Júnior - Graduado em Administração de Empresas pela
FECEA e Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana. Pastor da
Igreja Metodista em Ribeirão Claro-PR, músico, Conselheiro Diretor do Projeto
Bóia-Fria e Secretário do Conselho Anti-Drogras, tendo trabalhado por 15 anos
em Recursos Humanos.
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