sexta-feira, 16 de junho de 2017

ESPERANÇA PARA O CRISTÃO DESCONTENTE


            Exteriormente, Chloe parece ter tudo resolvido. Ela é solteira, tem uma carreira boa e é bastante ativa em sua igreja local. Mas ela está sozinha, desencantada com sua carreira e sente-se separada da sua igreja. A casca que seus pares admiraram esconde seu descontentamento e seu cristianismo sem alegria.

            Chloe tinha imaginado uma vida diferente para si mesma. Até agora, ela pensou que estaria no seu auge, mas encontra-se em um poço de miséria. Ela pensou que iria se casar, ainda estaria ligada a seus amigos da faculdade, criaria uma família e mentoraria mulheres cristãs mais jovens. Mas sua realidade presente decepciona suas expectativas. Seu descontentamento levou-a por um caminho escuro do pecado, buscando por alívio, mas só encontrando a morte.

            A única esperança de Chloe para curar o seu descontentamento e infelicidade é aprender a arte do contentamento e abraçar uma visão bíblica sobre Deus. Essas duas coisas são essenciais para a sua alegria.

            Não é você, sou eu
           Chloe representa muitos cristãos lutando para lidar com a mão que cuida deles. A condição do seu  coração não se aplica apenas para os solteiros, mas para casados também. Todas as manhãs, cristãos em todo o país acordam descontentes com a vida – em relação a sua solteirice, ao casamento, à carreira, à igreja ou comunidade – e gostariam de trocá-la por uma vida diferente.

            O nosso descontentamento leva a ilusões sem esperança (e às vezes suicidas). Nós tentamos substituir e eliminar qualquer coisa que esteja ligada ao nosso descontentamento:

“Eu odeio ser solteira, então eu deveria arrumar alguém logo.”
“Minha esposa não me satisfaz, então eu deveria arrumar uma nova.”
“Meu trabalho não está me completando, então eu deveria me demitir.”
“Minha igreja não é emocionante, então eu deveria sair.”
“A vida é cheia de miséria, então eu deveria acabar com ela.”
“Deus não me faz feliz, então eu deveria rejeitá-lo.”

            No entanto, o problema não está na solteirice, no casamento, no trabalho, na igreja, ou em Deus. A resposta para o nosso problema nem sempre está ligada à mudança de nossa circunstância. O puritano, Jeremiah Burroughs, escreveu: “É um ditado comum de que existem muitas pessoas que não estão bem nem quando estão cheias, nem quando estão jejuando…  Há algumas pessoas que tem disposições tão irritáveis e desagradáveis que não importa em que condições elas são colocadas, são sempre antipáticas. Há alguns que têm corações desagradáveis, e eles são desagradáveis em todas as circunstâncias que encontram”.

            Doente ou saudável, solteiro ou casado, rico ou pobre, frutífera ou estéril, com fome ou fartos – independentemente da circunstância – podemos encontrar uma maneira de estar descontentes, independentemente da nossa situação na vida. O coração humano é impossível de satisfazer com condições temporais ou bens terrenos. Queremos sempre mais. A vida poderia ser sempre melhor. Como Charles Haddon Spurgeon justamente salientou, “lembre-se de que o contentamento de um homem está em sua mente, não na extensão de suas posses. Alexandre, com todo o mundo a seus pés, chora por um outro mundo para conquistar. ” No entanto, há uma maneira melhor – um caminho que leva à satisfação doce e à verdadeira felicidade.

            Contentamento doce
            A infelicidade do cristão, o descontentamento e a forma como vemos a Deus estão diretamente ligados. Descontentamento grita: “Você merece o melhor!” e sussurra: “Deus não está dando o que você merece.” Esses gritos são obviamente falsos, mas o último sussurro é profundamente verdadeiro. Satanás é o mestre da mistura de mentiras com verdades.

            É uma mentira que você merece algo melhor. Essa declaração assume que você sabe o que é melhor e que os dons de Deus não são os melhores para você. A mentira leva a acreditar que você é mais sábio do que Deus e interpreta a direção de Deus para a sua vida como um ataque ao invés de um presente e misericórdia.

            É verdade que Deus não está dando o que você merece. Nós merecemos a ira de Deus, mas diariamente recebemos novas graças. Como pode a doença, sofrimento, e outras tragédias serem consideradas misericórdias? Ao perceber que todas as manhãs nós não acordamos no inferno é um exemplo da misericórdia de Deus para conosco. Mesmo quando estamos sentindo o nosso pior, Deus está nos mostrando mais misericórdia do que merecemos. Não há calamidade ou tragédia que possamos enfrentar que seja pior do que a ira santa de Deus. Ao mesmo tempo, não há prazer terreno que possa se comparar com a glória que há de ser revelada. É assim que o apóstolo Paulo enfrentou o sofrimento: “Porque eu considero que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que há de ser revelada a nós.”

            Com isto em mente, mesmo em nosso pior dia, Deus é digno de ação de graças e louvor por tudo que fez. Ou como se costuma dizer na igreja: “Se Deus nunca fizer outra coisa por nós, Ele já fez o suficiente.” Este ponto de vista da bondade de Deus reflete um coração humilde diante de um Deus santo e bom. Essa perspectiva permite-nos sofrer bem, sabendo que o melhor ainda está por vir.

            Mas podemos ir ainda mais longe. À medida que lutamos diariamente contra o descontentamento, devemos interpretar tudo o que vem a nós como um motivo para se alegrar. Mais uma vez, Burroughs escreve: “Tenha bons pensamentos de Deus e faça boas interpretações de seus planos para você. É muito difícil viver confortavelmente e alegremente entre amigos quando se faz interpretações duras das palavras e ações dos outros. A única maneira de manter o contentamento doce e o conforto nas sociedades cristãs é fazer as melhores interpretações das coisas. Da mesma forma, a principal maneira de ajudar a manter o conforto e satisfação em nossos corações é fazer boas interpretações dos feitos de Deus para nós”.
Imagine se nós realmente acreditássemos no que a Bíblia diz sobre como Deus nos vê. Isso transformaria a maneira como interpretamos todas as ações de Deus, vendo-as como misericórdias. Eu sei que no meio das minhas batalhas com o descontentamento e com os pecados que nos assediam, é difícil ver o que está acontecendo nas nossas vidas como nada além de uma condenação e punição.


            Misericórdias de Deus, nossa alegria
            Como Chloe, a nossa insatisfação com a vida, inevitavelmente, nos leva a um ciclo de descontentamento, pecado, culpa e depressão, se não for devidamente controlada. Descontentamento acabará por levar ao pecado, o pecado à culpa, a culpa à depressão, e a depressão de volta ao descontentamento. Este ciclo lentamente destrói tudo o que encontramos e tocamos, deixando-nos sem alegria e vazios. A fim de quebrar este ciclo mortal, a busca da alegria é essencial. Tiago 1: 2-4 complementa as palavras de Burroughs:  Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.

            Se nós alegremente interpretarmos tudo o que acontece – doença, morte, perda, pobreza – como ações de misericórdia em vez de julgamento, isso transformará a nossa forma de viver como cristãos. Devemos olhar para a inerrante Palavra de Deus para encontrar o conforto de que Ele realmente nos ama e faz o bem para nós. A Escritura diz:

            É Deus quem nos ajuda, por isso não temos nada a temer. (Isaías 41:13)
O amor de Deus é apresentado e comprovado por Ele ter enviado seu Filho para morrer por nossos pecados. (1 João 4:10)
Nada pode nos separar do amor de Deus – absolutamente nada. (Romanos 8: 35-39)
Deus nos ama com um amor eterno. (Jeremias 31: 3)
Jesus nos ama com o mesmo amor que o Pai o ama. (João 15: 9)
Jesus, Filho unigênito de Deus, era um homem de dores (Is 53: 3). Ele foi desprezado e rejeitado pelos homens, sofreu e morreu por crimes dos quais era inocente, e sofreu ao máximo a ira de Deus pelos pecados que nunca cometeu. Deus ordenou tudo isso. Por quê? Porque Deus nos ama (João 3:16). E porque Ele nos ama, devemos esperar sofrimento nesta vida, como Cristo sofreu, porque “nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado. (Romanos 5: 3-5).

            Mas graças a Deus, “Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo” (2 Coríntios 1: 5). Nossa capacidade de interpretar as ações de Deus em relação a nós como boas está inevitavelmente ligada à nossa satisfação e alegria. Se não podemos ver sua providência como boa, nós nunca estaremos contentes, e sem contentamento, nunca iremos conhecer plenamente a alegria que Ele tem para nós.






Autor: Phillip Holmes served as a content strategist at desiringGod.org. He’s married to Jasmine. They have a son.

Traduzido por Kimberly Anastacio | Reforma21.org | Original aqui


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