Como surgem e o que representam
Introdução.
É sempre importante pensar sobre
valores. Eles referem-se aos elementos e experiências que tornam a vida
significativa.
Valores também tratam de
relacionamentos que criam o sentimento que diz “vale a pena viver”.
Valores essencialmente motivam
pessoas a trabalhar, poupar, gastar, investir e esperar um retorno que
recompense o esforço e o tempo investido.
Valores podem vir de coisas,
sistemas, ideais, experiências, pessoas e muito mais.
Qualquer coisa ou experiência que dá
significado à vida seria um valor. Qualquer bem no mundo criado pode se tornar
um valor, como o teólogo Thomas Oden reconhece no seu livro Two Worlds (Dois
Mundos), que descreve a morte da modernidade nos Estados Unidos e na Rússia.
Valores são tentadores porque
prometem felicidade.
Ela pode ser imediata ou a longo
prazo. Jovens estudam dia e noite para passar no vestibular e ingressar numa
boa universidade que ofereça o curso mais desejável. Sacrificar-se para
tornar-se aluno da melhor universidade e conseguir ser aprovado suscita no
estudante a felicidade de ter conquistado um valor intermediário. Em seguida,
precisa trabalhar duro para alcançar uma meta que servirá como um degrau na
procura de uma futura posição que pague bem. Tem muito significado para o
estudante que deseja este valor. Talvez poderá acumular outros valores, como
casar com uma moça bonita e bem colocada na escala social. Valores como estes
motivam a maioria dos jovens ambiciosos.
Os valores competem entre si.
Na corrida para se alcançar sua
meta, o estudante poderá criar um atrito sério com seu pai que queria que fosse
um mecânico como ele próprio é. O valor de subir para um alto nível na
sociedade compete com o desejo de agradar o pai. O pai de Martinho Lutero quis
que seu filho fosse um advogado bem-sucedido, não um monge. O conflito na
carreira foi fonte de ansiedade para o reformador.
Competição entre valores cria ansiedade! O
professor Oden aponta para uma verdade prioritária. “Quando se eleva um valor
finito para a centralidade, alguém escolhe o que Jesus e os cristãos chamam de
um ‘deus’. Trata-se um valor finito como algo do qual não se pode conceber
outro valor mais alto” (p. 95). O teólogo Paul Tillich acreditava que o último
valor está dentro de nós. Seria o único deus que existe, um deus criado pela
escolha de um valor pelo qual todos os outros são julgados e avaliados. Onde está
o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Deus criador do universo e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo?
O problema.
Quando se atribui valor a um bem que
não seja Deus, esse valor se torna idólatra. Paulo descreve este pecado mais
grave cometido pela humanidade como “trocar a glória do Deus imortal por
imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros,
quadrúpedes e répteis” (Rm 1:23).
Quando valores não centram em Deus,
automaticamente as pessoas procuram valores humanos temporais, idólatras. A
idolatria trata um valor limitado como se fosse absoluto, segundo afirmou
Agostinho. Um filho ou cônjuge em quem concentramos nossa principal fonte de
felicidade tem potencial idólatra (veja Oden, p.95). Por isso, Paulo entendeu
que “ganância... é idolatria” (Cl 3:5b).
A tendência humana.
A tendência de todos os descendentes
de Adão é claramente atribuir às coisas boas, tais como relacionamentos
familiares, sucesso, uma refeição especial, sexo ou qualquer outro bem, um
valor substitutivo, destronizando Deus. Nesse caso, a satisfação vem do bem e
não de Deus, motivo pela qual os homens não agradecem Àquele que lhes deu o
valor desfrutado. Contudo, congratulam-se pelos próprios esforços.
O valor da salvação.
A salvação, que tem um valor
inestimável, não pode ser alcançada pelas obras ou por meio de justiça própria,
simplesmente porque nesse caso poderíamos agradecer a nós mesmos e não ao
doador de todo bem.
“Dele, por ele e para ele são todas as
coisas” (Rm 11:36) é a declaração que apresenta a visão bíblica do único Deus
verdadeiro. A definição de quem Deus é nos ajuda a entender como valores
intermediários, e não últimos, se tornam os alvos de nossa busca. Se nosso
prazer não encontra sua maior satisfação em conhecê-Lo, gozar comunhão com Ele
e obedecer-Lhe, automaticamente buscaremos um valor menor. Certamente, esta seria a razão pela qual o
maior de todos os mandamentos é amar a Deus de todo o coração, de toda a alma,
de todo o entendimento e de todas as forças (Mc 12:30). Nossos valores estão
enraizados naquilo que mais amamos.
Conclusão.
À luz desta verdade, podemos melhor
entender por que “o amor ao dinheiro (algo tão valorizado por muitos) é a raiz
de todos os males” (1 Tm 6:10). Cobiçando riqueza, abandonamos o maior bem.
Fazemos da riqueza nosso ídolo e relegamos o Senhor a um plano inferior
Russel Shedd - Russell Philip
Shedd (Aiquile, Bolívia, 10 de novembro de 1929 - São Paulo, 26 de novembro de
2016) Teólogo evangélico e missionário da Convenção Batista Conservadora no Sul
do Brasil. PhD em Teologia do Novo
Testamento e doutor em Divindade.
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