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ANALOGIAS MESSIÂNICAS

 

E há ainda também muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se cada uma fosse escrita, eu suponho que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que seriam escritos. Amém” (João 21:25 – BKJ).

         


            Introdução

            O teólogo J.M. Price afirma que: “Jesus viu no ensino a gloriosa oportunidade de formar os ideais, as atitudes e a conduta do povo em geral. Ele não se distinguiu primeiramente como orador, como reformador, nem como chefe, e, sim, como mestre. Vemos perfeitamente que ele não pertenceu à classe dos escribas e rabinos que interpretavam minuciosamente a Lei. Não. Ele ensinou. De forma alguma se distinguiu ele como agitador da massa popular. Não comprometeu sua Causa com apelos em reuniões populares, com práticas ritualistas, ou com manobras políticas, não. Ele confiou sua Causa aos prolongados e pacientes processos de ensino e de treinamento”.1

             Em seu livro A Pedagogia de Jesus, J.M. Price cita L. A. Weigle: “Jesus lançou mão do método educativo, de não do método de força política ou do poder”.2

            Cita também E. J. A. Marquis: A principal ocupação de Jesus foi o ensino. Algumas vezes ele agiu como curador, outras vezes operou milagres, pregou frequentemente; mas foi sempre o Mestre. Ele não se pôs a ensinar porque não tivesse outra coisa a fazer, mas, quando não estava ensinando, estava fazendo qualquer outra coisa. Sim, ele fez do ensino o agente principal da redenção”.3

            A Sua metodologia de ensino era fantástica. A forma de abordar as pessoas era inigualável. O respeito às minorias, mulheres, viúvas, órfãos, doentes, aleijados, cegos, surdos e crianças O destacava de forma escancarada diante da postura dos líderes religiosos da época.

            É surpreendente a diversidade de recursos que Ele tinha a Sua disposição para alcançar as pessoas: fazia uso de perguntas, de parábolas, usava figuras de linguagem (em destaque as metáforas) e analogias, entre outras.

            A simplicidade, a objetividade e a clareza com que ministrava alcançava a todos que estivessem dispostos a ouvi-Lo, independentemente de qualquer barreira étnica, cultural ou social existente naquela sociedade.

            Vejamos alguns exemplos de analogias usadas para descrever o Reino dos Céus:             

                   

            - “Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo” (Mateus 13:24).

            “A parábola do joio foi registrada apenas por Mateus. Ela indica que nem todos os que professam aceitar os princípios do reino dos céus são de fato o que aparentam. Judas era um desses. Os que se tornam discípulos de Cristo não devem se surpreender de encontrar no “reino dos céus” – o reino da graça divina nesta Terra (ver com. De Mt 3:2; 4:17) – alguns cujas vidas não foram transformadas pelo evangelho. Cristo queria que soubéssemos que tais não foram semeados por Ele, que a vida deles não é produto da semente do evangelho. Sua presença na igreja se deve ao fato de que “um inimigo” os “semeou” ali, com o duplo propósito de pôr em risco o “trigo” (ver com. de Mt 13:29) e desonrar e arruinar o dono do “campo”4

 

             - Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo” (Mateus 13:31).

            “Provável referência à Sinapis nigra, ou mostarda negra, que cresce em abundância na Palestina e também é cultivada com frequência por suas sementes, usadas como condimento. Na literatura judaica, o grão de mostarda é utilizado para indicar algo diminuto.

            A mostarda da parábola não era selvagem, isto é, não crescia acidentalmente.

            Embora Satanás, o inimigo reivindique este mundo como seu, o “campo” pertence a Deus. Isso se aplica em especial à igreja, à qual talvez esta passagem se refira (ver PJ, 70)”.5

.

            O grão de mostarda era o menor grão semeado na Palestina, muito menor que o de trigo ou de cevada, por exemplo. Mas sua planta, quando desenvolvida, era maior que as demais. Os líderes judeus olhavam com desdém para a multidão heterogênea que ouvia a Jesus, em particular, os poucos lavradores e pescadores analfabetos que, como Seus discípulos, se assentavam próximo dEle.

 

             - “Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado” (Mateus 13:33).

            O Reino de Deus é semelhante ao fermento porque, assim como o fermento é um agente que faz a massa crescer, o Reino de Deus também se expande e transforma a vida das pessoas de maneira sutil e poderosa. Jesus contou essa parábola em Lucas 13:20-21, onde uma mulher esconde o fermento em três medidas de farinha até que toda a massa fique levedada. Isso ilustra como o Reino de Deus pode começar pequeno, mas tem o potencial de crescer e impactar significativamente.

 

             - “Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo” (Mateus 13:44).

            É uma parábola de Jesus que ilustra a grandeza e a importância do Reino de Deus.

            Essa parábola enfatiza que o Reino de Deus é algo de grande valor e que, ao ser descoberto, faz com que a pessoa venda tudo o que possui para adquirir esse tesouro.

            A descoberta do tesouro simboliza a revelação do Reino, que traz alegria e transformação, exigindo uma decisão radical de viver com prioridade espiritual.

            Essa parábola nos lembra da urgência de buscar e valorizar o Reino de Deus em nossas vidas.

 

             - “Outrossim o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas” (Mateus 13:45).

            Neste versículo, Jesus descreve o reino dos céus como semelhante a um homem que busca boas pérolas, encontrando uma pérola de grande valor e, em troca, vende tudo o que possui para adquiri-la. Essa metáfora ilustra a busca intensa e o sacrifício necessário para alcançar a verdadeira riqueza espiritual, que é o reino de Deus.

             “A parábola do negociante que buscava boas pérolas tem significado duplo: aplica-se não somente àqueles que procuram o reino dos Céus, como também a Cristo, que procura Sua herança perdida. Cristo, o Negociante celestial que busca boas pérolas, viu na humanidade perdida a pérola de preço. Viu as possibilidades de redenção do ser humano corrompido e arruinado pelo pecado. Corações que têm sido o campo de conflito com Satanás e foram salvos pelo poder do amor são mais preciosos ao Salvador do que aqueles que jamais caíram. Deus contemplou a humanidade não como desprezível e indigna; contemplou-a em Cristo, viu-a como se podia tornar pelo amor redentor. Reuniu todas as riquezas do Universo e as ofereceu para adquirir a pérola”. 6

 

             - “Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes” (Mateus 13:47).

            A parábola compara o Reino de Deus a uma rede lançada ao mar, que recolhe peixes de toda espécie. Essa imagem simboliza a abrangência do Reino, onde todos são chamados, mas haverá uma separação final entre os justos e os ímpios. Os peixes bons são puxados para a praia e armazenados, enquanto os ruins são lançados fora refletindo a justiça divina e a necessidade de todos se envolverem no evangelho e viver de acordo com os ensinamentos de Cristo.

 

            - “E ele disse-lhes: Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mateus 13:52).

            A expressão "o reino de Deus é semelhante a um pai de família" é uma metáfora bíblica que ilustra a autoridade e a responsabilidade que os discípulos de Jesus têm em ensinar e guiar os outros.

 

             - “Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha” (Mateus 20:1).

            Em Mateus 20:1-10, Jesus compara o reino dos céus a um pai que sai de madrugada para trabalhar na sua vinha, ajustando os salários com os trabalhadores.

            Essa comparação enfatiza a importância de ser um "escriba instruído", que deve compartilhar tanto as coisas novas quanto as velhas do conhecimento divino.

            O pai de família é descrito como um provedor que cuida de suas crianças e de suas necessidades, simbolizando a vigilância e o cuidado que os discípulos devem ter ao ensinar.          

            Essa metáfora nos lembra que, assim como um pai, devemos ser cuidadosos e responsáveis na transmissão do ensino espiritual.

            Esses ensinamentos ressaltam a importância de discernimento e dedicação na missão de ensinar e guiar os outros em sua fé.

 

            - “O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho” (Mateus 22:2).

            A parábola do reino de Deus é encontrada em Mateus 22:1-14, onde Jesus compara o reino de Deus a um rei que celebrou as bodas de seu filho. O rei enviou servos para chamar os convidados, mas muitos não compareceram. Em seguida, o rei enviou outros servos, mas também não houve comparecimento. Por fim, ele enviou seus exércitos para destruir aqueles que não compareceram. A parábola ilustra a importância de aceitar o convite do reino de Deus, pois aqueles que não o fazem enfrentarão consequências graves.

 

           10ª - “Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo” (Mateus 25:1).

            A parábola das dez virgens encerra uma lição sobre a importância de estar preparado para a vinda de Cristo. Ela descreve como o Reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, ao sair ao encontro do noivo, algumas são prudentes e levam azeite, enquanto outras são imprudentes e não o fazem. O noivo representa Jesus, e a porta do noivo simboliza a entrada na festa de bodas, que é o Reino dos Céus. As virgens imprudentes, ao perceberem que as outras estão preparadas, pedem ajuda, mas são rejeitadas. A parábola enfatiza a vigilância e a prontidão espiritual, lembrando que não sabemos o dia nem a hora da vinda de Cristo, portanto, devemos estar sempre preparados.

           

 

            Conclusão

            Percebe-se que Jesus usou: É, é, é, ... (nos nove primeiros textos bíblicos apresentados); e será (no último)?  É - tempo verbal presente e será - modo futuro. Por quê?

            Porque este acontecimento ainda não ocorreu. Está reservado para acontecer por ocasião da segunda vinda de Jesus; será celebrado entre os salvos e o Salvador!

            Diferentemente da eternidade, nosso tempo é limitado. Um dia, vamos morrer ou Jesus voltará antes. Ninguém sabe quando seu tempo na terra acabará, mas, quando esse dia chegar, não haverá mais oportunidade para arrependimento. Nosso destino já estará selado. Por isso, precisamos agir já!

            Não podemos deixar a mudança de vida para outra hora, porque não sabemos se vamos ter outra oportunidade. “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação” (Hebreus 3:15).

            Este é o meu desejo e a minha oração.

            Amém!!!

 

 

 

 

Referências bibliográficas:

 

1 - A Pedagogia de Jesus – O Mestre Por Excelência, págs. 14/15, Juerp 1975

2 - A Pedagogia de Jesus – O Mestre Por Excelência, pág. 15, Juerp 1975

3 - A Pedagogia de Jesus – O Mestre Por Excelência, pág. 15, Juerp 1975

4 - Comentário Bíblico Adventista – Série Logus, vol. 5, pág. 426, CPB 2013.

5 - Comentário Bíblico Adventista – Série Logus, vol. 5, pág. 428, CPB 2013.

6 - Ellen G. White, Parábolas de Jesus, CPB, p.118.

 

 

 

 

 

 

©Nelson Teixeira Santos

 

 

 

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