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A ORAÇÃO DE MANOÁ

 

Então Manoá suplicou ao SENHOR, e disse: Ó Senhor meu! Permita que o homem de Deus que enviaste venha novamente a nós, e nos ensine o que devemos fazer à criança que haverá de nascer” (Juízes 13:8 – BKJ).

 

            Introdução

            Não se trata de uma crítica e sim de uma constatação. Entre as instituições religiosas, qualquer que seja e nós não somos a exceção, existe a tendência de priorizar certas partes das Escrituras Sagradas em detrimento de outras. Isso é fato. Todas, sem exceção adotam essa prática. Como consequência, prós e contras passam a existir.

            Por exemplo: Se você já fez Ano Bíblico alguma vez, certamente passou batido, não se deteve o suficiente para assimilar; ou talvez nunca te contaram esta parte da história – o texto chave: Juízes 13:8.

            E acredite, quando entendermos essa oração, certamente nunca mais veremos a história de Sansão da mesma forma.

 

            O começo

            Muito antes que Sansão fosse um juiz em Israel, dotado se uma extraordinária força sobre-humana, antes das suas inúmeras façanhas, antes das tragédias vivenciadas, antes das falhas morais e da desobediência aos votos de nazireu (viver sem o consumo de bebidas alcoólicas, ficar longe de animais impuros, não tocar em cadáveres, jamais cortar o cabelo), antes de tudo, havia um pai e uma mãe tementes a Deus. Um pai chamado Manoá.

            Manoá (em hebraico: מָנ֫וֹחַ Mānoaḥ) é um personagem do Antigo Testamento, encontrado no Livro dos Juízes 13:1-23 e 14:2-4 da Bíblia Sagrada. Seu nome significa "descanso" e "paz". Manoá foi um homem da tribo de Dã, residente na cidade de Zorá.

            O nome da esposa de Manoá não é mencionado no texto bíblico, entretanto alguns escritos rabínicos se referem a ela como Hazelelponi. Era estéril, provavelmente foi uma mulher de origem simples, assim como seu marido. Alguns sugerem que pertenceu a tribo de Judá, tribo vizinha a Dã. Após casar-se, ela passou a morar com seu marido em Zorá, tendo se mudado posteriormente para Maané-Dã. A Bíblia não faz outras menções a ela, além de ser mãe do juiz Sansão (foi o 12° juiz em Israel durante 20 anos).

            Detalhe; a primeira vez em Manoá que aparece na Bíblia, aparece orando. Não pedindo dinheiro. Não pedindo fama. Não pedindo êxito. Porém, pedindo algo que só os pais que amam de verdade entenderão: “Senhor… ensina-nos como criar o nosso filho” (Juízes 13:8).

 

            Imagine essa cena

            Um pai preocupado. Um pai que sabe que trazer um filho ao mundo implica em uma enorme responsabilidade. Um pai prestes a assumir a paternidade pensa:

            E se eu me enganar?

            E se eu não souber fazer direito?

            E se eu não for suficientemente capaz?”

            Manoá não pediu um filho forte. Pediu sabedoria para criá-lo. Porque os pais que amam de verdade sabem que um filho não é somente um filho. É um coração. É um futuro. É uma vida que Deus nos confia temporariamente.

 

            A experiência da paternidade

            Certamente Manoá carregou Sansão quando ele era pequeno. Certamente lhe contou histórias bíblicas. Certamente viu Sansão dar os primeiros passos. Certamente o viu correndo pela casa. Certamente escutou suas risadas, seus choros. Certamente o abraçou quando ele sentia medo. Certamente orou por ele quando ele dormia. Porque todos os pais fazem isso. Olham seus filhos a dormir… e pedem a Deus em silêncio: “Cuide deles Senhor, quando eu não puder.” Porque a vida as vezes trás algo que machuca o coração dos pais. Chega o momento em que os filhos crescem. E começam a fazer escolhas. Escolhas que as vezes os pais sabem que não são boas.

 

            A tendência humana

            Sansão começou a fazer escolhas erradas. Relacionamentos errados. Impulsos sem controles. Advertências ignoradas. E a gente pode imaginar a dor silenciosa de Manoá e sua esposa. Ver o filho caminhar por um caminho que o iria destruir. Isso dói de uma forma que só os pais entendem. Porque há pais hoje que conhecem essa mesma dor. Pais que criaram seus filhos com amor. Que os levaram a igreja. Que lhes ensinaram a orar. Que trabalharam duro para dar-lhes o melhor. E um dia eles veem que seus filhos tomarem caminhos que os destroem.

 

            Caminhos

            Caminhos de dependências. De más decisões. De más companhias (I Cor 15:33-34), ou seja, de pessoas que os afastam não somente do que é bom, mas de Deus, da salvação que Ele graciosamente nos oferece. E novamente, o coração de um pai se enche de perguntas.

            Onde foi que eu errei?”

            O que mais eu poderia ter feito?”

            Por que meu filho está sofrendo assim?”

            Acredite; há pais que choram em silêncio. Pais que olham fotos de quando seus filhos eram pequenos. Pais que lembram quando os carregavam no colo. Quando os levavam pela mão. Quando tudo parecia mais fácil. Quando tudo parecia estar sob controle. E agora só podem olhar, olhar com impotência. E mais uma pergunta: Será?

 

            O desfecho

            A fase final da história de Sansão: Um homem cego. Acorrentado. Humilhado.

            O homem mais forte… agora destruído por suas próprias decisões. E não se pode deixar de pensar no coração daquele pai e uma mãe que oraram: “Senhor, ensina-nos a criar essa criança”.

            Mas mesmo ali há uma centelha de esperança. Porque no final de sua vida, Sansão voltou a falar com Deus. Depois de tudo. Depois dos erros. Depois das quedas, Sansão ainda se lembrou de Deus (Provérbios 22:6).

            E isso revela algo que muitos pais precisam ouvir. Quando pais plantam amor, quando plantam oração, quando plantam fé; essas sementes não morrem. Às vezes podem parecer adormecidas. Às vezes parecem esquecidas. Mas em algum momento, no momento oportuno, no momento de Deus, elas voltam a despertar.

 

            Por quê?

            Porque há algo que nunca deixa de lutar por um filho. O amor de um pai. O amor de uma mãe. O amor de Deus. Talvez hoje haja pais lendo isto com o coração apertado. Pensando em um filho. Lembrando quando era pequeno. Desejando poder protegê-lo outra vez.

            A história de Manoá lembra algo que às vezes é difícil de acreditar. Embora um filho possa se perder temporariamente, Deus ainda sabe encontrá-lo (onde, como e quando). Porque o amor de pais que oram, pode encontrar o amor de Deus que nunca deixa de buscar perdidos. Está escrito na NTLH - Nova Tradução na Linguagem de Hoje em Lucas 19:10: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar quem está perdido”. O Espírito de Profecia assevera: “Colaborando a vontade do homem com a de Deus, ela se torna onipotente. Tudo que deve ser feito a seu mando pode ser cumprido por seu poder. Todas as suas ordens são promessas habilitadoras” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, CPB, página 333).  

 

            Conclusão

            Devemos dar graças a Deus por todo ensinamento existente em Sua Palavra; pois as Santas Escrituras são uma fonte inesgotável de sabedoria e servem para muitas coisas - para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça;

2 Timóteo 3:16 (II Tim 3:16-17).

            Também necessitamos render-Lhe graças porque a oração de Manoá é muitas vezes a nossa oração; oração muitas vezes negligenciada.

            Carecemos rogar ao Senhor pela nossa agenda de oração que tanto necessita de Ti.

            Precisamos orar, rogar, clamar, suplicar a Deus pela salvação de nossos filhos. Para que a semelhança de Manoá e sua esposa que oraram por Sansão e isso fez com que seu nome constasse na galeria de fé de Hebreus 11, naquele glorioso dia da volta de Jesus possamos exclamar: “Eis-nos aqui com os filhos que nos destes” (Is 8:18).

            Este é o meu desejo e a minha oração.

            Amém!!!

 

 

 

 

 

©Nelson Teixeira Santos

 

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